28.4.13

Quebra-cabeça

Você é bom com quebra-cabeça?

Que tal tentar resolver esse aqui, uma linda pintura de Louis David (1748-1825), que retratou Napoleão Bonaparte de uma forma bastante idealizada, cruzando os Alpes, de maneira imponente e vitoriosa.

Vamos lá, quebre a cabeça e coloque em ordem esta bela obra de arte! 

*Basta clicar sobre com o botão esquerdo do mouse sobre as peças para movê-las. Observe o modelo pronto, isto é, a pintura montada para ter uma orientação e boa sorte!

26.4.13

Texto publicado no Blog do SindUte

Gostaria de convidar nossos amigos, visitantes e demais pessoas interessadas em Gestão Pública de Pessoal para acessar e ler nosso texto, publicado no Blog do SindUte-MG (Leopoldina).

O tema dessa publicação é a Avaliação de desempenho dos servidores públicos do Estado de Minas Gerais.

Caso queiram ler, é só clicar no link abaixo:


Agradeço a atenção.

21.4.13

Feriado de 21 de Abril

Hoje é feriado nacional, você sabe por que? A folga em todo país é uma homenagem ao sacrifício de Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes. Ele foi enforcado e esquartejado nesse dia, no ano de 1792, por ter envolvimento com a Conjuração Mineira.

"Martírio de Tiradentes" (1893), óleo sobre tela de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo
 No século XVIII o Brasil era uma colônia de Portugal, fornecedor de matérias primas, comprador de bens manufaturados e pagador de impostos dos portugueses.
A descoberta de ouro no interior da colônia no século XVII, provocou um grande fluxo migratório de colonos e imigrantes portugueses para a região das Minas Gerais. Todos estavam esperançosos com a possibilidade de enriquecer com o "suor do sol", expressão que os Incas utilizavam para designar o ouro.

O ouro era obtido de duas formas: Aluvião, encontrado no leito dos rios, e escavando as montanhas.

A mineração e o grande número de migrantes, escravos e comerciantes deu origem a diversos núcleos urbanos, que eram construídos ao sabor da topografia e da natureza das Gerais.

Cidade Imperial de Ouro Preto , 1824. Rugendas.
aquarela e tinta, c.i.e.


Vila Rica, atual Ouro Preto, foi um desses núcleos. Cidade importante, era a capital das Minas Gerais, sede do governo e das autoridades coloniais que fiscalizavam a produção aurífera e cobravam os impostos que eram remetidos para a Coroa Portuguesa.

Portugal esperava receber 100 arrobas de ouro anuais dos mineiros. Contudo, a queda da mineração com o passar dos anos dificultava o cumprimento dessa meta. Os portugueses pensavam que os mineiros não conseguiam pagar os impostos, devido ao contrabando do ouro, por isso intensificavam a cobrança sobre a população colonial.


Produção de ouro nas Minas Gerais
1697
1699
1705
1715
1739
1744
1754
1764
115 Kg
725 Kg
1,5 Ton
6,5 Ton
10 Ton
9,7 Ton
8,8 Ton
7,6 Ton

Foi justamente o excesso de cobrança e pressões das autoridades que levaram alguns membros da elite mineira a se rebelarem contra o jugo colonial. Nesse sentido, contratadores, intelectuais, religiosos, militares e fazendeiros se uniram para planejar a libertação de Minas Gerais. O alferes, uma patente mediana da carreira militar, Joaquim José da Silva Xavier, era um dos revoltados com a opressão portuguesa, por isso juntou-se aos inconfidentes para participar do movimento emancipatório.
O alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de Tiradentes, pois costumava exercer o ofício de dentista.

As reuniões para planejar a revolta ocorriam secretamente, nas casas das pessoas envolvidas. Um trecho do poema Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles (1953) dá o tom de como era o clima desses encontros:

Atrás de portas fechadas, 
à luz de velas acesas, 

entre sigilo e espionagem, 

acontece a Inconfidência. 

E diz o Vigário ao Poeta: 

“Escreva-me aquela letra 
do versinho de Virgílio...” 
E dá-lhe o papel e a pena. 
E diz o Poeta ao Vigário, 
com dramática prudência: 
“Tenha meus dedos cortados 
antes que tal verso escrevam...” 
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE, 
ouve-se em redor da mesa. 
E a bandeira já está viva, 
e sobe, na noite imensa. 
E os seus tristes inventores 
já são réus — pois se atreveram 
a falar em Liberdade 
(que ninguém sabe o que seja). 
Através de grossas portas, 
sentem-se luzes acesas, 
— e há indagações minuciosas 
dentro das casas fronteiras. 
“Que estão fazendo, tão tarde? 
Que escrevem, conversam, pensam? 
Mostram livros proibidos? 
Lêem notícias nas gazetas? 
Terão recebido cartas 
de potências estrangeiras?” 
(Antiguidades de Nîmes 
em Vila Rica suspensas! 


Cavalo de La Fayette 

saltando vastas fronteiras! 

Ó vitórias, festas, flores 

das lutas da independência! 

Liberdade – essa palavra, 
que o sonho humano alimenta: 
que não há ninguém que explique, 
e ninguém que não entenda!) 

E a vizinhança não dorme: 
murmura, imagina, inventa. 
Não fica bandeira escrita, 
mas fica escrita a sentença.


Como podemos notar,  o poema menciona o risco da espionagem dos vizinhos que poderiam denunciar, a qualquer instante, as pessoas que se reuniam para tramar a revolta. Nos encontros dos inconfidentes eles discutiam temas internacionais, como as ideias Iluministas que afloravam na Europa e a Independência dos E.U.A (1776), por meio de livros e jornais.
Ruas, vielas e salas escuras de Ouro Preto foram o palco da inconfidência.

As ideias estrangeiras influenciaram os conjurados, que pretendiam declarar Minas Gerais independente de Portugal, quando o governador das Minas, Visconde de Barbacena, declarasse a derrama, isto é, a cobrança dos impostos atrasados de todas pessoas que deviam à Coroa. Em alguns casos, a força policial era utilizada para confiscar os bens dos devedores que não pagassem os impostos.

Dentre os planos dos conjurados, os principais eram:
  • proclamação da república;
  • mudança da capital para São João Del Rey;
  • fundação de uma Universidade em Vila Rica;
  • manutenção da escravidão.

O ano era 1789, e a revolta iria eclodir. Os conjurados esperavam receber o apoio da população à causa da Independência, entretanto a ideia fracassou.

Um dos conjurados, Joaquim Silvério dos Reis, traiu seus companheiros, delatou os planos dos revoltosos para as autoridades coloniais, em troca do perdão de suas dívidas com a Coroa.
As forças policiais agiram rapidamente, prendendo todos os envolvidos no planejamento da revolta. Os inconfidentes, traidores da coroa, foram julgados e condenados a prisão e ao degredo. Tiradentes foi o único condenado a morte. Sua execução aconteceu no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792. Seus restos foram espalhados pelo caminho do ouro, para servir de exemplo aos demais colonos, para que não se levantassem contra a metrópole portuguesa.

Portinari, Candido 
Tiradentes (painel - detalhe) , 1948 - 1949 
têmpera sobre tela

Famosa tela de Pedro Américo - Tiradentes esquartejado (1893) - Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora (MG).





Avaliação




5.4.13

Futebol e diplomacia

Futebol e política, em determinados momentos, caminham lado a lado.
O jogo de sábado entre as seleções do Brasil e Bolívia, na cidade boliviana Santa Cruz de la Sierra, é mais um, dentre outros vários exemplos, que parece comprovar a afirmação acima.

O jogo de amanhã não é um simples amistoso internacional entre as seleções, trata-se de uma iniciativa dos dirigentes do futebol brasileiro em prol da manutenção do bom relacionamento entre as duas nações que disputarão a partida.

A visita da seleção canarinho à Bolívia faz parte de uma homenagem à memória do adolescente Kevin Espada, morto em fevereiro num estádio, enquanto assistia à partida entre os clubes San Jose (Bolívia) e Corinthians (Brasil).
Durante esse jogo, alguns membros da torcida do clube brasileiro atiraram um sinalizador em direção à torcida rival, acertando o garoto, fato que o levou a morte.

Naquela época as autoridades bolivianas detiveram alguns torcedores brasileiros, suspeitos de terem cometido o crime. A imprensa dos dois países  fizeram ampla cobertura da tragédia, a diplomacia internacional foi acionada. A embaixada brasileira precisou intervir e acompanhar as investigações e o tratamento que a justiça boliviana dispensava aos presos brasileiros.

Torcida presta homenagem póstuma a Kevin
Muitas pessoas ficaram preocupadas com as consequências do ocorrido, que poderia provocar ainda mais violência nos estádios sul americanos durante as competições internacionais. Preocupava a possibilidade de as torcidas brasileiras e bolivianas se confrontarem no futuro, em partidas que opusessem clubes dos dois países.

Para colocar um fim nas hostilidades entre os cidadãos bolivianos e brasileiros, e mostrar o quanto as autoridades do Brasil se sensibilizaram com a tragédia de fevereiro, a seleção brasileira, que em um passado recente ostentava o melhor futebol mundial, visitará a Bolívia para um amistoso internacional.
Craques como Neymar e Ronaldinho serão atrações no sábado 
Parte da renda do jogo será destinada à família do adolescente morto. Uma homenagem muito válida, apesar de que não há quantia no mundo, nem gols ou dribles desconcertantes, que sejam capazes de amenizar a dor dos familiares, amigos e das pessoas de bem que se solidarizaram com mais uma vítima da violência que permeia o futebol.

A alegria que o futebol proporciona ao povo também servirá para reforçar ainda mais os laços diplomáticos entre os dois países, que há alguns anos sofreu um forte abalo. Em 2006, o presidente da Bolívia - Evo Morales - decretou a nacionalização de duas riquezas do país, o petróleo e o gás. Com essa medida tropas bolivianas invadiram refinarias, inclusive a Petrobrás, que realizava diversas operações de exploração do combustível boliviano. A situação gerou uma crise diplomática entre os países, que acabou contornada pelo presidente Lula e seu ministro das Relações Exteriores. O presidente a Bolívia também percebeu que a parceria com o Brasil era importante, e garantia investimentos e divisas para ambas as partes.

Mas quando a bola rolar, amanhã, ninguém se preocupará com o gás natural,  tampouco vai se lembrar da invasão militar de uma refinaria estrangeira ou com as ações que precisam ser adotadas pelos dirigentes políticos e futebolísticos para evitar a violência no futebol da América Latina. Não, amanhã só o que importa é a alegria paralisante do futebol, mesmo que a camisa amarela já não brilhe tanto quanto reluzia em outrora.


Matéria no site da Folha de São Paulo, publicada no dia 07/04/13, sobre o jogo Brasil e Bolívia e seu uso político.

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1258738-uso-politico-de-jogo-rouba-cena-em-goleada-da-selecao-brasileira.shtml

3.4.13

Certificação ocupacional de dirigente escolar - MG

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais vai abrir novo processo de certificação para os interessados em se candidatar ao cargo de diretor de escola.

As inscrições para a prova começam no dia 08 de abril e terminam no dia 26 do mesmo mês.

A prova trará 60 questões múltipla escolha, sobre gestão escolar, de recursos humanos, financeiros e políticas públicas na área da educação. Além da avaliação objetiva, haverá também prova de títulos.

Inscrições podem ser feitas nos sites: 



Os aprovados serão certificados, com validade de 04 anos.


O Edital da certificação está publicado no Diário Oficial, da página 15 a a 16, os temas para serem estudados estão no Anexo II.

30.3.13

Malhação de Judas - uma herança colonial

No sábado de aleluia, aquele que antecede a Páscoa, em diversas cidades do Brasil, a malhação de Judas é uma tradição nas comunidades católicas.

O ato representa o dia da morte de Judas Iscariotes, o discípulo que traiu Jesus Cristo.

Malhação de Judas no Brasil - Debret - Século XIX

Essa prática cultural chegou ao Brasil pelos colonizadores portugueses, que trouxeram essa tradição religiosa da Europa para as terras brasileiras.


Interessante notar que com o passar dos anos, a malhação de Judas continua a existir, mas ganhou um sentido político. Os bonecos feitos de jornal, pano e serragem começaram a simbolizar personagens públicos e políticos brasileiros, que não agradam o povo.
Seus nomes são pregados na roupa do boneco, até o momento em que ele começa a receber golpes da multidão ou é consumido pelo fogo. 

Na foto abaixo, tirada hoje em Brasília e reproduzida no site da Folha de São Paulo, o boneco de Judas representava o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), acusado de defender ideias homofóbicas.


Crianças atacam o boneco de Judas, que representa o deputado Marco Feliciano. 

A tradição descrita acima reforça o quanto a História está em nosso presente, faz parte de nossos dias, e as vezes, nem percebemos que agimos de forma semelhante a pessoas que viveram muitos séculos antes de nós. 

E na sua cidade, quem foi o personagem público escolhido para ser o Judas?

24.3.13

O tráfico atlântico no Mundo Moderno

As turmas do 1º ano do Ensino Médio da E. E. Luiz Salgado Lima estão estudando o Tema 2 do Conteúdo Básico Comum (CBC) (ver tabela abaixo). Elaboramos um material didático que estamos trabalhando com os estudantes, que postamos a seguir.
Tema 2: Escravidão e Comércio no Mundo Moderno
TÓPICOSHABILIDADES
2. Circuitos do tráfico de escravos (Novo Mundo, África e Europa)2.1. Compreender e analisar a importância do alargamento das antigas rotas comerciais; o ressurgimento e expansão do comércio, as novas mercadorias e o tráfico de escravos.
2.2. Identificar a origem étnica e geográfica dos escravos trazidos para o Brasil.
2.3. Estabelecer relações entre escravismo colonial e capitalismo.


"A escravidão se caracteriza por sujeitar um homem ao outro, de forma completa: o escravo não é apenas propriedade do senhor, mas também sua vontade está sujeita à autoridade do dono e seu trabalho pode ser obtido até pela força." (PINSKY, 2000)
  • A escravidão moderna está relacionada com a expansão marítima ibérica, no século XV.
  • Nessa época os navegadores portugueses exploravam a costa africana, em busca de ouro e outras especiarias. Chegavam em aldeias e reinos africanos e capturavam seus habitantes. Os nativos eram levados para Portugal, onde eram empregados nas mais variadas formas de trabalho, e também para as colônias, principalmente a América.
  • Os traficantes e mercadores de escravos justificavam o trabalho escravo como uma forma de converter as populações negras ao cristianismo, salvando suas almas e  livrando-as dos cultos pagãos que professavam na África. Nesse sentido, a Igreja Católica colaborou, indiretamente, com a ação dos traficantes de escravos.
  • A escravidão já existia na África, no século XV. Contudo, era praticada de forma bem diferente do modelo mercantil adotado pelos traficantes europeus. Os escravos, geralmente, eram prisioneiros de guerras intertribais, ou entre reinos rivais, e o número de cativos não era tão significativo.
Quem conduz os prisioneiros? Como era realizado o comércio de escravos?
  • Os portugueses firmaram alianças com alguns reinos africanos. Os líderes desses reinos tinham interesses nos produtos europeus e passaram a capturar escravos no interior do continente, em tribos rivais, oferecendo-os aos europeus em troca de seus produtos.  A moeda de troca pelos escravos era o trigo, o sal, cavalos, tecidos, tabaco, aguardente e o açúcar.


  • Os escravos, inicialmente, eram oriundos da região conhecida como Guiné - um vasto território que abrangia desde a embocadura do rio Senegal  até o rio Orange, no atual Gabão. De Angola, de seus portos Benguela e Luanda, partiram também muitos escravos, enviados para a América. A origem étnica dos cativos era muito diversificada.
    Rota Atlântica do comércio de escravos.
  • Para a América Portuguesa, sobretudo, para o Brasil, a partir do século XVI, foram trazidos até o século XIX um total de 4 milhões de escravos africanos. Com o passar dos anos o número de cativos continuava a crescer, e vai permanecer estável pelo menos até a aprovação da Lei Eusébio de Queirós, em 1850, a qual proibiu o tráfico internacional.    
  • Confira abaixo o quantitativo de escravos que desembarcaram no Brasil:
Desembarque estimado de africanos no Brasil - Séculos XVI-XVIII - Períodos 1531-1575 a 1771-1780
Períodos
No período
1531-1575
10000
1576-1600
40000
1601-1625
100000
1626-1650
100000
1651-1670
185000
1676-1700
175000
1701-1710
153700
1711-1720
139000
1721-1730
146300
1731-1740
166100
1741-1750
185100
1751-1760
169400
1761-1770
164600
1771-1780
161300
Total
1895500
Acesso em 19 mar. 2013.

  • Importante destacar que a escravidão resultou na destruição da cultura de diversas etnias africanas. Mas também contribuiu para a miscigenação cultural do povo brasileiro, cuja cultura é marcada pela diversidade e pelo hibridismo étnico.
  • Escravidão e Capitalismo: O tráfico de escravos está inserido na lógica do Capitalismo comercial, garantindo lucro aos traficantes, impostos para os Estados coloniais europeus e servindo aos interesses econômicos dos senhores de escravos. A escravidão, indígena e africana, sustentou, em grande parte, o projeto colonizador dos europeus na América. 

Trecho do filme Amistad, que mostra a captura e o transporte dos africanos.



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