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7.10.26

"Quando o céu se engana": uma comédia para refletir

Quando o céu se engana (2025) chamou minha atenção, primeiro, pela presença do ótimo Keanu Reeves, depois por ser uma comédia que aborda questões socioeconômicas contemporâneas muito sérias, visíveis e gritantes na sociedade norte-americana.


Aliás, essas questões socioeconômicas trabalhadas no filme podem, em boa medida, ser transpostas para a realidade brasileira. Isso deixa o filme ainda melhor, pois há um diálogo e uma conexão direta entre a obra cinematográfica e os problemas cotidianos.

[A partir daqui, o texto trará spoilers].

O filme nos apresenta Arj, um indiano residente na Califórnia que, apesar de ter diploma de nível superior, encontra-se subempregado, ele tem que se desdobrar para sobreviver, ora fazendo tarefas de aplicativos ora trabalhando numa loja de ferramentas.



Arj não tem moradia própria, dorme em estacionamentos dentro do próprio carro. Está sempre cansado e com pouco ou nenhum dinheiro. 

Ao ser questionado pela colega de trabalho se apoiaria um movimento sindical para melhorar as condições de trabalho, Arj deu de ombros demonstrando total falta de esperança com a possibilidade de mudanças.

Sem emprego e sem quaisquer perspectivas de futuro, Arj se submete até a doação de plasma para receber alguns dólares. 

Enquanto isso, um anjo dos céus,  Gabriel, assiste a tudo e tenta intervir na vida de Arj para ajudá-lo de forma significativa. Aqui entra a comédia.

Gabriel tenta mostrar a Arj que é importante não desistir da vida, mas os vislumbres do futuro não são nada empolgantes.

Então, o anjo coloca Arj no lugar de outro cara - Jeff - um milionário privilegiado que curte tudo de bom e do melhor que o dinheiro pode pagar.

Depois de deixar Arj vivendo como um rico durante uma semana, o anjo esperava mostrar ao indiano que, independente dos bens materiais, a vida pretérita dele era importante.

Mas quando Gabriel diz a Arj que ele precisa retornar à sua antiga vida, ele se nega e cria a enorme confusão.

Jeff terá que se virar como um cidadão pobre e, sente na pele, todas as dificuldades que um trabalhador precisa enfrentar para ganhar o pão de cada dia.

É interessante notar a reprodução de um fenômeno que tem ocorrido na sociedade: a expansão dos trabalhos pelos aplicativos, como entregador de comida. Com a redução da oferta de empregos formais, as pessoas buscam outros meios para se sustentar, recorrendo às plataformas digitais. Alguns estudiosos chamam esse processo de uberização da economia. 
Outro ponto que chama a atenção é a mecanização das entregas que começa a concorrer com os entregadores humanos e coloca em risco até os empregos no delivery.

Hoje já há entregas sendo feitas por robôs e por drones e, logo, haverá menos oportunidades de trabalho para pessoas que fazem entregas nas plataformas digitais. 


Enquanto Arj curte a nova vida e reluta em retornar à pobreza, Jeff, o antigo milionário, passa por dificuldades e desespero. Ele chega a questionar Gabriel após ser banido de uma plataforma digital de entregas:

_ Como as pessoas aguentam isso? Como ninguém fica deprimido o tempo todo? 

Ser pobre era insuportável para Jeff, o qual passa a compreender melhor como Arj e os outros indivíduos se sentem vivendo em condições tão precárias. 

Quando Arj, enfim, decide desfazer a troca de vidas outras questões são lançadas pelo roteiro:

Vale a pena lutar por melhorias? E o que fazer frente ao aumento da desigualdade?

Fiquei curioso para saber quais seriam as respostas oferecidas pelos produtores do filme. E,  ao final, achei que algumas foram insatisfatórias, pois podem parecer absolutamente utópicas. Nesse sentido, o filme talvez acerte mais no diagnóstico dos problemas socioeconômicas e menos ao apontar possíveis soluções para eles. A primeira resposta é seguir lutando, não desistir de perseguir ideais de justiça, por mais que alguns deles estejam distantes. A segunda, provavelmente a mais difícil, é a tomada de consciência da própria elite,  a qual precisa abrir mão de uma parte dos lucros para que os trabalhadores possam ter uma vida melhor,  o que evitaria uma convulsão social. 

Jeff, o milionário que sentiu na pele, por duas semanas apenas, o que é a pobreza, resolve junto ao Conselho de sua empresa de delivery abandonar os robôs, a Inteligência Artificial e remunerar melhor os entregadores. 

Mas será que essas soluções e propostas são mesmo viáveis? É possível acreditar que a vida dos trabalhadores irá melhorar se as pessoas ricas aceitarem diminuir seus lucros? Difícil responder...

Mas, enfim, Quando o céu se engana surpreende graças às ótimas atuações dos protagonistas e à leveza e o humor com a qual trata de questões tão importantes,  como trabalho, distribuição de renda e desigualdade. 

10.12.23

Dicas para as férias: livros e filmes

As férias vão começar e nós merecemos um justo descanso!

Para relaxar na folga nada melhor do que  ler bons livros e assistir a ótimos filmes! Então, vamos aproveitar e colocar a leitura e o cinema em dia. 

Confira nossas dicas.

A Saga O senhor dos anéis, inspirada na obra do escritor J. R. R. Tolkien, é um clássico do cinema e da literatura fantástica. Não tem erro ao escolher o universo de Tolkien, a emoção e o entretenimento estão garantidos!







Não esqueça da leitura!

Que tal apostar em autores nacionais,  como Machado de Assis, Lima Barreto ou Guimarães Rosa?!

Os clássicos produzidos por esses grandes nomes da literatura brasileira merecem ser lidos e relidos e, mesmo assim, ainda podem nos surpreender!

 





9.11.16

Ele está de volta (Às vezes parece que ele nunca foi embora)!

Berlim (Alemanha), 2011.

Adolf Hitler desperta num terreno baldio, no subúrbio da cidade. Vê à sua volta inúmeros imigrantes de origem turca convivendo entre os seus. Descobre que uma mulher ocupa a presidência, que outrora fora sua, e sai em busca de respostas em meio ao vaivém de pessoas e de veículos nas ruas da capital.

O livro Ele está de volta (2012) do autor alemão Timur Vermes narra o retorno de Hitler no século XXI, cujo discurso nacionalista e impregnado de xenofobia se torna viral com o advento das novas tecnologias de comunicação e recursos de mídia, como a televisão e a internet. 

Eu já tenho o meu!

De leitura agradável, a obra nos faz refletir sobre a predisposição do grande público em aceitar os discursos propalados por lideranças conservadoras e populistas, muitas das quais defendem um "governo forte" e a adoção de medidas autoritárias. 

O texto, evidentemente, dialoga com as questões e tendências políticas do século XXI, evocando um fato do século XX - a ascensão de Hitler ao poder. Assim, a obra nos possibilita refletir sobre o avanço da direita conservadora na Europa, em países como Itália e França, por exemplo, cujas lideranças disseminam uma cultura de intolerância às minorias étnicas e defendem restrições a entrada de imigrantes em seus países com significativa aprovação popular. E, por que não citar, o caso de Donald Trump, recém eleito presidente dos EUA, personagem que durante a sua campanha ergueu a bandeira do isolacionismo, torcendo o nariz para os latinos e islâmicos. Ainda na América, mas desta vez no cone Sul, países como a Venezuela, Peru, Argentina e Brasil (vide a retórica do deputado Bolsonaro, a qual exalta o regime militar), há incontáveis políticos simpáticos às práticas governamentais populistas e demagógicas que seduzem multidões.

Enfim, há resquícios de cultura política autoritária por toda a parte, às vezes ela fica em estado latente, em outros momentos, como nos de crise econômica, ela se manifesta de modo mais forte e aí redundam em governos que cerceam  direitos e ceifam vidas. 

A repercussão do livro foi tamanha, que ele acabou virando filme homônimo à publicação de Vermes. Confira o trailer abaixo:




Sem dúvida, vale a leitura e o ingresso para o cinema!

12.8.15

Dicas de filmes: Segunda Guerra Mundial

O Blog Acrópole - História & Educação sugere alguns filmes que abordam o contexto histórico da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), o maior conflito armado da História.


O Resgate do soldado Ryan (1998).





Círculo de fogo (2001).

O pianista (2003).




A queda! As últimas horas de Hitler (2005).

O menino do pijama listrado (2008).




Alugue os filmes, prepare a pipoca e divirta-se!


Importante: Lembramos que as produções cinematográficas retratam os fatos de maneira idealizada, algumas vezes atendendo a interesses políticos e ideológicos, e nem sempre correspondem à realidade histórica.
Portanto, é preciso analisar o filme com o rigor da crítica histórica, observando a documentação e a historiografia sobre o assunto.

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