1.6.20

Povo anestesiado, País em coma

Colocaram fogo na Amazônia,  nós não fizemos nada.
Aumentaram o uso de veneno no cultivo dos nossos alimentos, resolvemos nos calar.
Soterraram uma cidade inteira e centenas de pessoas com lama tóxica, continuamos imóveis.
Mataram um garoto, baleado nas costas, em sua casa.  Não houve luto, nem luta.
Assistimos à morte de milhares de pessoas diariamente, mas nos preocupamos apenas com a reabertura do comércio.
Vimos, pela televisão, um homem ser morto no estrangeiro numa ação policial e uma parte daquela nação se sublevou, lembrando aos seus líderes que o povo existe e quer respeito.
Mas, e nós? Acaso perdemos a dignidade e a capacidade de sentir indignação? Somos humanos sem humanidade? Nos tornamos escravos de nossa apatia? Para onde iremos? Aguardamos apenas o pastor vir nos conduzir como ovelhas para a tosquia?
Um povo que não luta, merece destino diferente?

Hélio Brummas

25.5.20

Um desqualificado na presidência da República

Que sujeito sem noção. 

Comer um cachorro quente não tem problema algum. Em tempos de pandemia, pede-se comida em casa, evita-se aglomeração.

Agora, se você é o chefe de Estado espera-se do líder da nação postura adequada, condizente com a importância do cargo. Por que este sujeito não foi visitar hospitais e apoiar profissionais da saúde? Por que não vai aos estados mais atingidos pela covid-19? Onde está sua solidariedade às milhares de vítimas levadas pela pandemia?

O comportamento deste cidadão que ocupa a presidência da república é vergonhoso, indecoroso, apesar de ser coerente com sua personalidade e inteligência medíocres.

24.5.20

2226: o ano do apocalipse

O planeta foi devastado pelo apocalipse nuclear. Mísseis supersônicos cortavam os céus carregando poderosas ogivas nucleares de leste a oeste, de norte a sul, bombardeando os alvos e incinerando tudo e todos que estivessem num raio de 100 quilômetros dos pontos alvejados.
Os ataques destruíram as potências nucleares e solaparam as condições de vida neste mundo. O aquecimento global acelerou, a terra e a água estavam contaminadas, o ar era poluído, quente e nocivo, máscaras eram necessárias para quem se arriscasse a sair de seu abrigo. Os Estados, as sociedades e suas instituições, como escolas e igrejas desapareceram, e as economias ruíram devido à guerra e à hecatombe. Os poucos sobreviventes ao horror de 2226 viviam como nômades em busca de pequenos oásis ou em comunidades isoladas e autônomas,  dirigidas por oligarcas que exerciam o controle local.

Cultivar o alimento só era possível em estufas, a terra fértil era escassa, logo havia pouca comida. Os legumes e verduras eram distribuídos ao povo pelos oligarcas, as famílias não poderiam ser em número maior que quatro pessoas. Igualmente rara eram as fontes d'água, guarnecidas pelos pretorianos. Cada pessoa tinha que trabalhar para beber 1 litro de água por dia. As pessoas ficaram magras, a pele ressecada pelo sol e sem brilho devido à desidratação, muitos perderam os cabelos, ficaram estéreis. Aqueles que alcançavam os 40 anos de idade eram anciãos.

Não havia mais fábricas, eletricidade, televisão ou internet. As opções de trabalho eram poucas: camponês, guarda pretoriano, mercador, manutenção ou prática curativa. Os desocupados eram enviados para o exílio, executados ou jogados na prisão, onde morriam. 

Ninguém sabia ao certo,  mas estima-se que a deflagração do apocalipse e suas consequências, como a fome, as epidemias e as catástrofes naturais mataram quase toda a humanidade,  alguns calculam que 9 bilhões de pessoas morreram...

O mundo mudou, está mais triste, a paisagem dominante é cinzenta, desértica,  o calor é insuportável, faz 50° graus ou mais durante o dia; 0° à noite.  As estações do ano desapareceram, bem como a maioria daa plantas e dos animais. Todo tipo de vida silvestre era algo exótico. O que poderia crescer e viver neste inferno terreno? Fora dos muros das cidades só há destroços e ruínas, um cenário desolador.

O que restou da humanidade tenta sobreviver, sem rumo certo, sem crença ou esperanças, com um futuro imprevisível. Alguns, apegados às práticas do passado,  cegos e ávidos por poder, continuam incapazes de enxergar a miséria que nossos vícios provocou. Mesmo após o fim do mundo estamos aqui,  vivos, famintos e buscando no quê acreditar para cultivar a fé em dias melhores.  

Hélio Brummas

22.5.20

Delírios e alucinações de uma realidade inexistente

Dizem aos quatro cantos que trabalho dignifica, difundem a cultura do trabalho como uma religião.
Pobre tem que trabalhar. Rico pode viajar, ir ao Velho Mundo, desfrutar da arte e da boa cultura, ócio é coisa de nobre.
Pobre tem que se matar trabalhando para fazer a fortuna dos ricos, se não trabalha é vadio, chibata no vagabundo.

*

Isolamento é uma beleza, sem contato social,  só me relaciono com a natureza.
Tenho tempo para refletir, olhar para dentro de mim,  ler, escrever e, finalmente, sorrir.
Longe da multidão, recluso em minha fortaleza, observo a abóboda celeste, vou além do firmamento,  onde permaneço só,  imerso em meus pensamentos.

**

Condições de trabalho 
Salário? Mínimo,  são tempos difíceis,  para que salário médio ou máximo? Deixe os lucros para os bancos, eles entendem disso e necessitam de muitos cobres para viver. 
Papel toalha no banheiro? Sim, mas só quando não tem sabonete líquido. 
Quando tem sabonete líquido, não tem papel toalha. Como enxugar as mãos? Use a própria camisa, ora.

***

Da situação política
Política é a arte de enganar e controlar a maioria para servir aos interesses de uma minoria parasitária, sem escrúpulos e mesquinha. A democracia é uma farsa, encenada no grande anfiteatro do Congresso Nacional. A tragédia nacional deixaria Ésquilo, Sófocles e Shakespeare no chinelo.  Nem toda a sensibilidade dos célebres autores seria capaz  de traduzir a talentosa desfaçatez de nossos atores, os quais teimam em ser eleitos e reeleitos para seus cargos públicos.

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A arte de ignorar
E o grande orador romano, Marco Túlio Cícero, nos ensinou:
"Leva também contigo todos os teus; se não
todos, pelo menos o maior número possível. Limpa a cidade. Libertar-me-ás de um grande receio quando entre ti e mim um muro se levantar. Já não podes conviver por mais tempo connosco; não o suporto, não o tolero, não o consinto".
É isso o que penso sobre os ignorantes,  estúpidos e idiotas que me cercam e com os quais sou obrigado a dividir algum espaço. Porém,  ergo um muro para não ver e não escutar esses imbecis, vá que a idiotia seja contagiosa...

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Hélio Brummas

20.5.20

Povo preguiçoso ou povo doente?

Por bastante tempo, alguns pensadores explicavam o atraso socioeconômico do Brasil devido à preguiça inata do brasileiro. Tal atributo,  acreditavam, haviam sido herdados por nossa raça da mestiçagem,  isto é,  do cruzamento entre distintos povos. 
O diplomata francês Conde de Gobineau, que esteve no Brasil em 1870, fez a seguinte anotação sobre o povo brasileiro: "toda mulata, com sangue viciado, espírito viciado e feia de meter medo".

Esse preconceito difundido como ciência no final do século XIX ficou arraigado na cultura popular e até os dias atuais há quem acredite na validade da sentença.

A ideia do brasileiro preguiçoso foi fartamente representada na literatura nacional, para ficar em apenas dois exemplos,  lembramos de dois ícones,  como o Jeca Tatu (1914), de Monteiro Lobato e Macunaíma (1928), de Mário de Andrade.

Macunaíma queria apenas brincar e explorar a exuberância da floresta tropical, era um anti-herói.

O Jeca Tatu,  de Lobato,  tornou-se um símbolo. A caricatura pintada pelo escritor paulista mostrava o caboclo acocorado, avesso à civilização e ao progresso. 

Uma visão negativa a respeito do homem brasileiro,  sem dúvida.

Entretanto,  em 1918, Monteiro Lobato pede desculpas ao Jeca, mudara de ideia em virtude de suas novas experiências,  ampliação das redes de sociabilidade e contato com as ideias médico-sanitárias. Lobato publicou no prefácio de seu livro o pedido de desculpas, dizendo que antes ignorara o estado mórbido do caboclo. Se o Jeca era preguiçoso e improdutivo era por causa da doença,  fruto do abandono dos sertanejos pelos bacharéis da República.

Sem políticas públicas de educação e saúde,  o que restava aos camponeses,  senão o analfabetismo e as moléstias que afligiam a população,  principalmente os mais humildes e os desamparados.

Quando constatou o déficit de saúde do homem brasileiro, Monteiro Lobato com sua sensibilidade e inteligência passou a defender a revitalização de seus patrícios. Na imprensa publicava artigos, depois enfeixados em um livro - "Problema Vital" (1918) - advogando a necessidade de sanear o país. Para o criador do Jeca Tatu, o problema econômico e político derivava da falta de saúde,  afinal,  o que um povo tomado pelo amarelão ou empaludismo conseguiria produzir?

Lobato argumentava que o brasileiro era um homem como o seu semelhante italiano ou inglês, não importava a nacionalidade, mas por conta da morbidez era um homem em estado latente. Urgia tratá-lo, educá-lo e alimentá-lo para só depois cobrar-lhe a produtividade no trabalho. 

Num vasto hospital como fora diagnosticado o Brasil, nas primeiras décadas do século XX, o que esperar de uma população senão apatia e incapacidade de competir e alinhar-se aos países capitalistas centrais, cujos habitantes já contavam com hábitos de higiene e políticas de saúde?

A defesa sanitária, da educação e da saúde de Lobato e dos médicos foram clamores do século passado, contudo ecoam muito bem até hoje. O direito à saúde ainda não é para todos, metade das cidades brasileiras não possuem tratamento de esgoto e doenças  evitáveis, como a dengue, ceifam centenas de vidas anualmente. A cruzada sanitária deve seguir viva, até que possamos ter um país saudável,  sustentável e economicamente produtivo.



18.5.20

O Estado faz a desigualdade social

A Constituição Federal de 1988 diz que um dos objetivos da República é reduzir as desigualdades sociais (artigo 3°, inciso III).
O objetivo é muito claro e deveria estar sendo trabalhado por todas as instituições que fazem parte da República,  entretanto,  não é o que ocorre.

Basta ver o exemplo da diferença salarial dos servidores do poder Executivo de Minas Gerais para perceber que o próprio estado colabora com manutenção dos níveis de desigualdade social. 

Observando a tabela acima, na qual constam dados sobre a remuneração dos servidores públicos do estado de Minas Gerais,  percebe-se que a maior parte deles está na faixa salarial de 2 a 4 salários mínimos. Esse grupo é formado principalmente pelos professores de educação básica.

Na faixa salarial seguinte, de 4 a 8 salários mínimos, a maioria é formada por policiais militares. 

Temos no estado de Minas Gerais mais de 6000 servidores que recebem mais de 16 salários mínimos. Polícia Militar,  Polícia Civil e Secretaria de Fazenda compõe o pódio, com pouco mais de 4000 servidores abocanhando o maior quinhão do orçamento estadual.  E mais,  esse pessoal ainda tem plano de saúde,  diárias e outros privilégios bancados pelo contribuinte.

Imagine quanto dinheiro não é necessário para sustentar estes marajás da ativa, os milhares de inativos e os pensionistas?

São bilhões de reais por ano destinado pagamento de pessoal dos três poderes e sempre há uma minoria do funcionalismo com salários de R$ 20.000,00, R$ 25.000,00, muito acima do que é pago aos enfermeiros e professores. 

O estado trabalha para reduzir as diferenças sociais ou apenas age para manter a desigualdade? Morreremos e não veremos uma reforma administrativa séria e justa que equipare salários e funções e extingua privilégios e regalias de pequenas corporações parasitárias.



15.5.20

Demissão do Ministro da Saúde

O ministro da Saúde assumiu a pasta, há pouco menos de um mês, dizendo estar alinhado ao pensamento bolsonarista.

Sob sua gestão viu a crise da Covid-19 avançar,  ceifando a vida de mais e mais brasileiros dia após dia.
O ministro que é médico por formação assistia aos arroubos de seu chefe, defendendo o fim do isolamento social, fazendo alusão à cloroquina, embora nenhum estudo aponte a eficácia do medicamento contra a doença. Enquanto o número de óbitos aumentava, o presidente passeava de jet-ski, brigava com o Ministro da Justiça e Segurança Pública e cobrava do titular da Saúde o alinhamento prometido. 

Essa convergência ideológica cega pressupunha ir contra a Ciência e pregar a defesa do uso da cloroquina para tratar os contaminados na pandemia, mesmo sem a sustentação de estudos científicos para comprovar a segurança e resultados satisfatórios.

O Ministro da Saúde estava isolado, o seu ministério foi preenchido por militares bolsonaristas, ele era a voz divergente, não entregou o que prometeu e deixou o cargo. Ciência e saúde não combinam com bolsonarismo, são coisas antagônicas.

Racionalidade parece não combinar com esse governo. Em meio uma crise sanitária sem precedentes,  como  tem gente que defende o retorno das atividades econômicas,  se não tem segurança,  remédio e vacina contra a doença?

Como os brasileiros foram capazes de escolher tão mal o seu representante político, a ponto de colocar o algoz do povo na presidência? 

Quem sobreviver e chegar a 2022, vote direito.


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