24.11.18

O mundo mágico da leitura

Na feira cultural de 2018, eu e a professora de língua portuguesa,  Cristiane Gonçalves Toso Pereira,  trabalhamos junto com a turma 1° 6, do Ensino Médio. 

O tema desenvolvido foi a história do livro. Exploramos desde as tábuas de argila, com o surgimento da escrita há 4000 a. C. até os modernos e-books.

Os estudantes capricharam nos trabalhos e nas pesquisas e expuseram dados relevantes, sobre autores, gêneros literários e números e percentuais relativos aos leitores e ao mercado do livro no Brasil. Foi um deleite para os inúmeros visitantes que nos prestigiaram.

Todos os alunos e professores que participaram do evento estão de parabéns,  todos os trabalhos ficaram incríveis e muito criativos.



















Dia da consciência negra

Somos uma sociedade multiétnica, plural e diversa. O dia da consciência negra,  20 de novembro,  marca simbolicamente a resistência dos afrodescendentes por direitos e igualdade.

Trabalhamos conceitos importantes com os alunos,  como preconceito,  discriminação e racismo. Depois elaboramos cartazes com as definições e leis que defendem a igualdade entre os indivíduos,  independentemente da cor da pele, e criminalizam o racismo.

Confira:


19.11.18

A justificação do racismo e da escravidão pela ciência e pela fé

A escravidão é uma forma de exploração do trabalho que tem ocorrido em diversas sociedades e localidades desde a Antiguidade.

Na Civilização Grega, por exemplo, os homens livres poderiam se tornar escravos, caso não pagassem suas dívidas, os prisioneiros de guerras também era sujeitos ao trabalho compulsório e de acordo com Aristóteles: 

“É obvio, então, que uns são livres e outros escravos, por natureza, e que para estes a escravidão é não adequada, mas também justa”.

O filósofo grego atribui aos bárbaros, isto é, àquelas pessoas que não pertenciam à civilização grega a condição natural de escravos, homens que pertenciam a outrem.

Se a princípio a expressão raça estava relacionada à descendência familiar, ao longo do tempo o conceito vai se metamorfoseando e legitimando o processo de exploração de uns sobre outros. No século XVIII, a zoologia usava raça "para designar os subgrupos em uma espécie" (p. 54).
No século XIX, cientistas europeus, baseados nos estudos do biólogo Charles Darwin, elaboraram o racismo científico, também conhecido como "darwinismo social".

O darwinismo social estabeleceu hierarquias entre as raças, tomando como critérios para hierarquizar os grupos humanos aspectos psíquicos e físicos, como, por exemplo, o estudo do formato do nariz e as medidas do crânio. 





"Em 1859, o sociólogo francês Georges Vacher de la Pouge por exemplo, comparou crânios de macacos, de homens negros e de europeus e concluiu que a raça europeia era superior a todas as outras." (p. 56). 
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A ideia do darwinismo social será bastante difundida entre os Ocidentais e servirá para legitimar o Imperialismo e o Neocolonialismo praticado pelas potências europeias no século XIX, submetendo ao seu poderio povos africanos e asiáticos.

Somente a partir da segunda metade do século XX, após a comoção mundial causada pelo horror do nazismo e do conhecimento público acerca do Holocausto, é que os cientistas reconheceram a existência de apenas uma raça - a humana. Os nazistas haviam levado a ideia de superioridade racial ao extremo, promovendo a solução final, isto é o extermínio de 6 milhões de judeus na Europa. Os estudos dos geneticistas comprovaram que, apesar das diferenças fenotípicas, há padrões inegáveis entre o código genético de todos os seres humanos, que indicam uma origem comum.
"Eva mitocondrial", as mitocôndrias das pessoas vieram de uma mesma linhagem matrilinear. 
Voltemos na linha do tempo, no século XVI, onde, com o advento das Grandes Navegações e dos descobrimentos marítimos, os europeus estabeleceram contatos com outros povos, como os africanos e os nativos americanos. Logo, houve a necessidade de mão de obra para a exploração colonial e os africanos e os índios tornaram-se alvos do apresamento sistemático pelos captores europeus. Assim nascia o Tráfico Atlântico Moderno, que vai promover uma das maiores migrações (forçada) de toda a História.
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Para justificar a escravidão de índios e negros, os europeus recorriam a argumentos religiosos, questionando se aqueles povos tinham alma por desconhecerem o Deus da tradição hebraica-cristã. Os escravos tornaram-se assim mercadorias, "não eram homens, mas coisas que pertenciam a quem os comprava" (p. 63). 

A Igreja julgou que os índios deveriam ser catequizados, já os negros deveriam passar pelo purgatório, representado pelo trabalho forçado. Acreditava-se, à época, que os africanos ou etíopes, eram descendentes de Caim ou de Sem e essa herança maldita tinha que ser compensada com o cativeiro.  
Entre os séculos XVI a XIX, o comércio de escravos foi intenso e estima-se que: 

"Dez a quinze milhões de seres humanos foram, assim, transplantados à força das cosas ocidentais da África para as Antilhas e para o continente americano. Sua força de trabalho era utilizada pelos fazendeiros brancos que colonizavam essas regiões" (p. 63).

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A escravidão no Brasil só chegou ao fim em 1888, após a abolição, entretanto o descaso com os negros libertos contribuiu para as enormes desigualdades sociais permanecessem até os dias de hoje, onde parte da população negra segue marginalizada.

Racismo nos EUA

Nos EUA o escravismo também deixou profundas sequelas sociais. Após o fim da Guerra de Secessão em 1865 a vitória do norte permitiu a abolição da escravidão no país.
Contudo, grupos sulistas derrotados e insatisfeitos formaram a Ku Klux Klan (KKK). Eles se vestiam com roupas e capuzes brancos, perseguiam e assassinavam negros. "Entre 1882 e 1962, houve 4733 linchamentos. A congregação existe até hoje" (p. 66).

Nos EUA, após a abolição, a segregação racial entre brancos e negros permanecia, o que gerou inúmeras manifestações em prol dos direitos cívicos dos afrodescendentes. 
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O pastor Martin Luther King foi um dos líderes do movimento e acabou assassinado em 4 de abril de 1968.    
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A segregação racial nos EUA foi abolida por lei, visando garantir igualdade de oportunidades para brancos e os afro-americanos. Entretanto, na prática ainda há grupos sociais que sustentam o ódios contra negros e latinos pobres.
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Manifestação de grupos da supremacia-branca, na Virginia (EUA), 2017.  


Apartheid na África do Sul

Na África do Sul a comunidade branca de 3 milhões de pessoas impôs aos negros, que constituíam a maioria da população 13 milhões, um sistema de segregação racial - o apartheid.

A medida criada em 1948 separava brancos e negros, estabelecia a proibição de casamentos inter-raciais e restringia os direitos dos negros, proibindo-os, por exemplo, de acessarem determinados lugares (ver imagem abaixo).
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O líder sul-africano Nelson Mandela, que ficou preso por 27 anos por se opor ao apartheid, tornou-se o primeiro negro a ser presidente da República da África do Sul em 1994. 
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Em seu governo, Mandela trabalhou pela reconciliação interna do país e pelo fim da política do apartheid.

Bibliografia básica

COMBESQUE, Marie Agnès. O silêncio e o ódio: racismo, da ofensa ao assassinato. São Paulo: Scipione, 2001.

29.10.18

Leopoldina diz #EleNão

Orgulho de ser Leopoldinense, de ter nascido nesta terra maravilhosa, com nome de princesa.

Aqui, na eleição presidencial de 2018, venceu a democracia. A maioria dos eleitores leopoldinenses votou contra a intolerância e o defensor do discurso do ódio  que redunda em diversos tipos de violência.

Parabéns Leopoldina, teu povo é de paz, quer trabalho com direitos, quer educação e o respeito à diversidade cultural.

Esse resultado poderá ter impactos políticos daqui a 2 anos, nas eleições municipais. Vejamos:

1°. Coloca a dinastia que apoiou o presidente eleito em sinal de alerta. Se o povo mantiver a coerência, renovará no próximo pleito, colocando um fim à trajetória política do clã que chefia o local.

2°. Pode assanhar a taba petista, a qual despregada da realidade, se autoenganará fazendo crer que o resultado de 2018 foi por conta da força do Partido no local. Farão de tudo para lançar candidato, mesmo sem ter um. Ledo engano, pois o anti-petismo criado por parte da mídia, setores do judiciário, a ala golpista do PSDB (leia-se Aécio Neves) e também pelos erros endógenos de segmentos petistas é forte, algo de difícil desconstrução. Haddad venceu aqui pois a SOCIEDADE  se organizou e disse #EleNão. A vitória de Haddad se deve à tomada de consciência do próprio povo do risco que Bolsonaro representa para a democracia e não à influência ou credibilidade dos caciques petistas junto aos eleitores locais.

O movimento de repulsa ao autoritarismo emergiu da sociedade, não nasceu da iniciativa do PT ou de qualquer outro partido. Foi fruto do protagonismo e da cidadania de pessoas de bem, preocupadas com o futuro do país.

Portanto, os Leopoldinenses devem dizer, em 2020, não ao autoritarismo e não aos candidatos que falseam uma representação popular. Buscaremos uma terceira via, que seja arrojada, competente e transparente na gestão pública. Essa gestão precisa ter metas, alinhadas as necessidades da população, que sejam divulgadas e monitoradas pelo povo para construirmos uma cidade cada vez melhor para todos!

23.10.18

O silêncio e o ódio: racismo, da ofensa ao assassinato


A obra está disponível na biblioteca da escola, de autoria da escritora francesa Marie Agnès Combesque. 
Marie-Agnès Combesque

Combesque trata do racismo em diversos momentos da História, em diferentes épocas e lugares, aborda desde o tratamento cruel recebido pelo escravos africanos, passando pela segregação racial norte-americana ao nazismo. Chega nos dias atuais e mostra a presença do ódio e da xenofobia no trato de europeus em relação aos imigrantes e povos islâmicos. 

A autora mostra como o racismo passa do imaginário à violência, quando as ideias viram ação e perseguição aos grupos diferentes. Enfim, o livro é um primor com narrativa envolvente e estrutura diferenciada, apresentando relatos, trabalhando conceitos e contextualizando as marcas e os impactos sociais, políticos e econômicos do racismo nos vários lugares onde ele se manifestou.

Trecho do livro

  

16.10.18

Equilibrando as chances: jogue a toalha, Haddad

A popularidade de Lula e do PT ficaram reduzidas ao Nordeste. Pouco para vencer a eleição que se avizinha. No restante do país predomina, com mais ou menos intensidade, o antipetismo.
É o repúdio ao lulo-petismo o maior combustível para o sucesso eleitoral de Bolsonaro, tendo em vista o despreparo e a falta de propostas desse candidato. Some a isso o fato de que a campanha de Haddad é insossa, quase inócua no centro-sul do país, onde Bolsonaro arregimenta multidões. O petista tem perfil discreto é boa figura, mas não emplacou, caminha para uma derrota segura. Não adianta chamar Bolsonaro para o debate ou denunciar fakenews no TSE, a vitória do extremismo e da via autoritária já está pavimentada.

No primeiro turno o candidato do PSL obteve quase 50 milhões dos votos e no segundo turno, ao que tudo indica, terá outro êxito fácil.

A eleição de  Bolsonaro  confirmará  mais uma aposta equivocada de Lula que impôs um "poste" para a centro-esquerda. Muitos esperavam o apoio do cacique petista à Ciro Gomes (PDT), mas a ideia foi rechaçada pela presidente do Partido, Gleisi Hoffmann: Ciro "nem com reza brava".

Mesmo com todas as pesquisas e simulações eleitorais apontando que somente o pedetista tinha chances reais de vencer a extrema-direita no segundo turno, o apoio do PT, em nome da hegemonia, não se concretizou. E Lula ainda trabalhou para isolar potenciais apoiadores de Ciro, deixando-o sem opções de alianças.

A vice na chapa do PDT, a senadora Kátia Abreu, sugeriu que Haddad desistisse para que Ciro Gomes pudesse concorrer. Ele é mais experiente, preparado e tem ficha limpa, além de ser mais incisivo e objetivo ao apresentar suas propostas. Ciro não carrega consigo o ranço antipetista, selado em Haddad junto com o apoio de Lula. Só o paulista radicado no Ceará teria chances reais de unir as forças democráticas contra o autoritarismo intolerante e violento que está  posto em nossa frente.

Agora, talvez, seja tarde demais para Ciro, para o PT e para o futuro da democracia. Mas como já  estamos no fundo do poço, por que não tentar algo diferente? 

Renuncia Haddad, abra a vaga para Ciro Gomes disputar em nome da soberania nacional, da retomada do desenvolvimento e da pacificação do país, sem alijar aqueles que mais necessitam do Estado e da política de bem-estar social.

Seria um ato digno e independente de sua parte, Haddad. Essa atitude demonstraria que você não é um fantoche do Lula e da louca hegemonia partidária petista.

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