Arte dos alunos do 2° ano (sala 12), da E. E. Luiz Salgado Lima!
Blog mantido para preservar o trabalho do Professor e Historiador Rodolfo Alves Pereira. O site mantém registros de algumas de suas publicações e trabalhos apresentados em Congressos e Eventos acadêmicos e Educacionais, nos quais deixou valiosas contribuições acerca da Metodologia e do Ensino de História na Educação Básica. Também contém registros de algumas de suas experiências didático-pedagógicas mais importantes, além de projetos desenvolvidos nas escolas onde atuou.
16.8.17
Ex-aluno carmense é finalista do IV Concurso Literário em Leopoldina
Otávio Augusto, residente em Carmo, concluiu o Ensino Médio no CIEP 280 em 2016 e está na final do IV Concurso Literário promovido pela Academia de Letras e Artes de Leopoldina (MG).
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| Otávio está na grande final, dia 25/08/17, no CEFET em Leopoldina (MG)! |
Otávio se inscreveu na categoria público geral, na modalidade CHARGE, e enviou para o certame um belíssimo trabalho produzido durante as aulas de Cultura e Uso de Mídias, que foram ministradas por nós no Ensino Médio. O título do trabalho finalista é Game of Thrones Brazil.
A cerimônia de premiação acontecerá no dia 25 de agosto, no auditório do CEFET/MG, em Leopoldina, na qual serão premiados os três primeiros colocados.
Parabéns e sucesso, Otávio!
Filme: O menino do pijama listrado
Depois de estudar o nazismo e de toda a violência que o regime de Adolf Hitler perpetuou contra os judeus e outras minorias étnicas, exibir o filme O menino do pijama listrado foi uma boa escolha dos alunos.
Depois do filme, os estudantes do 3º ano do Ensino Médio da E. E. Luiz Salgado Lima produziram textos e desenhos analisando o longa-metragem e relacionando aspectos mostrados na obra ao contexto histórico da Europa nazifascista e da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A aluna Ingrid Vargas caprichou na redação e fez uma bela análise. Confira:
Produção de texto sobre o filme O menino do pijama listrado
O filme "O Menino de Pijama Listrado" retrata um momento histórico vivido na Europa entre os anos de 1939 a 1945. Momento este, marcado pelo forte totalitarismo de Hitler, no qual os direitos humanos não eram respeitados e a repressão era duramente aplicada a grupos sociais diferentes do padrão ariano almejado pelos nazistas.
As pessoas eram obrigadas a aceitar a ideologia de Hitler, pois poderiam ser torturadas ou até mesmo mortas pela polícia autoritária do governo alemão.
O ditador pregava que os judeus, homossexuais e também deficientes físicos seriam os culpados pelo atraso da sociedade e, se continuassem vivos, poderiam contaminar a pureza da raça alemã levando-a a degeneração.
Em cenas do filme, um professor de história ensina a duas crianças que os judeus seriam pessoas más. Porém, a inocência do protagonista que interpretava o garoto alemão chamado Bruno fala mais alto, e ele acaba fazendo amizade com um menino judeu, Shmuel, o qual se encontrava preso num campo de trabalho forçado junto com outros judeus.
Apesar da nova amizade de Bruno estar do outro lado de uma cerca, dentro de um campo de extermínio, o alemão não mede esforços para estar perto do amigo. Após entrar no local o garoto alemão é confundido com um judeu e acaba sendo morto junto com Shmuel na câmara de gás.
De fato, milhões de judeus morreram assim, de forma cruel e desumana, executados a sangue frio. Os historiadores estimam que 6 milhões deles foram assassinados pelo regime nazista, e esse terrível evento foi chamado de Holocausto.
O filme foi uma oportunidade para refletir sobre os riscos de regimes políticos autoritários assumirem os governos de nações e, por conta, de suas ideologias promoverem perseguições a grupos que julgam ser "diferentes", atacarem os direitos fundamentais, como a vida e a liberdade dos cidadãos sob o pretexto de manter a ordem.
Ingrid Vargas
3º ano 9
Parabéns Ingrid, seu trabalho ficou show!
12.8.17
[Curtas] Preconceito nos EUA
A intolerância às diferenças étnicas parece não encontrar limites. Ontem, 11 de agosto, houve uma manifestação numa cidade sulista dos EUA contra imigrantes, afrodescendentes e judeus. Segundo os manifestantes, tais grupos representam uma ameaça ao status quo dos norte-americanos. Eis mais um exemplo de manifestação de ódio, preconceito e xenofobia.
Confira mais informações e imagens no link abaixo:
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2017/08/12/sou-nazista-sim-o-protesto-da-extrema-direita-dos-eua-contra-negros-imigrantes-gays-e-judeus.htm
8.8.17
Sobre a crença na Justiça (a verdadeira)
"Este país viverá, se crer na justiça, e a organizar e a praticar, e a santificar, e a invulnerabilizar. Se não, rapidamente passará da desordem à anarquia, da anarquia aos caos, do caos à fermentação, da fermentação à deliqüescência, até que aluviões estranhos, não deixando já do Brasil atual nem o nome, venham, em camadas sucessivas, cobrir e sanear a necrópole de uma raça perdida, porque se não terá sabido conciliar com a justiça numa idade, onde, abolida a justiça, não há, para os fracos, outra sorte que a de presa e carniça entre as rivalidades dos fortes, No século dos armamentos a justiça ainda constitui a maior força do mundo."
19.7.17
Ritos fúnebres na África Atlântica moderna
As crenças funerárias ocupam cada vez mais espaço nas pesquisas dos historiadores. Em franco diálogo com a Antropologia, os pesquisadores em história se debruçam sobre os ritos fúnebres, elencando-os como fontes históricas para seus estudos.
Tais práticas são preciosos vestígios, que se bem interrogadas e analisadas, podem revelar informações sobre a vida de um povo, seus valores, as representações sociais e as expectativas que nutriam em relação à vida após a morte.
Dentre tantos pesquisadores que têm se ocupado do assunto, aqui no Brasil podemos citar o trabalho da professora Mary del Priore. Em uma publicação de 2011 (Ver o texto: Passagens, rituais e práticas funerárias entre ancestrais africanos:outra lógica sobre a finitude), ela analisou como os africanos da Costa Atlântica, indo do Senegal à Angola, no período Moderno encaravam a morte e o quanto esse momento era representativo e revelador de aspectos culturais, sociais e políticos de um povo. Foi dessa região que veio a maior parte de nossos ancestrais africanos, os quais trouxeram para cá suas crenças, valores e costumes, muitos dos quais, posteriormente, foram incorporados e transformados pela cultura cristã e a ação do colonizador português.
A África Ocidental é um vasto espaço, onde várias etnias disputavam territórios e terras férteis desde a Antiguidade. Esses povos dominavam a agricultura, conheciam o ferro e praticavam elaborados e complexos rituais fúnebres. Ali, as epidemias, as guerras e a fome ceifavam incontáveis vidas. Talvez, a proximidade com a morte tenha contribuído para que ela terminasse por ser incorporada à cultura dos africanos como uma forma de domesticá-la através de símbolos, ritos, crenças e valores (DEL PRIORE, 2011, op. cit. p. 124).
Nesse contexto de constante convívio com o óbito, tais civilizações conferiram uma peculiar importância à questão da posteridade. Procriar lhes assegurava prestígio perante a sociedade. Eram os filhos que iriam lhes garantir uma velhice tranquila e intermediar suas sobrevivências enquanto ancestrais. Portanto, o ato de gerar descendentes era um mecanismo que estava diretamente ligado à manutenção dos típicos rituais de transpasse, uma vez que o falecimento foi configurado como etapa obrigatória de ascensão do homem. Como definiu Roger Bastide: “sociedades de enriquecimento progressivo da personalidade” – caso daquelas em que se passa do status inferior de adolescente ao de adulto, depois ao de ancião e enfim, ao mais elevado, o de ancestral (idem. p. 138).
Acreditava-se que o morto vivia num mundo de sombras, onde reproduzia sua antiga vida terrena. Assim, era comum os reis serem enterrados junto com bens materiais, comida e seus servos. Isso foi comum em Gana, antiga Costa do Ouro no golfo da Guiné. "Em algumas destas cerimônias, segundo cronistas europeus, matavam-se dezenas de escravos" (ibidem, p. 126). Provavelmente, o objetivo de tais sacrifícios humanos era "era afastar a alma do defunto, evitando que esta voltasse, apavorando os membros da família". (ibidem, p. 126).
O rito fúnebre africano da época moderna, enquanto âmago da questão, pode ser destacado por diversos aspectos em sua gama de peculiaridades. Um ponto relevante a ser observado é o fato de em algumas regiões ser quase uma obrigação perante a sociedade o comparecimento dos conhecidos do defunto ao seu velório. A ausência seria encarada como uma constatação do envolvimento do indivíduo na morte do falecido, ainda que por algum tipo de prática de feitiçaria. Outro fator instigante sobre as cerimônias funerárias é o costume indispensável que seus mortos fossem acompanhados de tecidos em suas tumbas e toda simbologia envolta nesta prática. Quanto mais volumosa fosse a múmia do finado, mais importância teria tido ele em vida. De acordo com o estudo de Mary del Priore: "Entre os povos do Reino do Congo, as “embalagens têxteis” de defuntos impressionaram os viajantes estrangeiros. Louis de Grandpré, de passagem por Cabinda, no Reino do Congo, deixou impressionante descrição: depois de coberto de corais, o corpo era tão enrolado em panos que não se distinguiam mais, neste grosso envelope, as pernas ou braços do defunto. A cada dia se acrescentava um novo pano. A imagem, pintada pelo mesmo Grandpré, que ilustra o funeral de um dignitário no século Dezoito mostra perto de cinqüenta escravos puxando por cordas uma pesada carroça sobre a qual vai colocado um imenso pacote, ocupando todo o espaço. Teria “vinte pés de comprimento por quatorze de largura”, conta o autor (GRANDPRÉ apud DEL PRIORE, 2011, p. 129).
Assim, resta claro a importância social e cultural que envolvia o ato de sepultar os mortos nas sociedades africanas ocidentais, o qual tem sido objeto de estudos por parte de historiadores, antropólogos e sociólogos, pois toda aquela simbologia funerária, ou mesmo a ausência dela, é fonte relevante de informação que permite ao pesquisador acessar o imaginário, as crenças e as diferenças socioeconômicas comuns ao mundo dos vivos.
Pesquisa e texto por:
Jeane Alves Teixeira Riguete
Rodolfo Alves Pereira
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