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28.3.20

A política do café com leite

Após a proclamação da república, em 1889, o Brasil foi governado pelos marechais do exército. Em 1894, a eleição de Prudente de Morais, civil e representante dos cafeicultores de São Paulo, marcou a ascensão das oligarquias ao poder.

Uma aliança entre as oligarquias paulista e mineira foi forjada, elas se revezavam na indicação do candidato que ocuparia a presidência.

A revista Careta, de 1925, imagem reproduzida abaixo, trouxe em sua capa uma charge ilustrando o controle da presidência pelos representantes das elites de Minas e São Paulo.




15.11.17

15 de Novembro, data da proclamação da República no Brasil



Leia mais sobre esse evento histórico no Blog da Professora Dra. Mary del Priore, um excerto de seu livro Histórias da Gente brasileira.

4.5.17

Nacionalismo e o discurso médico-sanitário sobre o povo brasileiro

Entre 1910 e 1920, num período marcado pela Primeira Guerra Mundial, o mundo viveu uma onda nacionalista. Através dos nacionalismos grupos políticos e sociais tentavam construir a ideia de comunidades nacionais por meio de vários aspectos: investimentos em educação, ciência, aprimoramento da raça, valorização da cultura etc.

O Brasil não ficou imune à influência nacionalista e por aqui proliferaram diversas organizações que levantaram a bandeira em prol da nacionalidade brasileira. Em 1916, por exemplo, foi fundada no Rio de Janeiro a Liga de Defesa Nacional, dela participavam políticos e intelectuais, como Olavo Bilac, Pedro Lessa, Miguel Calmom e Rui Barbosa. A Liga defendia a ideia do "cidadão soldado", o serviço militar era encarado como uma possibilidade de acesso à cidadania e, por isso, foi apoiada pelo exército.

A questão do recrutamento e do serviço militar trazia à tona uma discussão que permeava o meio intelectual brasileiro, desde o final do século XIX pelo menos, acerca do povo brasileiro e de sua condição racial. Havia pensadores que atribuíam à mestiçagem ou ao clima a culpa pelo brasileiro ser doente, preguiçoso, indolente e pouco produtivo.

Por outro lado, alguns médicos-sanitaristas enxergaram no higienismo e na medicina social uma forma de regenerar a nação através da cura do povo, por meio de medidas profiláticas e da educação higiênica. Em  1912, a expedição científica chefiada pelos médicos Belisário Pena e Artur Neiva percorreu os sertões do Brasil por vários meses, realizando exames nas populações rurais, catalogando a fauna e a flora, os hábitos e costumes. No relatório que divulgaram em 1916, diagnosticaram um povo doente, afetado pelas endemias rurais, principalmente malária, doença de chagas e anquilostomose. Para esses médicos, estava claro que o que causava a degeneração do povo era a doença e não sua condição racial, o clima ou a mestiçagem. A doença, por sua vez, seria o resultado do abandono das populações rurais pelo governo republicano, o qual não se preocupava com o estado de saúde dos sertanejos, não lhes oferecendo o mínimo para que pudessem ter cidadania e qualquer sentimento de nacionalidade.

Foi com o intuito de atuar em prol do saneamento de todo o território brasileiro, que médicos, políticos e diversos intelectuais fundaram, em 1918, a Liga Pró-Saneamento do Brasil. 

Durante os anos de 1918 e 1920, a Liga Pró-Saneamento do Brasil promoveu conferências em associações privadas e instituições públicas, distribuiu panfletos de caráter pedagógico alertando a população para a importância dos princípios básicos de higiene e estabeleceu delegações em algumas unidades da Federação, com o objetivo de estimular os governos estaduais e municipais a implementar a construção de habitações higiênicas, a profilaxia de doenças consideradas evitáveis, programas de educação higiênica, postos rurais e obras de saneamento básico. (Fonte: CPDOC/FGV)

Para os membros da Liga, sanear o país era uma "luta patriótica", uma vez que isso fortaleceria o povo, resgataria uma identidade nacional e colocaria o Brasil no rumo da modernidade, já alcançada pelas potências capitalistas centrais. Seus ideais estavam alinhados com o nacionalismo vigente e na convicção de por meio do sanitarismo seria possível resgatar o país!

Nesse contexto, houve um debate bastante interessante entre duas personalidades do cenário político e cultural brasileiro. De um lado estava o deputado Federal por Minas Gerais Carlos Peixoto, filiado ao Partido Republicano Mineiro (PRM) o qual exerceu vários mandatos de 1903 até 1917, quando faleceu. Em sua atuação parlamentar, Peixoto destacou-se, sobretudo, na defesa de projetos de regularização do comércio do café e nos debates relacionados às questões fiscais. Entretanto, numa conjuntura nacionalista o parlamento não se furtou ao debate de formas para aprimorar a defesa nacional e o serviço militar obrigatório era uma das possibilidades aventadas nas discussões.

Há inúmera bibliografia que atribui ao deputado Carlos Peixoto um pronunciamento, no qual o parlamentar se comprometia, em caso de invasão estrangeira nas terras brasileiras, a ir aos sertões e convocar os caboclos para o defender o Brasil (Oswaldo Cruz: a construção de um mito na ciência brasileira (1995); Manifestos Políticos do Brasil contemporâneo (2008); Doença de Chagas no Brasil: ciência, saúde e nação, 1909-1962 (2009) etc). Peixoto parecia inclinado em aceitar a tese euclidiana de que o sertanejo, apesar de todas as intempéries políticas, sociais, econômicas e culturais que atribulavam suas vidas, era "antes de tudo, um forte".

Pois o discurso do parlamentar teve resposta, seu interlocutor foi o médico-sanitarista e professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Miguel Pereira, aquele que esboçou a frase que se tornou lema da campanha pelo saneamento: "o Brasil é um imenso hospital". Pereira pronunciou a frase em 1916, após a divulgação do relatório da expedição Pena-Neiva que causou assombro na mídia e nas elites intelectuais e dirigentes do país, pois revelara o elevado índice de morbidez que afligia o povo do interior. Miguel Pereira, num discurso reproduzido pelo Jornal do Commercio em 1916, respondeu ao parlamentar lembrando-o que afora o Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades mais ou menos saneadas o Brasil ainda era um país de doentes. De forma irônica, o médico diz que apesar de considerar nobre a iniciativa do político de ir aos sertões para recrutar pessoas para combater ela se mostraria inócua, pois:

Parte, e parte considerável, dessa brava gente não se levantaria; inválidos, exangues, esgotados pela ancilostomíase e pela malária; estropiados e arrasados pela moléstia de Chagas; corroídos pela sífilis e pela lepra (...). Não carrego as cores ao quadro. É isso sem exagero a nossa população interior. (Jornal do Commercio, 1916, p. 4).

Depois do choque de realidade aplicado pelo médico no deputado, Miguel Pereira prosseguiu seu relato e levantou algumas  questões: 

Quais os soldados que o orador [Deputado Carlos Peixoto] iria equipar? Os do seu estado natal? Mas foi exatamente ali [em Minas Gerais] que o descobrimento genial de Chagas, numa zona que se alonga e se dilata por centenas de quilômetros , revelou ao país, sem nenhum resultado prático ou consequência profilática, espetáculo dantesco de uma morbilidade fatal e  progressiva que amontoa gerações sobre gerações de disformes e paralíticos, de cretinos e de idiotas. (op. cit. p. 4).

Nenhum dos autores consultados para a escrita desta postagem reproduz a tréplica do deputado. Assim, resta claro que sua ideia de ir aos sertões para recrutar "cidadãos soldados" não se sustentaria frente ao discurso do médico, o qual demonstrou com argumentos extraídos de um relatório empírico que a situação da saúde pública nos sertões era gravíssima, o que inviabilizaria qualquer tentativa de formação de um exército nacional.

Embora as posições apresentadas sejam visivelmente contraditórias, ambas estão inseridas num contexto nacionalista, e representam a esperança ou a expectativa da formação de uma nacionalidade brasileira forte. Porém, a construção da nacionalidade passava pela formação de um povo saudável, com acesso à educação e à renda e que tivesse um governo que lhes assegurasse o mínimo de cidadania.   

2.4.16

20: o número que inspirou revoltas no Brasil

Em junho de 2013, ocorreu um reajuste de R$ 0,20 na tarifa do transporte público em São Paulo que desencadeou uma grande revolta popular e uma série de protestos na capital paulista que, rapidamente, se alastrou pelo país afora.

Polícia tenta conter manifestantes em São Paulo (2013).


Nas demais capitais e em centenas de cidades brasileiras o povo foi para as ruas protestar, fazendo inúmeras reivindicações, tais como mais investimentos para saúde, educação, saneamento básico, mais transparência no governo, melhor uso do dinheiro público e o fim da corrupção. 



O aumento da tarifa no transporte público foi, em suma, o estopim de uma grande revolta popular que acabou se espalhando por todo o território nacional e trouxe à tona outros problemas e reivindicações que preocupavam os brasileiros.

Acontece que não é a primeira vez que a população brasileira se revolta por conta de um aumento no valor do transporte público. Em 1879, ainda no período em que éramos governados pelo imperador D. Pedro II, o povo do Rio de Janeiro também se rebelou contra o aumento no transporte.
Esse fato ficou conhecido como a Revolta do Vintém , que como o nome sugere, ocorreu devido ao aumento de 20 réis na taxa do bonde.

Então, vamos conhecer um pouco mais sobre ela!

Naquela época, o transporte público era realizado por bondes puxados por mulas, que carregava trinta pessoas. 

Bondes - principal meio de transporte do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX.


Por um decreto ministerial, ficou estabelecido a cobrança de 20 réis (ou um vintém) sobre o valor dos bilhetes dos bondes que circulavam no Rio de Janeiro, fato que enfureceu a população.

O motivo da revolta!


Os jornais republicanos, contrários á monarquia e a continuidade do imperador no poder, aproveitaram o momento para noticiar o aumento e acabaram contribuindo para instigar a revolta popular, já massacrada pela carestia, desemprego e falta de condições sanitárias.

No dia 28 de dezembro de 1879, cerca de cinco mil pessoas, lideradas pelo jornalista republicano Lopes Trovão, tentaram entregar um abaixo assinado para D. Pedro II, solicitando o fim do vintém (a taxa de vinte réis). Mas a polícia não deixou a população se aproximar do palácio. O imperador disse que aceitaria receber uma comissão de representantes para negociar a reivindicação, mas não houve acordo e começaram os conflitos.

Primeiro os manifestantes divulgaram panfletos pela cidade conclamando o povo a boicotar a taxa, depois organizaram nova manifestação para o dia 1º de janeiro de 1880, no centro do Rio de Janeiro, a qual foi marcada por violência e repressão policial.


Charge ilustra o conflito na Guerra do Vintém / FBN (Revista de História).

Ao som de "fora o vintém!", o povo começou a virar os bondes, espancar os condutores, esfaquear as mulas e destruir os trilhos ao longo das ruas. Paralelepipédicos foram arrancados do chão e lançados contra a polícia e tropas do exército, que responderam com fogo.
Ao final da batalha, estima-se que houve de três a dez mortos e de 15 a 20 feridos.

As agitações populares se sucederam por mais alguns dias, houve mudança ministerial e, dois meses após os protestos, a taxa foi extinta! A revolta teve uma conotação política, republicanos contra o regime monarquista, mas ela ocorreu, é evidente, por conta da insatisfação da população, que necessitava do transporte público.

Esse evento histórico serviu para mostrar o descontentamento do povo, ou de parte dele, com o regime monárquico, que mantinha suas bases políticas na manutenção do latifúndio, do trabalho escravo e da exploração da população com a cobrança de impostos e taxas.


Assista ao vídeo que tenta reconstituir o clima da Revolta do Vintém:



13.6.15

[RESENHA] Estou lendo...

A ditadura militar - 1964 - 1985: momentos da república brasileira é um livro escrito pelo pesquisador Evaldo Vieira.

Ao longo de suas páginas, o autor analisa, de forma clara e didática, o golpe militar de 1964 e os governos dos presidentes militares do Brasil.

Apesar de não trazer nenhuma abordagem inovadora para a Historiografia sobre o assunto, o livro ganha relevo pela precisão e competência com que o autor trata o tema, de forma crítica, desconstruindo os discursos dos agentes militares.

É comum encontrar nos discursos dos presidentes militares a defesa da democracia plena, porém Evaldo Vieira cita várias ações governamentais que contrariam as falas presidenciais, tais como a repressão do governo, as prisões ilegais de pessoas consideradas inimigas do regime, torturas, cassação de mandatos de parlamentares etc.    

Militares reprimindo movimento estudantil.
Vieira também deixa claro quem apoiou o golpe militar, destacando setores sociais da classe média e das elites, da Igreja Católica e Protestante, órgãos da imprensa (jornais como o Estado de São Paulo e O Globo) e, principalmente, os E.U.A, maior interessado em afastar qualquer risco de o Brasil receber influência do Comunismo internacional.

O apoio velado dos E.U.A ao golpe militar foi amplamente favorável aos norte-americanos, pois assim que os militares assumiram o poder trataram de abrir a economia nacional para as empresas estrangeiras e para o capital internacional.

Por conta disso, a economia brasileira viveu o chamado "milagre econômico", no governo do general Médici (1969-1974), quando o PIB brasileiro apresentou expressivo crescimento. Contudo, isso não contribuiu para reduzir as desigualdades sociais, pois no mesmo período o país verificou alto índice inflacionário, achatamento dos reajustes salariais e o crescimento da dívida externa brasileira.

Some a tudo isso o aumento da repressão por parte dos militares aos trabalhadores, aos sindicatos, ao movimento estudantil e à guerrilha armada, os quais não aceitavam mais a ditadura no Brasil.

O autor conclui lembrando que a memória dos agentes da ditadura está preservada até os dias atuais em todos os lugares. Escolas, ruas e praças foram batizadas com os nomes dos militares que estiveram no poder e, apesar de terem provocado tanto mal para o país e seu povo, são exaltados como heróis da pátria...

Pelo exposto, a leitura do livro é recomendada para quem quer conhecer o quanto a ditadura militar foi perniciosa para o país, a ponto de deixar resquícios de seu autoritarismo na democracia em que vivemos atualmente. 


6.3.15

Ditaduras no Brasil republicano

Ao iniciar o trabalho com as turmas do 1º ano do Ensino Médio do CIEP, fizemos uma avaliação diagnóstica para ver o que os alunos recordavam de um dos conteúdos trabalhados no ano passado, isto é, no 9º ano do Ensino Fundamental.

 Um dos temas que eles mais se interessaram foram os governos ditatoriais, então pedimos aos estudantes que escrevessem um texto sobre as experiências ditatoriais no Brasil, como o  Estado Novo e a Ditadura Militar.

Os textos ficaram bons e escolhemos um para enriquecer mais o nosso Blog. Com vocês as ideias e as palavras da aluna Barbara!

A Ditadura no Brasil

Ditaduras são regimes governamentais em que o povo tem pouca liberdade de expressão e todo o poder está concentrado em uma pessoa.

No Brasil, tivemos há algumas décadas, dois momentos com ditaduras. O primeiro foi o Estado Novo (1937-1945), nessa época o Brasil era governado por Getúlio Vargas. Ele criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) que se encarregava de monitorar jornais, livros, músicas, manifestações artísticas, programas de rádio e a educação a fim de silenciar quaisquer um que tentasse transmitir ideias contra Vargas e o seu Governo. Vargas também fechou o Congresso e perseguiu partidos políticos.


Vargas se apoiava nos trabalhadores para se manter no poder (populismo).


Você pode estar se perguntando como o povo permitiu Vargas agir com tamanho autoritarismo sem ninguém impedi-lo. Acontece que Vargas se apresentava ao público como um "defensor" do trabalhador, foi ele inclusive que criou as leis trabalhistas para agradar à classe trabalhadora. Aliás, algumas dessas leis estão em vigor até os dias de hoje, como o salário mínimo e o décimo terceiro salário.

O segundo momento autoritário da República foi entre 1964 e 1985. A Ditadura militar começou com golpe dos militares contra João Goulart, que estava sendo acusado de defender o comunismo. Assim, ele acabou exilado e os militares assumiram o governo.

A partir de então, quem escolhia o presidente do país era apenas o Alto Comando das Forças Armadas. O povo perdeu o direito de votar, os trabalhadores estavam proibidos de fazer greves, os estudantes e jornalistas que se opunham ao governo foram perseguidos e alguns exterminados.


Militares reprimindo um manifestante.

O governo passou a controlar intensamente a divulgação de ideias contrárias ao regime para que o povo não tomasse conhecimento delas, estava estabelecida a censura.
Muitos cidadãos foram perseguidos e exilados, pois não eram mais bem vindos no Brasil. Isso ocorreu com diversos políticos, professores, jornalistas e artistas daquela época.

Depois de um longo período de protestos e do movimento denominado "Diretas Já" o regime militar começou a enfraquecer. Foi nesse período que surgiram o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Democrático Social (PDS), o Partido Democrático  Trabalhista (PDT), o MDB foi transformado no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Em 1985, o último presidente militar foi  João Baptista de Oliveira Figueiredo, seu governo foi marcado por uma crise econômica, manifestações políticas e sociais e pela redemocratização Brasil, isto é, o momento em que a Ditadura Militar chegou ao seu fim.

Por Barbara Mesquita Gonçalves












Aluna do 1º ano do Ensino Médio - CIEP 280


Parabéns Barbara, o seu texto ficou excelente! Através dele fica fácil perceber que você conseguiu apreender a essência do conteúdo ensinado!

1.3.15

[RESENHA] Estou lendo...



Brasil: do café à indústria, escrito pelo pesquisador Roberto Catelli Jr. e publicado pela Editora Brasiliense, é uma obra que aborda a economia brasileira no final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.

O autor delimita sua pesquisa ao estado de São Paulo, que naquela época era o principal produtor de café do país, o bem comercial mais rentável da economia brasileira.

Com a abolição da escravidão, em 1888, os fazendeiros paulistas começavam a se articular para substituir a mão de obra escrava pela mão de obra livre. Nesse sentido, eles cobravam do Governo federal e estadual medidas que subvencionassem a entrada de imigrantes no Brasil.

CAFÉ1935. Cândido Portinari. Pintura a óleo/tela

Pressionados, os governos atenderam aos clamores dos poderosos cafeicultores e adotaram diversas medidas que visavam facilitar a entrada de imigrantes europeus no país, principalmente italianos.

Os imigrantes europeus chegavam aqui e seguiam para o campo, onde enfrentavam uma dura realidade - baixos salários e exploração por parte dos fazendeiros.
Como o autor menciona ao longo do texto, os cafeicultores paulistas só estavam preocupados em substituir o antigo escravo, por quem quer que fosse. Eles não estavam preocupados em tratar os imigrantes como trabalhadores livres, que tinham direitos e deveriam ser respeitados.

Hospedaria dos imigrantes. Construída entre 1886 a 1888, no bairro Brás, em São Paulo.


A exploração do trabalho imigrante gerou diversos conflitos no campo e obrigou os governos a intervirem novamente, criando órgãos que mediassem os conflitos entre fazendeiros e trabalhadores.

A riqueza proporcionada pelo café possibilitou a São Paulo iniciar um processo de industrialização. Os fazendeiros se tornavam banqueiros e investiam somas significativas em fábricas. Essas eram indústrias leves, que fabricavam principalmente tecidos.

Muitos trabalhadores imigrantes insatisfeitos com a vida nas fazendas ou seguiam para as cidades, para trabalhar nas fábricas, ou se mudavam para pequenas roças e sítios.

O fato é que a industrialização do Brasil alterou sua característica econômica - o país deixou de ser um país tipicamente agrário-exportador e iniciou um processo de criação de fábricas, o qual foi reforçado a partir de 1930, quando Getúlio Vargas assumiu o poder.

O Estado brasileiro, além de interferir na economia, passou a regular o trabalho, criando uma legislação que trazia alguns benefícios e direitos para os trabalhadores, como forma de acalmar as massas populares e manter as elites satisfeitas com os lucros advindos do café e, depois, da produção fabril.

É uma boa leitura para quem quer compreender um pouco mais sobre a relação entre a sociedade, a economia e o Estado.

8.12.14

O Blog e o APP incentivando a leitura e a produção de textos pelos alunos

Os alunos da turma 9º ano, da E. E. Luiz Salgado Lima, estão adorando ler os textos publicados no Blog usando o celular.

Estamos aprimorando essa prática pedagógica, pois o uso das Tecnologias da Informação (TI) é fundamental na forma de ensinar e de aprender. Aliás, o uso do celular no ensino é apoiado pelo UNESCO e defendido por educadores, como o italiano Pier Cesare Rivoltella . Ele argumenta que os "...celulares deixaram de ser apenas ferramentas de recepção. Hoje, são também de produção. Uma criança pode tirar fotos ou fazer vídeos com um celular e publicá-los na internet. Qualquer um pode editar e produzir conteúdo". (Revista Nova Escola).

Portanto, achamos ser um equívoco menosprezar o potencial e o bom uso dos celulares na sala de aula. (Ver mais sobre o uso de celular nas práticas de ensino no post "

O celular na sala de aula").


Pelo aparelho telefônico eles baixam o aplicativo - Acrópole APP - e conseguem ter acesso ao conteúdo que postamos no blog.


O APP facilita o acesso aos textos do Blog e permite uma leitura dinâmica aos alunos.

Após uma aula expositiva sobre o Governo de JK (1955-1960), solicitamos a eles que produzissem um texto e que buscassem auxílio e apoio nos conteúdos digitais no Blog e no APP (conteúdo postado no blog e no app), além do texto base do livro didático.


A aula foi um sucesso! Todos se empenharam na atividade e olha só o que eles escreveram sobre esse importante período da História republicana brasileira, que foi a Era JK:

Texto do aluno P. Segio

"O presidente Juscelino Kubitscheck incentivou a vinda de empresas multinacionais para o Brasil, além de permitir a entrada de capital estrangeiro no país para fazer novos investimentos. Com isso, a produção industrial brasileira, cresceu cerca de 80 % entre 1956 e 1961. Esse foi um aspecto positivo do governo do presidente JK.

Mas esse crescimento era desigual, aumentava as desigualdades sociais e regionais, houve aumento da dívida externa e a inflação elevou o custo de vida. Assim, nem toda a população brasileira desfrutava dos "anos dourados" da Era JK."


Texto da aluna Vanessa V. D.

"Juscelino Kubitschek assumiu o poder no dia 31 de janeiro de 1956, ficando no poder até 1961. Seu plano era desenvolver o Brasil "50 anos em 5". Com essa finalidade investiu em áreas prioritárias para o desenvolvimento e abriu a economia brasileira ao capital externo.

Um dos grandes feitos de seu governo foi a construção de Brasília, na região centro-oeste, que naquela época era pouco povoada. A obra gigantesca mobilizou muita gente e muitos recursos, que foram conseguidos com os bancos estrangeiros. Isso endividou o Brasil e a economia começava a dar sinais de crise, pois nem todos os brasileiros usufruíam da política desenvolvimentista de JK."

Texto da aluna Ingrid de O. V.

"O lema era crescer "50 anos em 5". JK permitiu a entrada de capitais e investimentos estrangeiros no país, ao contrário de Getúlio Vargas, que pretendia nacionalizar a economia e tinha restrições ao capital estrangeiro.

No governo de JK destaco como aspectos positivos a construção de rodovias, hidrelétricas e a capital Brasília. A produção industrial brasileira cresceu aproximadamente 80%, principalmente os setores de eletrodomésticos e automobilístico.

Porém, só uma parcela da população usufruía desse crescimento. A política econômica adotada por JK acabou provocando mais desigualdades entre as regiões do país e o aumento da inflação prejudicou as classes mais pobres."


Podemos perceber que a turma está com a argumentação em dia. Quanto mais a gente lê, mais aprendemos, nos apropriamos de outras ideias, elaboramos novas concepções, conseguimos sustentar teses e pontos de vistas com segurança, tendo bons textos como referências.

O caminho do aprendizado em História é esse: muita leitura, pesquisa e produção.

Parabéns, turma!

15.11.14

Res publica

A expressão res publica vem do latim e designa "coisa pública". 
O aperfeiçoamento do termo pelos Antigos Romanos originou a República, um governo voltado a atender aos interesses do povo.

Entretanto, antes da República romana ser colocada em prática em 509 a. C., os gregos, ou melhor, um filósofo grego teorizava a respeito dessa forma de governo.

Estamos nos referindo a Platão (427 a 347 a. C.), em cuja obra, intitulada "República", disserta sobre o modelo ideal de governo capaz de zelar pelos homens. 

Na República platônica, de forma sucinta, o poder deveria ficar a cargo dos filósofos, pois eles eram considerados os mais próximos da verdade, do bem e da justiça, portanto seriam os indivíduos com melhor preparo moral e intelectual para gerir a política e a sociedade.

Com a conquista do território grego pelos expansionistas romanos, muito da cultura helênica fora incorporada pelos latinos.
Em 509 a. C., com o fim da monarquia em Roma, foi instalada uma República no conglomerado urbano mais importante do Lácio.

De acordo com Cícero, filósofo e político romano, a República surgiu para “homens associados pelo direito a partir de interesses que lhes são comuns. A associação pelo direito pressupõe a existência de leis e, para promover os interesses comuns, essas leis devem ser a expressão da vontade popular.”

Porém, para o escritor americano Stanley Bing, a República romana escapava à idealização feita por Cícero, como podemos perceber no trecho:

"À direita, havia um Senado corrupto e fechado cioso de seus poderes e privilégios, disposto a tudo para manter o status quo. Eram os patrícios, os optimates. Naquela que poderia passar por esquerda, havia homens do povo, que haviam conseguido poder e riqueza não por herança, mas pelo suor e pelo sangue de seus filhos e ancestrais. Eram os populares." (2008. p. 61)

Conflitos, ciladas, assassinatos e golpes faziam parte do jogo de poder na república romana antiga. Nela os interesses e as necessidades do povo tinham reduzida importância para os senadores e para os cônsules, os quais estavam mais preocupados em expandir seus domínios e aumentar suas riquezas às custas dos tributos pagos pela plebe ou trabalho realizado por escravos, além do sangue derramado pelos soldados nas províncias que Roma conquistava.

Em 27 a. C., a República chegou ao fim, quando tem início o Império Romano dos Césares.

Todavia, essa forma de governo volta à tona no século XVIII. Tanto nas Treze Colônias Inglesas da América do Norte (1776) quanto na França (1789) ocorrem profundas mudanças políticas e sociais, que resultam na substituição dos seus atuais governos pela República.

Nesse contexto, as repúblicas americana e francesa estão embebidas pelas ideias iluministas, as quais defendiam os direitos de liberdade e de igualdade entre os homens. Porém, na prática, os direitos nas novas repúblicas restringiam-se a homens livres. As mulheres eram excluídas e também os escravos, os quais foram mantidos nas colônicas francesas e na nova nação norte-americana.

O Brasil igualmente teve sua experiência republicana, embora tardiamente, tendo em vista que nossos vizinhos latinos optaram pela república logo que conquistaram suas independências políticas, ao longo do século XIX. 

Aqui, a partir de 1822, o Brasil foi o único país a manter um regime monárquico, com o objetivo de preservar a unidade territorial, o latifúndio e o escravismo.

Desde o final do século XVIII, a antiga colônia portuguesa enfrentou movimentos que defendiam  as ideias republicanas, caso das Conjurações Mineira e Baiana - severamente sufocados pela ordem vigente. 

No segundo reinado, a aprovação de leis abolicionistas contribuíram para que a elite rural tomasse certa aversão ao governo imperial, agora visto como uma instituição arcaica e incapaz de promover o progresso nacional.

Assim, em 15 de novembro de 1889, chegara ao fim a monarquia e fora proclamada a República no Brasil.
Militares proclamando a República no Brasil. E o povo?
Sobre esse fato, o historiador Bóris Fausto registra que: 

“A proclamação da República correspondeu ao encontro de duas forças diversas – Exército e fazendeiros de café – movidos por razões diversas. O Exército tinha motivos de ordem corporativa e ideológica para se opor à monarquia. (...) os fazendeiros paulistas, através do partido republicano paulista, moviam-se por razões claramente econômicas”. (FAUSTO, B. 1972).

Não há, portanto, no processo de transição da monarquia para a república, nenhum indício de grande mobilização e participação popular. Os processos políticos eram sempre conduzidos pelas elites. As massas populares serviam apenas para serem manipuladas, por meio dos órgãos de imprensa, chefes locais e de uma política modernizante, mas conservadora, que concedia, em doses homeopáticas, alguns direitos, ao passo que reforçava o controle dos grupos dominantes, principalmente econômicos, sobre os rumos do novo regime.

O pesquisador Lorenzo Aldé lembra que:

"Nos séculos XX e XXI, nossa República – apesar dos trancos e barrancos ditatoriais no meio do caminho – consolidou-se e ampliou enormemente os direitos dos cidadãos. Mas a tortuosa trajetória do republicanismo brasileiro deixa uma lição sempre válida: de nada valem princípios igualitários formais se a cultura da desigualdade impede seu cumprimento. Como diz a voz do povo: “na prática, a teoria é outra coisa”." (Revista de História online).

Apesar da ampliação dos direitos civis, políticos e sociais, a "tortuosa trajetória" de nossa República parece não ter fim. Sai governo e entra governo e os escândalos de corrupção e desvios de verbas públicas para pequenos grupos privados se sucedem.

Em junho de 2013, o povo brasileiro tomou as ruas de todo o país, reivindicando, dentre várias coisas, moralidade e ética na condução da coisa pública. 


Cerca de 50 mil manifestantes protestando no centro de São Paulo (18/06/13)
Afinal todos estão demasiadamente cansados e exauridos desta República fraudulenta, na qual os interesses escusos e privados se sobrepõem aos interesses públicos. 

Não queremos mais uma república para poucos. 
Ex-diretor da Petrobrás é investigado por lavagem de dinheiro com empreiteiras.
Desejamos uma República parecida com aquela descrita pelo grande orador Cícero. Esperamos que os valores fundamentais republicanos sejam resgatados, quem sabe na sonhada reforma política, e que nela vigorem o direito e a lei "para promover os interesses comuns", expressando, democraticamente, a vontade popular.
Assim, tomaremos como prioridade os temas coletivos, em detrimento dos interesses privados, e não haverá espaço para a corrupção (de agentes públicos e de setores empresarias) na coisa pública.

5.11.14

Ditadura militar no Brasil (1964-1985)

  • Os governos militares se iniciaram em 1964 e terminaram em 1985. No dia 31 de março de 1964 um golpe do exército, apoiado por setores conservadores da política, da sociedade, da Igreja Católica, além de grupos empresariais e estrangeiros, tirou o presidente João Goulart (Jango) do poder, sob a acusação de ele estar associado ao comunismo. Deposto de seu cargo, Jango se exilou no Uruguai.
O Exército cercou o Palácio das Laranjeiras, exigindo a renúncia de Jango.
  • Assim que assumiram o governo do Brasil, os militares começaram a perseguir grupos que eram considerados inimigos do novo regime - jornalistas, estudantes, alguns políticos de esquerda (aqueles que apoiavam as reformas de base, como a reforma agrária e outras medidas que beneficiariam a população mais humilde).
  • Os partidos políticos foram dissolvidos e foi adotado o bipartidarismo, com a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O primeiro apoiava o governo, o segundo fazia oposição, mas sem incomodar os militares.
  • 1967: promulgada uma nova constituição para o Brasil. 
  • Os presidentes eram indicados pelo alto comando das Forças Armadas, sem a escolha popular.
  • As greves foram proibidas e os salários passaram a ter um rigoroso controle, dentre outras medidas autoritárias
  • O governo passou a enfrentar forte oposição dos estudantes, dos trabalhadores e dos movimentos sindicais. Parte desses opositores formaram um movimento armado para enfrentar a ditadura. Eles também praticavam sequestros e atos considerados terroristas. O governo reagia violentamente para reprimir toda manifestação contrária ao seu regime, usando a força, incluindo prisões ilegais, tortura e até execuções, e a lei.
Manifestação de estudantes sendo reprimida pelos militares.
  • AI - Ato institucional: foram mecanismos legais que os presidentes militares empregaram para aumentar o seu poder e limitar os direitos democráticos da população. Com os AIs podiam cassar mandatos, declarar o estado de sítio, impor a censura, proibir o funcionamento de partidos políticos, dentre outras medidas.
  • O AI-5 é considerado o mais repressivo de todos, ele suspendia os direitos dos cidadãos e garantia ao presidente maior controle sob o país.
  • A censura foi muito utilizada pelos militares para controlar a divulgação de ideias que contrariavam o regime, impedindo-as de chegar ao público. Como não havia liberdade de expressão, muitos artistas, músicos, escritores e professores foram perseguidos, censurados e alguns exilados por serem considerados subversivos.
Censura.
  • Economia: houve a abertura do país ao capital estrangeiro e às empresas multinacionais, além de grandes obras públicas, como a rodovias, pontes, portos, ferrovias e hidrelétricas que geraram milhares de empregos. Entre 1970 a 1973 o Brasil viveu o período chamado de milagre econômico, o PIB chegou a crescer 12% ao ano. A euforia nacional com a economia foi alimentada pela conquista do tricampeonato mundial de futebol pela seleção brasileira. Esse fato foi usado como propaganda pelo regime militar.
Futebol e Política: Carlos Alberto Torres (E), capitão da seleção, ergue a taça com o Presidente General Médici (D).
  • Entretanto, com a crise internacional do petróleo, a economia brasileira foi afetada,  a dívida externa aumentou e o crescimento econômico diminuiu, provocando, futuramente, inflação e recessão.
  • A sociedade brasileira, sobretudo estudantes, movimentos sociais, artistas e políticos da oposição começavam a se organizar e pedir maior abertura política.
  • No governo do General Geisel foi revogado o AI-5, restaurado o direito de habeas corpus. No governo seguinte, do General Figueiredo, foi aprovada a Lei da Anistia, que permitiu ao país o retorno dos exilados e perdoou os criminosos políticos.
  • Surgiram novos partidos, como o Partidos dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT). A Arena mudou a sua denominação e passou a ser PDS (Partido Democrático Social); o MDB passou a ser PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro).
  • Diretas-já: Campanha que mobilizou a população em defesa do direito de poder escolher o presidente da República, por meio de votação direta. 
O povo foi para as ruas reivindicar o direito de votar para presidente (1984).
  • Contudo, a lei pelo voto popular não foi aprovada no congresso e um novo presidente foi escolhido indiretamente por um Colégio Eleitoral (membros da Câmara dos Deputados + Senado Federal). 
  • Em 1985, o Colégio Eleitoral escolheu o mineiro e civil Tancredo Neves (PMDB), o qual adoeceu e morreu antes de tomar posse. 
Tancredo Neves em 1984.
  • Assim, a presidência foi assumida pelo vice, José Sarney. Começava a redemocratização e se encerrava a ditadura no Brasil
Eis os presidentes militares:
Marechal Castello Branco (1964-1967)

Marechal Arthur da Costa e Silva (1967-1969)

General Emílio Garrastazu Médici (1969-1974)


General Ernesto Geisel (1974-1979)

General João Baptista Figueiredo (1979-1985)



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