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8.10.21

Escola tem projeto selecionado




Alunos e alunas da E. E. Luiz Salgado Lima irão participar de um projeto de iniciação científica, aprovado pela Secretaria de Estado de Educação (a lista dos projetos aprovados está disponível aqui).


A iniciativa terá duração de dez meses e a previsão de diversas atividades com o objetivo de  fomentar o protagonismo juvenil e o desenvolvimento de competências e habilidades inerentes à pesquisa.

O projeto da escola abordará a História Local, com o título: "Caso de saúde: o quadro geral de Leopoldina, na zona da Mata mineira, sob a ótica do médico-sanitarista Irineu Lisbôa, nos anos 1910-1930".

25.9.20

Lugares onde Dr. Irineu Lisbôa (1894-1986) exerceu a medicina como Sanitarista


Cidades e regiões de Minas Gerais onde Dr. Irineu Lisbôa trabalhou entre 1918-1948

Mata: Leopoldina, Além Paraíba, Juiz de Fora e Ubá.
Sul: Santa Rita do Sapucaí, Itajubá e Pouso Alegre.
Centro-Oeste de Minas: Divinópolis.
Triângulo: Uberlândia.

19.3.20

A varíola nas páginas da Gazeta de Leopoldina (1933)

Oficialmente, a varíola foi erradicada na década de 1980.

Antes disso, a doença matou milhões de pessoas em várias partes do mundo. No Brasil, ela fez incontáveis vítimas.

Em 1904, o médico-sanitarista Oswaldo Cruz tentou implementar a vacinação obrigatória contra a varíola. O fato revoltou a população do Rio de Janeiro e desencadeou um levante popular contra as autoridades - a Revolta da Vacina.

Nos anos 1930, a doença atingiu as populações de várias cidades da Zona da Mata mineira. O jornal "Gazeta de Leopoldina", de propriedade da família Monteiro Ribeiro Junqueira, acompanhou o drama da região e noticiou o problema, em várias edições de julho e outubro de 1933.
Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, político e diretor da Gazeta de Leopoldina.

O periódico alertava os leitores sobre o risco da doença, descrevia seus terríveis sintomas e defendia a vacinação da população para prevenir que a moléstia atingisse Leopoldina.

O contágio se propagava rapidamente, Muriaé,  Caratinga e Ubá foram atingidas e a "Gazeta" cobrava atenção aos distritos próximos do ramal de Carangola. Quando havia surtos de epidemias, como os de cólera e a varíola,  o transporte ferroviário era interrompido, mesmo que trouxesse prejuízos para o comércio e problemas de abastecimento.

Quando o município de Caratinga foi atingido pela varíola, a publicação da Gazeta destacou o fato e cobrou urgência para conter a epidemia: 

"Urge que para ali, num esforço pertinaz, se volvam as vistas das autoridades sanitarias do Estado, afim de evitar que o mal se propague a outras regiões". 

O jornal, por fim, advogava a urgência de aumentar a disponibilidade dos tubos de linfas, para que mais pessoas pudessem ser imunizadas pelas autoridades do Posto de Higiene de Leopoldina. Exortava a todos que se vacinassem para evitar a propagação do mal e atacava aqueles os críticos da vacina: 

"São tolos, prejudiciais, desprovidos de fundamentos e até antipatrioticos os boatos que certas pessoas ignorantes se aprazem em espalhar sobre os perigos da vacinação.
Esta, feita com técnica, não oferece o menor perigo e constitue garantia segura e duradoura contra a variola".

A vacinação, para o Dr. Domingos Justino Ribeiro, chefe do Posto de Higiene de Leopoldina em 1933, era um dever e um ato patriótico. O médico argumentava que a doença "céga, depaupera, mata e deforma", por isso os pais deveriam vacinar seus filhos a partir dos três meses de idade, sob risco de vê-los sucumbir ante o terrível morbus.

Por fim, o jornal não deixou de cobrar do diretor geral de saúde pública que zelasse pela manutenção do estoque de vacinas nos postos e subpostos de saúde, espalhados por Leopoldina e cidades vizinhas. A falta de linfas era uma realidade, não havia vacinas suficientes para imunizar toda a população. Por isso, a Gazeta endossava e reforçava o pedido do chefe do posto local ao diretor geral: "Nesse sentido fazemos a s. s. caloroso apêlo, esperando que não seja procrastinado o expediente da remessa para o posto local das doses pedidas pelo ilustre chefe do serviço".  

O fato é que o veículo de comunicação procurava sensibilizar seus leitores acerca da importância da vacinação. Esforçava-se para conscientizar a todos e, assim, evitar uma epidemia em Leopoldina. A autoridade médica local também tinha uma postura pedagógica, fazendo visitas às escolas, fábricas e publicando notas na imprensa. A violenta Revolta da Vacina em 1904 mostrou às autoridades sanitárias que a obrigatoriedade da vacinação e a truculência com a qual os agentes de saúde tratavam o povo deveria ser substituída por medidas de conscientização, as quais passavam pelo aumento do diálogo e do poder do convencimento.  





20.9.19

Dr. Irineu Lisbôa e as políticas sanitárias em Leopoldina no período de 1918-1930

A pesquisa e o ensino sobre a História Local não param. O trabalho está adquirindo amplitude e foi compartilhado com os alunos do 8º ano do Ensino Fundamental, depois eles multiplicaram o conhecimento adquirido para os demais alunos de turno Vespertino na E. E. Luiz Salgado Lima.

Painel com exposição de fotos e documentos históricos sobre a trajetória do Dr. Irineu Lisbôa (1894-1986) e as políticas sanitárias em Leopoldina entre os anos 1918-1930.





As alunas brilhantes Isabelly e Mariana Ferraz apresentaram nosso painel sobre Dr. Irineu Lisbôa e as políticas sanitárias em Leopoldina com muita desenvoltura para todas as turmas do turno da tarde.



Parabéns!

15.7.18

A fundação do Laboratório Químico Leopoldinense e a campanha do saneamento rural

Laboratório Químico Leopoldinense


Acervo de Luiz Raphael Domingues Rosa/Espaço dos Anjos
Laboratório Químico Leopoldinense  - Fundado em 07 de julho de 1927 pelos irmãos José Monteiro Ribeiro Junqueira e Custódio Junqueira, Graciema Junqueira e o químico Antenor Machado.

O laboratório era uma estrutura importante para a campanha de saneamento rural e a erradicação das epidemias, como a opilação, a varíola entre outras.

A Gazeta de Leopoldina, jornal de propriedade da família Ribeiro Junqueira, publicou uma nota, em 1933, louvando a aprovação de um remédio fabricado no laboratório Leopoldinense pelo Instituto Osvaldo Cruz. Segue o documento:

O medicamento em questão é o óleo de quenopódio, o qual era empregado no combate da ancilostomíase e da malária.

1.5.18

Artigo científico publicado na revista acadêmica Latinidade (UERJ)

Confiram nosso artigo sobre a origem das políticas de saúde e sua relação com a imigração em Leopoldina, na Zona da Mata mineira entre o fim do século XIX e primeiras décadas do século XX.

Agradeço a Doutora Maria Teresa Toribio Brittes Lemos pelo incentivo e pela oportunidade!

Páginas-189-216.



6.4.18

Palestra proferida no Colégio Imaculada Conceição

Na quarta-feira, dia 28/04/2018, estivemos no Colégio Imaculada Conceição e, com alegria e entusiasmo, compartilhamos com os alunos do 3º ano do Ensino Médio os resultados de nossa pesquisa sobre os impactos do movimento sanitarista em Leopoldina e a formação das primeiras políticas de saúde no município, com ênfase na atuação do médico Irineu Lisbôa (1894-1987).

Agradecemos pelo convite e pela oportunidade de falar para jovens interessados sobre um tema tão relevante para a História e a Memória de nossa cidade.

Link da página oficial do CIC no Facebook:


Para ver mais clique aqui.

1.3.18

E-book: E-imigração em debate: novas abordagens na contemporaneidade

Acabou de sair o e-book do Evento acadêmico: "Seminário Internacional Migrações Atlânticas no mundo contemporâneo (séculos XIX-XXI) novas abordagens e avanços teóricos"

Confira abaixo:
Obs: Nosso artigo está entre as páginas 22 e 35.



4.5.17

Nacionalismo e o discurso médico-sanitário sobre o povo brasileiro

Entre 1910 e 1920, num período marcado pela Primeira Guerra Mundial, o mundo viveu uma onda nacionalista. Através dos nacionalismos grupos políticos e sociais tentavam construir a ideia de comunidades nacionais por meio de vários aspectos: investimentos em educação, ciência, aprimoramento da raça, valorização da cultura etc.

O Brasil não ficou imune à influência nacionalista e por aqui proliferaram diversas organizações que levantaram a bandeira em prol da nacionalidade brasileira. Em 1916, por exemplo, foi fundada no Rio de Janeiro a Liga de Defesa Nacional, dela participavam políticos e intelectuais, como Olavo Bilac, Pedro Lessa, Miguel Calmom e Rui Barbosa. A Liga defendia a ideia do "cidadão soldado", o serviço militar era encarado como uma possibilidade de acesso à cidadania e, por isso, foi apoiada pelo exército.

A questão do recrutamento e do serviço militar trazia à tona uma discussão que permeava o meio intelectual brasileiro, desde o final do século XIX pelo menos, acerca do povo brasileiro e de sua condição racial. Havia pensadores que atribuíam à mestiçagem ou ao clima a culpa pelo brasileiro ser doente, preguiçoso, indolente e pouco produtivo.

Por outro lado, alguns médicos-sanitaristas enxergaram no higienismo e na medicina social uma forma de regenerar a nação através da cura do povo, por meio de medidas profiláticas e da educação higiênica. Em  1912, a expedição científica chefiada pelos médicos Belisário Pena e Artur Neiva percorreu os sertões do Brasil por vários meses, realizando exames nas populações rurais, catalogando a fauna e a flora, os hábitos e costumes. No relatório que divulgaram em 1916, diagnosticaram um povo doente, afetado pelas endemias rurais, principalmente malária, doença de chagas e anquilostomose. Para esses médicos, estava claro que o que causava a degeneração do povo era a doença e não sua condição racial, o clima ou a mestiçagem. A doença, por sua vez, seria o resultado do abandono das populações rurais pelo governo republicano, o qual não se preocupava com o estado de saúde dos sertanejos, não lhes oferecendo o mínimo para que pudessem ter cidadania e qualquer sentimento de nacionalidade.

Foi com o intuito de atuar em prol do saneamento de todo o território brasileiro, que médicos, políticos e diversos intelectuais fundaram, em 1918, a Liga Pró-Saneamento do Brasil. 

Durante os anos de 1918 e 1920, a Liga Pró-Saneamento do Brasil promoveu conferências em associações privadas e instituições públicas, distribuiu panfletos de caráter pedagógico alertando a população para a importância dos princípios básicos de higiene e estabeleceu delegações em algumas unidades da Federação, com o objetivo de estimular os governos estaduais e municipais a implementar a construção de habitações higiênicas, a profilaxia de doenças consideradas evitáveis, programas de educação higiênica, postos rurais e obras de saneamento básico. (Fonte: CPDOC/FGV)

Para os membros da Liga, sanear o país era uma "luta patriótica", uma vez que isso fortaleceria o povo, resgataria uma identidade nacional e colocaria o Brasil no rumo da modernidade, já alcançada pelas potências capitalistas centrais. Seus ideais estavam alinhados com o nacionalismo vigente e na convicção de por meio do sanitarismo seria possível resgatar o país!

Nesse contexto, houve um debate bastante interessante entre duas personalidades do cenário político e cultural brasileiro. De um lado estava o deputado Federal por Minas Gerais Carlos Peixoto, filiado ao Partido Republicano Mineiro (PRM) o qual exerceu vários mandatos de 1903 até 1917, quando faleceu. Em sua atuação parlamentar, Peixoto destacou-se, sobretudo, na defesa de projetos de regularização do comércio do café e nos debates relacionados às questões fiscais. Entretanto, numa conjuntura nacionalista o parlamento não se furtou ao debate de formas para aprimorar a defesa nacional e o serviço militar obrigatório era uma das possibilidades aventadas nas discussões.

Há inúmera bibliografia que atribui ao deputado Carlos Peixoto um pronunciamento, no qual o parlamentar se comprometia, em caso de invasão estrangeira nas terras brasileiras, a ir aos sertões e convocar os caboclos para o defender o Brasil (Oswaldo Cruz: a construção de um mito na ciência brasileira (1995); Manifestos Políticos do Brasil contemporâneo (2008); Doença de Chagas no Brasil: ciência, saúde e nação, 1909-1962 (2009) etc). Peixoto parecia inclinado em aceitar a tese euclidiana de que o sertanejo, apesar de todas as intempéries políticas, sociais, econômicas e culturais que atribulavam suas vidas, era "antes de tudo, um forte".

Pois o discurso do parlamentar teve resposta, seu interlocutor foi o médico-sanitarista e professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Miguel Pereira, aquele que esboçou a frase que se tornou lema da campanha pelo saneamento: "o Brasil é um imenso hospital". Pereira pronunciou a frase em 1916, após a divulgação do relatório da expedição Pena-Neiva que causou assombro na mídia e nas elites intelectuais e dirigentes do país, pois revelara o elevado índice de morbidez que afligia o povo do interior. Miguel Pereira, num discurso reproduzido pelo Jornal do Commercio em 1916, respondeu ao parlamentar lembrando-o que afora o Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades mais ou menos saneadas o Brasil ainda era um país de doentes. De forma irônica, o médico diz que apesar de considerar nobre a iniciativa do político de ir aos sertões para recrutar pessoas para combater ela se mostraria inócua, pois:

Parte, e parte considerável, dessa brava gente não se levantaria; inválidos, exangues, esgotados pela ancilostomíase e pela malária; estropiados e arrasados pela moléstia de Chagas; corroídos pela sífilis e pela lepra (...). Não carrego as cores ao quadro. É isso sem exagero a nossa população interior. (Jornal do Commercio, 1916, p. 4).

Depois do choque de realidade aplicado pelo médico no deputado, Miguel Pereira prosseguiu seu relato e levantou algumas  questões: 

Quais os soldados que o orador [Deputado Carlos Peixoto] iria equipar? Os do seu estado natal? Mas foi exatamente ali [em Minas Gerais] que o descobrimento genial de Chagas, numa zona que se alonga e se dilata por centenas de quilômetros , revelou ao país, sem nenhum resultado prático ou consequência profilática, espetáculo dantesco de uma morbilidade fatal e  progressiva que amontoa gerações sobre gerações de disformes e paralíticos, de cretinos e de idiotas. (op. cit. p. 4).

Nenhum dos autores consultados para a escrita desta postagem reproduz a tréplica do deputado. Assim, resta claro que sua ideia de ir aos sertões para recrutar "cidadãos soldados" não se sustentaria frente ao discurso do médico, o qual demonstrou com argumentos extraídos de um relatório empírico que a situação da saúde pública nos sertões era gravíssima, o que inviabilizaria qualquer tentativa de formação de um exército nacional.

Embora as posições apresentadas sejam visivelmente contraditórias, ambas estão inseridas num contexto nacionalista, e representam a esperança ou a expectativa da formação de uma nacionalidade brasileira forte. Porém, a construção da nacionalidade passava pela formação de um povo saudável, com acesso à educação e à renda e que tivesse um governo que lhes assegurasse o mínimo de cidadania.   

21.10.16

Sanitarismo em Leopoldina (1895-1930): fontes e perspectivas para uma pesquisa histórica

Trabalho apresentado no 1º Seminário do Grupo de Pesquisa de História da Zona da Mata mineira, na UEMG-Carangola (MG), no dia 20/10/2016.



Projeto de pesquisa sobre os ecos do movimento sanitarista brasileiro, ocorrido nas primeiras décadas do século XX, na cidade de Leopoldina (MG).

19.2.16

Desafio de Cultura e uso de mídias: agora é guerra

Prezados alunos e alunas das turmas do 2º ano e do 3º ano do Ensino Médio do CIEP 280, neste post disponibilizaremos as regras do Desafio de Cultura e uso de mídias.
Leia-o com muita atenção, pois há datas, prazos e padrões a serem seguidos pelos participantes e interessados em receber a premiação.

O presente Desafio é uma ideia da disciplina do PROEMI - Cultura e uso de mídias, destinado aos alunos das turmas do 2º e 3º ano do Ensino Médio do CIEP 280.




A ideia é de incentivar o protagonismo dos estudantes que, por meio das redes sociais, podem ajudar a conscientizar a sociedade carmense a se prevenir do mosquito da dengue e seus criadouros, visando contribuir com o esforço nacional de combate ao Aedes Aegypti.




Assim, solicitamos aos estudantes a seguinte tarefa: o aluno ou a aluna deverá criar uma frase sobre a conscientização contra dengue, com muita criatividade.

Atenção: a frase precisa ser original, portanto o (a) aluno (a) será responsável pela criação. Caso seja detectada alguma tentativa de plágio, o autor será desclassificado do Desafio.

Depois deverá publicar sua frase no seu "status" do Facebook, com as seguintes hashtags:

#agoraéguerra
#denguenão
#ciep280
#culturaemídia

Vencerá o Desafio o (a) aluno (a) que, entre os dias 19 a 26 de fevereiro, receber o maior número de curtidas em sua publicação.

Comissão de avaliação

O grupo responsável pela conferência e avaliação das frases e do número de curtidas que elas receberam será formado por:

Professor da disciplina Cultura e uso de mídias;
1 aluno da turma 2001;
1 aluno da turma 2002;
1 aluno da turma 3001;
1 aluno da turma 3002;
1 aluno da turma 3003.


Premiação

As três publicações com o maior número de curtidas receberão um certificado de reconhecimento e a seguinte premiação:

1º lugar: uma caixa de bombom
2º lugar: uma barra de chocolate
3º lugar: uma caixa de Bis

Além disso, as três frases premiadas ficarão expostas no CIEP 280, em painéis criados pelo artista local e funcionário da escola - Luciano Huguenin.

Dúvidas?

Basta procurar o professor e se informar. Boa sorte para todos!

29.12.15

Sanitarismo em Leopoldina (1895-1930)

Nas primeiras décadas do século XX, houve no Brasil uma grande preocupação entre as elites dirigentes do país e, sobretudo entre os médicos, com as questões sanitárias e a saúde pública.

No campo e nas cidades, a falta de saneamento básico era um problema gritante, o que provocava a proliferação das doenças. Assim, inúmeras moléstias grassavam entre a população, principalmente a febre amarela, a malária, a doença de Chagas, a varíola, a tuberculose, a influenza etc.

As elites e as autoridades públicas creditavam a falta de desenvolvimento e o atraso nacional ao estado mórbido em que se encontrava grande parte da população brasileira, por isso  o médico-sanitarista Miguel Pereira afirmou, em 1916, sem exagero, que o  país era "um imenso hospital".


O personagem Jeca Tatu de Monteiro Lobato simbolizava o sertanejo abandonado, doente e improdutivo.

É durante esse momento histórico que a classe médica, principalmente os sanitaristas, obtém destaque, pois cabia a eles a regeneração do povo e quiçá o progresso da nação. A partir daí que os médicos começaram a ocupar cargos públicos e a orientar as ações estatais para sanear os problemas do Brasil.

Então, a intervenção médica na sociedade ocorria por meio de políticas públicas, tais como a conscientização através da educação sanitária, campanhas de vacinação, reformas urbanas e construção de obras sanitárias no campo, como aterros, fossas e drenagens de pântanos.

Um dos principais nomes do movimento sanitário nacional foi o médico Belisário Pena (1868-1939), natural de Barbacena. Pena ocupou cargos nas esferas públicas estadual e federal. Ele ajudou a fundar a Liga Pró-Saneamento do Brasil, em 1918, cujo objetivo era atuar em prol do saneamento e do higienismo das cidades e áreas rurais do país. 

A Liga tinha uma forte atuação pedagógica, através da panfletagem, cursos e conferências, e também política, estimulando os governos a construírem hospitais, casas higiênicas, postos de combate e prevenção a doenças, obras de saneamento básico e a abraçarem a causa do saneamento, que era enxergado como uma "luta patriótica".

Efeitos locais da campanha nacional do sanitarismo

Em Leopoldina, cidade da zona da mata mineira, as deficiências sanitárias não eram muito diferentes do restante do país. No fim do século XIX, o Correio de Leopoldina noticiava a necessidade do poder público higienizar o município:


"As arcas da Camara estão cheias de ouro: o emprestimo de 500:000$, todo coberto já, deve ser applicado quanto antes, intelligentemente, em cannalisação e esgotos.

Transformemos a bella Leopoldina em uma cidade moderna, com todas as condições de vida fácil e garantida.

O saneamento se impõe como uma medida de salvação publica". 


(Correio de Leopoldina. Edição n. 1, 3 de janeiro de 1895. p. 5).

A cidade crescia e os problemas sanitários também aumentavam, seja na zona urbana ou na zona rural. As epidemias eram um empecilho para o crescimento econômico, por isso a publicação sugeria que os recursos financeiros disponíveis no município deveriam ser investidos em obras de canalização e esgoto. Somente com o saneamento Leopoldina seria arrebatada da degeneração e ficaria livre das doenças. 

O expoente do movimento médico-sanitarista em Leopoldina foi o senhor Irineu Lisbôa (1894-1987). O médico foi nomeado, em 1918,  para exercer suas funções  no Posto de Profilaxia Rural, na cidade.


Posto de Hygiene de Leopoldina em 1929. Jornal Leopoldinense.

Essas unidades de saúde tinham como objetivo combater as endemias rurais, como a malária e ancilostomíase, prestar atendimento médico, além de promover, junto a população do campo, campanhas educativas, de higiene e de práticas sanitárias para prevenção de doenças.


Irineu Lisbôa (2) ao lado de Belisário Pena (1), em Pouso Alegre, na inauguração de um Hospital (1920-1921).















Na fotografia acima, autoridades e médicos posam durante a inauguração de um hospital no sul de Minas Gerais. Destacamos Belisário Pena e Irineu Lisbôa, reunidos em virtude da ocasião, e, certamente, pelo ideal comum que partilhavam em prol do saneamento das cidades e dos sertões do país.

Provavelmente muito do pensamento e da obra executada por Belisário Pena, enquanto médico e liderança do movimento sanitarista brasileiro, influenciaram Irineu Lisbôa e todo o trabalho que ele desenvolveu em Leopoldina e, posteriormente, em outras regiões do estado de Minas Gerais.

O doutor Lisbôa, em sua atuação profissional, investiu bastante na conscientização, como indica a fotografia a seguir, na qual o médico apresentava, durante um evento público, um carro alegórico com a representação do inspetor sanitário, em pé vestindo roupa branca, de um esqueleto, simbolizando a morte, e do inimigo do povo: o mosquito.


Cortejo carnavalesco, década de 1930: "Guerra ao Mosquito" - Educação para a Saúde. Jornal Leopoldinense



A alegoria do mosquito e a comemoração do carnaval na cidade, uma festa de grande apelo popular, eram muito favoráveis para a promoção da educação sanitária e a divulgação a toda a população da necessidade de se combater o mosquito e seus criadouros, a fim de evitar a proliferação de doenças.   

Sem dúvidas, o movimento sanitário contribuiu para amenizar os problemas básicos e estruturais das cidades e áreas rurais do Brasil, embora não os tenha solucionado em definitivo. Médicos-sanitaristas organizavam expedições de estudo e combate às doenças em todos os rincões do país.
O protagonismo médico alçou esses profissionais a um patamar social destacado, e muitos passaram a ocupar elevados cargos na administração pública, orientando as políticas sanitárias e higienistas.


Charge revela a revolta da população contra o médico Oswaldo Cruz e a vacina obrigatória.

Contudo, nem sempre as políticas sanitárias serviram aos ideais democráticos ou foram implementadas pela via do diálogo. As reformas urbanistas no Rio de Janeiro, seguida por uma campanha de vacinação obrigatória conduzida pelo médico Oswaldo Cruz, em 1903, são exemplos da arbitrariedade do Estado, que invariavelmente recorria a violência para intervir na sociedade.

Avaliação 

1. ENEM, 2022



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