19.5.22

A revolução cubana

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. Cuba alcançou sua independência tardiamente, em 1898, após sair vitoriosa do conflito contra a Espanha. 

. Os EUA apoiaram a luta de independência dos cubanos e enviaram tropas para a ilha, pois tinham o interesse em afastar a influência das potências europeias do continente americano. 

. Em 1901, os norte-americanos aprovaram a Emenda Platt que autorizava intervenção política e militar na ilha para protegê-la de ameaças externas. 
. A intervenção norte-americana em Cuba foi questionada por políticos e intelectuais cubanos contrários a submissão dos interesses nacionais.
A economia cubana dependia,  essencialmente, da produção e venda do açúcar para os EUA. 
. Em 1952, Fulgêncio Batista, tomou o poder e impôs a ditadura em Cuba. 

Em 26 de julho de 1953, um grupo de jovens tentou derrubar o governo, entre eles estava Fidel Castro. O ataque foi repelido, alguns rebeldes morreram outros foram presos ou banidos do país. 
. Fidel Castro exilou-se no México, onde conheceu o argentino Ernesto Che Guevara. Che Guevara juntou-se à Castro para lutar contra a ditadura de Batista.
. Em 1956, um grupo armado desembarcou na ilha (Movimento 26 de Julho) para confrontar as tropas do governo. Escondidos em Sierra Maestra, os guerrilheiros estabeleciam bases de onde partiam para combater e atacar o exército. 
. O Movimento conquistou vitórias e conseguiu apoio de oposicionistas ao governo de Fulgêncio Batista. Em 1959, o ditador fugiu de Cuba.
Em seguida, os guerrilheiros entraram triunfalmente na capital, Havana.

. Fidel Castro assumiu o poder e permanecerá no comando até 2008.
. No governo  Fidel Castro promoveu reformas sociais: distribuiu terras para os camponeses e nacionalizou empresas estrangeiras.
. As nacionalizações colidiram com os interesses econômicos norte-americanos e afetaram suas empresas na ilha, gerando um afastamento de Cuba e E.U.A.
. Fidel Castro, em plena Guerra Fria, entrou em contato com os soviéticos, os quais passaram a fornecer petróleo e armas para Cuba, além de comprar o açúcar cubano.
. Em 1961, o governo norte-americano rompeu relações diplomáticas com Cuba.
. No mesmo ano, um grupo de guerrilheiros que vivia exilado na Flórida desembarcou na Baía dos Porcos com o objetivo de derrubar o governo de Castro. Porém, não tiveram sucesso. 
. Fidel Castro aproximou-se mais da U.R.S.S e declarou o caráter socialista da revolução.
. 1962: ocorreu a crise dos mísseis. A U.R.S.S instalou mísseis em Cuba. Os E.U.A. descobriram e o mundo ficou próximo de uma guerra entre as duas superpotências. O conflito foi evitado após negociação dos líderes John Kennedy e Nikita Kruschev. 


Os mísseis foram retirados, e os norte-americanos comprometeram-se a não tentar nova intervenção armada contra Cuba.
. Para consolidar o regime cubano, houve perseguição aos opositores e a produção cultural passou a ser controlada pelo governo.
. Com o fim da U.R.S.S em 1991 Cuba perdeu muito do apoio financeiro e político que recebera. Assim, buscou-se a alternativa de explorar o turismo e abrir a economia para a entrada de capitais estrangeiros, principalmente espanhóis e franceses.
. Raúl Castro, irmão de Fidel, assumiu o poder em 2008 e um processo de reaproximação com os E.U.A foi iniciado. Em 2014, as relações diplomáticas entre os dois países foram restabelecidas, o que permitiu a assinatura de alguns acordos comerciais. Em 2016, o presidente Obama visitou Havana, sendo o primeiro presidente estadunidense a viajar para Cuba desde o início da Revolução. 
Raúl Castro e Barack Obama (2016).


18.5.22

Avaliação: Revolução Russa (1917); Estado Totalitário - Stalinismo

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Atividades sobre a Revolução Russa de 1917 e Estado Totalitário Stalinista (1924-1953).

1. Observe e analise a imagem a seguir:
Camarada Lênin limpa o lixo da Terra. Viktor N. Deni. Litografia colorida, 1920.

Agora responda:

a) Quais grupos sociais foram representados como lixo? Por que?
b) Que grupo social protagonizou a Revolução de Outubro de 1917? Cite as mudanças política e socioeconômicas que ocorreram na Rússia após o êxito do movimento.

2. (Unicamp – SP) “Em 1924, após a morte de Lenin, dois dos mais destacados dirigentes do Partido Bolchevique opuseram-se: para Trótski, tratava-se de defender a revolução permanente; para Stalin, tratava-se de defender o socialismo em um só país. Stalin venceu a disputa e, a partir de então, a figura de Trótski foi sendo progressivamente retirada dos documentos soviéticos”

a) Transcreva o trecho que explica a divergência entre Trótski e Stalin;
b) Explique por que o estalinismo precisou varrer a imagem de Trótski da história soviética.

3. (PUC-RS) Em 1917, liderados por Lênin e Trótski, os bolcheviques ganharam popularidade com as Teses de Abril, enunciadas na plataforma "paz, terra e pão", que propunha:a) a manutenção da Rússia na Primeira Guerra Mundial, a conquista da Manchúria e a formação dos sovietes.b) a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial, a instauração de uma monarquia parlamentar e a formação da Guarda Vermelha. c) a entrada da Rússia na Primeira Guerra Mundial, a instalação da ditadura do proletariado e a adoção de uma nova política econômica (a NEP).d) a manutenção da Rússia na Primeira Guerra Mundial, o domínio dos estreitos de Bósforo e Dardanelos e a formação de um parlamento (Duma). e) a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial, a divisão das grandes propriedades entre os camponeses e a regularização do abastecimento interno.4. (UFRJ) Leia o texto a seguir.


Em 1921, o problema nacional central era o da recuperação econômica – o índice de desespero do país é eloquente: naquele ano, 36 milhões de pessoas não tinham o que comer. Nas novas e ruinosas condições da paz, o “comunismo de guerra” revelava-se insuficiente: era preciso estimular mais efetivamente os mecanismos econômicos da sociedade. Assim, ainda em 1921, no X Congresso do Partido, Lenin propõe um plano econômico de emergência: a Nova Política Econômica.

Fonte: NETO, J. P. O que é Stalinismo. São Paulo: Brasiliense, 1981.

Sobre a chamada Nova Política Econômica é correto afirmar que

a) ela reintroduziu práticas de exploração econômica anteriores à Revolução Russa de 1917 que se traduziram num abandono temporário de todas as transformações socialistas já feitas e um retorno ao capitalismo.
b) ela consistiu na manutenção de elementos econômicos socialistas, na organização da economia (como o planejamento) e na permissão para o estabelecimento de elementos capitalistas por meio da livre iniciativa em certos setores.
c) ela significou fundamentalmente uma reforma agrária radical que promoveu a coletivização forçada das propriedades agrárias e a construção de fazendas coletiva, os Kolkhozes.
d) seu resultado foi catastrófico, mesmo permitindo a volta controlada de relações capitalistas na economia, já que ela ampliou ainda mais o nível de desemprego e produziu fome em grande escala.
e) ela significou, com a abertura para o capitalismo, um aumento substancial da produção industrial, mas, ao mesmo tempo, por ter retirado todos os incentivos anteriormente concedidos à produção agrícola, foi a razão da ruína do campo.


5. (Ufjf) Sobre o contexto social da Rússia, anterior à Revolução Bolchevique de 1917, é incorreto dizer que:

a) a grande massa da população era camponesa, reflexo das condições econômicas e sociais anteriores, havendo grande concentração fundiária nas mãos de poucos.
b) a industrialização estava restrita a poucas cidades, como Moscou e São Petersburgo, e fora financiada, em grande parte, pelo capital europeu ocidental.
c) apresentava uma burguesia forte e organizada, com um projeto revolucionário amadurecido, que defendia, entre outros aspectos, a criação de uma República no lugar do governo czarista.
d) o proletariado enfrentava péssimas condições de vida nas cidades, fruto dos baixos salários, mas dispunha de um certo grau de organização política, que possibilitava sua mobilização.
e) após o fim da servidão, houve uma intensa migração do campo em direção à cidade, contribuindo para o aumento da mão-de-obra disponível, que seria direcionada, em grande parte, para a indústria.


6. Considere as afirmações sobre a Revolução Russa de 1917 e seus desdobramentos.

I - Após a chamada “Revolução de Fevereiro”, de 1917, e a abdicação do czar Nicolau II, foi instaurado um regime parlamentar liberal, mais tarde removido pela Revolução Bolchevique de outubro do mesmo ano.

II - Durante a guerra civil que se seguiu à Revolução, os Estados Unidos e as principais potências europeias apoiaram a luta dos bolcheviques contra os chamados “brancos” contrarrevolucionários.

III - Nos grandes expurgos da década de 1930, muitos dos “velhos bolcheviques”, antigos revolucionários aliados de Lênin, foram removidos do poder e executados a mando de Josef Stalin.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e III.
e) I, II e III.

7. (UFRRJ)
"DECRETO SOBRE TERRAS DA REUNIÃO DOS SOVIETES DE DEPUTADOS OPERÁRIOS E SOLDADOS.
26 de outubro (8 de novembro) de 1917

Fica abolida, pelo presente decreto, sem nenhuma indenização, a propriedade latifundiária. 2) Todas as propriedades dos latifundiários, bem como as dos conventos e da igreja, acompanhadas de seus inventários, construções e demais acessórios ficarão a disposição dos comitês de terras e dos Sovietes de Deputados Camponeses, até a convocação da Assembleia Constituinte. 3) Quaisquer danos causados aos bens confiscados, que pertencem, daqui por diante, ao povo, é crime punido pelo tribunal revolucionário. Presidente do Soviete de Comissários do Povo - Vladimir Ulianov - Lênin".
(ln: NENAROKOV, A. P. 1917: "a Revolução mês a mês". Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967. p.169.)

A edição deste decreto pelo novo governo revolucionário russo imediatamente após a tomada do poder exprime a necessidade de
 
a) explicitar o caráter camponês da Revolução Russa.
b) dar a burguesia russa uma garantia de que seus bens e propriedades permaneceriam intocados.
c) enfraquecer o poder dos antigos latifundiários e ganhar a imensa massa camponesa russa para a causa da Revolução, garantindo seu acesso à terra a partir de uma reforma agrária.
d) permitir aos antigos proprietários das terras, a nobreza expropriada pela Revolução de fevereiro de 1917, a retomada de seus direitos.
e) garantir a propriedade privada da terra para os novos detentores do poder, os Sovietes de Deputados e Camponeses.

15.5.22

Humanidades e Ciências Sociais (HCS): Identidade

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O que é Identidade?

O conceito de identidade é bastante utilizado na área de Ciências Humanas e é recorrente no trabalho de antropólogos, psicólogos, historiadores e pesquisadores da área interdisciplinar de Estudos Culturais.

A noção de identidade é muito abrangente e se desdobra em diversos conceitos, como identidade étnica, identidade nacional, identidade social entre outros.

A identidade, basicamente, constitui um repertório de representações que caracterizam os indivíduos e definem o seu comportamento. No Brasil, por exemplo, temos dentro do mesmo território grupos identitários muito distintos, os quais estão conectados por seus projetos em comum. Vejamos o caso do movimento indígena brasileiro. 
Índios reunidos em Brasília (DF).

Pense nos povos indígenas, o que os une? Eles possuem um passado em comum? Compartilham os mesmos valores? Têm as mesmas aspirações e projetos para o futuro?

Se as respostas forem sim, isso significa que o grupo dos índios que vivem no Brasil possuem uma identidade semelhante, eles podem ter suas diferenças culturais, mas há um conjunto de características que os aproxima e marca sua identidade social e cultural.

Você já ouviu alguém dizer que o Brasil é a "terra do futebol"? Essas máximas são exemplos de identidade que podem ou não corresponder à realidade. Para muita gente, aqueles que gostam de futebol, o país pode mesmo ser a terra do jogo criado pelos britânicos. 



Para aqueles que não acompanham e nem se interessam pelo esporte o rótulo de "terra do futebol" não faz o menor sentido. É preciso tomar cuidado com as generalizações, pois as diferenças regionais, étnicas e sociais não comportam simplificações. Há múltiplas identidades convivendo num mesmo território que precisam ser consideradas e levadas em consideração nos estudos de Ciências Humanas e Sociais. 

Nós, estudantes do ensino médio, possuímos identidade? Quem somos? O que pensamos a respeito do nosso futuro? Afirmações genéricas, como "terra do samba", "país tropical" e "terra do futebol" são capazes de explicar toda a realidade brasileira? Elas constituem de fato toda a identidade nacional? 

Atividade para reflexão

1. Quais aspectos da identidade brasileira a música destaca?
2. Você concorda com as afirmações feitas nas duas estrofes iniciais? Justifique.
3. Qual o problema que a música destaca? 
4. Aponte as causas e sugestões que poderiam solucionar os problemas apontados na música.

12.4.22

Humanidades e Ciências Sociais (HCS): Choque cultural

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O choque cultural ocorre quando indivíduos pertencentes a culturas diferentes entram em contato uns com os outros. 
Tal encontro gera um estranhamento que pode ser superado ou visto como um empecilho que irá distanciar os povos e culturas distintas.

Vejamos o exemplo de choque cultural através da análise de duas obras cinematográficas. [Cuidado, tem spoilers adiante].
A primeira é o filme "1492 - a conquista do paraíso", o qual narra a viagem de Cristóvão Colombo que resultou na chegada do genovês à América.


Ao chegar no "novo mundo", os europeus encontraram os povos nativos, os quais chamaram de índios.




Após o encontro, sabemos o que houve... a dominação e a eliminação sistemática dos povos indígenas pelo dominador europeu.

O outro filme é "O último samurai", um longa-metragem que busca reproduzir nas telas o esforço do Japão na segunda metade do século XIX para se modernizar e implantar o capitalismo no seu território. 



A modernização japonesa passava pela mudança de "velhos" costumes e tradições e a adoção de novos hábitos copiados da Europa e dos E.U.A. 




O conflito gira em torno do esforço de um grupo de samurais que não queriam abrir mão de sua identidade e de suas raízes frente àqueles que pretendiam modernizar o país, construindo ferrovias e adotando alguns dos costumes do Ocidente,  como roupas, armas e bebidas. Os samurais se rebelam e passam a enfrentar as tropas imperiais treinadas por mercenários norte-americanos.

Se o choque cultural pode desdobrar-se em um conflito, também é possível que, após o estranhamento, os povos se respeitem e consigam conviver harmonicamente. Como estamos explorando a ideia de choque cultural aplicada ao cinema, citamos o exemplo do filme "Robinson Crusoé". O filme tem como protagonista um europeu do século XVII, ele sofre um naufrágio e acaba numa ilha deserta. 


Na ilha, Crusoé encontra um "selvagem" com quem não se entende e busca submetê-lo fazendo com que abandone suas crenças e costumes nativos. Passado algum tempo, Crusoé e seu companheiro se entendem, começam a trabalhar juntos e constroem uma bela amizade. 

E você, como se comporta quando se depara com pessoas com culturas diferentes, como migrantes, povos indígenas, ciganos e estrangeiros, por exemplo? Você procura compreender as diferenças, tem respeito pela diversidade ou julga e critica as culturas e costumes alheios sem antes procurar entendê-los?

Stalinismo e o regime totalitário soviético

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  • Após a morte de Vladmir Lenin, Josef Stalin assumiu o poder da URSS e iniciou seu governo ditatorial. O regime totalitário stalinista começou em 1924 e durou até 1953, quando o líder soviético faleceu.
Josef Stalin tornou-se um dos homens mais poderosos do século XX.
  • Stalin estabeleceu como objetivos, dentre outros, expandir os limites territoriais da URSS e fortalecer sua economia, por meio da industrialização. A expansão territorial ocorreu através do domínio de regiões periféricas; já o crescimento econômico se deu por meio dos planos quinquenais com metas para o setor industrial, planificação da economia e um enorme esforço humano para alcançar os objetivos do Estado soviético.
  • Para evitar qualquer oposição ao seu governo, Stalin perseguiu e eliminou os seus opositores, promovendo prisões, torturas e assassinatos. Os números de mortos na ditadura stalinista não são confiáveis, devido a falta de documentos, mas sabe-se que foi um regime violento e brutal.
  • Foram criadas prisões na Sibéria para encarcerar os inimigos políticos do Estado - os Gulags.
Nos Gulags, os prisioneiros estavam sujeitos ao trabalho forçado.
  • A polícia de Stalin vigiava a população e sufocava qualquer opositor ao stalinismo, tal força chamava-se Checa, e depois tornou-se a KGB. Além da forte repressão policial, Stalin investiu na propaganda e no culto de sua imagem como grande líder.
Propaganda Oficial: cartazes exaltavam a figura de Stalin como grande líder dos soviéticos.

  • A cultura também sofreu forte controle estatal e a arte e os meios de comunicação eram censurados. As produções culturais deveriam atender aos ditames da ideologia dominante, valorizando os temas principais, como o trabalho, a família, o socialismo e os seus líderes. 
Soldado, operário e camponês juntos derrubam a coroa do Czar.

  • Se por uma lado o governo de Stalin contribuiu para transformar a URSS em uma potência econômica e militar em sua época, por outro o regime autocrático soviético só conseguiu tais avanços às custas da eliminação de opositores e indivíduos considerados "inimigos" do Estado - uma ditadura sangrenta.

3.4.22

Humanidades e Ciências Sociais (HCS): Cultura

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O que é Cultura?

Trata-se de um dos conceitos mais importantes nas Ciências Humanas. O conceito tem significados muito amplos e diversos, o mais comum define a cultura como:

"abrange todas as realizações materiais e os aspectos espirituais de um povo. Ou seja, em outras palavras, cultura é tudo aquilo produzido pela humanidade, seja no plano concreto ou no plano imaterial, desde artefatos e objetos até ideias e crenças"(Dicionário de conceitos históricos, 2005, p. 85).

Arcos da Lapa (RJ): exemplo de manifestação concreta da cultura.

Frevo: dança típica de Pernambuco, patrimônio cultural imaterial.


No início do século XX havia estudiosos da cultura que defendiam  a teoria evolucionista, influenciados pelo pensamento de Charles Darwin. As culturas também estariam sujeitas à evolução e as culturas dos países do Ocidente seriam aquelas que teriam alcançado o estágio mais avançado. Assim, povos indígenas e do continente africano, por exemplo, eram vistos como portadores de culturas inferiores. Essa hierarquização denomina-se etnocentrismo, uma ideia que alimentou preconceitos e serviu como justificativa para exploração e expansão do imperialismo em diversas partes do mundo. 

Franz Boas, um antropólogo teuto-americano, contribuiu muito para o estudo da cultura ao fazer criticas à ideia vigente em sua época de que havia uma hierarquia entre as culturas. Boas acreditava que devido à diversidade cultural e aos múltiplos fatores históricos que contribuem para a formação das culturas, não caberia uma julgar a outra.

O estudioso brasileiro, Alfredo Bosi, estudou a etimologia do conceito cultura e identificou sua origem no verbo latino colo, que significa eu ocupo a terra. Passando o verbo para o futuro o significado é o que ser quer cultivar. O cultivo não se restringe à agricultura, mas à transmissão de valores e saberes geração após geração.

A educação escolar: exemplo de transmissão de conhecimento.


A cultura, portanto, seria um meio do povo garantir a sobrevivência das próximas gerações, transmitindo para elas conhecimentos, técnicas e valores necessários para a vida em sociedade. É a cultura que nos permite viver em sociedade, pois através dela nos adaptamos ao meio social e natural, criamos linguagem, estabelecemos redes de comunicação e normas de comportamento individual e no convívio em grupo.

Por isso que pessoas de diferentes culturas, ao se encontrarem, podem sofrer um choque cultural, isto é, não compreender os costumes umas das outras. Para nós, Ocidentais, não é comum que as mulheres cubram todo o corpo, deixando apenas  os mãos e olhos descobertos, como ocorre com as mulheres que vivem em alguns países islâmicos. Para as mulheres muçulmanas, o cotidiano de uma mulher ocidental acostumada a se vestir como camiseta e minissaia também deve ser chocante.  


Importante: todo povo tem sua cultura, toda cultura tem sua própria história, são dinâmicas e estão em constante transformação ao longo do tempo. As transformações também ocorrem quando há interação entre povos diferentes.
Exemplo: o Brasil é um país multicultural, devido ao seu passado colonial, herdou influências de diferentes culturas - indígena, europeia e africana. Tal diversidade se manifesta nos hábitos alimentares, no vocabulário e nas práticas religiosas.

Por fim, as produções artísticas e intelectuais também são consideradas "cultura". Logo, podemos falar em cultura erudita, cultura popular.

Referências Bibliográficas 

SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005.

21.3.22

Humanidades e Ciências Sociais (HCS): Ética na pesquisa

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Aula sobre Ética na Pesquisa na área de Ciências Humanas e Sociais, na disciplina Humanidades e Ciências Sociais (HCS), Novo Ensino Médio.

  • A ética deve ser intrínseca a todo o processo investigativo de qualquer pesquisa séria e comprometida com a verdade.
  • Na Filosofia, a ética trata dos princípios e ideais que fazem parte da conduta humana e como as pessoas devem se comportar na vida em sociedade. 
  • A ética aplicada à pesquisa nos chama a atenção para o os direitos dos indivíduos entrevistados, a preservação da identidade das pessoas envolvidas no estudo, o cuidado com o uso de informações e materiais produzidos por outros autores, que devem ser devidamente citados e apontados nas referências bibliográficas, entre outros.
  • Numa pesquisa de campo, por exemplo, o pesquisador ético deve informar aos participantes e aos entrevistados o objetivo daquele estudo, como ele será divulgado e só tomar depoimentos mediante o consentimento dos depoentes, após assinatura de termo de autorização para uso de imagem, voz e de informações prestadas ao pesquisador.
Pesquisador registrando informações em um survey. 
  • Cuidado: Ao informar sobre os objetivos da pesquisa, os entrevistados podem não se sentir à vontade em ter suas memórias e formas de pensar e agir devassadas. 
  • A pesquisa ética mantém os sujeitos envolvidos devidamente informados, caso ocorra, ao longo do estudo, alguma alteração nos objetivos e procedimentos. Se desejar, os envolvidos podem, a qualquer momento, desistir de participar do estudo. 
  • Durante uma entrevista com os sujeitos envolvidos na pesquisa, sugere-se que o profissional mantenha uma postura neutra, ao longo da tomada do depoimento, evite induzir respostas do entrevistado e contenha sua reações, como espanto, aprovação ou reprovação após ouvir as respostas.
  • Divulgação: etapa em que os resultados da pesquisa serão apresentados ao público. Aqui, todo cuidado é pouco para não expor a intimidade e garantir a integridade dos envolvidos no estudo.

Referências consultadas:


15.2.22

Palestra sobre Monteiro Lobato





Entrevista exclusiva: pesquisadora aborda memórias literárias na formação docente

Pesquisadora e educadora, Ana Paula Aparecida de Morais Terra Cunha apresentou em 2021 sua dissertação de Mestrado junto à Universidade Federal Goiás e tratou de aspectos relevantes da formação e do trabalho docente com obras literárias na Educação Básica. 


Confira,  logo abaixo, a entrevista que Ana Paula nos concedeu!

AC - Ana Paula, você defendeu ano passado sua dissertação de Mestrado em Educação e tratou sobre memórias literárias na formação docente. Conte-nos o que motivou sua pesquisa e qual foi o seu objeto de estudo.

AP - A proposta que apresentamos no mestrado foi uma investigação-formação mediada por narrativas, onde propusemos analisar alguns aspectos do processo de desenvolvimento profissional de um grupo de professores de Iporá-GO que atua na Educação Básica, em relação ao trabalho de mediação literária com os livros de Monteiro Lobato, levando em consideração os embates surgidos nos últimos anos sobre os estereótipos raciais presentes nas obras do referido autor. Procuramos na pesquisa ampliar o olhar para vários aspectos das obras e refletir sobre temas complexos apresentados nos livros de Lobato. Nossa proposta foi abrir espaço para discussões sobre o trabalho de mediação com obras clássicas de reconhecido valor literário e que apresentam temas polêmicos. E por que essa escolha? Acreditamos que não levar essas discussões para o ambiente educacional significa apagar muitas lutas e consequentemente deixamos de modificar valores que estão postos como preconceito e intolerância e que se arrastam por décadas. Essas discussões não são fáceis, mas se fazem necessárias.


AC - Qual foi a importância da obra de Monteiro Lobato para sua formação social e profissional?

AP - As histórias de Lobato sempre me marcaram muito, gosto de livros que trazem o cuidado com a linguagem, essa que nos sensibiliza com o inusitado, com a poética ou com a simplicidade dita de forma espontânea. Minhas primeiras leituras foram regadas ao sabor das aventuras do Sítio, fui conduzida pelos caminhos literários e apresentada à boneca falante, feita de retalhos, e ao aconchego da tia Nastácia e de tantos outros personagens. Este mundo encantado foi responsável por me tornar a leitora sensível que sou hoje. Essas e tantas outras histórias clássicas despertaram em mim o gosto pelos livros. Como professora da área de Letras sempre procuro interligar literatura (como expressão artística) e educação, por isso frequentemente me questiono sobre as relações possíveis nesses campos. Como mediadora literária procuro sempre trabalhar com os clássicos, pois concordo com Ana Maria Machado quando diz que “clássico não é livro antigo e fora de moda. É livro eterno que não sai de moda”. Os livros de Lobato são inesquecíveis e apresentam um grande valor literário, nesse ano de 2021 algumas histórias completaram 100 anos, só obras e personagens geniais podem permanecer no imaginário das pessoas por tantos anos. O autor tem grande capacidade comunicativa, traz uma familiaridade no diálogo e uma riqueza metafórica que atrai o leitor, sem contar que em suas histórias encontramos muitas questões sociais, filosóficas, éticas que nos arrancam do lugar de passividade e nos instiga a sermos mediadores mais conscientes. No estudo durante o mestrado percebi que muitas pessoas desconhecem os fatos históricos do período que Lobato viveu e com isso não conseguem entender todas as discussões apresentadas pelo autor em suas obras, uma das discussões cheias de controvérsias está ligada à forma como o autor escreve sobre as relações raciais. Para entender essas questões é necessário um mergulho no contexto sociocultural do final do século XIX e das primeiras décadas do século XX, onde encontramos escravidão, teorias sobre superioridade racial, dentre outras situações que marcaram a vida e consequentemente os reflexos estão presentes nas obras literárias.

           

AC - Como você avalia o ensino de Literatura na educação básica? Acredita que a literatura, em especial a obra de Monteiro Lobato, pode contribuir para a melhor formação dos educandos?

AP - O trabalho com literatura é de suma importância por possibilitar compreensão de valores, dar oportunidade aos leitores entrarem em contato com diferentes culturas, crenças, favorecer aprendizagens, despertar o lado criativo, mas não é uma atividade fácil, exige um fazer sensível para que o aluno possa receber o texto como uma narrativa prazerosa, artística e conseguir perceber os vários sentidos que podem ser atribuídos a um texto. Sabemos que o trabalho literário com os leitores iniciantes precisa estar adequado com seus interesses e gostos e por isso exige preparo, boas escolhas do professor. Tenho percebido a necessidade de termos mais momentos de formação dentro do ambiente de trabalho, com oportunidade de reflexões, trocas de conhecimentos favorecendo com isso o desenvolvimento profissional de toda a equipe. Em relação às obras de Lobato, infelizmente percebo que estas estão sendo pouco trabalhadas na educação básica, às vezes por insegurança dos professores devido às polêmicas do suposto racismo ou pelo fato de muitos docentes acreditarem que estão ultrapassadas. É necessário trazer as polêmicas para a sala de aula para que suscitem reflexões, consciência social, por parte dos alunos. Apresentar textos literários que estimulem a leitura critico-reflexiva faz parte de nosso papel como educadores, os frutos desse trabalho podem ser muito positivos dependendo da condução do mediador sem contar que as obras têm um grande potencial literário, colaborando para formar leitores literários. Em relação à ideia errônea de que as obras envelheceram é um grande equívoco, elas são muito atuais, carregam em sua essência possibilidade de enriquecer a alma, produzir sonhos e fantasias.

 

AC - Em sua percepção, o que falta para as escolas e para os educadores explorar melhor o mundo literário no ensino básico?

AP - Acredito que existe a necessidade de mais exemplos de pessoas lendo, mostrando-se encantadas com os livros. Falta também mais poesia na sala de aula e boas iniciativas com obras clássicas. É fundamental que se faça mais visitas à biblioteca onde o mediador possa observar os livros de maior interesse, os que mais fascinam e aguçam a curiosidade dos alunos, mas nesse aspecto existe um grave problema, muitas escolas não dispõem desse ambiente. Outra questão que precisa ser ressaltada é a necessidade de formações permanentes voltadas para o trabalho de mediação literária, pois o mediador precisa ser um pesquisador, conhecedor da linguagem simbólica, e um eterno apaixonado pela arte. Um aspecto importante a ser ressaltado é que a escola como um todo, precisa assumir de modo cuidadoso e responsável o seu papel formador e consequentemente se tornar uma comunidade leitora.

18.1.22

História pra quê?

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