16.5.16

Mídias e práticas comunicativas - história e evolução da escrita e da linguagem impressa

Slides da disciplina Cultura e uso de Mídias.

Das pinturas rupestres aos websites - conheça a origem da escrita e da imprensa, acompanhando a evolução da língua e das práticas comunicativas!



6.5.16

As raízes do Terror

O mundo assiste pasmo aos intermináveis e sangrentos conflitos no Oriente Médio.

Em 2013, o grupo jihadista Estado Islâmico iniciou um ofensiva armada que resultou no domínio de territórios no Iraque e na Síria. Investindo contra as tropas desses países, declaram um califado, um governo independente, agindo com violência, destruindo locais históricos, assassinado jornalistas e civis. Uma coalização internacional, liderada por EUA e França tentam conter o Estado Islâmico, mas se opõe ao governo ditatorial da Síria. Do outro lado, a Rússia, que apoia o governo sírio, ataca, simultaneamente,  os jihadistas e os opositores do presidente Bashar al-Assad. 


Hospital em cidade da Síria foi acertado em bombardeios.

A guerra no Oriente Médio é brutal e as bombas não diferenciam militares de civis, homens, de mulheres e nem idosos de crianças, todos são alvos da intolerância religiosa e do radicalismo político que assola a região. 

Muitos sobreviventes do horror das guerras têm buscado refúgio na imigração, tentando entrar ilegalmente na Europa. Preferem enfrentar o mar, em embarcações superlotadas, num sonho dantesco, a se arriscar com os estilhaços de granadas que cortam o céu da terra natal. No mar outra guerra, naufrágios, o frio, a fome e a barreira da lei que restringe a entrada de imigrantes no Velho Mundo. O drama ganha contornos de tragédia e realça o sofrimento de pessoas desemparadas e esquecidas.


Imigrantes refugiados de guerra são abordados por autoridades no mar Mediterrâneo.

No ano passado, o conflito provocado no Oriente Médio chegou efetivamente ao solo europeu com os ataques contra a França, uma das principais rivais do Estado Islâmico, deixando mais de uma centena de mortos em Paris. O grupo islâmico assumiu a responsabilidade pelo atentado, como retaliação à França por participar de bombardeios contra alvos na Síria e no Iraque sob controle dos jihadistas.


Ataques do Estado Islâmico em Paris, 2015.

Como resposta, o atual presidente da França, François Hollande, em discurso ao seu povo, evocou o aspecto cultural para contrapor franceses e árabes e justificar a ofensiva do Ocidente no Oriente Médio. 

"Nenhum bárbaro vai nos impedir de viver como decidimos viver. O terrorismo não vai destruir a República porque a República vai destruir o terrorismo" (Discurso presidencial em 16/11/2015).


Destacamos a expressão "bárbaro", pois ela possui um forte significado identitário. O emprego desse termo objetiva criar um sentimento nacional contra um inimigo comum - os bárbaros, os terroristas, os inimigos vis e cruéis. No passado europeu, a palavra "bárbaro" legitimou invasões, conquistas e a escravidão.  

A História pode nos ajudar a compreender o porque de tanto ódio entre os povos do Ocidente e do Oriente ao investigar e explicitar a origem da barbárie.

É importante ressaltar que o Oriente sempre atraiu a atenção dos povos da Europa Ocidental desde a Antiguidade. Alexandre Magno conquistou a Babilônia no século IV a. C. e estendeu os seus limites até a Índia, depois foi a vez do Império romano tentar conquistar a Pérsia e tomar a Palestina como uma de suas províncias, no século I a. C. 

O Império islâmico iniciado no século VII se expandiu com força e velocidade pela Ásia, África e Europa, onde ocupou a Península Ibérica até o século XV. Ele se tornou um obstáculo à civilização europeia e uma ameaça a cristandade e só foi refreado no ano 732, na Batalha de Poitiers (França) quando os francos obtiveram vitória militar sobre os árabes.

Mapa da Europa Medieval representa a cidade de Jerusalém no centro do mundo.

Ao longo da Idade Média, o interesse da Europa sobre o Oriente não diminuiu. A Igreja Católica organizou as Cruzadas para tomar Jerusalém, local sagrado para os cristãos, dos muçulmanos, os quais dominavam a região desde o ano 638.
Em 1095, o papa Urbano II conclamou a cristandade a lutar contra os árabes na Terra Santa.  No seu discurso o papa exaltava:

"Lutem contra a amaldiçoada raça que avilta a terra sagrada, Jerusalém, fértil acima de todas as outras. [...] Marchem certos da expiação de seus pecados, na certeza da glória imortal."

O papa chama de "amaldiçoada" as pessoas não-cristãs que vivam e ocupavamm a terra santa. Ele também ressalta em seu discurso que aqueles cristãos que morrerem na luta por Jerusalém terão seus pecados perdoados e a "glória imortal". Numa época marcada por fervor religioso, a possibilidade de obter a redenção dos pecados e vida eterna era um forte argumento para mobilizar homens e justificar uma guerra.

Cristãos cercam a cidade de Acre, em Israel. Século XII.

As consequências das Cruzadas foram terríveis e as expedições militares promoveram um banho de sangue, opondo cristãos e muçulmanos. Leia o relato de um muçulmano, que observou a selvageria do confronto.


Os exilados ainda tremem cada vez que falam nisso, seu olhar se esfria como se eles ainda tivessem diante dos olhos aqueles guerreiros louros, protegidos de armaduras, que espelham pelas ruas o sabre cortante, desembainhado, degolando homens, mulheres e crianças, pilhando as casas, saqueando as mesquitas.

Amin Maalouf. As Cruzadas vistas pelos árabes.
2.ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1989 (com adaptações).
  

No trecho, fica claro que nem mulheres e crianças eram polpadas na guerra, assim como os locais sagrados, os quais eram saqueados em nome do fanatismo religioso. Importante destacar que os massacres e a covardia ocorriam dos dois lados, tanto dos cristãos quanto dos muçulmanos. Observe o relato a seguir, o qual registra a violência perpetrada pelos árabes:  


Os cruzados avançavam em silêncio, encontrando por todas as partes ossadas humanas, trapos e bandeiras.
No meio desse quadro sinistro, não puderam ver, sem estremecer de dor, o acampamento onde Gauthier havia deixado as mulheres e crianças. Lá, os cristãos tinham sido surpreendidos pelos muçulmanos, mesmo no momento em que os sacerdotes celebravam o sacrifício da Missa. As mulheres, as crianças, os velhos, todos os que a fraqueza ou a doença conservava sob as tendas,  perseguidos até os altares, tinham sido levados para a escravidão ou imolados por um inimigo cruel. A multidão dos cristãos, massacrada naquele lugar, tinha ficado sem sepultura.

J. F. Michaud. História das cruzadas. São Paulo:

Editora das Américas, 1956 (com adaptações).



Na Idade Moderna, com o advento das Grandes navegações, os europeus tinham por objetivo descobrir uma nova rota marítima até o Oriente, para chegar à fonte das preciosas especiarias orientais. O período assistiu à continuidade dos conflitos entre cristãos e muçulmanos, no norte da África e na Ásia. 

Mesmo na Idade Contemporânea a cobiça europeia sobre o Oriente não cessou. 
O Oriente Médio, possui uma posição geográfica estratégica, pois conecta a Europa à Rússia, à China e aos demais países asiáticos, é uma região rica em petróleo, mineral descoberto na primeira década do século XX, o que por si já é um grande atrativo para as potências imperialistas. 

Por isso, os países europeus, principalmente a França e  a Inglaterra, mantiveram o Oriente Médio sob seu protetorado por muito tempo. Alguns países só conseguiram se libertar do domínio europeu em meados do século XX, caso do Líbano e da Jordânia, em 1946. 

Apesar das lutas por independência, a região continuou sendo disputada, e, na segunda metade do século XX, era alvo da Guerra Fria entre as duas superpotências - EUA e URSS. Nesse momento histórico, soviéticos e norte-americanos armaram os povos do Oriente Médio a seu bel-prazer, segundo os interesses geopolíticos das duas potências mundiais sob o território.


Guerra Fria polarizou a disputa pela hegemonia mundial entre EUA e URSS.

Assim, foi comum o envio de armas para grupos étnicos lutarem contra os governos locais, dando início às guerras civis para tomar o poder e instaurar uma nova ordem mais favorável aos EUA ou à URSS. Isso acentuou a tensão regional, disseminou o ódio entre grupos étnicos distintos, caso dos sunitas e xiitas, o que alterou o equilíbrio de forças, agravando a instabilidade regional.
Foi a conivência e o apoio das duas superpotências da Guerra Fria que favoreceu o surgimento das células terroristas, as quais equipadas e treinadas por agentes norte-americanos ou russos, acabavam se voltando contra seus patrocinadores e passavam a agir de acordo com seus próprios propósitos.

Com o esfacelamento da União Soviética em 1991, os norte-americanos sedimentaram sua posição política no Oriente Médio através de alianças firmadas com Israel e Arábia Saudita, por exemplo.
Contudo, as guerras prosseguiram. Os norte-americanos invadiram o Iraque duas vezes, a primeira em 1991, a última em 2003.  


Soldados norte-americanos invadem o Iraque (2003).

No século XXI, os EUA alegando cumprir o seu papel de liderança mundial, pretensamente agindo em nome da liberdade e da democracia, assim justificou a invasão do território iraquiano:

"Meus companheiros cidadãos, os perigos sobre nosso país e o mundo serão superados. Nós transpassaremos esse momento de risco e continuaremos com o trabalho pela paz. Nós defenderemos nossa liberdade. Nós traremos liberdade para os outros. E nós venceremos.
Que Deus abençoe nosso país e todos que o defendem."
 

(Discurso do presidente Goerge W. Bush, 2003).

A liberdade a qual o presidente norte-americano se referiu parece ser um conceito distante para os povos do Oriente Médio, especificamente os do Iraque,  cujo governo foi destituído pelas tropas dos EUA na última Guerra do Golfo. Agora, o Iraque é assolado por conflitos envolvendo grupos separatistas, os povos curdos e os ataques do Estado Islâmico. Em suma, a cada intervenção política e militar das potências Ocidentais no Oriente Médio, novos confrontos são fomentados, aumentando a violência e a intolerância no local e também no Mundo. As ações militares equivocadas do Ocidente no Oriente Médio geraram consequências, como os ataques promovidos pelo grupo Al Qaeda contra os EUA, em 11/09/2001 e os atentados do Estado Islâmico contra a França, em 13/11/2015. 


Os EUA foram atacados pela Al-Qaeda em 11/09/2001.

Enquanto predominar no Ocidente a incompreensão das complexidades culturais dos povos orientais e a manutenção de estratégias desastrosas, como a tentativa dos EUA de   impor sua hegemonia sob o local a qualquer custo, novos conflitos continuarão a ocorrer no Oriente Médio e também nos países que tentam submetê-lo ao seu domínio. Portanto, toda essa história possibilita enxergar os erros cometidos no passado e traz uma oportunidade para refletir e corrigir os rumos do presente. Assim, talvez seja possível construir um futuro sem tantas atrocidades, sem derramamento de sangue em nome da fé e da ganância cega que continua provocando tanta carnificina.  

27.4.16

O retorno do rei?

Já imaginou o Brasil sendo governado por um rei? Pois é, recentemente foi divulgado em várias sítios da internet notícias sobre um membro da realeza defendendo a restauração monárquica. Trata-se de Dom Bertrand de Orléans e Bragança, que é trineto do ex-imperador d. Pedro II. Ele foi fotografado, não faz muito tempo, em uma manifestação de rua a favor do impedimento da atual presidenta da república e na ocasião se posicionou favorável a monarquia, pois ela garante “unidade, estabilidade e continuidade”

D. Betrand participou de atos a favor do impeachment em São Paulo.

O príncipe nasceu na França, estudou no Brasil, recebeu uma educação tradicional e preparatória para que um dia pudesse ocupar o trono. Cursou a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (SP), fala três idiomas e fez inúmeras viagens à Europa para complementar sua formação. Ele é a favor de uma monarquia com ideais católicos, se opõe ao socialismo e acredita que “o Brasil está com saudade de um regime que faça à nação o que uma nação deve ser: uma grande família com destino comum a realizar”.
Num hipotético retorno da monarquia, dom Bertrand seria o segundo de sua linhagem para ocupar o trono brasileiro. O herdeiro da coroa é seu irmão mais velho, dom Luiz (77), que enfrenta problemas de saúde.

É bom lembrar que a monarquia no Brasil começou em 1822, após a oficialização do rompimento com Portugal. Dom Pedro I foi coroado ao final daquele ano e governou até 1831, quando abdicou do trono em favor de seu filho e partiu para Portugal para reivindicar a coroa desse país. 


Até 1840 o Brasil foi governado por regentes até que o príncipe atingisse a maioridade. D. Pedro II assumiu o trono em 1840 e permaneceu no cargo até 1889, quando foi deposto pelo exército, após perder sua principal base de apoio – as elites cafeicultoras insatisfeitas com o fim da escravidão. Então o imperador foi viver na Europa, junto com sua família, exilados do Brasil. Assim começou o período republicano em nosso país...

Apesar do fim da monarquia, os descendentes da antiga família imperial foram autorizados a retornar ao Brasil algumas décadas depois da mudança de regime político e se dividiram entre o Rio de Janeiro, São Paulo e Petrópolis[1]. Nessa última cidade foi construído um palácio[2] por conta do clima ameno e da natureza exuberante da região serrana, servindo de veraneio para a família real escapar do calor da capital. Até os dias de hoje o “espírito imperial” continua presente em Petrópolis, primeiro pelos inúmeros símbolos e edifícios que fazem referência à monarquia, segundo pela manutenção do laudêmio, um imposto que incide sobre negociações imobiliárias realizadas no centro de Petrópolis e que é revertido para os Bragança[3].   

Museu imperial - antiga casa onde a família real passava as férias de verão. Viajar no verão era uma tradição entre as monarquias europeias.

A discussão sobre a legitimidade do laudêmio foi aventada há dois anos, quando um vereador da cidade tentou encerrar a cobrança do imposto, alegando que ele repelia investimentos, pois encarecia os imóveis. Os descendentes da família imperial argumentam que a taxa é legal, pois os imóveis centrais estão construídos em áreas que pertencem à casa dos Bragança.

Para concluir, penso que o senhor Bertrand de Orléans e Bragança está tentando ressuscitar um defunto ao sugerir a volta da monarquia. A unidade a que se referiu o príncipe pode ser entendida como um processo histórico violento ocorrido no século XIX, o qual assegurou a integração das diferentes províncias sob a égide do Império, sufocando tendências separatistas e republicanas como a que ocorreu, para exemplificar, no Nordeste em 1824. A estabilidade do império, na segunda metade do século XIX, foi possível, em grande parte, devido ao trabalho escravo e a crescente produção e exportação do café, que trazia lucros e fortuna para os fazendeiros. E a continuidade ocorre pelo fato de que, na monarquia, o poder é hereditário, não sendo necessário uma eleição para escolher o chefe do Executivo[4], pois o trono passa de pai para filho.

Ademais, o povo brasileiro foi consultado a respeito desse assunto em 1993, num plebiscito[5], sobre qual forma de governo deveria ser implantada no país. A república venceu com 44,2 milhões de votos, a monarquia recebeu 6,8 milhões, o total de eleitores foi de 67 milhões.
Portanto, o povo disse não à monarquia e sim à república. É fato que desde a proclamação do governo republicano no Brasil a noção de cidadania foi ampliada e a representatividade popular nos espaços de poder avançou consideravelmente. Obviamente, estamos longe de ter um sistema político perfeito, mas uma república democrática com poderes independentes é melhor do que uma “versão atualizada” da monarquia Bragança, a qual preserva tradições ibéricas e medievais.

Dom Bertrand e os demais membros da família imperial desejam o retorno da monarquia possivelmente movidos por ideais de um passado romântico, quando a sua casa governou despoticamente o Brasil, sustentada por uma elite latifundiária e escravocrata que não admitia a participação popular no poder.
Não precisamos de uma mudança de regime político, agora temos é que ajustar a nossa república e colocar a Democracia nos caminhos do progresso, promover a distribuição de renda, assegurar mais igualdade e oportunidades para o povo e erradicar os corruptos da condução da coisa pública.
A ideia de restaurar um regime que já foi rejeitado pela maioria dos cidadãos brasileiros nos parece algo anacrônico e oportunista, que só pode ser concebido por uma família movida por sentimentos de nostalgia e ambição, que antes de pensar no bem comum, pretende retomar o protagonismo no cenário nacional, a glória e o poder.




[1] Petrópolis (seu nome vem da junção da palavra em latim Petrus (Pedro) com a em grego Pólis (cidade), ficando "Cidade de Pedro") foi fundada no período Imperial. D. Pedro II assinou um decreto em 1843 permitindo o arrendamento das terras chamadas Córrego Seco, que ele herdou de seu pai. Foram nelas que começaram as obras da "Povoação-Palácio de Petrópolis".
[2] O antigo palácio imperial foi construído entre 1945 a 1962. Hoje é o Museu imperial, que abriga vasto acervo de objetos e obras de arte da família Bragança. Ele foi transformado em Museu por decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas, em 1940, e foi inaugurado em 1943.
[3] O Laudêmio também é conhecido como “imposto do príncipe” e corresponde a 2,5% do valor de imóveis negociados nas áreas centrais de Petrópolis. Essas terras pertenciam à antiga fazenda do Córrego Seco, adquirida por d. Pedro I em 1830. Em 1843, d. Pedro II assinou um decreto que permitia a cobrança de taxas dos colonos que se instalassem na região. Isso justifica a manutenção do laudêmio até os dias atuais. Em 2013, o laudêmio rendeu cerca de R$ 4 milhões, os quais foram divididos entre dez membros da família imperial. Representantes do legislativo municipal tentaram acabar com a taxa, mas não tiveram sucesso. Em diversos municípios brasileiros o laudêmio é cobrado pela União ou pela Igreja Católica. O pagamento do imposto tem de ser feito à vista à Companhia Imobiliária de Petrópolis, entidade administrada pelos descendentes de Dom Pedro 2º. Caso contrário, o comprador – quem, na prática, acaba desembolsando o valor - não recebe a escritura.
Leia mais sobre o laudêmio de Petrópolis em nosso post: http://acropolemg.blogspot.com.br/2014/11/um-imposto-devido-ao-imperador.html 
[4] A causa defendida pelos adeptos do monarquismo é o estabelecimento de uma Monarquia Parlamentar, algo próximo ao regime britânico. O imperador seria, portanto, chefe de Estado (figura mais cerimonial) e a chefia do governo ficaria sob responsabilidade do primeiro-ministro, apontado pelo monarca e escolhido após eleições no Parlamento. Embora apresente roupagens modernas, a proposta dos Bragança é bastante conservadora. Dom Betrand, por exemplo, é monarquista-católico fervoroso, contrário aos partidos de "esquerda", de cunho socialista, e contra a reforma agrária, além de considerar as desigualdades sociais naturais e até harmônicas (http://www.monarquia.org.br/-/CausaMonarquica/ArtDbertrand-reformaagraria.html).
[5] No plebiscito de 1993 os eleitores também escolheram o sistema de representação, além do regime de governo. O resultado ficou assim: 37,1 milhões escolheram o presidencialismo, 16,5 milhões apoiaram o parlamentarismo e quase 10 milhões anularam o voto - e os votos em branco somaram 3,4 milhões. A abstenção no plebiscito atingiu 25,76% do eleitorado.

26.4.16

Prêmio Professor Inovador 2015

É com satisfação e alegria que informamos aos nossos alunos, amigos e visitantes que recebemos mais uma indicação numa premiação nacional por conta de nosso trabalho com as mídias do projeto Acrópole - História & Educação.


Trata-se do prêmio "Professor Inovador 2015", promovido pela Faculdade de Educação da UNICAMP.



Foram mais de 200 inscritos e ficamos entre os 60 finalistas que receberão certificados e a oportunidade de participar de um curso de extensão universitária intitulado "Educação Inovadora com Tecnologia".

Agradecemos o apoio de todos e partilhamos com vocês - alunos, amigos, familiares, visitantes e colaboradores - o mérito de mais essa conquista!

Um abraço,

17.4.16

A formação dos estados nacionais europeus em imagens

A intenção deste post é apresentar aos nossos alunos as figuras de monarcas europeus, os quais iniciaram os processos de centralização política e formação dos Estados nacionais europeus. Em torno desses reis foram construídas alianças políticas, por meio de casamentos infrafamiliares e troca de favores e benefícios entre a realeza e os nobres, o clero e os burgueses de seus reinos.

Sobre a participação do povo, formado em sua maioria por camponeses, na política não há muita documentação existente, porém sabemos que ele nem sempre se aquietava e protestava contra as desigualdades sociais. Um exemplo da insatisfação popular foi a violenta revolta camponesa do século XIV, a jacquerie, que ocorreu na França. 

A violência da revolta camponesa.

A rebelião foi massacrada, pois era necessário manter a paz, a ordem e o povo sob controle. 

Na Idade Média, predominava a descentralização do poder, distribuído entre vários feudos e seus senhores, os quais impunham suas regras para aqueles que estavam sob seu domínio. Ao final desse período, houve aumento da urbanização, do crescimento populacional e a ascensão econômica da burguesia (comerciantes e artesãos), mudanças que irão transformar o mundo medieval, inclusive o poder dos nobres e da Igreja. 

Segundo José Murilo de Carvalho (2010), "o processo exigiu a concentração do poder nas mãos dos monarcas em detrimento da Igreja e da nobreza. O imperium impôs-se lentamente ao sacerdotium, o absolutismo à dispersão do poder nas mãos dos barões feudais. Particularizando, a transformação envolveu sobretudo o progressivo controle pelos monarcas da aplicação da justiça, tirando-as das mãos da Igreja e dos senhores feudais; ampliação do poder de taxação e a monopolização do recrutamento militar". (p. 27) 

A partir dessas transformações os processos de centralização política se fortaleceram e originaram os reinos europeus - Portugal, Espanha, Inglaterra e França. Assim, o poder decisório foi transferido para o Rei, embora os senhores feudais continuassem tendo grande influência na política.

Outras características políticas, econômicas e sociais resultaram da centralização monárquica e da formação dos Estados nacionais em torno do rei. Elas acompanharam a centralização política do século XI e seguirão até o século XV, quando alguns estados assumirão um caráter absolutista. As mudanças que foram implementadas nas novas nações, em maior ou menor grau de intensidade, foram:

  • Centralização do poder nas mãos do rei;
  • Estabelecimento de fronteiras territoriais;
  • Padronização dos pesos e medidas e criação de moedas nacionais;
  • Formação de burocracias a serviço do Estado;
  • Criação de exércitos permanentes;
  • Adoção de um idioma comum;
  • Subordinação da Igreja ao rei.

As imagens a seguir foram construídas com a finalidade de reforçar a identidade do reino e o papel de liderança do monarca em momentos de crise, como, por exemplo, os períodos de guerras.
Observem com atenção as imagens e procurem identificar nelas aspectos semelhantes e diferentes. Lembrem-se que a centralização desses Estados possibilitará o fortalecimento da monarquia e depois o surgimento do Absolutismo.


D. Afonso Henriques foi o primeiro monarca português. Proclamou a independência do Condado Portucalense em 1139 após enfrentar mouros e os reinos vizinhos que hoje, pertencem à Espanha.




O casamento dos príncipes Fernando de Aragão e Isabel de Castela, em 1469, resultou na unificação do território espanhol dez anos depois. O processo de unificação da Espanha foi concluído no final do século XV, após a expulsão dos muçulmanos da Península.





Henrique II governou a Inglaterra entre 1154 a 1189 e iniciou a centralização política e o fortalecimento do exército. Em 1215, os nobres impuseram ao rei que jurasse a Carta Magna e consultasse o Parlamento, marca peculiar da monarquia inglesa, antes de aumentar os impostos.



A centralização do poder na França ocorreu, em grande medida, devido a Guerra dos Cem anos (1337-1453) travada contra a Inglaterra. O processo de unificação foi liderado por Carlos VII.

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