25.2.15

Mais desenhos do 6º ano e uma análise

Ontem postamos um lindo desenho representando o povo Suyá (Kisêdjê).

Apresentamos um pouco da cultura dessa nação indígena para os alunos, para refletir sobre a importância de ter disciplina e saber ouvir, como forma de adquirir conhecimento e se expressar bem.

Hoje, vamos postar mais três desenhos maravilhosos, porém iremos analisá-los e identificar como os índios do Brasil atual estão representados na mentalidade de nossos alunos, recém ingressos no Ensino Fundamental II.

Desenho da aluna Jeniffer Soares. Sala 3.

O primeiro desenho, feito por Jeniffer Soares, mostra dois índios Kisêdjê. Destacamos o da esquerda, que está sendo destratado pelo índio da direita.
Ele veste preto e seus olhos foram realçados, o que demostra que ele é um Ani mtai kidi (“não ouvir-compreender-saber”), pois não aprendeu a ouvir, logo não fala bem. Assim, o índio de preto é visto como um feiticeiro e é uma figura anti-social, não sendo acolhido pela comunidade.   

Arte da aluna Ana Luíza.

A segunda imagem é um belo trabalho de Ana Luíza. Ela pintou um cenário natural paradisíaco, com uma cachoeira, grama, árvore, pássaros e uma fogueira. Há também uma oca, que é a moradia dos índios.
O índio que ela desenhou possui adereços nas orelhas e nos lábios, portanto é um Ani mbai mbechi (que significa “ouvir-compreender-saber bem”).
Esse índio é sociável, é integrado à comunidade, trabalha, partilha seus bens e escuta os índios com mais experiência.

Na imagem, ele está sem camisa, segurando um arco e uma flecha, provavelmente, se preparando para caçar.

Aqui fica evidente a visão que a sociedade, de modo geral, tem cristalizada em sua mente a respeito dos índios. O índio está sempre carregando seu arco e flecha de madeira, vivendo dos recursos disponíveis na mata.

Será que todos os índios vivem assim? Será que sua alimentação ainda depende exclusivamente da caça? Eles só cozinham em fogueiras? Por que não podem possuir fogões a gás ou à eletricidade? 

Lápis de cor sobre o papel, por Jheniffer.
A última obra de arte também é reveladora do imaginário coletivo acerca do índio.
No desenho de Jheniffer Rodrigues, temos um índio seminu, sobre uma canoa, pescando.

À sua direita, repousando em uma rede, está outro índio. Aliás, o costume de dormir em redes foi, de fato, um dos legados que os índios nos deixaram.

O desenho explicita novamente a dependência do índio em relação à natureza. Seu alimento provém da pesca. Será que o índio não pode ir comprar o seu peixe? Ou viverá sempre pescando? 

A respeito da nudez, Jheniffer reproduz o índio, tal como Pero de Vaz de Caminha descreveu em 1500, na seguinte passagem de sua célebre carta.

"Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência."


Essas representações dos índios permeiam o imaginário coletivo. As pessoas acham que todo índio anda nu, vive no mato da caça e da pesca, mas a realidade não é bem assim.

Muitos índios hoje vivem em Terras Indígenas (Tis), territórios que foram demarcados para que as nações indígenas possam usufruir das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. Nas terras indígenas, eles têm acesso à escola indígena, se dedicam a diversas atividades, como a agricultura e o artesanato, preservam alguns de seus costumes e tradições - rituais, danças, músicas e crenças, mas também possuem tecnologias, como celulares, computadores, acesso à internet, além de usarem roupas da "civilização branca".
Crianças da etnia Xavante utilizando aparelhos eletrônicos.

Há também índios que vivem nas cidades, frequentam a faculdade e exercem suas profissões.

Enfim, ao longo do tempo, os índios foram assimilando alguns elementos de nossa cultura urbana-industrial à sua cultura.
Afinal, cultura não é algo rígido e imutável, pelo contrário, ela está sempre mudando e se reinventando.

Então não se assuste se vir um índio de terno ou um índio usando o Wi-Fi do celular de última geração na fila do caixa eletrônico de um banco. Só porque eles assimilaram novos costumes à sua cultura não quer dizer que deixaram de ser o que são.



Concluindo, precisamos desconstruir alguns estereótipos a respeito dos povos indígenas do Brasil atual e trabalhar com nossos alunos que há múltiplas formas de se representar os índios do século XXI. 

24.2.15

Aprendendo com os índios

Começamos a trabalhar com os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental de maneira diferente neste ano.

Sempre iniciamos o ano letivo fazendo os "combinados", isto é as regras de convivência para os alunos na sala de aula.

Desta vez, optamos por contar para os alunos uma história da nação indígena Kisêdjê, povo que vive no norte do estado do Mato Grosso, com o objetivo de promover uma reflexão sobre disciplina.

Explicamos para os estudantes, das salas 3 e 4, que entre os Kisêdjê há uma cultura que valoriza bastante dois sentidos do corpo humano: a audição e a fala.

Por isso, esses índios decoram suas orelhas e lábios com discos de madeiras pintados, para ressaltar a importância que atribuem à esses órgãos.

Foto de um índio Kisêdjê. Harold Schultz, década de 1960.

Desde pequenos, os Kisêdjê são preparados para ouvir e falar e quando as crianças crescem, têm suas orelhas e lábios perfurados como um rito de passagem da infância para a fase adulta. Os índios que ouvem e falam bem são tratados com muito apreço na aldeia e são chamados de Ani mbai mbechi (que significa “ouvir-compreender-saber bem”).

Já aqueles que não aprenderam a ouvir, não possuem o conhecimento, logo não sabem falar bem e são associados aos feiticeiros que só conseguiram desenvolver o sentido da visão. Esses são classificados como Ani mtai kidi (“não ouvir-compreender-saber”).

Depois dessa conversa com os alunos, passamos algumas questões sobre os Kisêdjê, indagando sobre sua localização geográfica no território brasileiro, sua cultura e quais lições poderíamos tirar do modo de vida do povo indígena estudado.

Pedimos também, que os alunos fizessem um desenho para ilustrar o que aprenderam com a aula sobre os Kisêdjê.

Abaixo reproduzimos o desenho da aluna Jamilly M. Oliveira que, por um acaso, é filha de minha amiga dos tempos do Ginásio, a Jussara Barbosa. Pelo que pude perceber, Jamilly é tão aplicada aos estudos quanto era sua mãe.



Terminamos aqui, com um lindo desenho da Jamilly representando um índio Kisêdjê. Será que ela representou um Ani mtai kidi  ou um Ani mbai mbechi 

Parabéns a todos os alunos que se dedicaram e entenderam a mensagem da importância do saber ouvir para aprender!

23.2.15

Estudo sobre o cangaço

Como vimos na aula de hoje, com os alunos do 3º ano do Ensino Médio, o Cangaço foi um fenômeno característico do sertão nordestino brasileiro, entre o final do século XIX até as primeiras décadas do século XX.

A sociologia caracteriza o cangaço como uma forma de banditismo social, pois tal prática está relacionada a um contexto social, político e econômico extremamente desfavorável à população sertaneja daquela época. Esses fatores devem ser considerados no estudo em questão.

Abaixo postamos uma apresentação de slides com um resumo do conteúdo, seguida de uma reportagem da TV Record sobre Lampião e o Cangaço.

Bom estudo!


22.2.15

Jogo da Forca

Saia da forca neste game sobre Cultura e Mídia!



Recomendamos a leitura da postagem sobre o Tema para você não terminar enforcado! Então clique aqui.

19.2.15

Tesouro no fundo do mar

Assista ao vídeo abaixo e veja que descoberta incrível.



Mergulhadores encontraram, por um acaso, milhares de moedas de ouro do século IX, na costa de Mar mediterrâneo, próximo ao antigo porto de Cesareia.


As moedas são de uma época em que os califas fatímidas (corrente islamita) governavam parte do norte da África, a Sicília e parte do Oriente Médio.

Os arqueólogos acreditam que as moedas se perderam durante um naufrágio, quando deveriam seguir como impostos para os Califas.

Leia mais clicando aqui.

17.2.15

Fotos e vídeos do Prêmio VivaLeitura 2014

As fotos e vídeos do prêmio nacional VivaLeitura 2014 estão online.



Para conferir as fotos, clique aqui.

Para assistir aos vídeos, basta clicar aqui.

Descubra os benefícios da leitura


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