Blog mantido para preservar o trabalho do Professor e Historiador Rodolfo Alves Pereira. O site mantém registros de algumas de suas publicações e trabalhos apresentados em Congressos e Eventos acadêmicos e Educacionais, nos quais deixou valiosas contribuições acerca da Metodologia e do Ensino de História na Educação Básica. Também contém registros de algumas de suas experiências didático-pedagógicas mais importantes, além de projetos desenvolvidos nas escolas onde atuou.
Em 2015, tivemos muito trabalho e um recorde de postagens. Agora o Blog fará um recesso e retomará suas atividades em 2016, com o reinício do ano letivo.
Agradecemos o apoio de nossos leitores e desejamos a todos um feliz natal e um próspero ano novo!
A Semana de Educação para a vida teve início hoje e começou muito bem!
No turno da tarde, os alunos do 7º ano, turma 8, deram um show de conteúdo e de criatividade. Coordenados por mim e pela professora de Geografia, Catarina, os estudantes transformaram a sala de aula num espaço artístico e cultural abordando os temas: Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST's) e Gravidez na adolescência.
As demais turmas da escola (6º, 7º e 8º anos) foram convidadas para visitarem a sala, seguindo por um caminho cheio de pegadas, as quais continham palavras indicando o que eles encontrariam na sala 8: informação, saúde, alegria, prevenção e conhecimento.
Na sala de aula, as paredes foram decoradas por cartazes confeccionados coletivamente, contendo colagens, desenhos, pinturas e muitas mensagens de conscientização. Além da mostra de trabalhos artísticos, um grupo de alunos ficou responsável por uma palestra sobre o assunto.
Os alunos apresentaram estatísticas sobre as DST's e dicas para prevenir as doenças e evitar uma gravidez indesejada.
Depois da palestra, os visitantes eram conduzidos para o Quiz e tinham a oportunidade de testar o conhecimento adquirido respondendo às perguntas. Em caso de acerto, recebiam um prêmio, um pirulito e uma mensagem da turma 8.
As grandes navegações europeias, iniciadas no século XV, promoveram a ampliação do conhecimento geográfico sobre o Mundo. Antes das expedições marítimas, os europeus acreditavam que o oceano era o limite da Terra e além dele estava um abismo que tragava os marinheiros que ousassem se aventurar pelo mar. Em 1519, o navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521), a serviço da coroa espanhola, liderou uma frota com cinco embarcações e 240 homens com o objetivo de chegar ao Oriente. Ele navegou pelo Oeste, afim de explorar o mundo e se apossar de novas terras e levar especiarias para a Espanha.
Francisco de Magalhães.
Magalhães cruzou o Atlântico e, no extremo sul da América, encontrou uma passagem para o Oceano Pacífico - denominada de Estreito de Magalhães. Ao longo da viagem, Magalhães enfrentou índios, tempestades e até a revolta de seus comandados, os quais, desesperados com as incertezas e o medo do desconhecido, queriam matar o capitão-geral. Antonio de Pigafetta viajou na frota e relatou outra dificuldade enfrentada - a fome. Segundo ele, os viajantes só comiam "...velhos biscoitos transformados em poeira e cheios de vermes, fedendo a urina de rato". Devido à escassez de alimentos, a tripulação ficava fraca e vulnerável às doenças, como o escorbuto, a qual dizimava os marujos. Magalhães morreu em 1521, depois de desembarcar nas Filipinas, onde enfrentou os nativos, e acabou sendo atingido por uma lança envenenada que o levou à morte.
Victoria foi o único navio que restou da frota de Magalhães. Dois naufragaram, um perdido e outro foi incendiado.
Em 1522, a viagem chegara após retornar à Europa, porém apenas um navio e 18 sobreviventes voltaram para casa. Ela ficou conhecida como viagem de circunavegação, pois o navio Victoria que chegou a Sevilha, além de trazer muitas especiarias, comprovou a esfericidade da Terra. O escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942), publicou em 1938, a obra Fernão de Magalhães: o homem e sua façanha, na qual registra, com riqueza de detalhes, as aventuras e desventuras do navegador português.
Zweig, com talento raro, coloca o leitor dentro da caravela de Magalhães, conduzindo-o por uma viagem fascinante em busca de especiarias e de glória.
Stefan Zweig deixou a Áustria por conta do nazismo. Viveu em Petrópolis (RJ) de 1941 a 1942, quando cometeu suicídio junto com sua esposa, Lotte.
Por tudo isso, a leitura é instigante e prende a atenção do leitor até a última página. Vale a pena conferir.
Leia trechos do livro no Google Livros.
Leia mais sobre a viagem de circunavegação clicando aqui.
Mauá – o imperador e o rei - é uma produção cinematográfica brasileira, lançada em 1999.
O filme procura recriar o contexto histórico brasileiro do século XIX, sob o regime imperial. A sociedade daquela época era marcada pela
exploração do trabalho escravo africano e a economia era baseada na agricultura
destinada à exportação.
Esse perído é marcado por embates, quando as
ideias progressistas e liberais, vinculadas a burguesia entravam em conflito
com as práticas conservadoras da elite aristocrática.
A história acompanha a
trajetória atribulada de Irineu Evangelista de Souza (1813 – 1889), desde sua
infância como caixeiro até sua vida adulta, quando se tornou o maior empresário
do Brasil Império.
A ascensão social e econômica rendeu a Irineu muita
influência política e títulos de nobreza, como o de visconde de Mauá, em 1874.
Como empresário Irineu
investiu em transporte, comunicação, iluminação e atividades bancárias.
Defendia o fim da escravidão, a propriedade privada, a livre concorrência e a
industrialização, contrapondo-se às ideias dos atifundiários, os quais valorizavam
a posse de grandes extensões de terras para cultivar gêneros para exportação e a
manutenção do trabalho escravo.
Os projetos do visconde de
Mauá que visavam modernizar a economia brasileira, em diversas vezes,
esbarraram ora na burocracia estatal, ora no conservadorismo das elites,
revelando as várias contradições inerentes a uma economia escravocrata.
Algumas de suas realizações:
Fundação da Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas (1852).
Fundação da Companhia de Iluminação a Gás do
Rio de Janeiro (1854).
Empreendeu a construção da primeira ferrovia brasileira. Construída no Estado do Rio de Janeiro ganhou o nome de Estrada de Ferro Mauá (1854).
A mídia pode mudar a cultura das pessoas? A permanência de práticas racistas e discriminatórias num país multicultural e, historicamente, marcado pela influência de vários povos, pode ser combatida por campanhas midiáticas?
Minha resposta para as duas perguntas é sim.
Na disciplina de Cultura e uso de mídias, no Ensino Médio PROEMI, estudamos a influência que a mídia exerce sobre as pessoas. Essa influência pode ser percebida nas atitudes e impulsos que levam um indivíduo a comprar certos produtos, se vestir com a roupa da moda ou adotar o corte de cabelo semelhante ao galã da TV. Enfim, a mídia pode modelar a cultura, por isso acreditamos que ela possui, e pode usar, seu potencial pedagógico para ajudar a sociedade a acabar com o racismo.
É nisso que a campanha "Racismo virtual, as consequências são reais", da ONG Criola, aposta, divulgando, em várias cidades brasileiras, outdoors com mensagens de manifestações racistas postadas nas redes sociais.
Outdoors com mensagens virtuais são instalados nos locais de origem da ofensa.
A ideia é demonstrar que a ofensa racial, mesmo aquela publicada na internet, terá consequências para o seu autor, pois ela afeta e machuca as pessoas no mundo real.
Em 07 de setembro de 1822, D. Pedro proferiu o brado da independência, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo.
O grito do Ipiranga. Pedro Américo, 1888. Acervo do Museu Paulista.
A partir daquele momento histórico, o Brasil cortou sua relação de submissão em relação a Portugal.
Parece simples, porém a independência não ocorreu de uma hora para outra, ela foi o resultado de um longo processo histórico, político e social. Vejamos seus antecedentes.
Antecedentes:
A família real portuguesa transferiu-se para o Brasil em 1808, fugindo do exército de Napoleão Bonaparte;
Embarque da família real portuguesa (1808).
Nesse mesmo ano, o príncipe regente - D. João (1767-1826) - decreta a abertura dos portos brasileiros às nações amigas de Portugal, beneficiando a Inglaterra;
Em 1815, eleva o Brasil a condição de Reino Unido a Portugal e Algarves;
Em 1821, D. João VI retorna a Portugal e as Cortes portuguesas pretendiam recolonizar o Brasil;
D. Pedro (1798-1834), filho de D. João VI, permanece no Brasil, como príncipe regente;
As Cortes exigem o regresso de D. Pedro a Portugal;
O Partido Brasileiro entrega ao príncipe um documento pedindo a ele que fique no Brasil. No dia 09/01/18222, D. Pedro decide ficar - Dia do Fico;
Posteriormente, D. Pedro estabeleceu que as ordens vindas das Cortes só seriam cumpridas mediante sua autorização ("Cumpra-se");
Sob ameaça das Cortes, D. Pedro, apoiado pela elite brasileira que não desejava voltar ao status de colônia, proclamou a independência no dia 07 de setembro de 1822, selando o rompimento de Brasil com Portugal.
Após a independência, ficou decidido, sob influência de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), o "patriarca da independência", que o regime de governo para o Brasil seria uma Monarquia Constitucional, diferente dos países vizinhos, os quais optaram pelo regime republicano.
Coroação de D. Pedro I. Jean-Baptiste Debret, 1826. Acervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo
D. Pedro foi coroado imperador do Brasil, mas enfrentou resistência em algumas províncias, como na Bahia, Maranhão e Cisplatina, onde tropas portuguesas se mantinham leais a Portugal. Com o apoio de militares ingleses e franceses, além das milícias formadas pelos brasileiros, o imperador organizou um exército e conseguiu expulsar as tropas portuguesas do Brasil em 1824, conservando a unidade do império.
O primeiro país a reconhecer a independência brasileira foram os EUA, em 1824. Portugal só reconheceu a separação em 1825, depois de receber um pagamento em dinheiro como indenização.
Nos dias atuais, o Brasil está vivendo uma acentuada crise hídrica. A escassez de chuvas e o mau uso dos recursos hídricos está colocando em xeque a disponibilidade de água para as pessoas.
Aqui no Carmo (RJ) não é diferente, as autoridades municipais já alertaram a todos de que, se a chuva não vier, teremos racionamento de água, o que acarretará inúmeros transtornos para a sociedade. A questão hídrica em nosso município não é coisa recente, desde o final do século XIX Carmo sofria devido à inadequação do abastecimento de água, o "fluido vital por excellencia..." (p. 132). Analisando o Almanach do Carmense (1888) do periódico Carmense, fundado e editado por Domingos Mendes da Piedade em 1887, o qual circulava na Villa do Carmo, encontramos algumas referências sobre a questão da água na localidade.
Na página 83 do referido documento, destacamos o seguinte: "Existe na Villa do Carmo um encannamento de agua e um chafariz com quatro torneiras, na Praça da Matriz, cujo encannamento não é sufficiente hoje para a população e tem alem d'isso seus materiaes estragados". (p. 83). Naquela época, conforme revela a publicação, viviam na vila 10564 pessoas (p. 80). O trecho acima nos permite imaginar as dificuldades que todos enfrentavam para conseguir água com apenas um chafariz e quatro torneiras. Mais adiante, o Almanach denuncia a precariedade em que se encontrava a tubulação responsável pela captação da água. "... encannamento, já muito deteriorado, por sua pouca profundidade no seio da terra, unico elemento que mal o resguarda contra os instrumentos aratorios, e tambem do vandalismo..." (p. 131).
Note que o cano ficava enterrado numa pequena profundidade que lhe deixava exposto às ferramentas de arar a terra (enxadas e arados de ferro), tendo em vista que ele deveria cruzar propriedades e campos agrícolas, e também estava sujeito à ação dos vândalos.
Como consequência dessa instalação imprópria, o encanamento vivia danificado e resultava em "falta d'agua, que faz o martyrio dos povos." (p. 131). A falta de água prejudicava o desenvolvimento econômico e social e, distribuída sem qualidade por conta dos canos danificados, afetava a saúde das pessoas, provocando surtos de doenças e, certamente, queda da produtividade no trabalho. A publicação exalta, com alívio, que a situação melhoraria quando o projeto de um novo aqueduto se concretizasse e mais torneiras fossem instaladas em vários pontos da vila. A obra prometia "a accumulação de mais algumas fontes do elevado manancial, ..." (p. 131) disponível nas terras carmenses. Perceba que o problema não era a falta de água em si, mas sim de captação e de investimentos públicos necessários para solucionarem a limitação da distribuição do precioso líquido. O editor prossegue, e sustenta que a instalação de novos equipamentos para captar e distribuir água na Vila "vae collocar a povoação superior aos lugares mais recommendados da Provincia" (p. 133)do Rio de Janeiro, afinal todos teriam mais qualidade de vida, saúde e disposição para o trabalho.
A edição de 1891 do Almanach destaca a localização da nascente d'água que abastece a cidade, a qual estava situada a 130 metros acima dos bambus da fazenda da Conceição, e também do reservatório municipal, instalado a 40 metros acima da praça da matriz (p. 157-158).
Considerando o exposto, a exemplo do que ocorreu no passado, quando nossos predecessores enfrentaram dificuldades de abastecimento, hoje, em meio a uma crise ambiental, devemos nos preparar para enfrentar a escassez de água e nos conscientizarmos de que o recurso não é inesgotável, por isso precisa ser utilizado racionalmente. O uso racional da água passa por uma série de mudanças de atitudes, tais como o fim do desperdício, melhor planejamento das políticas públicas para o setor e redução da agressão ambiental, pois o rápido crescimento populacional e a urbanização poluem os rios e mananciais, comprometendo o acesso à água e, consequentemente, o futuro da vida. Fontes primárias consultadas Almack do Carmense, ano de 1888 e de 1891. Disponível on-line em: http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/