19.11.16

Bem comum x interesses pessoais: contradições da política brasileira

O título desta postagem expressa um dos principais dilemas da República brasileira. O termo república vem do latim res publica, que significa coisa pública, um governo cujo objetivo é zelar pelo bem comum, isto é, trabalhar pela coletividade.

Em teoria, numa república os interesses de particulares e das classes dirigentes não podem vir à frente dos interesses populares. A prioridade nessa forma de governo deve ser o benefício do povo. Não restando, portanto, espaço para que agentes públicos ou civis usem o poder para a busca de benesses e privilégios pessoais.

Recentemente, tivemos mais um exemplo que comprova que a república brasileira anda mal das pernas. No dia 18/11/16, Marcelo Calero, ministro da Cultura do governo Temer, anunciou sua demissão do ministério. Em entrevista do ex-ministro, publicada hoje no site da Folha de S. Paulo, ele explicou as razões de sua saída. Alegou que estava sofrendo pressões de um nome forte do governo, Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), e detalhou encontros e conversas que teve com o Secretário que exigia que o ministro agisse em favor da aprovação da construção de um edifício em uma área tombada de Salvador (BA). 

Acontece que o projeto imobiliário, objeto de embargo judicial na Bahia, também não foi autorizado pelo Iphan (Instituo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão vinculado ao Ministério da Cultura,  pois poderia descaracterizar a paisagem histórica do lugar. Por isso, o Instituto recomendou uma adequação do projeto, que incluía a redução do número de andares.

A medida do Iphan contrariou os interesses imobiliários do empreendimento, inclusive os do Secretário de Governo, Geddel, que segundo Calero é proprietário de um apartamento em um andar mais alto do projeto. Geddel, sentindo-se prejudicado, passou a usar sua posição no governo para pressionar o ministro da Cultura para que a obra fosse logo aprovada, mesmo que ela contrariasse as regulamentações técnicas e ferisse o patrimônio histórico-cultural da região. Incomodado com a situação, Calero resolveu deixar o cargo ministerial.      

Pelo conteúdo da entrevista, percebemos que para Geddel, o articulador político do governo Temer, pouco importava as consequências que a obra traria para o local, para ele o mais importante era a liberação da obra e a garantia de que seu negócio não fosse prejudicado. Isso reflete como ocorre o fazer político republicano no país, onde os agentes do poder misturam o campo público com o privado, colocam os interesses particulares em primeiro lugar, em detrimento do bem estar comunitário.

Se for confirmado que o Secretário de Governo anda usando o cargo público para trabalhar em prol de assuntos particulares, o mínimo que um presidente probo, constitucionalista e de verdadeiro espírito republicano deve fazer é afastá-lo, imediatamente. 

Vamos aguardar para ver se somos uma res publica ou uma república das bananas, de fato.  

Leia mais sobre o ocorrido clicando abaixo:


Quem deve pagar pela crise financeira do estado do Rio de Janeiro?

Neste país, a farra com o dinheiro público não tem limites.

A classe política parasitária se apossa do poder e, ao invés de agir em prol do bem comum, começa a trabalhar, incessantemente, apenas por si, sua família e seus "amigos".

O contribuinte sustenta com o seu suor todas as extravagâncias promovidas por alguns agentes públicos, caso do Sérgio Cabral, ex-governador que ajudou a falir o Rio de Janeiro, que levava uma vida de rei, não porque conquistou riqueza com trabalho honesto, mas porque roubou dos cofres estatais, se envolveu em negociatas e falcatruas em conluio com empresários canalhas. Enquanto alguns esbanjam, vivendo numa realidade onde os efeitos da crise e da recessão econômica passam longe,  o estado agoniza e não tem recursos para pagar os seus servidores, os aposentados e nem para manter os serviços básicos em funcionamento tão necessários para os cidadãos humildes. 

Observe alguns itens de luxo apreendidos pela polícia junto com a prisão do ex-governador do estado carioca.  Os objetos pertencem à família Cabral e, supostamente, são oriundos de propina.





O político, enfim preso, deve pagar por todos os males e desfalques que causou aos cofres públicos. É injusto que o povo seja ainda mais sacrificado com medidas administrativas e fiscais, caso da PEC 55 em nível federal e o pacote anticrise do governo Pezão em trâmite na ALERJ, cujas propostas visam o arrocho salarial, aumento de impostos e tributos e redução de investimentos em setores fundamentais, como saúde e educação. É imoral e inadmissível transferir a responsabilidade para a população e para os trabalhadores a conta de uma enorme dívida criada por uma classe política asquerosa e corrupta. 



Esperamos que junto com Cabral e Cia, outros figurões sigam (e permaneçam) para a cadeia, que é o local adequado para esse tipo de gente, e que todo o dinheiro e vantagens obtidas indevidamente sejam devolvidas ao erário. Cadeia para os ladrões, os quais, por muito tempo, zombaram das leis, tiraram proveito da impunidade, massacraram o povo e fizeram o infortúnio desta nação.

9.11.16

Ele está de volta (Às vezes parece que ele nunca foi embora)!

Berlim (Alemanha), 2011.

Adolf Hitler desperta num terreno baldio, no subúrbio da cidade. Vê à sua volta inúmeros imigrantes de origem turca convivendo entre os seus. Descobre que uma mulher ocupa a presidência, que outrora fora sua, e sai em busca de respostas em meio ao vaivém de pessoas e de veículos nas ruas da capital.

O livro Ele está de volta (2012) do autor alemão Timur Vermes narra o retorno de Hitler no século XXI, cujo discurso nacionalista e impregnado de xenofobia se torna viral com o advento das novas tecnologias de comunicação e recursos de mídia, como a televisão e a internet. 

Eu já tenho o meu!

De leitura agradável, a obra nos faz refletir sobre a predisposição do grande público em aceitar os discursos propalados por lideranças conservadoras e populistas, muitas das quais defendem um "governo forte" e a adoção de medidas autoritárias. 

O texto, evidentemente, dialoga com as questões e tendências políticas do século XXI, evocando um fato do século XX - a ascensão de Hitler ao poder. Assim, a obra nos possibilita refletir sobre o avanço da direita conservadora na Europa, em países como Itália e França, por exemplo, cujas lideranças disseminam uma cultura de intolerância às minorias étnicas e defendem restrições a entrada de imigrantes em seus países com significativa aprovação popular. E, por que não citar, o caso de Donald Trump, recém eleito presidente dos EUA, personagem que durante a sua campanha ergueu a bandeira do isolacionismo, torcendo o nariz para os latinos e islâmicos. Ainda na América, mas desta vez no cone Sul, países como a Venezuela, Peru, Argentina e Brasil (vide a retórica do deputado Bolsonaro, a qual exalta o regime militar), há incontáveis políticos simpáticos às práticas governamentais populistas e demagógicas que seduzem multidões.

Enfim, há resquícios de cultura política autoritária por toda a parte, às vezes ela fica em estado latente, em outros momentos, como nos de crise econômica, ela se manifesta de modo mais forte e aí redundam em governos que cerceam  direitos e ceifam vidas. 

A repercussão do livro foi tamanha, que ele acabou virando filme homônimo à publicação de Vermes. Confira o trailer abaixo:




Sem dúvida, vale a leitura e o ingresso para o cinema!

7.11.16

Tome cuidado com a selfie




A onda de tirar selfie já ultrapassou os limites. Pessoas tiram o autorretrato nos lugares mais inusitados e, às vezes, inadequados. Olha o que um turista brasileiro desatento provocou num museu em Portugal: foi fazer uma foto e acabou provocando um acidente que destruiu uma peça do século XVIII.


E você, acha que por uma boa selfie vale tudo?! 
Há tanta necessidade de publicarmos imagens dos inúmeros momentos de nossa vida nas redes sociais? 
É saudável que as pessoas fiquem tão dependentes dos perfis mantidos na web?


Eis o resultado da tentativa de selfie: uma escultura do século XVIII destruída. :( 



Cortiços: exemplo de permanência histórica

Quando o prefeito do Rio de Janeiro - Pereira Passos - iniciou suas reformas urbanas, em 1903, ele tinha forte inspiração no modelo parisiense. Nesse sentido, queria remover os cortiços, locais de habitações coletivas, do centro da cidade substituindo-os por amplas avenidas, bulevares e prédios modernos. 



Esse evento ficou conhecido como "bota-abaixo", pois as autoridades públicas demoliram inúmeros cortiços, expulsando seus habitantes das áreas centrais da cidade. Porém, nem todos os cortiços desapareceram, alguns resistiram às demolições do início do século passado e conservam, até os dias de hoje, certas semelhanças com as moradias de outrora. Confira mais na reportagem abaixo:

2.11.16

Exposição de fontes históricas sobre a História dos Brinquedos

Para a Semana de Educação para a vida, os alunos da turma 6º ano 3 irão apresentar para o público uma exposição sobre patrimônio e fontes históricas, como brinquedos e jogos que ajudam a contar a trajetória da Infância ao longo do tempo.

Na Sala Ambiente, haverá música, exposições orais e de objetos históricos, mostra de pinturas e desenhos e um quizz, com perguntas sobre o tema para os visitantes. Quem acertar todas as perguntas ganhará um prêmio.

Confira mais detalhes sobre o evento no cartaz abaixo:


30.10.16

Corrupção: um mal social

É possível uma sociedade corrupta ter um governo ético? 

Um governo corrupto se sustentaria numa nação com comportamento ético?

O historiador e professor Leandro Karnal ajuda a elucidar a questão no vídeo abaixo:

Não deixe de ler

Leão XIV é o novo papa, mas alguns queriam uma leoa

Hoje, assistindo a um programa de discussões políticas no YouTube, havia comentaristas defensores de pautas da "esquerda identitária...