9.3.15

Jovens Historiadores

Um dos temas do 1º bimestre é a Introdução aos estudos da História.

Assim, falamos sobre a História enquanto Ciência Humana, sobre o Historiador e as fontes históricas, e a ideia equivocada de que a História é neutra e imparcial. Também conversamos sobre o fato de que cada um de nós pode fazer história todos os dias, o que nos torna agentes de nosso próprio destino e também da sociedade que nos cerca.

Para não ficar só na teoria, partimos para o campo. 
Destino: Centro Cultural do Carmo.
Nesse lugar há preciosidades da História e da Memória carmenses que ainda não foram devidamente mensuradas.

Antes de ir, fizemos uma oficina com os alunos sobre como se portar num ambiente Cultural e os cuidados que devemos ter com as fontes que iríamos manusear - exemplares do Correio do Carmo, do ano de 1935!


Os alunos realizaram os preparativos, levaram luvas cirúrgicas para evitar o contato direto entre as mãos e a fonte primária e para prevenir alguma irritação na pele, devido aos fungos e bactérias que impregnam as folhas do antigo informativo.

Os estudantes gostaram muito da experiência e do contato com uma fonte primária escrita. Muitos ficaram surpresos com as diferenças ortográficas, pois o português de antigamente era bem diferente do nosso. Outros se surpreenderam com os anúncios e com os artigos críticos e irônicos a respeito da política local e estadual.

Agora você fica com algumas fotos dos Jovens Historiadores do CIEP 280 e aguarde para ver o que eles irão produzir após este contato com as fontes históricas!







6.3.15

Ditaduras no Brasil republicano

Ao iniciar o trabalho com as turmas do 1º ano do Ensino Médio do CIEP, fizemos uma avaliação diagnóstica para ver o que os alunos recordavam de um dos conteúdos trabalhados no ano passado, isto é, no 9º ano do Ensino Fundamental.

 Um dos temas que eles mais se interessaram foram os governos ditatoriais, então pedimos aos estudantes que escrevessem um texto sobre as experiências ditatoriais no Brasil, como o  Estado Novo e a Ditadura Militar.

Os textos ficaram bons e escolhemos um para enriquecer mais o nosso Blog. Com vocês as ideias e as palavras da aluna Barbara!

A Ditadura no Brasil

Ditaduras são regimes governamentais em que o povo tem pouca liberdade de expressão e todo o poder está concentrado em uma pessoa.

No Brasil, tivemos há algumas décadas, dois momentos com ditaduras. O primeiro foi o Estado Novo (1937-1945), nessa época o Brasil era governado por Getúlio Vargas. Ele criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) que se encarregava de monitorar jornais, livros, músicas, manifestações artísticas, programas de rádio e a educação a fim de silenciar quaisquer um que tentasse transmitir ideias contra Vargas e o seu Governo. Vargas também fechou o Congresso e perseguiu partidos políticos.


Vargas se apoiava nos trabalhadores para se manter no poder (populismo).


Você pode estar se perguntando como o povo permitiu Vargas agir com tamanho autoritarismo sem ninguém impedi-lo. Acontece que Vargas se apresentava ao público como um "defensor" do trabalhador, foi ele inclusive que criou as leis trabalhistas para agradar à classe trabalhadora. Aliás, algumas dessas leis estão em vigor até os dias de hoje, como o salário mínimo e o décimo terceiro salário.

O segundo momento autoritário da República foi entre 1964 e 1985. A Ditadura militar começou com golpe dos militares contra João Goulart, que estava sendo acusado de defender o comunismo. Assim, ele acabou exilado e os militares assumiram o governo.

A partir de então, quem escolhia o presidente do país era apenas o Alto Comando das Forças Armadas. O povo perdeu o direito de votar, os trabalhadores estavam proibidos de fazer greves, os estudantes e jornalistas que se opunham ao governo foram perseguidos e alguns exterminados.


Militares reprimindo um manifestante.

O governo passou a controlar intensamente a divulgação de ideias contrárias ao regime para que o povo não tomasse conhecimento delas, estava estabelecida a censura.
Muitos cidadãos foram perseguidos e exilados, pois não eram mais bem vindos no Brasil. Isso ocorreu com diversos políticos, professores, jornalistas e artistas daquela época.

Depois de um longo período de protestos e do movimento denominado "Diretas Já" o regime militar começou a enfraquecer. Foi nesse período que surgiram o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Democrático Social (PDS), o Partido Democrático  Trabalhista (PDT), o MDB foi transformado no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Em 1985, o último presidente militar foi  João Baptista de Oliveira Figueiredo, seu governo foi marcado por uma crise econômica, manifestações políticas e sociais e pela redemocratização Brasil, isto é, o momento em que a Ditadura Militar chegou ao seu fim.

Por Barbara Mesquita Gonçalves












Aluna do 1º ano do Ensino Médio - CIEP 280


Parabéns Barbara, o seu texto ficou excelente! Através dele fica fácil perceber que você conseguiu apreender a essência do conteúdo ensinado!

3.3.15

Produção de texto sobre o Cangaço

Costumo afirmar que escrever é uma arte. E eu me apaixonei por essa forma de arte, embora reconheça minhas limitações e me identifique apenas como um escriba esforçado.



Na disciplina de História, sempre falamos para o aluno que a chave do aprendizado do conteúdo é ler e escrever. Não basta ouvir a aula do professor, é preciso escrever sobre o tema para assimilá-lo com mais efetividade.

Pedimos aos alunos para exercitarem a escrita após o estudo do Cangaço no Brasil e já estamos pensando na Redação do ENEM, cujo valor corresponde a 50% da nota da prova.

Os alunos escreveram textos muito bons. Reproduziremos abaixo um deles, escrito por uma estudante do 3º ano do Ensino Médio, sala 10.

O cangaço

O cangaço foi um movimento ocorrido no sertão nordestino entre o final do século XIX até o início da década de 1940. Esse fenômeno pode ser explicado pelo conceito de banditismo social, já que muitos cangaceiros recorriam à vida do crime devido aos inúmeros problemas sociais enfrentados pela região Nordeste.

Aliás, alguns dos antigos problemas da região são enfrentados até os dias atuais, só que em menores proporções, como a falta de água, infraestrutura, saneamento básico, segurança, educação, enfim a ausência do Estado em locais onde ele é necessário.

O Cangaço teve como principal nome Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, que comandou o bando de cangaceiros mais temido do Sertão entre as décadas de 1920 a 1930.

Maria Bonita e Lampião ladeados por dois cangaceiros do bando.

Além do grupo de Lampião, havia outros bandos que se formaram no Nordeste. Eles tinham objetivos diversos: alguns entravam nessa vida buscando vingança, outros prestavam serviços para os coronéis, ou seguiam para o cangaço para obter dinheiro, por meio de roubos, sequestros e assassinatos, como forma de sobreviver em uma região abandonada pelas autoridades.

Os bandos não tinham moradia fixa, vivam vagando pelo sertão e, geralmente, não passavam mais do que uma noite no mesmo lugar, caso contrário poderiam facilitar a descoberta de seus esconderijos pelas forças policiais.


Lampião e seu bando incomodavam bastante as autoridades locais, por isso foram perseguidos pela polícia, que tentava, sem sucesso, capturá-los. O governo da Bahia chegou até oferecer uma recompensa em dinheiro para quem entregasse Lampião às autoridades, vivo ou morto.

Em 1938, no Sergipe, Lampião, sua esposa - Maria Bonita - e outros de seus companheiros foram mortos pela polícia, após sofrerem uma emboscada. Depois de mortos, ele e outros membros de seu bando tiveram suas cabeças cortadas de seus corpos e, em seguida, elas foram expostas em várias cidades do Nordeste.

Exposição de Cabeças de cangaceiros do Bando de Lampião, mortos em 1938. 

Após a morte de Lampião, outros bandos de cangaceiros continuaram a agir, mas sem obter grande repercussão. No início da década de 1940, o cangaço chegou ao fim. O país era governado por Getúlio Vargas, que determinou a repressão de qualquer grupo que ameaçasse a ordem nacional.

Vargas também colocou em prática o processo de industrialização, acelerou a urbanização do Brasil e muitos migrantes deixaram a região nordeste para tentar conseguir emprego e melhores condições de vida no Sudeste.


2.3.15

Novo artigo publicado

Nosso texto "O celular como ferramenta de leitura e de aprendizagem" está publicado no site do jornal O Registro.
Clique sobre a imagem para acessar e ler.

1.3.15

[RESENHA] Estou lendo...



Brasil: do café à indústria, escrito pelo pesquisador Roberto Catelli Jr. e publicado pela Editora Brasiliense, é uma obra que aborda a economia brasileira no final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.

O autor delimita sua pesquisa ao estado de São Paulo, que naquela época era o principal produtor de café do país, o bem comercial mais rentável da economia brasileira.

Com a abolição da escravidão, em 1888, os fazendeiros paulistas começavam a se articular para substituir a mão de obra escrava pela mão de obra livre. Nesse sentido, eles cobravam do Governo federal e estadual medidas que subvencionassem a entrada de imigrantes no Brasil.

CAFÉ1935. Cândido Portinari. Pintura a óleo/tela

Pressionados, os governos atenderam aos clamores dos poderosos cafeicultores e adotaram diversas medidas que visavam facilitar a entrada de imigrantes europeus no país, principalmente italianos.

Os imigrantes europeus chegavam aqui e seguiam para o campo, onde enfrentavam uma dura realidade - baixos salários e exploração por parte dos fazendeiros.
Como o autor menciona ao longo do texto, os cafeicultores paulistas só estavam preocupados em substituir o antigo escravo, por quem quer que fosse. Eles não estavam preocupados em tratar os imigrantes como trabalhadores livres, que tinham direitos e deveriam ser respeitados.

Hospedaria dos imigrantes. Construída entre 1886 a 1888, no bairro Brás, em São Paulo.


A exploração do trabalho imigrante gerou diversos conflitos no campo e obrigou os governos a intervirem novamente, criando órgãos que mediassem os conflitos entre fazendeiros e trabalhadores.

A riqueza proporcionada pelo café possibilitou a São Paulo iniciar um processo de industrialização. Os fazendeiros se tornavam banqueiros e investiam somas significativas em fábricas. Essas eram indústrias leves, que fabricavam principalmente tecidos.

Muitos trabalhadores imigrantes insatisfeitos com a vida nas fazendas ou seguiam para as cidades, para trabalhar nas fábricas, ou se mudavam para pequenas roças e sítios.

O fato é que a industrialização do Brasil alterou sua característica econômica - o país deixou de ser um país tipicamente agrário-exportador e iniciou um processo de criação de fábricas, o qual foi reforçado a partir de 1930, quando Getúlio Vargas assumiu o poder.

O Estado brasileiro, além de interferir na economia, passou a regular o trabalho, criando uma legislação que trazia alguns benefícios e direitos para os trabalhadores, como forma de acalmar as massas populares e manter as elites satisfeitas com os lucros advindos do café e, depois, da produção fabril.

É uma boa leitura para quem quer compreender um pouco mais sobre a relação entre a sociedade, a economia e o Estado.

27.2.15

Produção de texto de aluna da Nova EJA

Ontem, dia 26 de fevereiro, começamos as aulas no Módulo I da Nova EJA.
Em nosso primeiro contato com a turma, tivemos ótima impressão de todos os presentes. Eles demonstraram bastante interesse no conteúdo, participaram e expuseram suas experiências e vivências.

O primeiro tema que trabalhamos foi a Memória. Aprendemos que a memória é uma construção individual, mas que se relaciona com a Memória coletiva, aos grandes acontecimentos e fatos que ocorrem em nossa sociedade, no país e no Mundo.

A atividade de nosso livro didático pedia para os alunos relatarem uma lembrança ruim que tivessem de algo ocorrido no Brasil ou no exterior.

Os alunos fizeram e leram suas produções. Todas foram muito bem feitas.
Alguns lembraram do impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992, e da política econômica da época, que congelou as cadernetas de poupança, o que trouxe muitos prejuízos para a população do país.

A Aluna Fernanda Santos se lembrou de um acontecimento que houve nos E.U.A e que chocou o Mundo. Ela fez o seu relato em forma de poema, então vamos ao seu texto!


O mais triste dos 11 de setembro

Quanta tristeza eu vi
Inúmeras pessoas desesperadas a cair
Não tinham como se salvar
Com tanta maldade a escalar
As torres gêmeas foram o início
De tanta tristeza, choro, desperdício
Toda a arrogância de um país
Toda loucura terrorista de um líder infeliz
Como foi triste ver
Tudo se desfazer
Vidas inocentes se perder
Vai ficar eternamente na memória
Aquele dia, aquela tragédia na História


Parabéns a todos os alunos pela excelente participação e produtividade na aula de ontem e parabéns para a Fernanda pelo seu talento com as Letras!


25.2.15

Mais desenhos do 6º ano e uma análise

Ontem postamos um lindo desenho representando o povo Suyá (Kisêdjê).

Apresentamos um pouco da cultura dessa nação indígena para os alunos, para refletir sobre a importância de ter disciplina e saber ouvir, como forma de adquirir conhecimento e se expressar bem.

Hoje, vamos postar mais três desenhos maravilhosos, porém iremos analisá-los e identificar como os índios do Brasil atual estão representados na mentalidade de nossos alunos, recém ingressos no Ensino Fundamental II.

Desenho da aluna Jeniffer Soares. Sala 3.

O primeiro desenho, feito por Jeniffer Soares, mostra dois índios Kisêdjê. Destacamos o da esquerda, que está sendo destratado pelo índio da direita.
Ele veste preto e seus olhos foram realçados, o que demostra que ele é um Ani mtai kidi (“não ouvir-compreender-saber”), pois não aprendeu a ouvir, logo não fala bem. Assim, o índio de preto é visto como um feiticeiro e é uma figura anti-social, não sendo acolhido pela comunidade.   

Arte da aluna Ana Luíza.

A segunda imagem é um belo trabalho de Ana Luíza. Ela pintou um cenário natural paradisíaco, com uma cachoeira, grama, árvore, pássaros e uma fogueira. Há também uma oca, que é a moradia dos índios.
O índio que ela desenhou possui adereços nas orelhas e nos lábios, portanto é um Ani mbai mbechi (que significa “ouvir-compreender-saber bem”).
Esse índio é sociável, é integrado à comunidade, trabalha, partilha seus bens e escuta os índios com mais experiência.

Na imagem, ele está sem camisa, segurando um arco e uma flecha, provavelmente, se preparando para caçar.

Aqui fica evidente a visão que a sociedade, de modo geral, tem cristalizada em sua mente a respeito dos índios. O índio está sempre carregando seu arco e flecha de madeira, vivendo dos recursos disponíveis na mata.

Será que todos os índios vivem assim? Será que sua alimentação ainda depende exclusivamente da caça? Eles só cozinham em fogueiras? Por que não podem possuir fogões a gás ou à eletricidade? 

Lápis de cor sobre o papel, por Jheniffer.
A última obra de arte também é reveladora do imaginário coletivo acerca do índio.
No desenho de Jheniffer Rodrigues, temos um índio seminu, sobre uma canoa, pescando.

À sua direita, repousando em uma rede, está outro índio. Aliás, o costume de dormir em redes foi, de fato, um dos legados que os índios nos deixaram.

O desenho explicita novamente a dependência do índio em relação à natureza. Seu alimento provém da pesca. Será que o índio não pode ir comprar o seu peixe? Ou viverá sempre pescando? 

A respeito da nudez, Jheniffer reproduz o índio, tal como Pero de Vaz de Caminha descreveu em 1500, na seguinte passagem de sua célebre carta.

"Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência."


Essas representações dos índios permeiam o imaginário coletivo. As pessoas acham que todo índio anda nu, vive no mato da caça e da pesca, mas a realidade não é bem assim.

Muitos índios hoje vivem em Terras Indígenas (Tis), territórios que foram demarcados para que as nações indígenas possam usufruir das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. Nas terras indígenas, eles têm acesso à escola indígena, se dedicam a diversas atividades, como a agricultura e o artesanato, preservam alguns de seus costumes e tradições - rituais, danças, músicas e crenças, mas também possuem tecnologias, como celulares, computadores, acesso à internet, além de usarem roupas da "civilização branca".
Crianças da etnia Xavante utilizando aparelhos eletrônicos.

Há também índios que vivem nas cidades, frequentam a faculdade e exercem suas profissões.

Enfim, ao longo do tempo, os índios foram assimilando alguns elementos de nossa cultura urbana-industrial à sua cultura.
Afinal, cultura não é algo rígido e imutável, pelo contrário, ela está sempre mudando e se reinventando.

Então não se assuste se vir um índio de terno ou um índio usando o Wi-Fi do celular de última geração na fila do caixa eletrônico de um banco. Só porque eles assimilaram novos costumes à sua cultura não quer dizer que deixaram de ser o que são.



Concluindo, precisamos desconstruir alguns estereótipos a respeito dos povos indígenas do Brasil atual e trabalhar com nossos alunos que há múltiplas formas de se representar os índios do século XXI. 

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