24 de setembro de 2016

Heróis não usam capas

_Acorda, filho, tá na hora.
Eram três e meia da madrugada quando papai me despertou do sono. A cama estava quentinha, relutei para me desfazer do velho e aconchegante cobertor de algodão com retalhos que mamãe coseu para mim, mas me levantei, pois chegara o dia em que iria prestar os exames para obter minha carteira de motorista. Se passasse nas provas, enfim, poderia dirigir.
Iria dirigir não por prazer ou por lazer, mas porque trabalhava na cidade e, morando na roça, ficava distante de meu trabalho. Portanto, saber conduzir um carro me ajudaria e muito. 

Naquela manhã fazia frio, chovia e a luz elétrica fraca e amarelada mal iluminava o meu quarto. Tivemos que acordar cedo, pois o exame de habilitação teria que ser feito em outra cidade, no estado do Rio de Janeiro, daí, no dia seguinte, combinamos levantar da cama antes mesmo que as galinhas começassem a deixar os poleiros para ciscar no terreiro atrás de pequenos insetos, musgo e minhocas.

Fui para o banheiro, enquanto eu lavava o rosto e escovava os dentes, papai preparava um garrafão que enchia de leite e café, cujo grãos haviam sido torrados ali mesmo há pouco tempo e agora seu aroma enchia o ar da cozinha com um delicioso odor. Meu velho também tomou um grande tabuleiro com broa de fubá, que mamãe havia assado ontem à tarde. O café da manhã já estava garantido.

Deixamos nossa humilde casa, ela tinha o reboco da parede na cor branca, pequenas janelas e portas estreitas de madeira pintadas de azul e telhado colonial, e fomos em direção a estrada onde o compadre Eurico já nos aguardava em seu fusca azul ano 1977. Papai combinara com ele nos levar até o estado do Rio para que eu pudesse fazer os testes, ele era nosso vizinho e amigo da família, por isso aceitou prontamente o pedido de meu pai. A vida no campo exigia solidariedade, na roça todos se ajudavam da forma possível.

_Bom dia, cumpadre!

Depois dos cumprimentos entramos no veículo e, quando nos preparávamos para partir, Seu Eurico disse:

_O garoto guia! É bom pra ir praticando e chegar na prova afiado.

Meus olhos brilharam com aquela oportunidade, adorava dirigir, eu praticava às vezes no carro do patrão e agora teria uma possibilidade de levar o carro durante a viagem. Assumi a direção, colocamos os cintos, dei a partida. O motor roncou, depois veio o movimento, a velocidade e o vento que assoprava em meu rosto e teimava em desmanchar meu penteado, causavam em minha alma euforia e uma sensação de liberdade, bem diferente do que sentia com a rotina de pedra da vida na roça.

Eu guiava o automóvel, Seu Eurico estava ao meu lado e no banco de trás meu pai levando consigo os papéis, documentos e o café da manhã que tomaríamos mais tarde. O dono da máquina me orientava, pontualmente, mas parece que eu só escutava o ruído do carro, que para mim se parecia com o som de uma sinfonia. Acelerei e fomos embora.

A viagem seguia tranquila, a estrada estava pouco movimentada, pois saímos de casa por volta de quatro da matina. Chovia bastante, mas nada que fosse capaz de diminuir minha satisfação de dirigir...

A fome estava apertando e decidimos parar antes da divisa entre o estado de Minas e do Rio para tomarmos café. Depois de percorrer algumas dezenas de quilômetros, chegamos numa grande serra, com uma descida muito acentuada. Ao final dela, iríamos encostar o carro para forrar o estômago. Seu Eurico era homem de poucas palavras, papai cochilava enquanto eu me esforçava para enxergar o que vinha pela frente.  

Acontece que a chuva apertou, indicando que as águas continuariam a cair nas próximas horas e teríamos mais um dia nublado, num tom cinza desbotado. Enquanto descíamos a serra cruzamos com um caminhão subindo, o farol alto do veículo que vinha no sentido oposto me cegou temporariamente, deixando minha visão turvada.
Como não via nada direito, em meio aquela cortina formadas de pingos de chuva e confuso pelo ofuscamento, acabei pisando no acelerador e quando dei por mim estava entrando numa curva acentuada. 
Girei o volante do carro esperando com algum desespero no coração esperando fazer a curva, mas o veículo parecia não responder aos meus comandos. Minha reação foi pisar no freio e, para meu total espanto, o carro não desacelerou, mas começou a rodar na pista, deixando a mim e os outros passageiros em pânico. Eu não sabia ainda, mas a única coisa que controlava o fusca naquele momento era uma lei da Física. Ficamos a mercê dela, bastava clamar pela misericórdia divina enquanto o carro rodopiava feito um pião de madeira.

Quando parecia que tudo terminaria bem, ao final da curva, o carro saiu de vez do asfalto, atravessou o acostamento e foi cair na pirambeira, capotando por sobre o mato e indo parar numa vagem com as rodas para o ar. Estávamos todos de cabeça para baixo.

_Tá todo mundo vivo? Perguntou Seu Eurico com uma voz trêmula impactada pelo terrível acidente.

Papai estava pálido devido ao susto. havia café com leite e broa pra todo o lado. E eu sentia que meu coração iria sair pela boca a qualquer momento, tamanho era o medo que sentia de morrer aos 18 anos de idade.

_Mas que diacho deu na sua cabeça, rapaz? Onde já se viu entrar numa curva correndo daquele jeito... Você quase nos matou. Ponderou o dono do fusca.

Fiquei envergonhado e pedi desculpas. Tentei me recompor, pois agora tínhamos que sair daquela posição incômoda, meu estômago parecia se misturar com o cérebro e não suportaria por muito tempo ficar de ponta cabeça e desmaiaria. 

Lá do alto do barranco ouvimos uma voz:

_Tem alguém vivo aí embaixo? Vocês estão bem?

Era o caminhoneiro do farol alto que havia me cegado, ele viu pelo retrovisor o fusca rodando na curva e sendo engolido pelo precipício, daí resolveu encostar e tentar ajudar.
Seu Eurico respondeu que estávamos bem, mas não podíamos sair do carro, pois as portas ficaram emperradas devido ao carro ter capotado. O caminhoneiro falou que iria seguir viagem até o posto mais próximo para pedir socorro. Senti algum alívio, me desculpei novamente com papai e com Seu Eurico e me defendi dizendo que o ocorrido fora um acidente e eu não tinha culpa e nem experiência para ter evitado aquela situação. Os dois passageiros me perdoaram e agradecemos a Deus por ninguém ter se ferido. Estávamos presos no interior do carro, só nos restava ter paciência e aguardar pelo auxílio que viria. A espera foi longa, tão longa que comecei a delirar. Era muito sangue pressionado a minha cabeça e meus olhos ficavam entreabertos piscando sem parar...

Já era dia, a chuva dera uma trégua, quando ouvi uma voz:

_Aguentem aí, pessoal, já vou tirar vocês daí, depois cuido do carro!

Um homem se aproximava, ele vestia uma longa roupa azul. Pensei comigo:

_Ora, será ele um super-herói como aquele da capa longa que vi no cinema certa vez? Então heróis existem de verdade! Exclamei.

O homem fincou um pé de cabra na fresta da porta do fusca, puxou firme e conseguiu abri-la. Depois ele me puxou pelo tronco para fora do veículo.

Deitado naquele chão molhado, bastante tonto e com o raciocínio avariado, eu vi o homem que trajava um roupão azul tirar do carro meu pai e o Seu Eurico. Minha viagem para tirar carteira acabaria ali e fiquei decepcionado comigo mesmo, mas foi naquele exato instante que descobri que heróis existem, mas diferente do que fora mostrado na telona, eles não usam capas, usam macacão.   

O herói era um mecânico que veio da cidade nos resgatar, depois que nos salvou enganchou uma corrente no fusca e lá de cima do barranco, com seu caminhão rebocou o carro morro acima. Depois nos levou até o hospital mais próximo, fomos examinados e liberados pelo doutor, afinal, graças a Deus, nada de grave aconteceu conosco. O fusca, tinha a lataria resistente, precisava apenas de pequenos reparos de lanternagem. Como tudo estava bem, a viagem seguiu, mas com Seu Eurico no volante. Chegamos no destino, me apresentei para o examinador e fui fazer os exames teóricos e práticos de direção sob a supervisão de um oficial de trânsito. Ainda assustado com o acidente sofrido, fiquei trêmulo quando o oficial ordenou que iniciasse a prova prática no veículo. Relutante, tomei o volante, fechei os olhos por um instante, me concentrei, restabeleci a calma e decidi que só voltava pra casa com a carteira na mão. Depois de tudo, enfim fui aprovado e minha felicidade ficou completa quando vi a expressão de orgulho no semblante de meu pai ao receber as boas novas. Agora podia ir embora aliviado depois de uma longa aventura que quase custou nossas vidas!

18 de setembro de 2016

Empregando referenciais teóricos de Cultura e uso de Mídias em outras disciplinas escolares


Estudamos nas disciplina de Cultura e uso de Mídias que os meios de comunicação influenciam nosso comportamento, eles buscam, através da publicidade, moldar nossa maneira de pensar e de agir.

Essa tentativa de padronizar o comportamento social está diretamente relacionado ao aproveitamento do mercado pelas grandes empresas, interessadas em vender seus produtos. Assim, aprendemos que mídia é poder, que as informações veiculadas não são neutras, isto é, isentas, desprovidas de interesses e da busca por poder.

Num trabalho solicitado pela disciplina de Educação Física, o aluno João Pedro aplicou os pressupostos discutidos e apreendidos nas aulas de Cultura e uso de Mídias para desenvolver o seu texto. Ele aplicou a ideia de que a mídia se aproveita da prática de esportes para promover produtos, marcas e negócios.  
O trabalho ficou tão bom que veio parar aqui no blog, confira abaixo: 


Eu faço esporte ou sou usado pelo esporte?


O ato da prática de esportes pode ter diferentes interpretações. Para uma grande massa é uma forma de relaxar e descontrair com os amigos, para outros uma forma de se exercitar e manter uma vida saudável. Porém, para alguns grupos o ato de praticar esportes é uma ótima fonte de riquezas que vem da audiência do público através da compra de materiais esportivos, os quais são anunciados em todo tipo de propagandas que colaboram com esse mercado comercial. As imagens veiculadas nele de imagens transformam uma atividade simples num ato de amplitude inimaginável, como por exemplo, praticar corrida com um tênis da Mizuno ou Asics.


O fazer esporte seria, em uma concepção mais simples, o ato da prática saudável de esporte, onde o individuo faz quando quer, e essa atividade possui caráter social e de promoção da saúde. Podemos ver isso nos campos, clubes, quadras e praças de nossas cidades onde jovens e adultos realizam diversas atividades esportivas como futebol, ciclismo, atletismo, natação entre outros.

O ato de ser usado pelo esporte é quando somos altamente influenciados pela mídia em situações nas quais ela usa a imagem de ídolos esportivos para fazer propagandas, e vender artigos de times etc. 

Quando o esporte deixa de ser uma paixão ou uma necessidade para viver com mais qualidade de vida ele passa ao âmbito das relações de mercado, de produção e de consumo, de patrões e do proletariado e de pessoas que tem suas imagens usadas de diversas maneiras nos meios de comunicação visando gerar mais dinheiro para um mercado bilionário.

João Pedro Soares
3º ano do Ensino Médio
CIEP 280

7 de setembro de 2016

Versões sobre a independência do Brasil

O sete de setembro foi tomado como marco fundador da nação brasileira. A data representa a separação do Brasil de Portugal a partir de 1822.
Toda jovem nação precisa de símbolos, mitos e heróis que possam legitimar um novo governo ou um novo tempo e servir de referência para unir o povo. Essa necessidade de criar uma identidade nacional justificou todo o esforço do Estado brasileiro para perpetuar a memória do dia da independência no imaginário popular.

Assim, para que a estratégia se consolidasse, houve incentivo governamental para historiadores e artistas escreverem e pintarem a data e os seus acontecimentos com o objetivo de eternizá-la. Como desdobramento dessa política pública para registrar a história, tivemos a produção de obras literárias, o nascimento de instituições acadêmicas e o surgimento de um acervo artístico, como, por exemplo, o célebre quadro de Pedro Américo: O grito do Ipiranga (1888), o qual mostra o sete de setembro de 1822.


Analisando a pintura é possível percebermos que o artista seguiu a orientação ideológica oficial, isto é, aquela defendida pelo governo brasileiro, no sentido de transformar a data num grande feito. Observe que o pintor retratou o fato histórico e atribuiu a d. Pedro um papel central. O príncipe se destaca frente à tropa, é o líder, um comandante militar que declara o fim do jugo colonial perante seus comandados.
O caipira, situado à esquerda de quem observa a imagem, fica atônito, talvez sem ter a mínima ideia do que se passa naquela colina, era um bestializado, enfim, estava à margem dos acontecimentos políticos em curso. 

Mas será que os acontecimentos ocorreram mesmo assim? No livro 1822, escrito pelo jornalista Laurentino Gomes, o autor descreve esse momento como algo sem brilho e desprovido da aura mítica mostrada no quadro do século XIX.  O escriba conta que d. Pedro, que naquele dia retornava de São Paulo para o Rio de Janeiro, estava sentindo forte desconforto intestinal, por conta de uma diarreia. A respeito de sua montaria assinala que ela "nem de longe lembrava o fogoso alazão que, meio século mais tarde, o pintor Pedro Américo colocaria no quadro “Independência ou Morte”, também chamado de “O Grito do Ipiranga”, a mais conhecida cena do acontecimento. O coronel Marcondes se refere ao animal como uma “baia gateada”." (Fonte: Folha ilustrada).

A "baia gateada" que servia de montaria para o príncipe era uma mula com pelagem amarelo-avermelhada, meio de transporte usual entre os que trafegavam pela região montanhosa e de difícil acesso da Serra do Mar. Cavalos não conseguiam dar conta daquele trajeto. Mas essa versão menos suntuosa da história não prevaleceu na historiografia, isto é, na escrita dos fatos históricos.  

A obra de Pedro Américo foi bastante divulgada entre o povo ao longo dos anos, sobretudo através dos livros didáticos utilizados nas escolas de todo o país e contribuiu para cristalizar esse acontecimento no imaginário popular, reforçando a ideia de que a separação do Brasil foi um ato de bravura, conduzido por um grande líder. Ela ajudou, em suma, a consolidar a versão oficial dos acontecimentos conforme desejava a elite política que estava no poder no século XIX e que precisava da história para construir uma identidade nacional e forjar um novo Estado independente de sua antiga metrópole.

O exemplo da independência do Brasil e suas diferentes versões mostra como a história e o ato de escrevê-la  é, em si, uma manifestação de poder. Poder de escolher o que deve ser lembrado e o que, consequentemente, pode ser esquecido. Esse processo ocorre, pois o registro da história não se resume em narrar objetivamente os acontecimentos, o relato sofre a interferência dos agentes envolvidos no processo de escrita da história e também é marcado pelos interesses dominantes em seu tempo. Cabe a nós, historiadores, historiar os mitos, desconstruir os fatos, confrontar diferentes documentos e versões para tentarmos conhecer as tramas e complexidades que perpassam a historiografia a fim de compreendermos melhor o fazer histórico e a nossa realidade.  

4 de setembro de 2016

Cultura, arte e lazer em Leopoldina

A Cultura leopoldinense ganhou novo e forte fôlego, especialmente a partir da primeira década deste século, primeiro com a consolidação do Museu Espaço dos Anjos, depois com a chegada da Casa de Leitura Lya Botelho e, mais recentemente, a inauguração do Centro Cultural Mauro de Almeida reforçou o renascimento do setor na cidade.   

Essa revitalização cultural é um forte indicativo de sua importância para o município e também indica que a população, pelo menos parte dela, valoriza a cultura local e os espaços destinados à preservação do maio r patrimônio de um povo. Sinal de que há esperança e que podemos sempre melhorar.

Se antes era comum ouvirmos as pessoas reclamarem da falta de opção de entrenimento na cidade, agora o cenário começa a a ser modificado, pois temos um verdadeiro circuito cultural na cidade que atende muito bem ao lazer das famílias leopoldinenses e dos turistas que desejam conhecer mais sobre nossa bela terra.

Agora, cabe a população leopoldinense cobrar das autoridades públicas a manutenção desses espaços de cultura, bem como a ampliação de suas atividades, a fim de promovermos, cada vez mais, a inclusão social e a cidadania através da celebração da cultura popular e do resgate de nossos valores históricos e identitários.



Leia mais sobre o circuito cultural de Leopoldina clicando no link abaixo:


28 de agosto de 2016

Eu não sabia o que era o amor

Envolto num casulo mesquinho
Achava que sabia o que era amar
Na redoma artificial de meu próprio mundo
Pensava conhecer plenamente a definição e a sensação do sentimento mais nobre
Minh'alma acreditava, honesta e cinicamente, que dominava a maior de todas as invenções humanas
Imerso num caldo de pseudo-razão o gesto de amar se parecia com algo simples, quase banal
Bastava ler os versos do poeta e, pronto, já estava amando
Terrível engano...
Amor de verdade subverte a ordem cartesiana...
Amor de verdade não se encontra em páginas de livros...
Amor de verdade se encontra no desabrochar da existência
Ele é o fôlego que enche os pulmões
É o ar que assopra as labaredas de fogo
É a água que alimenta as células
É, em suma, a essência que move nossas vidas até o apagar das luzes

(Yvesky)

17 de agosto de 2016

Relatório da visita à exposição "Por mares nunca dantes navegados"

O texto a seguir foi redigido pela aluna Elisa, do 6º ano 3. Ela relatou suas observações a respeito da visita realizada por alunos e professores à exposição na Casa de Leitura Lya Botelho.


Um passeio pelo conhecimento

Visitamos a exposição "Por mares nunca dantes navegados", na Casa de Leitura, no dia 16/08/2016 (terça feira). Havia no local três salas, começamos pela principal, cuja decoração se parecia com a de um navio antigo; tinha vários objetos diferentes e interessantes, como um canhão e uma bússola. Em uma mesinha de madeira tinha alguns alimentos, como pães e biscoitos, representando a comida dos marinheiros, e ratos espalhados pelo espaço, simbolizando a sujeira e a falta de higiene do lugar.

A limpeza desses antigos barcos era horrível, para falar a verdade, os hábitos de higiene não eram regra entre a tripulação, homens vomitavam em si mesmo e nos outros, por causa do enjoo provocado pelo movimento da embarcação e o balanço do mar.

Com uma dieta pobre e má alimentação, os marinheiros acabavam sendo pegos pelas doenças, seus dentes caíam e as gengivas sangravam, tinham náuseas e alucinações. 

Imaginavam que tinha monstros nos mares e que eles eram os causadores dos desastres e dos naufrágios.

Indo para a segunda sala, à direita, podemos ver os grandes navegadores dos séculos XV e XVI, como Vasco da Gama, Cristovão Colombo entre outros não menos importantes. 

Uma curiosidade é que quando Colombo chegou à América acreditou que estava nas Índias, não sabia que tinha chegado num novo continente, por isso chamou os habitantes do lugar de índios. Nesta sala também tinha uma espada, um barril de madeira, alimentos, imagens, mapas e relatos de época.

A terceira e última sala continha especiarias da China e da Índia, também tinha alimentos e artigos do Oriente, como seda, vasos de porcelana, espadas etc. Essas mercadorias não eram fabricadas na Europa, por isso os viajantes iam atrás delas, pois elas tinham grande valor e seu comércio era muito lucrativo.
Aprendemos sobre um mito da época, que dizia que a Terra era plana e que, além do oceano, havia um abismo que engolia os navegadores. Foram as aventuras marítimas que comprovaram que a Terra é esférica e aumentaram o conhecimento sobre o mundo.


Os "marinheiros" de nossa geração são os astronautas, que se aventuram pelo espaço, onde há muito para ser explorado e conhecido.

Certamente, no futuro, outras pessoas falarão sobre nós e as descobertas de nossa época, assim como agora falamos do que foi realizado no passado.


Elisa da Silva Vilela
Aluna da E. E. Luiz Salgado Lima
6º ano - 3

11 de agosto de 2016

Game sobre a Revolução Francesa (1789)

Descubra quais são as palavras-chave relacionadas à Revolução Francesa!

Tome cuidado com o tempo, pegue dicas, clicando em Hint, desembaralhe as palavras com o mouse e confira se acertou em Check. Cada acerto lhe renderá pontos. 

7 de agosto de 2016

Crise ético-política: uma oportunidade para aprender

Vivemos uma crise ética e política acentuada a qual, talvez, não encontre precedentes em nossa história republicana. De 1889 para cá, quando Deodoro liderou o golpe que substituiu o regime monárquico e proclamou a república, tivemos vários momentos perturbadores e preocupantes, como a a ditadura varguista em 1937, o golpe militar de 1964 e o impeachment de Collor em 1992, mas nada que deixasse nosso sistema político tão vulnerável e tão desnudo quanto no atual momento. É verdade que a ampla cobertura da imprensa, potencializada pela velocidade da internet e das redes sociais, acerca dos acontecimentos políticos amplia os efeitos e o impacto das notícias na opinião pública, coisa que não ocorria com tamanha intensidade no passado, mas o fato é que agora a corrupção tem se mostrado endêmica, profundamente enraizada nas relações estabelecidas entre políticos e grupos privados, com o objetivo de fazer riqueza, obter facilidades e se perpetuar no poder. É um processo estarrecedor. 

Se nas primeiras décadas de nosso regime republicano a questão social era tratada como caso de polícia, agora parece que a questão política é a que mais preocupa as forças policiais e jurídicas, visto que os escândalos de corrupção  se sucedem  e colocam em xeque todo o funcionamento do atual modelo político brasileiro.

Em suma, a crise ética e política que estamos enfrentando é grave. Mas vejo que desse caos é possível extrair uma solução para ajudar a resolver os nossos problemas. Podemos mudar esse quadro nas urnas, por meio de nosso voto, essa é uma ideia batida, lugar comum, mas pode ser que traga alguma repercussão no cenário nacional, caso o povo passe a entender o voto como um instrumento eficaz para a alterar os rumos do país. As eleições municipais que se aproximam, devem ser o ponto de partida para uma ação-resposta dos cidadãos de bem para a classe política parasitária deste país. A ideia é não reeleger nenhum candidato, pois os que já se encontram dentro do sistema estão marcados pelos seus vícios,  direta ou indiretamente, salvo raríssimas exceções. Também não devemos eleger os figurões tradicionais, os quais são presenças certas nos períodos eleitorais, na busca de uma chance para ocupar uma função pública apenas com a finalidade de usufruir dos privilégios possibilitados pelo cargo. Deveríamos votar em novos candidatos e de partidos fora do eixo PT-PMDB-PSDB, pois essas siglas estão podres, contaminadas pela cegueira provocada pelo poder e pela ganância. Suas lideranças são cínicas, têm como projeto apenas se apossar de cargos no governo, como atalho para fazer (aumentar) fortuna às custas do bem comum e do suor do cidadão brasileiro. Daí urge a necessidade de buscar alternativas partidárias e candidatos com propostas decentes que podem promover o bem comum.


A crise ética e política a qual assistimos tem apresentado claramente as falhas e o lado negativo do fazer político no Brasil. Ela é terrível evidentemente, mas deve ser encarada como uma possibilidade de aprendizado. A lição que podemos tirar de tudo isso é que o país necessita de profundas reformas políticas e administrativas, mas elas jamais serão feitas, caso não ocorra uma profunda higienização desse organismo adoentado e claudicante que se tornou o Estado brasileiro. A faxina deve ser geral, enquanto as tais reformas não acontecem, podemos "varrer" agora nossas cidades, depois os estados e o governo federal.  Devemos deixar de ser espectadores e entrar em cena agindo agora, a começar pela eleição municipal, se quisermos, de fato, que algo mude para melhor. Então, reafirmo, vamos eleger novos candidatos e novas ideias para, quem sabe, construirmos uma nova história. Reeleger os mesmo nomes apenas deixará tudo como está. Você está satisfeito com nossa conjuntura política, econômica e social? Pretende deixar essa ordem inalterada? A construção de uma nova ordem política começa pela escolha de novos políticos e lideranças, e por uma mudança de mentalidade do povo em relação ao fazer político no país. Citaremos a seguir exemplos de atitudes que devem ser evitadas e algumas que devem ser incentivadas, pois acreditamos que por meio de uma nova postura do povo, podemos alavancar, enfim, a cidadania e promover mudanças positivas na política das cidades e depois de nosso país.    

Os resultados das urnas podem provocar um efeito positivo no futuro, mas para que isso ocorra a prática de vender o voto deve acabar, nada de trocar sua confiança por saco de cimento, churrasco, promessas de emprego ou qualquer outro tipo de agrado oferecido pelo candidato. Não adianta resmungar depois e culpar a incompetência do prefeito e dos vereadores, responsabilizando-os pela sujeira da cidade, pelas ruas esburacadas, pela iluminação precária e pelo fato de não ter médico no posto do bairro. Quem elege o prefeito e os vereadores somos nós - eleitores, então se colocamos incompetentes e corruptos no poder, também somos culpados pelas mazelas que acometem toda a política nacional que, por sua vez, impactam negativamente em nossas vidas. 

Portanto, os eleitores precisam aprender a votar bem, a começar investigar a vida pública do indivíduo que concorre ao cargo letivo: sua biografia, seu caráter, sua base política, suas propostas para beneficiar a coletividade e as pessoas e grupos que o cercam. E também é fundamental que após o período eleitoral, a população fiscalize, acompanhe e cobre do candidato eleito o cumprimento de tudo o que foi prometido durante a campanha. Caso contrário, continuaremos elegendo criminosos e pessoas desqualificadas para ocupar postos tão importantes para a vida pública do país, figuras despreocupadas com o bem-estar da coletividade, cujo único compromisso será o de manter o sistema da forma como está - prejudicando muitos e favorecendo poucos. 

6 de agosto de 2016

Entre a vida e a morte: a memória de um poeta

No dia 20 de abril de 1884, no Engenho Pau D'Arco, na Paraíba, nasceu um dos mais marcantes poetas não românticos da literatura nacional - Augusto dos Anjos. Ele aprendera as primeiras letras com seu pai, enquanto assistia à proliferação das usinas modernas, as quais substituíam os antigos engenhos coloniais que fizeram o esplendor do nordeste no passado.

Augusto dos Anjos (1884-1914).

Entre 1903 a 1907, Augusto dos Anjos estudou na Faculdade de Direito do Recife. Formou-se advogado, mas dedicou-se ao ensino de Língua Portuguesa no Liceu paraibano. Casou-se com Ester Fialho, em 1910.

Mudou-se para o Rio de Janeiro, depois de ter sido afastado de suas funções pelo governador da Paraíba com quem se desentendera. Na capital continuou a lecionar, atuando em diversos educandários. No ano de 1911, perdeu, de forma prematura, seu primeiro filho

Em 1913, transferiu-se para Leopoldina (MG) após ter sido nomeado para o cardo de diretor do Grupo escolar Ribeiro Junqueira. Um ano antes publicara sua única obra, intitulada Eu. Foi com alguma tristeza na alma que ele escreveu: 

"Ah! Um urubu pousou na minha sorte!" 

O verso extraído de um de seus fúnebres poemas parecia expressar o desgostos que sentia em relação à vida e também os infortúnios pelo qual passara, como a perseguição política, os problemas de saúde e a perda de seu primogênito.   



Seus poemas são, desse modo, marcados pelo pessimismo, pelo emprego de termos médico-científicos e  referências à morte. Inicialmente, sua obra provocou estranheza e ele só foi reconhecido como poeta de talento anos mais tarde. Devido a sua singularidade poética torna difícil associá-lo a uma escola literária, mas ele é comumente classificado como pré-moderno.

No dia 12 de novembro de 1914, com 31 anos de idade, faleceu por conta de uma pneumonia. Apesar da morte física, Augusto dos Anjos realizou suas intenções mais íntimas declaradas nos versos:

"Quero, arrancado das prisões carnais, / Viver na luz dos astros imortais".

Por isso, ele para sempre será lembrado...


Fachada e interior do Museu Espaço dos Anjos - Leopoldina (MG).
Túmulo do poeta - Leopoldina - MG.