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18.12.24

Você é o que você come

O mundo do trabalho alterou a forma como as pessoas se relacionam com o tempo. O dia a dia é cada vez mais acelerado e é comum escutarmos a expressão "não tenho tempo para nada".


Sem tempo sobrando, muitos trabalhadores recorrem ao fast food, um modo de se alimentar mais rápido e economizar tempo. 

Esses restaurantes estão presentes em todas as grandes cidades e facilitam a vida de quem têm pressa. 

Afinal, muitos de nós não consegue fazer as refeições em casa e não dispõe de tempo para cozinhar e saborear os alimentos.

Contudo, os alimentos oferecidos por estes estabelecimentos são criticados pelos médicos e profissionais da nutrição, devido à baixa qualidade nutricional. Há muito sal, açúcar e gorduras nas refeições rápidas,  os quais podem trazer inúmeros prejuízos à saúde.

Em 1986, foi fundado na Itália uma associação chamada Slow Food, que defende uma mudança no comportamento das pessoas e na relação que elas estabelecem com os alimentos. A padronização alimentar imposta pelos tempos atuais tem diminuído o interesse pela culinária regional e por suas tradições. 


A Slow Food posiciona-se a favor do direito da pessoa de se alimentar com prazer, desfrutando de alimentos preparados com ingredientes de qualidade. Deve-se respeitar o meio ambiente,  as tradições culturais e todos envolvidos na produção dos alimentos.


Graças aos princípios importantes defendidos pela Slow Food, esta associação tornou-se internacional e está presente em diversos países e conta com apoiadores em centenas de países. 




O desafio é imenso e a reflexão sobre nossos hábitos alimentares e a necessidade de mudanças são fundamentais para quem almeja uma vida mais equilibrada e saudável. 

6.4.24

Morre Ziraldo (1932-2024)

O "pai" do Menino Maluquinho faleceu neste sábado aos 91 anos de idade. Ziraldo deixa um grande legado e uma trajetória de luta a favor da democracia. 



Com seu humor, talento e arte criticou a Ditadura Militar (1964-1985). 


Sua criatividade encantou as crianças com as inúmeras publicações destinadas ao público infanto-juvenil.

10.12.23

Dicas para as férias: livros e filmes

As férias vão começar e nós merecemos um justo descanso!

Para relaxar na folga nada melhor do que  ler bons livros e assistir a ótimos filmes! Então, vamos aproveitar e colocar a leitura e o cinema em dia. 

Confira nossas dicas.

A Saga O senhor dos anéis, inspirada na obra do escritor J. R. R. Tolkien, é um clássico do cinema e da literatura fantástica. Não tem erro ao escolher o universo de Tolkien, a emoção e o entretenimento estão garantidos!







Não esqueça da leitura!

Que tal apostar em autores nacionais,  como Machado de Assis, Lima Barreto ou Guimarães Rosa?!

Os clássicos produzidos por esses grandes nomes da literatura brasileira merecem ser lidos e relidos e, mesmo assim, ainda podem nos surpreender!

 





28.11.23

Entrevista exclusiva: Professora Vanete Santana-Dezmann



AC  - Conte para nós como tem sido sua trajetória acadêmica e profissional até aqui? E com quais projetos está envolvida atualmente?

 

Vanete - Fiz Licenciatura e Bacharelado em Letras na Unicamp nos anos 1990, depois eu fiz Aperfeiçoamento em Teoria Literária também na Unicamp e, por fim, Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada na subárea de Teorias da Tradução. Eu tive como professora durante a graduação na Unicamp a Marisa Lajolo, que é um dos maiores nomes quando se tratam de especialistas em Monteiro Lobato e, por meio dela, eu conheci principalmente a obra adulta do Monteiro Lobato. A obra para adultos, pois a infantil, claro, nós que crescemos nos anos 1970 conhecemos primeiramente por meio da TV. Muitas crianças tiveram contato nos anos 1970 com os livros infantis do Lobato, com a obra infantil, por causa da série de TV. Eu não tive contato com a obra infantil escrita do Lobato quando eu era criança. Eu lia outro tipo de literatura. Eu tinha mais interesse por estudos da área de astronomia e outros correlatos.

Quando eu estava na graduação, foi a época em que a Marisa, como professora na Unicamp, montou o grupo de pesquisa sobre Monteiro Lobato. Eu cheguei a fazer parte das reuniões iniciais, mas me interessava mais na época pela Idade Média e aí eu fui fazer Iniciação Científica em Estudos Medievais e acabei deixando os estudos sobre Lobato de lado. Quando eu estava no Doutorado, no programa de pós lá do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, havia sido instituída a necessidade de que além da pesquisa principal, que era a pesquisa do Doutorado em si, nós fizéssemos duas pesquisas fora de área. Então nós tínhamos, além do orientador da pesquisa principal, mais dois outros orientadores e tínhamos mais duas outras pesquisas. Então eu escolhi a Marisa Lajolo como orientadora de uma das pesquisas fora de área e foi bem engraçado porque a Marisa virou pra mim e disse: "Vanete, você sabe que eu só trabalho com Monteiro Lobato, né?". Daí eu falei: "Claro, eu vou fazer a pesquisa sobre Lobato sem problema!" Então, como o tema da pesquisa principal do meu Doutorado estava relacionado a estudos germânicos, ela sugeriu que eu fizesse uma pesquisa sobre a adaptação que o Lobato fez da obra do Hans Staden, que em português tinha sido publicada como Duas viagens ao Brasil. Eu acabei fazendo essa pesquisa, que era pra ser simplesmente uma pesquisa fora da área de concentração de minha pesquisa principal, mas a minha orientadora achou a pesquisa e os resultados tão interessantes que ela sugeriu que eu mantivesse o trabalho sobre aquele tema e deixasse a minha pesquisa principal para depois, para um eventual pós-doutorado. Assim, eu acabei abandonando a minha pesquisa principal e mudei o meu objeto para o trabalho que o Lobato fez com a obra do Hans Staden. Eu acabei fazendo o doutorado sobre como Monteiro Lobato utilizou a literatura estrangeira, principalmente a obra do Hans Staden, para expressar o seu conceito de construção de uma nacionalidade brasileira, um projeto no qual o Lobato trabalhou o vida inteira. Foi assim que meu Doutorado acabou sendo sobre Monteiro Lobato. Eu fiz uma parte da pesquisa na Universidade Livre de Berlim (o doutorado-sanduíche) como bolsista do DAAD e da CAPES.  Depois eu voltei pro Brasil, defendi a tese, trabalhei um tempo, entrei no Pós-doutorado e retomei o projeto que eu tinha durante o Doutorado, aquele que eu abandonei antes para trabalhar com o "Lobato". Durante o Pós-doutorado, que eu fiz na USP, eu fui novamente para a Alemanha para fazer parte da pesquisa, pois minha pesquisa era relacionada aos estudos germânicos. Eu fiz a pesquisa no Museu Goethe, em Dusseldorf. Eu fui com bolsa da Fapesp. Depois do Pós-doutorado, eu morei na Alemanha por alguns anos e ingressei, como professora, na Universidade de Mainz, a Johannes Gutenberg. Como professora de tradução no Curso de Tradução Alemão-Português, eu acabei criando um projeto de tradução que fazia parte de metodologias inovadoras de ensino de tradução, que consistia justamente na tradução de Reinações de Narizinho para o alemão. Desde então, eu tenho trabalhado quase que exclusivamente com Monteiro Lobato. A partir deste projeto, que resultou na publicação de Reinações de Narizinho em alemão, com tradução dos meus alunos do curso de Tradução e também com o apoio do professor Marcel Vejmelka (que era responsável pelas aulas de tradução de português para alemão – eu era responsável pelas aulas de tradução de alemão para português; nós trabalhamos juntos), eu passei a trabalhar quase exclusivamente com lobato. Depois desse projeto, que resultou na publicação da tradução, junto ainda com a Universidade, e com o professor John Milton, da USP, acabei criando a "Jornada Monteiro Lobato". Isso foi em 2019. E depois da "Jornada" de 2020, por sugestão do professor Jonh Milton, criamos também os "Encontros com Lobato", que ocorrem mensalmente na Universidade de São Paulo, com transmissão pelo YouTube (FFLCH-USP). Deste projeto e destas iniciativas, nasceram três livros contendo artigos sobre Monteiro Lobato. Estamos, no momento, organizando o quarto livro. Também nasceram o grupo de pesquisa e a minha análise de O presidente negro, que foi publicada em 2021 (Entre metafísica, distopia e mecenato), e houve vários outros desdobramentos. Entre eles, a publicação da tradução de O presidente negro para o inglês, feita pela Ana Lessa, que faz parte do nosso grupo de pesquisa e contou com o financiamento da Fundação Biblioteca Nacional. Há também várias palestras, tanto minhas quanto de integrantes do grupo sobre Monteiro Lobato. Enfim, acabou se formando um movimento muito grande e os projetos atuais que nós temos são todos relacionados a Monteiro Lobato. Pretendemos continuar analisando a obra de Lobato e publicando estas análises, tanto por meio de artigos e livros quanto por meio de palestras e mesas-redondas que nós organizamos. Também estamos no momento organizando a V Jornada Monteiro Lobato e todos os integrantes do grupo "Observatório Lobato" têm projetos relacionados ao autor.

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Clique aqui para assistir.


AC - Qual a importância deste autor e de sua obra no panteão literário e cultural nacional?

 

Vanete - Monteiro Lobato é um dos principais agentes culturais do Brasil. A importância de Lobato se deve não apenas ao que ele publicou de sua própria autoria, mas também à criação de editoras e à publicação dos principais escritores de sua época, todos os modernistas, por exemplo, foram publicados por Monteiro Lobato. A própria Anita Malfatti era uma das responsáveis pelas capas dos livros publicados pelas editoras do Monteiro Lobato. E Lobato também é importante porque dentro daquele projeto de construção de uma identidade nacional brasileira, uma identidade culturalmente rica, ele achou importante trazer para o Brasil o que existe de melhor na Literatura Universal. Então Lobato traduziu muito e também contratou muitos tradutores e publicou muitas traduções. O que de melhor existe na Literatura Universal, o cânone da Literatura Universal, que foi publicado no Brasil até a primeira metade do século XX foi publicado pelo Monteiro Lobato.

Além disso, Monteiro Lobato, que era um visionário, tinha interesses em outras áreas dessa construção da identidade nacional brasileira. Ele também almejava a construção de um Brasil moderno. Desses dois projetos, faziam parte não só a disseminação do cânone literário Universal – e da sua própria produção e dos brasileiros –, mas também o desenvolvimento econômico do Brasil. Então o Monteiro Lobato foi pioneiro na exploração de petróleo e minérios e também pioneiro em iniciativas que visavam a utilização de produtos naturais brasileiros na indústria.

O Monteiro Lobato é um dos principais nomes não só na Literatura, mas também fora dela... quando se pensa em inovação, em construção de um projeto de nação... e daí a importância imensa de Lobato para o Brasil.

"O Monteiro Lobato é um dos principais nomes não só na Literatura, mas também fora dela... quando se pensa em inovação, em construção de um projeto de nação... e daí a importância imensa de Lobato para o Brasil".  


AC - Quando você entrou em contato pela primeira vez com alguma produção cultural assinada ou inspirada pelo autor?

 

Vanete - Eu já respondi essa pergunta em parte, mas agora vou falar mais especificamente dela. Quando eu era criança eu vi a propaganda do "Sítio do picapau amarelo" na televisão – e eu achei que fosse um filme, porque eu era muito criança e, então, eu não tinha muita noção das coisas... eu era muito pequena, eu não tinha noção que de seria algo em capítulos e que estaria presente na minha vida todos os dias da semana por três ou quatro anos.... – quando eu vi a propaganda, eu disse: “Ah, eu vou assistir!”, meio que já reservando a televisão para mim naquele dia e naquele horário, avisando ao pessoal de casa que eu iria assistir ao "Sítio do picapau amarelo". E daí, quando começou e era uma série, eu achei aquilo fantástico.,. porque eu passei a conviver com aqueles personagens – ainda que fossem adaptados, de alguma forma pasteurizados ou modificados para o público infantil daquela época e que estava assistindo às histórias, e não lendo –  eu caminhei ali junto com o Pedrinho, a Narizinho, a Emília, o Visconde de Sabugosa, o Saci, a Cuca por uns três ou quatro anos... até que o primeiro elenco foi mudado, os atores que faziam Narizinho e Pedrinho foram trocados e eu não me identifiquei mais com os novos atores e, além disso, eu já estava passando para uma outra fase da vida. Os atores estavam deixando a série porque tinham crescido e eu também tinha crescido e os meus interesses por astronomia se intesificavam e eu mergulhei mais nesse mundo da ciência e deixei o mundo da ficção. As obras literárias que eu lia, nessa fase dos 13-14 anos, foram de ficção científica.

Eu só voltei a ter contato com a obra do Lobato – para adultos – na Universidade. E eu li as “estórias” infantis do Lobato depois de adulta, para fazer análises literárias. Então as análises que eu faço, normalmente, são muito objetivas. As minhas análises não são permeadas pelo lado emotivo, porque eu não tive contato com esta obra quando eu era criança. A minha leitura da obra infantil de Lobato só se dá depois que eu já sou adulta, depois que já sou formada em Teoria Literária, depois que eu já estou acostumada a ler livros para fazer análises. Então o meu interesse na obra é muito mais profissional do que recreativo – o que não quer dizer que não seja agradável e uma forma de recreação ler a obra do Lobato. Eu me divirto, claro, com os personagens e a obra para adultos é fascinante! Revela um conhecimento da sociedade da época em que ele vivia e também um descompasso com aquela sociedade. Lobato foi, sem dúvida nenhuma, um homem muito à frente do seu tempo. Então é muito interessante ver a crítica social, as análises que o Lobato faz do Brasil da primeira metade do século passado por meio da sua obra literária. Vale ressaltar que o Lobato escreveu a primeira distopia que foi publicada como livro de que se tem notícia. E distopia normalmente é uma ficção científica e é uma “estória” em que tudo parece perfeito, porém, quando você analisa mais profundamente, você percebe que aquela perfeição é extremamente nociva. E a distopia é sempre uma crítica social e o Lobato faz exatamente isto em O presidente negro, que é a primeira distopia publicada no Ocidente de que se tem notícia e é uma das primeiras distopias que foi escrita. Na verdade, até onde eu sei, a primeira distopia escrita foi We ("Nós"), por um russo que havia fugido da União Soviética e vivia em Nova Iorque. Essa “estória” foi publicada entre 1922-1923 em um jornal de operários russos nos EUA. E a segunda distopia já é O choque das raças ou o presidente negro, do Monteiro Lobato, de 1926, que foi a primeira a ser publicada como livro. Então, imaginem a importância do Monteiro Lobato não só para a Literatura brasileira como para a Literatura Ocidental!



AC - O que você pensa a respeito da questão racial envolvendo a obra de Lobato? Considera o autor racista e acha justas as críticas que ele recebe de alguns segmentos da sociedade?

 

Vanete - Creditar racismo à obra do Monteiro Lobato é algo que só pode vir de pessoas muito mal informadas, inclusive mal informadas sobre a própria obra do Monteiro Lobato. Dentre os principais críticos, dentre os principais detratores de Monteiro Lobato e de sua obra se encontram pessoas que já escreveram, inclusive, declarações como "não li e é racista". Quer dizer... isto é de um preconceito tremendo, né? Emitir um conceito concebido antes de se ler a obra e ainda manter esse conceito concebido antes da leitura e não se dar ao trabalho de ler pra ver se esse conceito se confirma ou se altera... A primeira observação que eu tenho a fazer com relação às pessoas que acusam Lobato e sua obra de serem racistas é que estas pessoas são extremamente preconceituosas. Então, o conselho para quem acha que há racismo na obra de Lobato é que comece a ler a obra, comece a procurar no dicionário as coisas que não conhece, as palavras que não entende, converse com seus ancestrais, as pessoas mais velhas da família sobre qual era a linguagem de cem anos atrás, sobre a gírias ou modo popular de falar, principalmente do caipira... para que comece a entender a linguagem do Lobato. Há pessoas, por exemplo, que não têm a mínima noção do que seja – aliás eu acho que 90% da população brasileira atual não sabe o que é – uma "macaca de carvão". Então, por exemplo, quando elas leem lá em "A caçada da onça" que “Tia Nastácia trepou no mastro de São Pedro como uma macaca de carvão”, estas pessoas fazem mil ilações sobre o que é uma macaca de carvão, relacionando isto a racismo, quando macaca de carvão é um muriqui, ou buriqui, entre outras variações de origem tupi-guarani: um macaco de pelo alaranjado, ruivo. Há uma característica das fêmeas desta espécie: enquanto os machos são esguios e, portanto, são capazes de subir em um mastro com muita destreza, as fêmeas têm o ventre avantajado. Então, mesmo quando estão tentando subir rapidamente o mastro, uma árvore, não conseguem subir tão rápido quanto os muriquis machos... e elas têm um certo movimento de corpo característico de um corpo que tem ventre avantajado.  Então, quando Monteiro Lobato escreve esta frase, em primeiro lugar, ele não está dizendo que tia Nastácia é uma macaca de carvão ou que tia Nastácia é como uma macaca de carvão. Ele está descrevendo o movimento que ela fez para subir no mastro: ela subiu como uma macaca de carvão. Então, isso é uma descrição do movimento; não é uma descrição da própria tia Nastácia. Indiretamente, este movimento feito quando ela sobe o mastro acaba descrevendo a própria personagem... acaba gerando uma característica física da personagem que não tem relação com a cor da pele dela, porque, como eu já disse, o buriqui tem a pelagem alaranjada. A descrição que é feita sobre a característica física da personagem se concentra no corpo dela: provavelmente a tia Nastácia concebida pelo autor era um pouco gorda... tinha o ventre avantajado e, por isso, ela subia o mastro como uma macaca de carvão. É muito comum nos livros do Monteiro Lobato a comparação com o macaco quando ele quer descrever que determinado personagem salta ou sobe em alguma coisa com muita destreza. Porque isto também era algo comum na época na linguagem popular e eu me lembro de quando eu era criança a minha mãe dizer:_"Para de pular! Tá parecendo uma macaquinha!". Esse negócio de ficar sempre em movimento, de ficar pulando, de ficar se mexendo... de não ter parada – que é característica de muitas crianças, né? – era visto como um comportamento de macaco, era comparado... e daí os pais, os adultos, diziam para as crianças: "Parece uma macaca! Tá subindo aí no muro... tá em cima dessa árvore... Desça daí; parece uma macaca!". Isso era algo comum entre pelo menos os caipiras do interior de São Paulo, que é de onde eu venho. Então eu me lembro disto e as outras pessoas que são do interior de São Paulo e que têm raízes caipiras provavelmente também vão se lembrar. Macaco, na cultura caipira, nunca foi demérito, muito pelo contrário, era um elogio, porque sempre estava correlacionado a esta agitação, a essa destreza para saltar, para subir em coisas...  Então, as pessoas que acham que há racismo nesta passagem do Monteiro Lobato deveriam se informar mais sobre a cultura de que esta “estória” trata, que é a cultura caipira. Estas pessoas deveriam se informar mais sobre a linguagem que é utilizada ali, que é a linguagem caipira... é o dialeto caipira. E, principalmente, deveriam no mínimo pegar um dicionário e procurar o que é um macaco de carvão pra descobrir que isto é uma espécie de macaco, que isso não é um nome pejorativo, um xingamento... como a maioria das pessoas imagina que seja. Então, a quem tiver interesse em se aprofundar sobre este tema, eu recomendo a leitura do capítulo sobre a análise de "Caçadas de Pedrinho" escrito pelo Felipe Chamy.

Com relação a O Presidente negro, que tem sido agora apontado como uma obra racista, o livro é uma crítica à eugenia negativa. Isto é outra coisa que as pessoas precisam conseguir enxergar... a crítica que está presente no livro. Porém, eu também imagino que 90% da população brasileira não saiba que existem dois tipos de eugenia, duas linhas eugênicas, uma positiva e outra negativa. Então, se elas não conseguem saber nem isto, como é que elas vão conseguir enxergar ali a crítica à eugenia negativa? As pessoas precisam se instruir mais antes de falar tanto. Então, resumidamente, é isto que eu acho quando se tratam de acusações de que Lobato e sua obra sejam racistas... O que eu acho é que as pessoas têm que ler a obra, têm que entender o que está escrito lá, começando por entender o vocabulário que é utilizado... se instruírem mais e daí, sim, começar a emitir opinião.  Ainda sobre este tema, eu acho importantíssimo o trabalho que o professor Aluizio Alves Filho faz e recomendo fortemente a leitura do trabalho do professor. Quem sabe assim as pessoas consigam se instruir um pouco mais e manifestar menos preconceito.


 

Referências bibliográficas

Ferreira, Filipe Augusto Chamy Amorim. “Caçadas de Pedrinho ou a guerra de comandos e símbolos”. In: Santana-Dezmann, Vanete; Milton, John; D’Onofrio, Silvio T. (org.). Monteiro Lobato: novos estudos. Lünen: Oxalá Editora, 2022, p. 67-84.

Lobato, Monteiro. The Clash of the Races (trad.: Ana Lessa-Schmidt). Hanover-EUA: New London Librarium, 2022.

Santana-Dezmann, Vanete. Entre metafísica, distopia e mecenato. 1ª. ed. São Paulo: Os Caipiras, 2021. (Contém a primeira edição recuperada de O presidente negro ou choque das raças (1926), de Monteiro Lobato).

1.10.23

A História de Napoleão Bonaparte nas telonas


Em Novembro deste ano, chega aos cinemas o filme Napoleão, estrelado por Joaquin Phoenix, ator vencedor do Oscar.


O filme mostrará a ascensão e a queda de Bonaparte. Assista ao trailer.



#Napoleão
#Cinema
#História

29.5.18

Desafio!

Hoje fui desafiado pelo meu amigo, professor msc. Alessandro Mendonça Reis, e agora repasso o desafio para meus estimados alunos!

Você sabe a quem pertence esta mão?

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Poste um comentário com a resposta correta (nome da obra e de seu autor), não se esqueça de digitar seu nome/escola/turma. O primeiro que acertar vai ganhar um chocolate! 

26.5.18

Grande evento acadêmico e cultural à vista!

*Atenção: A palestra está adiada devido à falta de combustível para o transporte do visitante sírio. Aguardem nova data.

Clique sobre a imagem para ir ao Portal de notícias do Jornal Leopoldinense e leia mais sobre o evento internacional, a ser sediado na E. E. Professor Botelho Reis.


17.5.18

"Na minha escola todo mundo é bamba: todo mundo lê, mesmo quem não samba"

No dia 12 fevereiro, Martinho da Vila, um dos maiores nomes do samba e da música popular brasileira, completou 80 anos. Fonte de inspiração para milhares de cantores, bandas, pessoas e apreciadores da boa música, a carreira e trajetória artística deste ilustre carioca, nascido no município de Duas Barras, Região Serrana do Rio de Janeiro, serão temas do projeto “Na minha escola todo mundo é bamba: todo mundo lê, mesmo quem não samba”, que será desenvolvido aos alunos da rede pública estadual de ensino ao longo deste ano letivo (SEEDUC-RJ).



Aqui no CIEP BRIZOLÃO 280 o projeto sobre a trajetória e a obra de Martinho da Vila está a todo vapor. Depois da leitura de dezenas de músicas clássicas do repertório do sambista, os alunos da turma 703 destacaram trechos significativos das canções e confeccionaram lindos cartazes. O trabalho envolveu várias disciplinas, como Língua Portuguesa, Artes e História.

Os cartazes com as citações do músico foram fixados no pátio da escola, para socializar a diversidade cultural presente no samba de Martinho da Vila.

Parabéns, pessoal!

17.1.18

Evolução da nossa música ou adaptação da arte aos novos tempos?

*A EVOLUÇÃO DA NOSSA MÚSICA...*

*Década de 30:*
Tu és divina e graciosa, Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada.
És formada com o ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida
É a preferida pelo beija-flor...."

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*Década de 40:*
"A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar.. Nos seus olhos, eu suponho,
Que o sol, num dourado sonho
Vai claridade buscar
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*Década de 50:*
"Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça.
É ela a menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar. 
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema.
O teu balançado é mais que um poema.
É a coisa mais linda que eu já vi passar."
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*Década de 60:*
Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior que o meu amor
Nem mais bonito.
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você...." 
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*Década de 70:*
"Foi assim como ver o mar a primeira vez
Que os meus olhos se viram no teu olhar.... Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor
E vinha pra ficar...."
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*Década de 80:*
 "Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara. Choque entre o azul e o cacho de acácias, luz das acácias, você é mãe do sol. Linda...." 
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*Década de 90:*
 "Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz. Mas já não há caminhos pra voltar. E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente não faz por amor?"

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*Em 2001:*
Tchutchuca!
Vem aqui com o teu Tigrão.
Vou te jogar na cama
E te dar muita pressão!
Eu vou passar cerol na mão
Vou sim, vou sim!
Eu vou te cortar na mão! Vou sim, vou sim!
Vou aparar pela rabiola! Vou sim, vou sim"!

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*Em 2002:*
"Só as cachorras!
Hu Hu Hu Hu Hu! 
As preparadas!
Hu Hu Hu Hu!
As poposudas!
Hu Hu Hu Hu Hu!" 

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*Em 2003:*
 "Pocotó pocotó pocotó...minha éguinha pocotó!

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*Em 2004:*
 "Ah! Que isso? Elas estão descontroladas! Ah! Que isso? Elas Estão descontroladas! Ela sobe, ela desce, ela da uma rodada, elas estão descontroladas!" 

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*Em 2005:* 
"Hoje é festa lá no meu ap, pode aparecer, vai rolar bunda lele!" 

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*Em 2006:*
 "Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha!!! Calma, calma foguetinha!!! Piriri Piriri Piriri, alguém ligou p/ mim!"

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*Em 2010:*
 " Chapeuzinho pra onde você vai, diz aí menina que eu vou atrás.
Pra que você quer saber? 
Eu sou o lobo mau, au, au 
Eu sou o lobo mau, au, au 
E o que você vai fazer? 
Vou te comer, vou te comer, vou te comer, 
Vou te comer, vou te comer, vou te comer, 
Vou te comer, vou te comer, vou te comer"
_________________________

*Em 2017:*
“Olha a explosão
Quando ela bate com a bunda no chão
Quando ela mexe com a bunda no chão
Quando ela joga com a bunda no chão
Quando ela sarra e o bumbum no chão, chão, chão, chão”

*ONDE FOI QUE NÓS ERRAMOS?*
*SERÁ QUE AINDA É POSSÍVEL PIORAR?*

31.8.17

16.8.17

Ex-aluno carmense é finalista do IV Concurso Literário em Leopoldina

Otávio Augusto, residente em Carmo, concluiu o Ensino Médio no CIEP 280 em 2016 e está na final do IV Concurso Literário promovido pela Academia de Letras e Artes de Leopoldina (MG).
Otávio está na grande final, dia 25/08/17, no CEFET em Leopoldina (MG)!

Otávio se inscreveu na categoria público geral, na modalidade CHARGE,  e enviou para o certame um belíssimo trabalho produzido durante as aulas de Cultura e Uso de Mídias, que foram ministradas por nós no Ensino Médio. O título do trabalho finalista é Game of Thrones Brazil
Charge finalista! Arte de Otávio Augusto.

A cerimônia de premiação acontecerá no dia 25 de agosto, no auditório do CEFET/MG, em Leopoldina, na qual serão premiados os três primeiros colocados.

Parabéns e sucesso, Otávio!

19.7.17

Ritos fúnebres na África Atlântica moderna

As crenças funerárias ocupam cada vez mais espaço nas pesquisas dos historiadores. Em franco diálogo com a Antropologia, os pesquisadores em história se debruçam sobre os ritos fúnebres, elencando-os como fontes históricas para seus estudos.

Tais práticas são preciosos vestígios, que se bem interrogadas e analisadas, podem revelar informações sobre a vida de um povo, seus valores, as representações sociais e as expectativas que nutriam em relação à vida após a morte. 

Dentre tantos pesquisadores que têm se ocupado do assunto, aqui no Brasil podemos citar o trabalho da professora Mary del Priore. Em uma publicação de 2011 (Ver o texto: Passagens, rituais e práticas funerárias entre ancestrais africanos:outra lógica sobre a finitude), ela analisou como os africanos da Costa Atlântica, indo do Senegal à Angola, no período Moderno encaravam a morte e o quanto esse momento era representativo e revelador de aspectos culturais, sociais e políticos de um povo. Foi dessa região que veio a maior parte de nossos ancestrais africanos, os quais trouxeram para cá suas crenças, valores e costumes, muitos dos quais, posteriormente, foram incorporados e transformados pela cultura cristã e a ação do colonizador português.

A África Ocidental é um vasto espaço, onde várias etnias disputavam territórios e terras férteis desde a Antiguidade. Esses povos dominavam a agricultura, conheciam o ferro e praticavam elaborados e complexos rituais fúnebres. Ali, as epidemias, as guerras e a fome ceifavam incontáveis vidas. Talvez, a proximidade com a morte tenha contribuído para que ela terminasse por ser incorporada à cultura dos africanos como uma forma de domesticá-la através de símbolos, ritos, crenças e valores (DEL PRIORE, 2011, op. cit. p. 124).

Nesse contexto de constante convívio com o óbito, tais civilizações conferiram uma peculiar importância à questão da posteridade. Procriar lhes assegurava prestígio perante a sociedade. Eram os filhos que iriam lhes garantir uma velhice tranquila e intermediar suas sobrevivências enquanto ancestrais. Portanto, o ato de gerar descendentes era um mecanismo que estava diretamente ligado à manutenção dos típicos rituais de transpasse, uma vez que o falecimento foi configurado como etapa obrigatória de ascensão do homem. Como definiu Roger Bastide: “sociedades de enriquecimento progressivo da personalidade” – caso daquelas em que se passa do status inferior de adolescente ao de adulto, depois ao de ancião e enfim, ao mais elevado, o de ancestral (idem. p. 138).


Acreditava-se que o morto vivia num mundo de sombras, onde reproduzia sua antiga vida terrena. Assim, era comum os reis serem enterrados junto com bens materiais, comida e seus servos. Isso foi comum em Gana, antiga Costa do Ouro no golfo da Guiné. "Em algumas destas cerimônias, segundo cronistas europeus, matavam-se dezenas de escravos" (ibidem, p. 126). Provavelmente, o objetivo de tais sacrifícios humanos era "era afastar a alma do defunto, evitando que esta voltasse, apavorando os membros da família". (ibidem, p. 126).  

O rito fúnebre africano da época moderna, enquanto âmago da questão, pode ser destacado por diversos aspectos em sua gama de peculiaridades. Um ponto relevante a ser observado é o fato de em algumas regiões ser quase uma obrigação perante a sociedade o comparecimento dos conhecidos do defunto ao seu velório. A ausência seria encarada como uma constatação do envolvimento do indivíduo na morte do falecido, ainda que por algum tipo de prática de feitiçaria. Outro fator instigante sobre as cerimônias funerárias é o costume indispensável que seus mortos fossem acompanhados de tecidos em suas tumbas e toda simbologia envolta nesta prática. Quanto mais volumosa fosse a múmia do finado, mais importância teria tido ele em vida. De acordo com o estudo de Mary del Priore: "Entre os povos do Reino do Congo, as “embalagens têxteis” de defuntos impressionaram os viajantes estrangeiros. Louis de Grandpré, de passagem por Cabinda, no Reino do Congo, deixou impressionante descrição: depois de coberto de corais, o corpo era tão enrolado em panos que não se distinguiam mais, neste grosso envelope, as pernas ou braços do defunto. A cada dia se acrescentava um novo pano. A imagem, pintada pelo mesmo Grandpré, que ilustra o funeral de um dignitário no século Dezoito mostra perto de cinqüenta escravos puxando por cordas uma pesada carroça sobre a qual vai colocado um imenso pacote, ocupando todo o espaço. Teria “vinte pés de comprimento por quatorze de largura”, conta o autor (GRANDPRÉ apud DEL PRIORE, 2011, p. 129).

Assim, resta claro a importância social e cultural que envolvia o ato de sepultar os mortos nas sociedades africanas ocidentais, o qual tem sido objeto de estudos por parte de historiadores, antropólogos e sociólogos, pois toda aquela simbologia funerária, ou mesmo a ausência dela, é fonte relevante de informação que permite ao pesquisador acessar o imaginário, as crenças e as diferenças socioeconômicas comuns ao mundo dos vivos.


Pesquisa e texto por:

Jeane Alves Teixeira Riguete
Rodolfo Alves Pereira

4.9.16

Cultura, arte e lazer em Leopoldina

A Cultura leopoldinense ganhou novo e forte fôlego, especialmente a partir da primeira década deste século, primeiro com a consolidação do Museu Espaço dos Anjos, depois com a chegada da Casa de Leitura Lya Botelho e, mais recentemente, a inauguração do Centro Cultural Mauro de Almeida reforçou o renascimento do setor na cidade.   

Essa revitalização cultural é um forte indicativo de sua importância para o município e também indica que a população, pelo menos parte dela, valoriza a cultura local e os espaços destinados à preservação do maio r patrimônio de um povo. Sinal de que há esperança e que podemos sempre melhorar.

Se antes era comum ouvirmos as pessoas reclamarem da falta de opção de entrenimento na cidade, agora o cenário começa a a ser modificado, pois temos um verdadeiro circuito cultural na cidade que atende muito bem ao lazer das famílias leopoldinenses e dos turistas que desejam conhecer mais sobre nossa bela terra.

Agora, cabe a população leopoldinense cobrar das autoridades públicas a manutenção desses espaços de cultura, bem como a ampliação de suas atividades, a fim de promovermos, cada vez mais, a inclusão social e a cidadania através da celebração da cultura popular e do resgate de nossos valores históricos e identitários.



Leia mais sobre o circuito cultural de Leopoldina clicando no link abaixo:


17.8.16

Relatório da visita à exposição "Por mares nunca dantes navegados"

O texto a seguir foi redigido por uma estudante do 6º ano 3. Ela relatou suas observações a respeito da visita realizada por alunos e professores à exposição na Casa de Leitura Lya Botelho.


Um passeio pelo conhecimento

Visitamos a exposição "Por mares nunca dantes navegados", na Casa de Leitura, no dia 16/08/2016 (terça feira). Havia no local três salas, começamos pela principal, cuja decoração se parecia com a de um navio antigo; tinha vários objetos diferentes e interessantes, como um canhão e uma bússola. Em uma mesinha de madeira tinha alguns alimentos, como pães e biscoitos, representando a comida dos marinheiros, e ratos espalhados pelo espaço, simbolizando a sujeira e a falta de higiene do lugar.

A limpeza desses antigos barcos era horrível, para falar a verdade, os hábitos de higiene não eram regra entre a tripulação, homens vomitavam em si mesmo e nos outros, por causa do enjoo provocado pelo movimento da embarcação e o balanço do mar.

Com uma dieta pobre e má alimentação, os marinheiros acabavam sendo pegos pelas doenças, seus dentes caíam e as gengivas sangravam, tinham náuseas e alucinações. 

Imaginavam que tinha monstros nos mares e que eles eram os causadores dos desastres e dos naufrágios.

Indo para a segunda sala, à direita, podemos ver os grandes navegadores dos séculos XV e XVI, como Vasco da Gama, Cristovão Colombo entre outros não menos importantes. 

Uma curiosidade é que quando Colombo chegou à América acreditou que estava nas Índias, não sabia que tinha chegado num novo continente, por isso chamou os habitantes do lugar de índios. Nesta sala também tinha uma espada, um barril de madeira, alimentos, imagens, mapas e relatos de época.

A terceira e última sala continha especiarias da China e da Índia, também tinha alimentos e artigos do Oriente, como seda, vasos de porcelana, espadas etc. Essas mercadorias não eram fabricadas na Europa, por isso os viajantes iam atrás delas, pois elas tinham grande valor e seu comércio era muito lucrativo.
Aprendemos sobre um mito da época, que dizia que a Terra era plana e que, além do oceano, havia um abismo que engolia os navegadores. Foram as aventuras marítimas que comprovaram que a Terra é esférica e aumentaram o conhecimento sobre o mundo.


Os "marinheiros" de nossa geração são os astronautas, que se aventuram pelo espaço, onde há muito para ser explorado e conhecido.


Certamente, no futuro, outras pessoas falarão sobre nós e as descobertas de nossa época, assim como agora falamos do que foi realizado no passado.

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