15.4.16

Quem sustentou o Império brasileiro?

Antecedentes do rompimento político de Brasil e Portugal (1808 - 1822)

A transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808 precipitou a independência da antiga colônia em relação a sua metrópole - Portugal.




Após a instalação da família real portuguesa no Brasil seguiram-se atos oficiais que seriam irreversíveis, tais como a Abertura dos Portos, oficializando o fim do exclusivismo comercial, e a elevação do Brasil a Reino Unido, rompendo sua condição de colônia.

Some-se a isso os acontecimentos externos ocorridos em Portugal, em 1820, decorrentes da Revolução Liberal do Porto, que pretendiam "regenerar" a nação portuguesa, exigindo o retorno imediato da família real para Lisboa e, posteriormente, tentou reverter os privilégios adquiridos pelo Brasil. 

Apesar da relutância, d. João VI retornou ao reino em 1821, mas deixou d. Pedro, seu filho e príncipe herdeiro, no Brasil com amplos poderes para governar (BERBEL, 2010 p. 41).

A independência e a opção pelo regime monárquico

As exigências das Cortes de Lisboa serviram para unir as elites brasileiras, principalmente o grupo do centro-sul que não queria perder os privilégios obtidos desde a vinda da família real para o Brasil, em 1808. Embora ainda não se falasse em separação de Portugal, os brasileiros das províncias do sul começaram a se articular em torno do príncipe herdeiro. Foi essa articulação de interesses que resultou no rompimento e na independência do Brasil no 7 de setembro de 1822, embora a condição de colônia já tinha sido abandonada muito tempo antes.




No Norte e na Cisplatina, as províncias eram favoráveis às Cortes de Lisboa e só reconheceram a autoridade de d. Pedro após as guerras de independência. 

A consumação da independência reforçou a necessidade de escolha, rapidamente, de um "novo" regime de governo para o Brasil.

Era preciso ter estabilidade, conter revoltas, impedir radicalismos políticos, dissolver dissidências, preservar a unidade territorial e conservar a estrutura social e econômica vigente - o latifúndio e o escravismo.

Pesava sobre as elites nacionais que rodeavam d. Pedro os processos políticos e emancipatórios ocorridos nos países vizinhos, antigas colônias espanholas que se tornaram nações independentes, que optaram pelo regime republicano, acusado de ser o causador de anarquia e da fragmentação territorial.

Essas ideias eram correntes no Brasil, um exemplo disso foi a Revolução Pernambucana de 1817, que também teve uma matiz republicana, divulgando ideias de liberdade e igualdade. A elite local, insatisfeita com o favorecimento da região sul em detrimento do Norte da antiga colônia chegou a instaurar um Governo Provisório englobando várias províncias do Nordeste, livre de Portugal. O movimento foi reprimido violentamente pelo governo português, com a aplicação da pena de morte a alguns dos principais líderes da insurreição.

Porém, a vinda família real portuguesa para o Brasil promoveu a interiorização da metrópole, criou fortes vínculos entre as elites coloniais, principalmente do centro-sul, com o regime monárquico, por meio da distribuição de títulos de nobreza e nomeações para cargos na administração. Além disso, após o retorno de d. João para o reino, um membro da realeza permaneceu no Brasil, o que reforçou  a escolha do regime monárquico após a separação. Por isso, no momento da ruptura entre Brasil e Portugal a preferência dos condutores do processo foi a via monárquica como a forma de governo ideal para apartar os males do republicanismo e das convulsões sociais.

Havia, basicamente, dois grupos antagônicos, os quais divergiam sobre o tipo do regime: monarquistas absolutistas x monarquistas constitucionais. Venceu o segundo grupo, capitaneado por José Bonifácio de Andrada e Silva.
Desse modo, d. Pedro I foi coroado em dezembro de 1822, outorgou a Constituição de 1824, que reforçou a posição do monarca, bem como seu caráter despótico.




A missão do monarca e o estabelecimento do Império

Para as elites, especialmente os senhores de escravos, a monarquia e a coroação de d. Pedro I em dezembro de 1822, seriam a salvação nacional, evitando a divisão territorial e afastando ideais republicanas, a exemplo do que ocorrera com as antigas colônias hispânicas na América. Mais importante ainda, a monarquia garantiria a continuidade da escravidão, assegurando a paz social, garantindo o sono dos senhores de escravos, os quais estavam preocupados com a revolução que assolou a Ilha de São Domingos (Haiti) em 1791, quando os cativos se rebelaram contra seus algozes, o que lhes possibilitou, no início do século XIX, proclamar a independência da ilha em relação à França, sua ex-metrópole, e abolir a escravidão.
Isso ficou conhecido como haitinianismo, uma ideia que exerceu grande impacto sobre as elites inseguras e temerosas de que algo semelhante acontecesse no Brasil. A preocupação tinha fundamento, afinal, havia 6 escravos para cada senhor. E se estes escravos resolvessem se rebelar, quem iria contê-los?


A rebelião de escravos no Haiti tirou o sono da elite escravocrata brasileira.

Essa missão cabia ao novo Império brasileiro, que não mediu esforços para garantir a continuidade do escravismo e, assim, promover a prosperidade nacional, sustentada em grande parte, pelo trabalho escravo. A figura de d. Pedro assumiu a centralidade para garantir a ordem ameaçada pelo medo do haitianismo.

A Inglaterra, principal parceira econômica do império brasileiro no século XIX, exerceu uma crescente pressão sobre o governo e as elites brasileiras para acabarem com o tráfico e abolir a escravidão. Os interesses ingleses, antes de serem humanitários, visavam uma expansão comercial com o Brasil que só seria possível com a libertação dos milhões de escravos e da implantação do trabalho assalariado para os ex-cativos.

Um observador britânico no Brasil registrou o seguinte a respeito do tráfico de  escravos: "Não há dez pessoas em todo o Império que considerem o tráfico um crime, ou que enxerguem sob qualquer outro ponto de vista a não ser aquele do lucro ou do prejuízo, uma mera especulação mercantil que deve ter prosseguimento enquanto for vantajosa". ( Henry Chamberlain apud MAXWELL, 2000, p. 11). Por maior que fosse a pressão inglesa pelo fim do tráfico e da escravidão, não havia interesse brasileiro em encerrar tais atividades que moviam toda sua economia.

José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da independência, em correspondência enviada ao ministro britânico no Brasil, Henry Chamberlain, em abril de 1823, enunciou a impossibilidade do Império brasileiro em acatar a solicitação inglesa: 


Estamos totalmente convencidos da inadequação do tráfico de escravos [...] mas devo frisar candidamente que a abolição não pode ser imediata, e eu explicarei as duas principais considerações que nos levam a essa determinação. Uma é de ordem econômica, a outra de ordem política. A primeira baseia-se na absoluta necessidade de tomarmos medidas para garantir um aumento da população branca antes da abolição, para que as lavouras do país possam continuar produzindo, caso contrário, com o fim do suprimento de negros, a lavoura diminuirá, causando grandes transtornos [...] esperamos adotar medidas para atrair imigrantes europeus para cá sem perda de tempo. Assim que estes começarem a produzir esse efeito, a necessidade do fornecimento de braços africanos diminuirá gradativamente, e eu espero que em alguns poucos anos se coloque um ponto final no tráfico para sempre [...]. A segunda consideração diz respeito à conveniência política, na medida em que afeta a popularidade e, talvez até, a estabilidade do governo. Poderíamos enfrentar a crise e a oposição daqueles que se dedicam ao tráfico, mas não podemos, sem um grau de risco que nenhum homem em sã consciência possa pensar em correr, tentar no momento presente propor uma medida que iria indispor a totalidade da população do interior [...] A quase totalidade de nossa agricultura é feita por negros e escravos. Os brancos, infelizmente, pouco trabalho fazem, e se os proprietários rurais tivessem seu suprimento de trabalhadores repentinamente cortado, deixo que vossa mercê faça julgamento do efeito que isso teria sobre essa classe de gente desinformada e pouco ilustrada.


José Bonifácio explica que o governo não podia, de imediato, pôr fim à escravidão. Se isso ocorresse abalaria a estabilidade do Império, traria prejuízos econômicos para os latifundiários e poderia mergulhar o país num grande conflito social. Em suma, o fim da escravidão deveria ser lento e executado de forma gradual, a fim de evitar danos às estruturas de poder e à ordem social e econômica.

A campanha inglesa arregimentou apoiadores no Brasil, os quais se alistaram nas falanges do abolicionismo, movimento político que foi marcante, nitidamente, no Segundo Reinado (1840-1889).
Mas o governo brasileiro permaneceu diligente, agindo em prol dos grandes proprietários de terras e senhores de escravos, sua principal fonte de apoio político, usando da diplomacia para ludibriar as cobranças britânicas e a força policial para garantir a lei e a ordem interna. Nesse sentido, o processo que resultou no fim da escravidão foi lento, de modo que não provocou nenhuma ebulição social e racial no país, nem grandes transformações sociais e econômicas. Vamos recordar os inúmeros instrumentos e recursos legais o Império utilizou ao longo do processo que antecedeu a libertação dos cativos:


  • 1827: Brasil assina acordo com a Inglaterra se comprometendo a acabar com o tráfico de escravos, em troca do reconhecimento de sua independência;
  • 1845: Bill Aberdeen - permitia aos ingleses inspecionar navios brasileiros;
  • 1850: Lei Eusébio de Queirós - proibiu o tráfico de escravos;
  • 1871: Lei do Ventre Livre - filhos de escravas seriam livres;
  • 1885: Lei dos Sexagenários - libertava cativos com mais de 60 anos;
  • 1888: Lei Áurea: aboliu a escravidão no Brasil. 

Dessa forma, a escravidão persistiu em todo o período imperial, a despeito das pressões inglesas e das restrições impostas ao tráfico de escravos. O trabalho compulsório persistirá até o fim do século XIX, atendendo aos interesses, principalmente dos grandes proprietários rurais, os quais se mantinham fiéis à figura do Imperador. 



Ocorreu que, ao final do século XIX, quando a escravidão se tornou insustentável, foi oficialmente abolida em 1888, fato que desagradou muitos apoiadores do regime monárquico, os quais perderam a força de trabalho que originava a maior parte de sua opulência e de sua riqueza.

Como resultado, o Império ficou ainda mais desgastado, principalmente com sua principal base de apoio. As elites latifundiárias e escravistas, sobretudo, os cafeicultores, a partir de então, começaram a retirar seu apoio do monarca e a abraçar com mais fervor o republicanismo, já bastante difundido pela imprensa no território nacional. 

Assim, o imperador e o escravismo caíram juntos, substituídos, respectivamente, pelo governo republicano e pelo trabalho livre, privilegiando os imigrantes europeus. O historiador Kennett Maxwell afirmou, em tom lapidar, que "não é de surpreender que quando a escravidão ruiu, a monarquia ruiu junto com ela". Nesse sentido, monarquia e escravidão caminharam lado a lado, a existência da primeira dependia e se justificava, pelo menos em certa medida, na preservação do funcionamento da segunda. Logo, quando caiu a escravidão, o Império também chegou ao fim. Sem escravos, monarquia para que?

Bibliografia consultada

MAXWELL, Kenneth. Por que o Brasil foi diferente? O contexto da independência. In: MOTA, Carlos Guilherme (org). Viagem incompleta - a experiência brasileira. São Paulo: Editora Senac, 2000.

NEVES, Lúcia M. Bastos P. Estado e política na independência. In: GRINBERG, Keila e SALLES, Ricardo. O Brasil imperial, vol. 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, p. 95-136.

OLIVEIRA, Cecília Helena de Salles. Repercussões da revolução: delineamento do império do Brasil, 1808-1831. In: GRINBERG, Keila e SALLES, Ricardo. O Brasil imperial, vol. 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, p. 15-54.

2.4.16

20: o número que inspirou revoltas no Brasil

Em junho de 2013, ocorreu um reajuste de R$ 0,20 na tarifa do transporte público em São Paulo que desencadeou uma grande revolta popular e uma série de protestos na capital paulista que, rapidamente, se alastrou pelo país afora.

Polícia tenta conter manifestantes em São Paulo (2013).


Nas demais capitais e em centenas de cidades brasileiras o povo foi para as ruas protestar, fazendo inúmeras reivindicações, tais como mais investimentos para saúde, educação, saneamento básico, mais transparência no governo, melhor uso do dinheiro público e o fim da corrupção. 



O aumento da tarifa no transporte público foi, em suma, o estopim de uma grande revolta popular que acabou se espalhando por todo o território nacional e trouxe à tona outros problemas e reivindicações que preocupavam os brasileiros.

Acontece que não é a primeira vez que a população brasileira se revolta por conta de um aumento no valor do transporte público. Em 1879, ainda no período em que éramos governados pelo imperador D. Pedro II, o povo do Rio de Janeiro também se rebelou contra o aumento no transporte.
Esse fato ficou conhecido como a Revolta do Vintém , que como o nome sugere, ocorreu devido ao aumento de 20 réis na taxa do bonde.

Então, vamos conhecer um pouco mais sobre ela!

Naquela época, o transporte público era realizado por bondes puxados por mulas, que carregava trinta pessoas. 

Bondes - principal meio de transporte do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX.


Por um decreto ministerial, ficou estabelecido a cobrança de 20 réis (ou um vintém) sobre o valor dos bilhetes dos bondes que circulavam no Rio de Janeiro, fato que enfureceu a população.

O motivo da revolta!


Os jornais republicanos, contrários á monarquia e a continuidade do imperador no poder, aproveitaram o momento para noticiar o aumento e acabaram contribuindo para instigar a revolta popular, já massacrada pela carestia, desemprego e falta de condições sanitárias.

No dia 28 de dezembro de 1879, cerca de cinco mil pessoas, lideradas pelo jornalista republicano Lopes Trovão, tentaram entregar um abaixo assinado para D. Pedro II, solicitando o fim do vintém (a taxa de vinte réis). Mas a polícia não deixou a população se aproximar do palácio. O imperador disse que aceitaria receber uma comissão de representantes para negociar a reivindicação, mas não houve acordo e começaram os conflitos.

Primeiro os manifestantes divulgaram panfletos pela cidade conclamando o povo a boicotar a taxa, depois organizaram nova manifestação para o dia 1º de janeiro de 1880, no centro do Rio de Janeiro, a qual foi marcada por violência e repressão policial.


Charge ilustra o conflito na Guerra do Vintém / FBN (Revista de História).

Ao som de "fora o vintém!", o povo começou a virar os bondes, espancar os condutores, esfaquear as mulas e destruir os trilhos ao longo das ruas. Paralelepipédicos foram arrancados do chão e lançados contra a polícia e tropas do exército, que responderam com fogo.
Ao final da batalha, estima-se que houve de três a dez mortos e de 15 a 20 feridos.

As agitações populares se sucederam por mais alguns dias, houve mudança ministerial e, dois meses após os protestos, a taxa foi extinta! A revolta teve uma conotação política, republicanos contra o regime monarquista, mas ela ocorreu, é evidente, por conta da insatisfação da população, que necessitava do transporte público.

Esse evento histórico serviu para mostrar o descontentamento do povo, ou de parte dele, com o regime monárquico, que mantinha suas bases políticas na manutenção do latifúndio, do trabalho escravo e da exploração da população com a cobrança de impostos e taxas.


Assista ao vídeo que tenta reconstituir o clima da Revolta do Vintém:



30.3.16

A história do Brasil foi/é escrita com sangue

“Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer no presente e no futuro, os mesmos erros do passado” (Emília Viotti da Costa, historiadora).

Greve geral em São Paulo (1917).
Policiais reprimindo estudantes (1968).

Movimento pela Diretas Já (1984), Rio de Janeiro.


Movimento Sem Terra (1997).



Índios protestam contra a PEC 215 (2015).



Polícia confronta professores (2015), Paraná.




Professores e estudantes fazem protesto (2016), Rio de Janeiro.



Greve histórica da Educação no Carmo-RJ (2016).


"Desconhecer a própria História implica na negação da identidade coletiva e na consequente pavimentação de um futuro incerto e nebuloso".

20.3.16

O exemplo não tem que vir de cima

Tornou-se bastante comum escutarmos a expressão "o exemplo tem que vir de cima". Seja na mídia ou em rodas de bate papo entre amigos, quando o assunto é política essa máxima aparece no decorrer da conversa.

Eu não a considero totalmente verdadeira, aliás acho a ideia questionável e o pensamento oposto mais correto, ou seja, "o exemplo deve (ou deveria) vir de baixo".

A ideia contida na primeira frase serve apenas como desculpa para que a sociedade e seus agentes pratiquem atos menores de corrupção e desvios morais, alegando que o fazem, pois seguem o mau exemplo de seus líderes políticos. Pequenos delitos podem ser tão nocivos quanto as grandes mazelas da corrupção política (propina, desvios de verbas públicas etc), inclusive, eles podem servir de combustível para alimentar as chamas de atos ímprobos e transformá-los num incêndio, que se alastra e atinge uma enorme área.



Ora, defender a primeira expressão é o mesmo que defender a continuidade do erro e uma demonstração de conformismo e, em certos casos, de cumplicidade com os infratores da lei e dos ditames éticos e morais intrínsecos à vida num ambiente coletivo.

Portanto, não achamos correto justificar pequenas transgressões que cometemos no cotidiano, como cortar a fila do banco, tentar sonegar impostos, "roubar" o wi-fi do vizinho, colar na prova de história ou imprimir documentos pessoais no impressora do escritório onde trabalho, com a alegação de que os políticos roubam, então por que devemos ser honestos?




Em certos casos, infelizmente, a corrupção está tão arraigada na cultura popular que práticas anti-éticas são naturalizadas e passam a fazer parte do dia a dia das pessoas. 
Logo, se aceitamos que uma sociedade é corrupta, por que suas lideranças, as quais são escolhidas pela própria sociedade, deveriam ter um comportamento diferente daqueles que elas representam?

Claro que seria ótimo se tivéssemos dirigentes íntegros, honestos e comprometidos com o bem estar do povo e com o bom uso dos recursos públicos, mas não podemos ficar esperando que esse tipo ideal e desejado de agente público caia do céu. Ele precisa ser construído, lapidado e, evidentemente, essa construção passa por uma grande mudança na cultura do povo.

Se quisermos ter  melhores representantes políticos no poder, precisamos começar a repensar nossas atitudes e nossas formas de pensar e de agir. Devemos lembrar que temos escolha e que somos responsáveis por nossas atitudes, por isso não precisamos agir errado, só porque os políticos, ou maioria deles, agem errado. 
Enquanto admitirmos que vale a lei do "mais esperto" e que o correto é levar vantagem a todo custo, não teremos condições de eleger melhores representantes, que possam servir de exemplo positivo para o povo, tampouco conseguiremos alterar o nefasto quadro político nacional. 



Então vamos a nossa nova enquete. Na sua opinião, o exemplo deve vir de cima, isto é, partir dos políticos, ou tem que  vir de baixo, nascendo do próprio povo?

Vote agora na enquete ao lado!

18.3.16

O fim de um governo marca o início de um novo tempo?

Recessão econômica e uma crise ética, política e institucional sem precedentes têm marcado o cenário brasileiro nos dois últimos anos.

O governo federal eleito, democraticamente, não consegue governar, em parte por uma inabilidade política da chefe do governo, e por outro lado, as forças conservadoras, internas e externas, resolveram por um fim ao projeto de poder petista.

A operação Lava Jato, levada a cabo pelo seletivo juiz Moro, tem promovido um show global e midiático de decisões polêmicas e juridicamente questionáveis. 




A cobertura dessa crise política pela imprensa tem contribuído para acirrar os ânimos de parte da população brasileira e também motivado um quixotesco levante dos moralistas contra os corruptos.
As ruas e as redes sociais se tornaram as principais válvulas de escape para a destilação de ódio, intolerância e agressão a quem pensa, defende ou veste cores diferentes. A opinião pública julga e condena numa velocidade que faz os dispositivos 5G se parecerem com as tartarugas.




Então, o que restará do país e das instituições após a conclusão do impeachment? Ele irá resolver o caos político, econômico e social ou será um meio para os oportunistas atingirem um fim?



Particularmente, gostaria que os direitos sociais, duramente conquistados, fossem preservados, assim como uma forma de governo que respeite os direitos naturais e inalienáveis de todos os governados. Afinal, não há paz e nem justiça social em meio a uma sociedade marcada pela concentração da renda e do poder. 
Acho difícil cravar um prognóstico sobre a evolução dos processos políticos, sociais e econômicos que, até então, foram desencadeados, e mais difícil ainda manter o otimismo de que tudo ficará bem e que as reformas que virão irão contemplar a maioria e beneficiar aqueles que mais necessitam do amparo do poder público.

Ao longo de nossa história, e foi assim no mundo também, o poder sempre foi um privilégio para poucos, servindo aos interesses dos poderosos. Sempre que tentaram redistribuí-lo ou possibilitar o seu acesso ao povo, os processos de descentralização foram abortados, não raro, com o uso indiscriminado da violência. Portanto, não há motivos para ter esperança de que o amanhã será melhor do que o agora e nem para acreditar que dias melhores virão, não enquanto a coisa pública continuar sob a tutela de poucos em detrimento da coletividade.

12.3.16

Cyberbullying: violência no mundo virtual e consequências no mundo real

Agora é lei! As escolas terão que desenvolver medidas de conscientização e prevenção ao bullying, segundo a Lei n. 13.185, de 6 de novembro de 2015.

O bullying é "todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.”

Por isso, iremos abordar o tema e conhecê-lo um pouco melhor.

Com o advento das novas tecnologias, o bullying ganhou uma nova faceta, o cyberbullying, através do qual as agressões ocorrem pelas redes sociais e internet.


Conheça mais sobre o assunto!



Painel do Cyberbullying, elaborado pelos alunos do 6º ano 3!


O que é cyberbullying?

Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato. Portanto, Cyberbullying é o bullying feito no mundo cibernético, ou seja, na internet e nas redes sociais. 


Como ele ocorre?


Na internet (blos, chats e fotoblogs) ou através do celular são publicadas e divulgadas mensagens com imagens e comentários agressivos. Eles se espalham rapidamente e tornam o bullying ainda mais perverso. 

Os praticantes do cyberbullying, normalmente, ofendem outro usuário e apelam até para ofensas raciais, cometendo um crime previsto em lei.

Como o espaço virtual é ilimitado o poder de agressão é ampliado e a vítima se sente acuada. E o que é pior: muitas vezes ela não sabe de quem se defender, pois na internet é normal muitas pessoas se manterem no anonimato ou usarem perfis falsos, os fakes.


Como evitar?

Existem muitas coisas que podem ser feitas para combater o cyberbullying. A atitude mais importante que o alvo de cyberbullying pode ter é não responder ao agressor. Não entre no jogo do agressor. Não responda aos e-mails, recados e não se envolva em conversas em salas de bate papo com os agressores. Não repita o que o agressor está fazendo. Peça ajuda aos seus pais e professores. Nunca tenha medo de pedir ajuda. Além destas ações, guarde todas as evidências para que as autoridades na sua escola, provedores de internet e até mesmo a polícia possam lidar com a situação de forma adequada. 

O Cyberbullying pode dar aos agressores o anonimato, mas esta prática sempre deixa as provas e evidências do ato criminoso. A melhor forma de combatê-lo é promover a aproximação e o diálogo franco entre jovens e adultos. 

Três pontos de vista do Cyberbullying


A vítima


Devido à enorme pressão, a vítima fica fragilizada apresentando problemas de comunicação com os outros, o que influencia negativamente a sua capacidade de desenvolvimento social, profissional e afetivo. Seu aprendizado é prejudicado, desenvolve dificuldade de concentração e apresenta quenda no rendimento escolar.

Sofre intensamente, com baixa autoestima, medo, angústia, pesadelos, ansiedade, choro e insônia. Não consegue buscar ajuda de colegas, tem dificuldade nos relacionamentos interpessoais. Pode tentar ou cometer suicídio, automutilação, abuso de álcool e/ou drogas. 


O agressor

Desenvolve ao longo dos anos várias tendências que se podem caracterizar como comportamentos de risco. Tem uma falsa sensação de poder, consume exageradamente álcool e/ou drogas. Pode prejudicar sua convivência com os colegas e tem um frágil envolvimento escolar e familiar. Pode se envolver em atos criminosos e adotar comportamentos que colocam a sua vida em risco e também a dos outros. Desenvolve comportamentos antissociais, pratica violência doméstica e abandona a escola.



O espectador


Tem medo de se tornar a vítima. Não sabe como ajudar a quem sofre Bullying;Pode se tornar participante ativo ou passivo do ato. 



11.3.16

Diálogos contemporâneos sobre as Reformas religiosas do século XVI

Estudar História não é apenas decorar datas e memorizar acontecimentos, mas um exercício complexo e constante de tentar compreender os problemas vividos no presente a partir de um olhar crítico e reflexivo sobre o passado.

Nesse sentido, solicitamos aos nossos brilhantes alunos do 8º 11 que produzissem textos analisando as Reformas religiosas do século XVI e suas consequências. 
Confiram algumas produções:


Cada um com sua religião
Seja católico, evangélico, espírita ou umbanda temos que respeitar a religião de cada pessoa. Em algum momento você já deve ter visto na TV pessoas sendo assassinadas e agredidas por causa da fé que seguem. Essas lutas religiosas começaram há muito tempo no século XVI, quando ocorreu a Reforma Protestante.

Naquela época, um monge alemão, Martinho Lutero, começou a questionar certas práticas do catolicismo, dentre elas a venda de indulgências, a corrupção no clero, a falta de vocação de alguns padres e de outras autoridades eclesiásticas. 


Lutero e suas 95 teses (1517) deram início à Reforma protestante.
Sabendo disso, o papa mandou que expulsassem Lutero da Igreja Católica. A partir de então, ele criou uma nova religião e ocorreu um cisma na cristandade. Daí começaram a acontecer guerras entre os seguidores das diferentes religiões, causando várias mortes, inclusive de inocentes. 


Hoje, a violência por conta das diferenças religiosas está diminuindo, mas ainda existem várias pessoas que têm preconceito. Portanto, respeite a religião dos outros da mesma forma que você quer que respeitem a sua!

Carolina
Aluna do 8º ano





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Minha opinião sobre as diferenças religiosas


"Não julgues, para não ser julgado" assim diz um versículo da Bíblia"(seja a evangélica ou a católica). O mandamento de Deus é claro, vamos parar de julgar a religião alheia.  
Isso é um defeito humano que, com esforço, pode pode se tornar um bem. 

Não adianta julgar outra religião que não seja a tua, pois você não a conhece. 

No passado, já houve casos de protestos religiosos, como os ocorridos no século XVI, que acabaram provocando a morte de muitos de milhares de pessoas.
Você gostaria que matassem pessoas ou seus parentes por uma guerra que não vai levar a nada? 

Vamos lembrar de outra parte da Bíblia que diz: "Deus não ama o pecado e sim o pecador", então não importa sua religião, se amar e ter fé em Deus você irá achar o seu caminho. 
Em vez de brigar pregue, em vez de causar discórdia, cause o amor. Em outro versículo das Escrituras está escrito: "quem não ama, não conhece a Deus, pois Deus é Amor".

Por fim, não se esqueça de todos tem o livre arbítrio, por isso podem fazer suas escolhas que merecem ser respeitadas.
Raquel
Aluna do 8° ano



Parabéns. Ótimo trabalho!

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