2.9.14

Descolonização da África e da Ásia

Desde a segunda metade do século XIX, a maior parte do continente africano estava sendo explorada pelas potências imperialistas europeias. O mesmo ocorria com as regiões da Ásia, como o Oriente Médio, a Índia e a China. Essa prática ficou conhecida como neocolonialismo.

Governantes europeus disputam um "pedaço" da China (Charge do século XIX).

Os países europeus se julgavam superiores aos africanos e asiáticos, do ponto de vista racial e cultural. Isso justificava sua presença nesses continentes, como uma missão "civilizadora".


Porém, as potências imperialistas estavam mais preocupadas em obter matérias-primas e mão de obra baratas e novos mercados consumidores de seus produtos industrializados.

Contudo, ao final da II Guerra Mundial, em 1945, muitos povos africanos e asiáticos iniciaram movimentos em prol de sua autonomia, isto é, pretendiam ficar independentes da interferência europeia.

Alguns desses movimentos resultaram em batalhas e guerras sangrentas entre as colônias e as metrópoles europeias, outros foram realizados por vias pacíficas. Vamos conhecer alguns exemplos:

Argélia (África)
Militares e civis da Argélia comemorando a independência em 1962.

Emancipou-se da França em 1962, depois de 8 anos de guerra contra as forças francesas.

Angola (África)
Soldados nacionalistas angolanos lutaram contra Portugal.
Conseguiu sua independência em 1974, após travar uma violenta guerra contra as tropas de sua metrópole - Portugal.

Líbano (Oriente Médio)
Tropas francesas na Síria e no Líbano (1920).
Em 1946, o Líbano conquistou a sua independência da França.  

Índia (Ásia)

Um dos líderes do movimento de independência da Índia foi Mahatma Gandhi. Ele pregava a resistência pacífica, por meio da desobediência às ordens de autoridades coloniais britânicas, protestos e boicotes aos produtos ingleses. Em 1947, os indianos conquistaram sua autonomia em relação à Inglaterra.

Após a independência desses países, os seus problemas não chegaram ao fim. A desigualdade social, a crise econômica e outras dificuldades provocaram inúmeros conflitos internos, que geraram guerras civis entre grupos étnicos diferentes residentes nos novos países.

Além disso, num contexto de Guerra Fria, foi comum a interferência dos E.U.A e da U.R.S.S na Ásia, na África e no Oriente Médio, já que as superpotências mundiais lutavam para aumentar sua zona de influência no Globo.

No Oriente Médio, numerosos conflitos ocorreram no século XX em virtude de disputas políticas, motivadas por interesses econômicos (terra e petróleo), além das diferenças culturais e religiosas. 
Civis caminham em meio a escombros na Faixa de Gaza. Conflito de agosto/2014.

Infelizmente, muitas disputas sangrentas continuam a ocorrer até os dias atuais, como as lutas entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza; ou na República Centro-Africana, onde grupos rebeldes enfrentam os soldados do governo nacional. Os confrontos provocam milhares de mortes, sobretudo de civis, crianças, mulheres, homens e idosos, enfim pessoas inocentes que sofrem com a ganância, o fanatismo e a ambição de alguns pelo poder. 

1.9.14

Escravidão no Brasil: diferentes formas de exploração do trabalho escravo

Entre os séculos XVI e XIX, a mão de obra predominante na economia brasileira foi a escrava. 
De acordo com o Historiador Jaime Pinsky, a escravidão "se caracteriza por sujeitar um homem ao outro, de forma completa: o escravo não é apenas propriedade do senhor, mas também sua vontade está sujeita à autoridade do dono e seu trabalho pode ser obtido até pela força." (PINSKY, 2000).


Dentre as principais atividades desempenhadas pelos escravos no Brasil no período colonial e imperial, temos:

Escravo rural


Trabalhavam nas fazendas, cultivando cana de açúcar, tabaco, café e outros gêneros agrícolas. Nelas os escravos suportavam uma jornada diária de até 18 horas de trabalho. A rotina no campo era extenuante, pois os cativos sofriam muitos castigos físicos, viviam em condições precárias e ficavam a mercê da autoridade de seus proprietários.

Escravo de ganho

Atuavam no comércio urbano, a mando de seus senhores ou de suas senhoras. 
"Eles vendiam doces, refrescos, frutas, aves e ovos, roupas, chaleiras, velas, estatuetas de santos, poções de amor. Ou atuavam nos demais ofícios, como barbeiros, ferreiros, quitandeiros, parteiras, doceiras, mascates, lixeiros, carregadores. Transportavam tudo nos ombros e nos braços, até pessoas - brancos brasileiros e estrangeiros acomodados em cadeirinhas almofadadas. O dinheiro acumulado na prestação desses serviços podia um dia comprar a carta de alforria. " (Fonte: Guia do Estudante, acesso em 27 ago. 2014).

Escravo de aluguel
Anúncio do jornal Diário de Minas (Janeiro de 1875).
Eram alugados por seu senhor a terceiros. Normalmente eram escravos especialistas em algum ofício, como sapateiros, carpinteiros e cozinheiros.
Como pode ser observado no anúncio acima, retirado de um jornal do século XIX, as empresas também procuravam escravos para alugar, tendo em vista que com a proibição do tráfico internacional de cativos a partir de 1850, era preciso buscar mão de obra internamente. Assim, foi comum os senhores de escravos alugarem seus cativos para particulares e até para órgãos governamentais, recebendo dinheiro por esta negociação.

Escravo das minas


Mineração. Litogravura de Rugendas. 1827.
Com a descoberta do ouro em Minas Gerais no século XVII, houve grande fluxo de migrantes para essa região. Eles buscavam riquezas e recorreram aos escravos africanos para explorar as minas. Havia o ouro de aluvião, encontrado entre o cascalho no leito dos rios e a aquele extraído do interior das montanhas. Nas minas era muito comum ocorrer desmoronamentos, os quais mataram muitos escravos. Eles também adoeciam e morriam por intoxicação devido aos gases exalados pelos metais. Todos esses riscos tornavam a expectativa de vida dos escravos mineiros muito baixa, atingindo em média 7 anos. (ESCHWEGE apud SOUZA. O preço do risco. Site: Revista de História).

Escravo urbano
Carregadores de água. Rugendas (século XIX).
Esse grupo de escravos concentrava-se nas cidades do Brasil Colônia e Império. Nelas eles se dedicavam a diversas atividades profissionais, como o serviço doméstico, fazendo mandados e outros serviços para seus senhores.

Os escravos das cidades viviam em condições um pouco melhores dos escravos do campo. Sua rotina era menos árdua, comiam melhor, tinham algumas regalias e mais facilidade para obter sua alforria (liberdade).  


Mas a vida do escravo das cidades brasileiras não era nenhum "mar de rosas". Eles passavam por dificuldades e humilhações, como por exemplo ocorria com os tigreiros. Os “tigres”, escravos que na calada da noite transportavam barris com fezes e urina para jogá-los em praias e valas. Quando o nauseabundo carregamento transbordava, escorria pelos seus corpos formando listras que justificavam o apelido". (Fonte: Revista de História. Acesso em 27 ago. 2014).
 

Conclusão

Desde o início da colonização do Brasil o trabalho escravo foi uma constante em nossa História.
O trabalho compulsório foi imposto aos índios e aos povos africanos trazidos para cá. Essa forma de exploração humana iniciada por volta de 1530 só foi abolida em 1888, portanto durou mais de 350 anos.
O passado escravocrata deixou marcas em nossa sociedade, que são perceptíveis até os dias atuais, em manifestações de racismo, na desigualdade social, na exploração do trabalho e através de outros tipos de preconceitos relacionados aos índios e aos afroamericanos.

Qualquer tipo de exploração do trabalho é crime e, como tal, deve ser denunciado às autoridades, pois a escravidão fere o direito sagrado de todo indivíduo que é a Liberdade.

De olho no ENEM

Questão do ENEM - 2017 sobre escravidão doméstica 


26.8.14

Um olhar sobre Leopoldina

Os alunos da turma 1º 5 participaram de um concurso interno - chamado de "Um olhar sobre Leopoldina", promovido na disciplina "Atratividade Turística", do Reinventando o Ensino Médio.

Eles formaram equipes, com o objetivo de fotografar atrativos culturais e naturais da cidade.
As imagens foram reveladas em um tamanho padrão e foram expostas para toda a Comunidade Escolar.

A exposição foi artisticamente pensada e organizada pela Especialista em Educação Sônia Almeida e todos tiveram acesso a ela, no dia 16 de agosto (sábado), no evento "Toda Comunidade Participando".

Alunos, pais, professores e demais servidores da escola visitaram o mural com as fotografias dos alunos, votaram nas melhores fotos e todos gostaram do que viram. Confira:











Após a apuração dos votos, eis o resultado da escolha do público:

1º Lugar: Foto do Horto Florestal (Equipe: Douglas, Carlos, Pedro e Klaus). Ouro

2º Lugar: Foto da Casa de Leitura Lya Botelho (Equipe: Taywenne, Dailaine e Raiane). Prata


3º lugar: Foto da Catedral à noite (Equipe: Quésia, Renata e Ylebiam). Bronze.


A premiação ocorreu hoje, dia 26/08, quando a diretora Joana D'arc, a vice diretora Joseane Badaró e a Especialista Maria de Lourdes Ribeiro entregaram as medalhas para as equipes vencedoras do concurso.

Estão todos de parabéns pelo empenho e criatividade.

25.8.14

[Resenha] Estou lendo...

Uma boa dica para os estudantes de História e para aqueles que desejam conhecer mais sobre a Idade Média é a leitura da obra "O despertar da Europa: a Baixa Idade Média" (14ª edição, Atual Editora, 2013). O livro é assinado pelo Historiador Marco Antônio de Oliveira Pais.

Nessa obra, o medievalista aborda o período que vai do século X ao século XV, num momento crucial para a História da Europa que influenciou o restante do Mundo.

O Mundo Medieval começava a mudar, as melhorias na produção agrícola, como o uso da charrua, a adoção do sistema trienal de cultivo, dentre outros aperfeiçoamentos, fizeram a produção de alimentos aumentar, o que contribuiu para o crescimento demográfico e para a expansão das cidades pela Europa.
Charrua (arado de madeira e ferro) medieval.
A burguesia, grupo social que se dedicava às atividades artesanais, bancárias e comerciais, enriquecia e confrontava a nobreza feudal. Serão os burgueses os grandes incentivadores do Renascimento, das Grandes Navegações, da mudança de mentalidade e da passagem de um mundo rural para um tipicamente urbano.

A obra é repleta de fontes históricas, iconográficas e escritas, que documentam a vida medieval, desde os hábitos da nobreza guerreira, passando pela religiosidade do clero, até chegar no cotidiano árduo dos camponeses. A documentação, em suma, provoca uma verdadeira imersão do (a) leitor (a) num Mundo Medieval de insegurança, violência, felicidade, e esperança, o qual mostrou retrocessos e avanços para a História da Humanidade!

Leitura obrigatória.

22.8.14

Ecos de um passado escravocrata

A partir da terceira década do século XVI, o tráfico de escravos africanos para o Brasil começou a ganhar uma forma definida. A colônia portuguesa passou a fazer parte de uma vasta rede comercial, cuja principal mercadoria eram homens, mulheres e crianças capturados na África para serem vendidos nas Américas, além da Europa e da Ásia, em menor número. Esse fenômeno é conhecido como Diáspora Negra, ou Diáspora Africana.

Só no Brasil desembarcaram mais de 4 milhões de escravos africanos. A viagem dos cativos era um sonho dantesco, como registrou o poeta Castro Alves. Ela começava nos portos de Luanda ou Benguela e durava entre 35 a 50 dias até chegar ao Rio de Janeiro ou Salvador.
Os negros viajavam em porões imundos e apertados, cerca de 30% dos cativos não resistia a viagem e morria vítima de desidratação, tifo e cólera.

Porão de navio negreiro (1835). Rugendas.
No processo de captura do escravo foi muito comum a participação de príncipes e reis africanos que firmavam alianças com os traficantes europeus. 
Gravura de C. P. Speke. Século XIX.
Os líderes africanos trocavam escravos, seus prisioneiros de guerras intertribais, para obter armas, roupas e outros artigos da Europa e de suas colônias.

A origem étnica e cultural dos escravos era muito diversificada. Eles eram originários de várias e longínquas regiões da África (Observe o mapa acima e a variedade étnica - Sudaneses e Bantos). Alguns grupos praticavam a religião islâmica, outros as religiões tradicionais do continente, como o culto aos orixás. Os escravos da etnia dos malês, trazidos para a Bahia no século XIX, por exemplo, eram muçulmanos,  e alguns sabiam ler e escrever na língua árabe.

Embora tenham sido submetidos ao trabalho forçado, os cativos lutavam para preservar sua cultura, suas memórias, suas crenças e seus costumes. O sincretismo religioso, por exemplo, foi uma maneira que os afroamericanos encontraram para cultuar suas divindades. Como seus rituais eram condenados por seus senhores e pelas autoridades católicas, eles associaram as entidades do Candomblé aos santos católicos para continuarem realizando seus ritos sem sofrer perseguição. Assim, na religiosidade afroamericana, São Jorge é cultuado como Ogum, Santa Bárbara é reverenciada como Iansã, dentre outros exemplos.

No vestuário, na alimentação, no vocabulário, nas danças, nos festejos, enfim "em tudo que é expressão sincera de vida, trazemos quase todos a marca da influência negra." (FREYRE, GILBERTO. Casa Grande & Senzala, 1933).

Observe nas imagens abaixo um pouco da influência africana em vários aspectos de nossa cultura.

Baiana preparando o acarajé, frito no azeite de dendê, cuja origem é africana.

Prática do Candomblé (Bahia).

Procissão da Congada. Festejo que exemplifica o Hibridismo, mistura de elementos da cultura cristã e africana.

Olodum - grupo de percussão afro-brasileira. O som dos tambores e a dança são heranças culturais afroamericanas.

Capoeira, uma tradição criada pelos escravos.

Vocabulário, palavras de origem africana.

18.8.14

Expansão Marítima

No 3º bimestre, estudamos com as turmas do 1º ano do CIEP 280 o período das Grandes Navegações no século XV.

Esse fato é considerado um dos marcos entre o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna.

A Expansão Marítima plantou as sementes da Globalização, ampliou horizontes e intensificou o intercâmbio cultural entre regiões e povos distintos.
Claro, esse processo também contribuiu para a destruição de inúmeros povos e culturas, como ocorreu com os muitas etnias africanas e indígenas, vítimas das doenças,  das guerras e do trabalho escravo imposto pelo europeu. Nesse processo de intercâmbio, a cultura europeia também mudou, mesmo sendo a dominadora ela se adequou, adquiriu novos hábitos e costumes apreendidos no contato com os povos de além-mar. O uso do tabaco, o consumo do milho e da batata são alguns exemplos de elementos nativos da América que foram incorporados à cultura europeia, e difundidos pelo Mundo, após o século XV. 

O Mundo conhecido pelos europeus antes de 1415, data que marca o início da Expansão Marítima, era restrito à Europa, Parte da África e da Ásia.
Reprodução do "Mundo Conhecido" no século XV. Arte da Aluna Adrielly, da turma 1003.
As nações ibéricas (Portugal e Espanha) foram as pioneiras nas navegações. Portugal já havia passado pela centralização política desde o século XIV e o Rei incentivava as viagens marítimas.

As novas tecnologias da época, como a bússola, o astrolábio, o quadrante, o avanço da cartografia e o uso das caravelas foram fundamentais para o sucesso da empreitada ibérica. Muitos desses recursos foram adquiridos pelos europeus através do contato que mantinham com os navegadores árabes e  com o oriente.


O objetivo das navegações era chegar ao Oriente, no reino dourado da China descrita por Marco Polo, na fonte das especiarias orientais e de outros artigos de luxo. Além das riquezas, os europeus procuravam por novas terras e também por novos povos que pudessem ser catequizados e convertidos ao Catolicismo.

Especiarias orientais.
O comércio daqueles artigos era bastante lucrativo, e até o século XV foi dominado pelos mercadores árabes e os italianos das cidades de Gênova e Veneza, via Mar Mediterrâneo (ver mapa acima).

Portugal optou por fazer o périplo africano, isto é, contornou a Costa Africana até chegar em Calicute, na Índia, um importante centro comercial de especiarias.

A Espanha, por sua vez. apoiou a viagem de Cristóvão Colombo, o qual navegou em direção ao Ocidente, com o objetivo de atingir o Oriente. Ele acreditava na teoria da esfericidade da Terra, embora muita gente de sua época pensasse que o mar fosse o limite, o fim do Mundo.

O imaginário europeu do século XV povoava o Mar com monstros marinhos e seres mitológicos. Arte da Aluna Adrielly (1003).
Colombo acabou chegando à América, em 12 de outubro de 1492, e tomou posse daquelas terras para a Coroa espanhola.




Em 1494, Portugal e Espanha, sob a mediação do Papa Alexandre VI, assinaram o Tratado de Tordesilhas, o qual estabelecia a divisão de terras entre as duas nações ibéricas.
Um meridiano foi traçado a partir de 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. As terras ao leste pertenciam a Portugal, as terras ao oeste ficariam com a Espanha. França, Holanda e Inglaterra não foram contempladas pelo Tratado, restou a elas o recurso da pirataria e dos corsários, que não deixavam de navegar pelo Novo Mundo. 


Nos anos seguintes, portugueses e espanhóis continuaram a organizar grandes expedições marítimas, como a de Pedro Álvares Cabral, que comandou 13 navios, cruzou o Oceano e chegou ao Brasil em 1500; e a viagem de circunavegação de Fernão de Magalhães, patrocinada pela Espanha. Essa expedição, ocorrida entre 1519 e 1522, confirmou a esfericidade da terra, após singrar as águas do Atlântico e do Pacífico. Magalhães contou com cinco navios e cerca de 240 homens, mas apenas um barco completou o trajeto, com 18 marinheiros e sem o seu capitão, morto em batalha nas Filipinas.

O século XV foi, portanto, um momento de grandes transformações no Mundo, quando ocorreram "descobrimentos" e um intensivo intercâmbio cultural e comercial, que provocou um verdadeiro genocídio entre os povos da África, da América e da Ásia.
As viagens marítimas lançaram as bases de um Mundo extremamente desigual, onde as regiões periféricas ficaram, por muito tempo, a serviço da Europa.

17.8.14

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