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24.1.25

História e Cinema

O Brasil está, novamente, representado no Oscar com o filme "Ainda estou aqui", ele concorre nas categorias Melhor Filme e Filme Internacional.


Fernanda Torres concorrerá na categoria Melhor Atriz , a mesma que sua mãe, a atriz Fernanda Montenegro, disputou 26 anos atrás pela atuação no filme "Central do Brasil". 



Naquela ocasião Montenegro não foi a vencedora, embora merecesse. Vamos ver se desta vez, Fernanda Torres terá melhor sorte.



A repercussão das indicações está dividindo opiniões entre os internautas brasileiros. O filme recria o drama de uma família que perde um de seus membros para o regime militar e, lamentavelmente, há alguns que defendem o autoritarismo, o abuso de poder e a tortura. 

Há quem torça contra o Oscar de Fernanda Torres, como quem torceu contra Lula na eleição disputada com Bolsonaro. A polarização política também atingiu o cinema e a arte, tal é o estado doentio da sociedade brasileira. 

2.6.18

Saiu na mídia


Documentos do governo britânico revelam uma tentativa do regime militar brasileiro de impedir investigação de corrupção na aquisição de fragatas junto ao Reino Unido, na década de 1970.

Clique sobre a manchete, acima, para ler mais informações.

De todo modo, o registro histórico põe abaixo a ideia, difundida por simpatizantes do regime, de que não havia corrupção durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985).    

11.5.18

Segundo CIA, Geisel teria autorizado assassinatos de inimigos do regime militar

O documento disponibilizado pelo Departamento de Estado norte-americano revela anotações de um agente, afirmando que Geisel dera continuidade à execução de pessoas consideradas "subversivas" e perigosas ao regime militar no Brasil.

General Figueiredo (esquerda) e Geisel (direita). Professor da FGV classifica documento como "perturbador".


O registro histórico datado de 11 de abril de 1974 também menciona que no ano anterior, isto é, em 1973, 104 pessoas foram executadas pelo Centro de Inteligência do Exército brasileiro. De acordo com o relato, o general Figueiredo, sucessor de Geisel na presidência, teria apoiado a manutenção dessa política e insistido em sua continuidade. 

Confira o documento na íntegra no site do Departamento de Estado dos EUA clicando aqui.

30.9.17

Memorial homenageia vítimas da Ditadura Militar


Os restos mortais dessas pessoas foram descobertos em uma vala comum, encontrada em 1989, nela há 1.049 ossadas sem identificação.

Para conhecer mais sobre os mortos que foram identificados, os quais foram vítimas da repressão do regime militar, clique na fotografia e será redirecionado para a matéria completa no site UOL. 

18.9.17

Outra ditadura militar no Brasil?



Os militares ficaram 21 anos no poder, sem qualquer oposição e nada fizeram pelo país, senão aumentar as desigualdades sociais, suprimir direitos civis e políticos, além de abrir o mercado para o capital estrangeiro, especialmente o norte-americano, que havia apoiado o golpe de 1964, retardando projetos de desenvolvimento da economia nacional.

Agora, em meio a crise ética e política em que estamos mergulhados, o alto comando do exército pensa em fazer nova intervenção no campo político. Será que o povo brasileiro aceitará essa abominação novamente?

Movimentos políticos ilegítimos, como o impeachment da Dilma, contribuem para a instabilidade e abalam a democracia, some a isso uma crise econômica, e teremos um contexto favorável a todo tipo de discurso autoritário. Mas a omissão do Partido dos Trabalhadores, que governou o país por treze anos, também favoreceu a ala golpista do exército. Por que o PT não renovou as lideranças militares? Por que o PT não fez uma reforma constitucional especificando as  atribuições das forças armadas, mantendo-as afastadas da política? Por que o PT não alterou o currículo da academia de formação de oficiais e de escolas militares, como a ESG, visando formar uma geração democrática, com apego às leis e aos direitos humanos? Por que o PT não fez o enfrentamento com Comissão Nacional da Verdade para pesquisar os crimes cometidos, durante a ditadura, pelos militares e os abusos contra os direitos humanos?

Enfim, governo omisso também contribui para a proliferação do ódio, da intolerância e do autoritarismo na política, a qual deveria ser a arte de governar pelo bem comum e promover o bem-estar de todos os cidadãos. Se o partido e seus aliados tivessem feito os enfrentamentos e reparações quando estavam no poder, provavelmente, não estaríamos correndo risco de uma nova intervenção militar na política. 

Agora devemos crer, se é que tal coisa seja possível, que o general que falou o absurdo noticiado na manchete e ainda afirmou que o alto comando do exército pensa dessa mesma forma, receberá a devida punição, para ele se lembrar que é um soldado e não político.

13.6.15

[RESENHA] Estou lendo...

A ditadura militar - 1964 - 1985: momentos da república brasileira é um livro escrito pelo pesquisador Evaldo Vieira.

Ao longo de suas páginas, o autor analisa, de forma clara e didática, o golpe militar de 1964 e os governos dos presidentes militares do Brasil.

Apesar de não trazer nenhuma abordagem inovadora para a Historiografia sobre o assunto, o livro ganha relevo pela precisão e competência com que o autor trata o tema, de forma crítica, desconstruindo os discursos dos agentes militares.

É comum encontrar nos discursos dos presidentes militares a defesa da democracia plena, porém Evaldo Vieira cita várias ações governamentais que contrariam as falas presidenciais, tais como a repressão do governo, as prisões ilegais de pessoas consideradas inimigas do regime, torturas, cassação de mandatos de parlamentares etc.    

Militares reprimindo movimento estudantil.
Vieira também deixa claro quem apoiou o golpe militar, destacando setores sociais da classe média e das elites, da Igreja Católica e Protestante, órgãos da imprensa (jornais como o Estado de São Paulo e O Globo) e, principalmente, os E.U.A, maior interessado em afastar qualquer risco de o Brasil receber influência do Comunismo internacional.

O apoio velado dos E.U.A ao golpe militar foi amplamente favorável aos norte-americanos, pois assim que os militares assumiram o poder trataram de abrir a economia nacional para as empresas estrangeiras e para o capital internacional.

Por conta disso, a economia brasileira viveu o chamado "milagre econômico", no governo do general Médici (1969-1974), quando o PIB brasileiro apresentou expressivo crescimento. Contudo, isso não contribuiu para reduzir as desigualdades sociais, pois no mesmo período o país verificou alto índice inflacionário, achatamento dos reajustes salariais e o crescimento da dívida externa brasileira.

Some a tudo isso o aumento da repressão por parte dos militares aos trabalhadores, aos sindicatos, ao movimento estudantil e à guerrilha armada, os quais não aceitavam mais a ditadura no Brasil.

O autor conclui lembrando que a memória dos agentes da ditadura está preservada até os dias atuais em todos os lugares. Escolas, ruas e praças foram batizadas com os nomes dos militares que estiveram no poder e, apesar de terem provocado tanto mal para o país e seu povo, são exaltados como heróis da pátria...

Pelo exposto, a leitura do livro é recomendada para quem quer conhecer o quanto a ditadura militar foi perniciosa para o país, a ponto de deixar resquícios de seu autoritarismo na democracia em que vivemos atualmente. 


6.3.15

Ditaduras no Brasil republicano

Ao iniciar o trabalho com as turmas do 1º ano do Ensino Médio do CIEP, fizemos uma avaliação diagnóstica para ver o que os alunos recordavam de um dos conteúdos trabalhados no ano passado, isto é, no 9º ano do Ensino Fundamental.

 Um dos temas que eles mais se interessaram foram os governos ditatoriais, então pedimos aos estudantes que escrevessem um texto sobre as experiências ditatoriais no Brasil, como o  Estado Novo e a Ditadura Militar.

Os textos ficaram bons e escolhemos um para enriquecer mais o nosso Blog. Com vocês as ideias e as palavras da aluna Barbara!

A Ditadura no Brasil

Ditaduras são regimes governamentais em que o povo tem pouca liberdade de expressão e todo o poder está concentrado em uma pessoa.

No Brasil, tivemos há algumas décadas, dois momentos com ditaduras. O primeiro foi o Estado Novo (1937-1945), nessa época o Brasil era governado por Getúlio Vargas. Ele criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) que se encarregava de monitorar jornais, livros, músicas, manifestações artísticas, programas de rádio e a educação a fim de silenciar quaisquer um que tentasse transmitir ideias contra Vargas e o seu Governo. Vargas também fechou o Congresso e perseguiu partidos políticos.


Vargas se apoiava nos trabalhadores para se manter no poder (populismo).


Você pode estar se perguntando como o povo permitiu Vargas agir com tamanho autoritarismo sem ninguém impedi-lo. Acontece que Vargas se apresentava ao público como um "defensor" do trabalhador, foi ele inclusive que criou as leis trabalhistas para agradar à classe trabalhadora. Aliás, algumas dessas leis estão em vigor até os dias de hoje, como o salário mínimo e o décimo terceiro salário.

O segundo momento autoritário da República foi entre 1964 e 1985. A Ditadura militar começou com golpe dos militares contra João Goulart, que estava sendo acusado de defender o comunismo. Assim, ele acabou exilado e os militares assumiram o governo.

A partir de então, quem escolhia o presidente do país era apenas o Alto Comando das Forças Armadas. O povo perdeu o direito de votar, os trabalhadores estavam proibidos de fazer greves, os estudantes e jornalistas que se opunham ao governo foram perseguidos e alguns exterminados.


Militares reprimindo um manifestante.

O governo passou a controlar intensamente a divulgação de ideias contrárias ao regime para que o povo não tomasse conhecimento delas, estava estabelecida a censura.
Muitos cidadãos foram perseguidos e exilados, pois não eram mais bem vindos no Brasil. Isso ocorreu com diversos políticos, professores, jornalistas e artistas daquela época.

Depois de um longo período de protestos e do movimento denominado "Diretas Já" o regime militar começou a enfraquecer. Foi nesse período que surgiram o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Democrático Social (PDS), o Partido Democrático  Trabalhista (PDT), o MDB foi transformado no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Em 1985, o último presidente militar foi  João Baptista de Oliveira Figueiredo, seu governo foi marcado por uma crise econômica, manifestações políticas e sociais e pela redemocratização Brasil, isto é, o momento em que a Ditadura Militar chegou ao seu fim.

Por Barbara Mesquita Gonçalves












Aluna do 1º ano do Ensino Médio - CIEP 280


Parabéns Barbara, o seu texto ficou excelente! Através dele fica fácil perceber que você conseguiu apreender a essência do conteúdo ensinado!

5.11.14

Ditadura militar no Brasil (1964-1985)

  • Os governos militares se iniciaram em 1964 e terminaram em 1985. No dia 31 de março de 1964 um golpe do exército, apoiado por setores conservadores da política, da sociedade, da Igreja Católica, além de grupos empresariais e estrangeiros, tirou o presidente João Goulart (Jango) do poder, sob a acusação de ele estar associado ao comunismo. Deposto de seu cargo, Jango se exilou no Uruguai.
O Exército cercou o Palácio das Laranjeiras, exigindo a renúncia de Jango.
  • Assim que assumiram o governo do Brasil, os militares começaram a perseguir grupos que eram considerados inimigos do novo regime - jornalistas, estudantes, alguns políticos de esquerda (aqueles que apoiavam as reformas de base, como a reforma agrária e outras medidas que beneficiariam a população mais humilde).
  • Os partidos políticos foram dissolvidos e foi adotado o bipartidarismo, com a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O primeiro apoiava o governo, o segundo fazia oposição, mas sem incomodar os militares.
  • 1967: promulgada uma nova constituição para o Brasil. 
  • Os presidentes eram indicados pelo alto comando das Forças Armadas, sem a escolha popular.
  • As greves foram proibidas e os salários passaram a ter um rigoroso controle, dentre outras medidas autoritárias
  • O governo passou a enfrentar forte oposição dos estudantes, dos trabalhadores e dos movimentos sindicais. Parte desses opositores formaram um movimento armado para enfrentar a ditadura. Eles também praticavam sequestros e atos considerados terroristas. O governo reagia violentamente para reprimir toda manifestação contrária ao seu regime, usando a força, incluindo prisões ilegais, tortura e até execuções, e a lei.
Manifestação de estudantes sendo reprimida pelos militares.
  • AI - Ato institucional: foram mecanismos legais que os presidentes militares empregaram para aumentar o seu poder e limitar os direitos democráticos da população. Com os AIs podiam cassar mandatos, declarar o estado de sítio, impor a censura, proibir o funcionamento de partidos políticos, dentre outras medidas.
  • O AI-5 é considerado o mais repressivo de todos, ele suspendia os direitos dos cidadãos e garantia ao presidente maior controle sob o país.
  • A censura foi muito utilizada pelos militares para controlar a divulgação de ideias que contrariavam o regime, impedindo-as de chegar ao público. Como não havia liberdade de expressão, muitos artistas, músicos, escritores e professores foram perseguidos, censurados e alguns exilados por serem considerados subversivos.
Censura.
  • Economia: houve a abertura do país ao capital estrangeiro e às empresas multinacionais, além de grandes obras públicas, como a rodovias, pontes, portos, ferrovias e hidrelétricas que geraram milhares de empregos. Entre 1970 a 1973 o Brasil viveu o período chamado de milagre econômico, o PIB chegou a crescer 12% ao ano. A euforia nacional com a economia foi alimentada pela conquista do tricampeonato mundial de futebol pela seleção brasileira. Esse fato foi usado como propaganda pelo regime militar.
Futebol e Política: Carlos Alberto Torres (E), capitão da seleção, ergue a taça com o Presidente General Médici (D).
  • Entretanto, com a crise internacional do petróleo, a economia brasileira foi afetada,  a dívida externa aumentou e o crescimento econômico diminuiu, provocando, futuramente, inflação e recessão.
  • A sociedade brasileira, sobretudo estudantes, movimentos sociais, artistas e políticos da oposição começavam a se organizar e pedir maior abertura política.
  • No governo do General Geisel foi revogado o AI-5, restaurado o direito de habeas corpus. No governo seguinte, do General Figueiredo, foi aprovada a Lei da Anistia, que permitiu ao país o retorno dos exilados e perdoou os criminosos políticos.
  • Surgiram novos partidos, como o Partidos dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT). A Arena mudou a sua denominação e passou a ser PDS (Partido Democrático Social); o MDB passou a ser PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro).
  • Diretas-já: Campanha que mobilizou a população em defesa do direito de poder escolher o presidente da República, por meio de votação direta. 
O povo foi para as ruas reivindicar o direito de votar para presidente (1984).
  • Contudo, a lei pelo voto popular não foi aprovada no congresso e um novo presidente foi escolhido indiretamente por um Colégio Eleitoral (membros da Câmara dos Deputados + Senado Federal). 
  • Em 1985, o Colégio Eleitoral escolheu o mineiro e civil Tancredo Neves (PMDB), o qual adoeceu e morreu antes de tomar posse. 
Tancredo Neves em 1984.
  • Assim, a presidência foi assumida pelo vice, José Sarney. Começava a redemocratização e se encerrava a ditadura no Brasil
Eis os presidentes militares:
Marechal Castello Branco (1964-1967)

Marechal Arthur da Costa e Silva (1967-1969)

General Emílio Garrastazu Médici (1969-1974)


General Ernesto Geisel (1974-1979)

General João Baptista Figueiredo (1979-1985)



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30.4.14

Resenha - Ditaduras no Brasil

A Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN), número 103 publicada neste mês, trouxe um importante dossiê sobre as ditaduras no Brasil desde a proclamação da República até o regime inaugurado pelo Golpe Militar de 1964.


Os textos, de forma objetiva e didática, abordam diferentes momentos históricos, nos quais o Brasil foi governado por regimes ditatoriais, e demonstram que nossa atual Democracia convive com resquícios da cultura autoritária do passado.

Seus autores, pesquisadores com grande experiência acadêmica, denunciam os grupos sociais e as instituições que apoiaram e possibilitaram, de alguma forma, a existência de governos tirânicos no Brasil.

Iremos reproduzir abaixo alguns trechos que selecionamos dos vários artigos que compõem o dossiê para, em seguida, registrarmos um breve comentário. Esperamos, que ao final desta simples atividade de leitura e interpretação, reforcemos a seguinte conclusão: Ditadura nunca mais!

Primeiras décadas da República no Brasil:

“Vara de marmelo?!”. A pergunta, carregada de indignação, foi feita pelo Jornal do Brasil no início de 1896. O alvo era o chefe de polícia do Rio de Janeiro. À redação chegavam cartas escritas pelos presos da Casa de Detenção, denunciando as chicotadas e os maus-tratos ali sofridos, e o jornal se aproveitava da situação para, mais uma vez, acusar o governo de agir com violência.  
Desde o início da República, a imprensa não tardou a qualificar o novo regime como uma ditadura. As críticas lembravam que o Estado não vinha correspondendo às expectativas depositadas na defesa de um modelo republicano para o país. Professores, estudantes, jornalistas e profissionais liberais apoiaram a chegada da República desde que ela servisse aos interesses da democracia e da participação no governo. Ansiosos por melhorias, tais grupos desejavam ter reconhecidas as suas lutas por adequadas condições de trabalho, saúde pública, habitação e ainda, através do voto, aumentar sua influência nas decisões do novo governo. Os militares (desejosos de uma República positivista com Executivo forte e intervencionista) e os proprietários paulistas (que intercediam por um modelo liberal-federalista), foram os responsáveis pelo agitado clima político que rondava a capital federal às vésperas da mudança de regime." (SANT'ANNA, M. A. Delírio das bússolas. p.18).
  • A República, tal como fora concebida pelos antigos romanos, deveria ser uma forma de governo que priorizava os interesses coletivos, ou seja do Povo. A República brasileira, desde 1889, foi tomada pelos Militares e pelos Cafeicultores, os quais governavam de acordo com os seus interesses. Enquanto os primeiros desejavam um governo forte e centralizado, os últimos defendiam o federalismo e a autonomia dos estados, os quais ficariam sob controle das oligarquias (os cafeicultores e os coronéis). Como nenhuma mudança social significativa foi feita, nesse período eclodiram inúmeras manifestações populares no Brasil, tais como a Guerra de Canudos, a Revolta da Vacina, Greves operárias dentre outras. Naquela época, o governo não se preocupava com o bem estar da população, por isso ele tratava as questões sociais como um caso de polícia. Quando o povo se manifestava, reivindicando melhorias e maior participação no poder, eram duramente reprimidos pelas forças policiais, como fora noticiado pelo Jornal do Brasil em 1896 - “Vara de marmelo?!” Sim, muita!
Restrição dos direitos e das liberdades individuais a partir da década de 1960:

"Com base na Lei de Segurança Nacional, cabia às autoridades policiais desvelarem os segredos daqueles que, como arquitetos de um complô verdadeiro ou imaginário, viessem a minar a ordem estabelecida. Para isso, confiscou-se grande número de fotografias, correspondência particular, catálogos, periódicos, livros e objetos pessoas, todos devidamente anexados aos autos de investigação.

Sucederam-se prisões ilegais de suspeitos, perseguições aos familiares, censura postal, invasões de domicílios, deportações de estrangeiros, tortura e morte nos cárceres." (CARNEIRO, M. L. T. Quando um país se apequena. p. 24)



  • Após o golpe de 1964, que depôs o presidente João Goulart, os militares tomaram o governo e as rédeas do país. A partir desse momento, foram adotadas inúmeras medidas que limitavam os direitos dos cidadãos brasileiros. As pessoas não tinham mais liberdade de expressão, a privacidade foi violada pela polícia, a qual confiscava correspondências e invadia a casa de indivíduos suspeitos de colaborar com o comunismo e grupos opositores do regime. Alguns cidadãos, corajosos que desafiaram a ditadura, foram presos e torturados pelos militares.
Jornalista Vladimir Herzog morto em São Paulo, após ser torturado por militares.

O legado da Ditadura para os dias atuais - a cultura do medo:

"Manda quem pode, obedece quem tem juízo". A legalidade da ditadura foi imposta por uma minoria, por meio da força. Seu fundamento não são (sic) os acordos democráticos transformados em leis, mas sim a capacidade repressiva. Essa legalidade relaciona-se com um senso comum autoritário, articulado por setores sociais que se entendem diferenciados: "elites" que se consideram superiores."  (TORELLY, M. Direito versus democracia. p. 27).


  • "Manda quem pode, obedece quem tem juízo". Ouvi muito essa frase nas reuniões da SRE-Leopoldina, o que demonstra que, até os dias atuais, há resquícios do autoritarismo na Educação. Seu significado é ameaçador, serve para intimidar: Cumpra o que é mandado, ou sofra as consequências. No passado, durante os governos militares, a Educação era controlada pelo governo, pois cabia à escola formar alunos passivos, incapazes de questionar a ordem vigente. Assim, criou-se um senso comum autoritário (Manda quem pode, obedece quem tem juízo). Aquele que questionasse era rotulado de subversivo, atacado, perseguido e até repreendido pelo Sistema. As elites, como menciona o trecho, adoravam a Ditadura, enquanto os militares mantinham a ordem política com chumbo e cassetetes, alguns grupos restritos da sociedade se beneficiavam com os acordos comerciais com o estrangeiro, com a extinção dos sindicatos, a proibição de greves e de qualquer tipo de manifestação que reivindicasse melhorias para a maioria, isto é,  para o Povo.

Permanência de práticas autoritárias no regime democrático:

"... o fim do regime [militar em 1985] não resultou no fim das práticas repressivas que ele institucionalizou. As atuais violações de direitos por forças de segurança, a criminalização de conflitos sociais e a histórica impunidade dos indivíduos "diferenciados" são heranças da legalidade assimétrica reforçada no período da ditadura." (TORELLY, M. Direito versus democracia. p. 28).


  • Como superar o senso comum autoritário agora que estamos vivendo uma Democracia? Construindo um senso comum democrático, reformando as leis e as mentalidades, sugere o autor do texto. Caso contrário, continuaremos a conviver com as injustiças, com a lei valendo para alguns e não para outros e as questões sociais (Movimento sem terra, reivindicações dos trabalhadores, movimento feminista e etc) continuarão sendo tratados como caso de polícia pelos governantes, como era no início da República. Nesse sentido, para superarmos o passado autoritário e cruel de nosso regime republicano é fundamental que a Comissão Nacional da Verdade (CNV), realize o seu trabalho sem restrições, para que sejam investigadas todas as violações dos direitos humanos cometidas pela Ditadura e seus agentes. Que os culpados sejam julgados e punidos na forma da Lei, que as famílias das pessoas desaparecidas e torturadas pelos militares recebam uma justa reparação pelo sofrimento que tiveram e que o Exército reconheça os erros e se desculpe com o Povo brasileiro.
Infelizmente, há quem defenda a ditadura no Brasil e o retorno desse tipo de governo, são poucos os que levantam essa bandeira, mas eles existem. Defender um governo tirânico significa que você apoia e está associado, de alguma forma, à restrição dos direitos, ao arbítrio e à agressão aos direitos humanos.

Precisamos é defender o fortalecimento de nossa democracia, a correção de seus defeitos e de seus vícios de corrupção. Para isso, devemos votar com sabedoria, ter consciência cidadã e reivindicar a ampliação de direitos e garantias fundamentais para termos uma sociedade justa, onde todos possam viver com dignidade.

29.6.13

A Copa e os anos de chumbo no Brasil


Em 1969 o Brasil era governado pelo general Emílio Garrastazu Médici, cujo mandato durou até 1974.

Vivíamos sob a ditadura implantada pelo regime militar desde o golpe de Estado em 1964, mas o período de governo do general Médici é apontado, por grande parte dos historiadores, como o período de maior repressão policial contra os opositores do regime.
Protestos e  manifestações eram duramente reprimidas pela polícia do governo.
O general Médici pertencia ao setor mais radical dos militares, que defendiam o enrijecimento do governo ditatorial. Portanto, não toleravam a atuação da oposição, prendendo e torturando as pessoas que se opunham ao governo.

Sob o governo Médici a economia brasileira crescia mais de 10% ao ano, acompanhando o processo de crescimento da economia mundial. O "milagre econômico brasileiro", como ficou conhecido aquele momento histórico, foi possível devido aos investimentos estrangeiros no país, aumento das exportações, principalmente de produtos agrícolas, e ampliação da oferta de empregos.
O crescimento econômico gerou bem-estar e assegurou o poder aquisitivo da classe média, criando um cenário favorável à ditadura. Enquanto as pessoas usufruíam do milagre econômico, o governo esmagava a oposição e exercia forte controle sobre a imprensa, manipulando a opinião pública a seu favor.

Com os auspícios do Ato Institucional número 5, decretado em 1968, um instrumento legal que concedeu poderes ilimitados ao Presidente da República, foi possível silenciar a oposição, promovendo prisões ilegais, torturas e censura à imprensa nacional.





Em 1970, a seleção brasileira de futebol conquistou o tricampeonato mundial, na Copa realizada no México. O presidente Médici dizia ser um apaixonado por futebol, frequentava estádios e chegava até a opinar sobre a escalação ideal da seleção.
A seleção tricampeã mundial em 1970 contava com astros, como Pelé, Rivelino, Tostão, Gérson etc. 

O governo Médici, sabendo o quanto era forte a influência do futebol sobre as massas populares, aproveitou aquele momento de celebração da conquista mundial para divulgar uma intensa propaganda do Regime Militar.
Carlos Alberto Torres (capitão da seleção) e o General Médici seguram a taça  Jules Rimet
A euforia com a conquista da Copa e com o futebol espetacular apresentado pelo time de Pelé e Cia foram tão grandes que a massa popular "esqueceu", temporariamente, do terror de viver numa ditadura militar.

Embalados pelo som do hino composto para a seleção, que foi amplamente difundido pela imprensa, rádio e canais de televisão, o povo cantarolava: 


Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil
Do meu coração

Todos juntos vamos
Pra frente Brasil
Salve a Seleção

De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo o Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração! (Pra frente Brasil (Miguel Gustavo, copa de 1970)


A música-tema da Seleção brasileira exaltava o patriotismo e a união em prol do futebol. A letra e a melodia, de maneira simples, alegre e cativante, era um retrato do contexto otimista do país, fruto do crescimento econômico e da esperança de assistir a um belo espetáculo de futebol. Os publicitários a serviço do governo queriam transmitir ao povo que o Brasil era invencível, tanto no futebol quanto nos aspectos político e econômico. Desse modo, o governo militar procurava legitimar sua existência perante a população. (RIBEIRO apud MARIUZZO. Disponível em http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/116/pra-frente-brasil-copa-do-mundo-e-ditadura-no-brasil.html acesso em 29 jun. 2013).

A propaganda oficial relacionava a vitória da seleção brasileira à conjuntura da política e da economia brasileira. Tamanha publicidade rendeu grande popularidade ao general Médici, apesar de seu governo ter sido marcado por grande violência e supressão dos direitos individuais, coletivos e políticos dos cidadãos brasileiros.
Um período terrível de nossa História, no qual o governo tentou escamotear suas mazelas e práticas truculentas atrás da exuberância do futebol brasileiro, que atingiu seu ápice com a conquista Mundial em 1970.
Pelé comemora a vitória com Jairzinho.

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