Mostrando postagens com marcador República. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador República. Mostrar todas as postagens

9.5.17

Quando questão social vira caso de polícia

O dia 28 de abril foi uma data de greve geral no país. O povo foi às ruas demonstrar toda a sua insatisfação com a conjuntura política e econômica, cuja pauta tem sido a retirada de direitos essenciais, por meio das reformas trabalhista e da previdência, além da manutenção do elevado índice de desemprego.

Durante os protestos legítimos e muitos dos quais realizados de forma pacífica presenciamos cenas de terror. No dia anterior o noticiário antecipava a preparação da polícia para acompanhar as manifestações, dentre os preparativos estava forte aparato repressivo, como armas e bombas de gás lacrimogêneo.

No dia da manifestação em prol da democracia e das garantias trabalhistas, houve um ato de violência em Goiás, que se tornou emblemático. Um estudante foi covardemente agredido por um policial e sofreu fratura craniana.

O policial responsável pela atitude agressiva foi suspenso pelas autoridades estaduais e o manifestante, o estudante, Mateus Ferreira (33), foi internado num hospital de Goiânia. 

Video mostra o momento que Mateus Ferreira foi atingido na cabeca por um golpe de cassetete

Em matéria da Folha de São Paulo (09/05/17) foi noticiado que a vítima deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), está consciente e seu quadro clínico é estável, graças a Deus.

O exemplo de Mateus Ferreira é mais um caso da violência policial cotidiana, do abuso da autoridade e do poder e da covardia de alguns agentes da lei, que por despreparo ou má índole, agridem os cidadãos, principalmente os grupos sociais desfavorecidos que protestam e lutam por seus direitos.

Num governo legítimo, eleito democraticamente, ouvir as vozes da ruas e manter franco diálogo com a sociedade é uma obrigação. Entretanto, quando a população não reconhece o governo ela protesta e os usurpadores tentam, à todo custo, silenciar quem não admite ser amordaçado e nem aceita os retrocessos impostos por aqueles que assaltaram o poder.

19.11.16

Bem comum x interesses pessoais: contradições da política brasileira

O título desta postagem expressa um dos principais dilemas da República brasileira. O termo república vem do latim res publica, que significa coisa pública, um governo cujo objetivo é zelar pelo bem comum, isto é, trabalhar pela coletividade.

Em teoria, numa república os interesses de particulares e das classes dirigentes não podem vir à frente dos interesses populares. A prioridade nessa forma de governo deve ser o benefício do povo. Não restando, portanto, espaço para que agentes públicos ou civis usem o poder para a busca de benesses e privilégios pessoais.

Recentemente, tivemos mais um exemplo que comprova que a república brasileira anda mal das pernas. No dia 18/11/16, Marcelo Calero, ministro da Cultura do governo Temer, anunciou sua demissão do ministério. Em entrevista do ex-ministro, publicada hoje no site da Folha de S. Paulo, ele explicou as razões de sua saída. Alegou que estava sofrendo pressões de um nome forte do governo, Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), e detalhou encontros e conversas que teve com o Secretário que exigia que o ministro agisse em favor da aprovação da construção de um edifício em uma área tombada de Salvador (BA). 

Acontece que o projeto imobiliário, objeto de embargo judicial na Bahia, também não foi autorizado pelo Iphan (Instituo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão vinculado ao Ministério da Cultura,  pois poderia descaracterizar a paisagem histórica do lugar. Por isso, o Instituto recomendou uma adequação do projeto, que incluía a redução do número de andares.

A medida do Iphan contrariou os interesses imobiliários do empreendimento, inclusive os do Secretário de Governo, Geddel, que segundo Calero é proprietário de um apartamento em um andar mais alto do projeto. Geddel, sentindo-se prejudicado, passou a usar sua posição no governo para pressionar o ministro da Cultura para que a obra fosse logo aprovada, mesmo que ela contrariasse as regulamentações técnicas e ferisse o patrimônio histórico-cultural da região. Incomodado com a situação, Calero resolveu deixar o cargo ministerial.      

Pelo conteúdo da entrevista, percebemos que para Geddel, o articulador político do governo Temer, pouco importava as consequências que a obra traria para o local, para ele o mais importante era a liberação da obra e a garantia de que seu negócio não fosse prejudicado. Isso reflete como ocorre o fazer político republicano no país, onde os agentes do poder misturam o campo público com o privado, colocam os interesses particulares em primeiro lugar, em detrimento do bem estar comunitário.

Se for confirmado que o Secretário de Governo anda usando o cargo público para trabalhar em prol de assuntos particulares, o mínimo que um presidente probo, constitucionalista e de verdadeiro espírito republicano deve fazer é afastá-lo, imediatamente. 

Vamos aguardar para ver se somos uma res publica ou uma república das bananas, de fato.  

Leia mais sobre o ocorrido clicando abaixo:


15.11.14

Res publica

A expressão res publica vem do latim e designa "coisa pública". 
O aperfeiçoamento do termo pelos Antigos Romanos originou a República, um governo voltado a atender aos interesses do povo.

Entretanto, antes da República romana ser colocada em prática em 509 a. C., os gregos, ou melhor, um filósofo grego teorizava a respeito dessa forma de governo.

Estamos nos referindo a Platão (427 a 347 a. C.), em cuja obra, intitulada "República", disserta sobre o modelo ideal de governo capaz de zelar pelos homens. 

Na República platônica, de forma sucinta, o poder deveria ficar a cargo dos filósofos, pois eles eram considerados os mais próximos da verdade, do bem e da justiça, portanto seriam os indivíduos com melhor preparo moral e intelectual para gerir a política e a sociedade.

Com a conquista do território grego pelos expansionistas romanos, muito da cultura helênica fora incorporada pelos latinos.
Em 509 a. C., com o fim da monarquia em Roma, foi instalada uma República no conglomerado urbano mais importante do Lácio.

De acordo com Cícero, filósofo e político romano, a República surgiu para “homens associados pelo direito a partir de interesses que lhes são comuns. A associação pelo direito pressupõe a existência de leis e, para promover os interesses comuns, essas leis devem ser a expressão da vontade popular.”

Porém, para o escritor americano Stanley Bing, a República romana escapava à idealização feita por Cícero, como podemos perceber no trecho:

"À direita, havia um Senado corrupto e fechado cioso de seus poderes e privilégios, disposto a tudo para manter o status quo. Eram os patrícios, os optimates. Naquela que poderia passar por esquerda, havia homens do povo, que haviam conseguido poder e riqueza não por herança, mas pelo suor e pelo sangue de seus filhos e ancestrais. Eram os populares." (2008. p. 61)

Conflitos, ciladas, assassinatos e golpes faziam parte do jogo de poder na república romana antiga. Nela os interesses e as necessidades do povo tinham reduzida importância para os senadores e para os cônsules, os quais estavam mais preocupados em expandir seus domínios e aumentar suas riquezas às custas dos tributos pagos pela plebe ou trabalho realizado por escravos, além do sangue derramado pelos soldados nas províncias que Roma conquistava.

Em 27 a. C., a República chegou ao fim, quando tem início o Império Romano dos Césares.

Todavia, essa forma de governo volta à tona no século XVIII. Tanto nas Treze Colônias Inglesas da América do Norte (1776) quanto na França (1789) ocorrem profundas mudanças políticas e sociais, que resultam na substituição dos seus atuais governos pela República.

Nesse contexto, as repúblicas americana e francesa estão embebidas pelas ideias iluministas, as quais defendiam os direitos de liberdade e de igualdade entre os homens. Porém, na prática, os direitos nas novas repúblicas restringiam-se a homens livres. As mulheres eram excluídas e também os escravos, os quais foram mantidos nas colônicas francesas e na nova nação norte-americana.

O Brasil igualmente teve sua experiência republicana, embora tardiamente, tendo em vista que nossos vizinhos latinos optaram pela república logo que conquistaram suas independências políticas, ao longo do século XIX. 

Aqui, a partir de 1822, o Brasil foi o único país a manter um regime monárquico, com o objetivo de preservar a unidade territorial, o latifúndio e o escravismo.

Desde o final do século XVIII, a antiga colônia portuguesa enfrentou movimentos que defendiam  as ideias republicanas, caso das Conjurações Mineira e Baiana - severamente sufocados pela ordem vigente. 

No segundo reinado, a aprovação de leis abolicionistas contribuíram para que a elite rural tomasse certa aversão ao governo imperial, agora visto como uma instituição arcaica e incapaz de promover o progresso nacional.

Assim, em 15 de novembro de 1889, chegara ao fim a monarquia e fora proclamada a República no Brasil.
Militares proclamando a República no Brasil. E o povo?
Sobre esse fato, o historiador Bóris Fausto registra que: 

“A proclamação da República correspondeu ao encontro de duas forças diversas – Exército e fazendeiros de café – movidos por razões diversas. O Exército tinha motivos de ordem corporativa e ideológica para se opor à monarquia. (...) os fazendeiros paulistas, através do partido republicano paulista, moviam-se por razões claramente econômicas”. (FAUSTO, B. 1972).

Não há, portanto, no processo de transição da monarquia para a república, nenhum indício de grande mobilização e participação popular. Os processos políticos eram sempre conduzidos pelas elites. As massas populares serviam apenas para serem manipuladas, por meio dos órgãos de imprensa, chefes locais e de uma política modernizante, mas conservadora, que concedia, em doses homeopáticas, alguns direitos, ao passo que reforçava o controle dos grupos dominantes, principalmente econômicos, sobre os rumos do novo regime.

O pesquisador Lorenzo Aldé lembra que:

"Nos séculos XX e XXI, nossa República – apesar dos trancos e barrancos ditatoriais no meio do caminho – consolidou-se e ampliou enormemente os direitos dos cidadãos. Mas a tortuosa trajetória do republicanismo brasileiro deixa uma lição sempre válida: de nada valem princípios igualitários formais se a cultura da desigualdade impede seu cumprimento. Como diz a voz do povo: “na prática, a teoria é outra coisa”." (Revista de História online).

Apesar da ampliação dos direitos civis, políticos e sociais, a "tortuosa trajetória" de nossa República parece não ter fim. Sai governo e entra governo e os escândalos de corrupção e desvios de verbas públicas para pequenos grupos privados se sucedem.

Em junho de 2013, o povo brasileiro tomou as ruas de todo o país, reivindicando, dentre várias coisas, moralidade e ética na condução da coisa pública. 


Cerca de 50 mil manifestantes protestando no centro de São Paulo (18/06/13)
Afinal todos estão demasiadamente cansados e exauridos desta República fraudulenta, na qual os interesses escusos e privados se sobrepõem aos interesses públicos. 

Não queremos mais uma república para poucos. 
Ex-diretor da Petrobrás é investigado por lavagem de dinheiro com empreiteiras.
Desejamos uma República parecida com aquela descrita pelo grande orador Cícero. Esperamos que os valores fundamentais republicanos sejam resgatados, quem sabe na sonhada reforma política, e que nela vigorem o direito e a lei "para promover os interesses comuns", expressando, democraticamente, a vontade popular.
Assim, tomaremos como prioridade os temas coletivos, em detrimento dos interesses privados, e não haverá espaço para a corrupção (de agentes públicos e de setores empresarias) na coisa pública.

2.4.14

Projeto: Guerra de Canudos e Literatura de Cordel

Quando começamos a estudar a Guerra de Canudos e a epopeia da população sertaneja, liderada por Antônio Conselheiro no final do século XIX, com os alunos das turmas do 9º ano, decidimos que iríamos fazer um trabalho com o Cordel, para encerrar o primeiro bimestre.

A Guerra de Canudos alimenta muitas estórias e contos populares no Nordeste, aliás essa região é o berço da Literatura de Cordel no Brasil. Por isso resolvemos conhecer um pouco do Cordel e exercitar a criatividade.

Após conhecermos o contexto histórico da Guerra de Canudos, estudamos as origens e as características básicas da literatura de Cordel no Brasil. Os alunos ficaram bastante interessados no assunto e ainda contaram com um reforço das aulas de Português e o apoio das aulas de Geografia.

O próximo passo foi a produção de um cordel. Cada estudante deveria contar a trajetória de Canudos por meio de versos e rimas (a sextilha) e podiam fazer desenhos para ilustrar seus livretos.
O resultado do trabalho ficou incrível! Os cordéis ficaram bem ilustrados e ricos em conteúdo, conseguindo demonstrar a saga de Canudos e o drama da população sertaneja oprimida pela seca, pelos coronéis locais e pelas tropas do governo.

Os livretos estão expostos em varais, estendidos em um dos corredores da escola. Todos estão de parabéns pelo empenho e criatividade!

A produção dos cordéis facilitou a aprendizagem do assunto, ao mesmo tempo estimulou os alunos a conhecerem um novo gênero literário típico do Nordeste, o qual é bastante comum entre o povo daquela região e também entre os imigrantes nordestinos que vivem nas grandes cidades brasileiras, como no Rio de Janeiro e em São Paulo.









15.2.14

A Revolta da Vacina (1904)

Nos ajude doando qualquer valor. Chave Pix: 325cd79f-5e4c-443f-9297-b055894ab986.

No final do século XIX e início do século XX, começaram a surgir no Rio de Janeiro inúmeros cortiços - que depois originaram as favelas - onde as pessoas mais pobres viviam, com condições pouco dignas. O escritor brasileiro - Aluísio de Azevedo - publicou, em 1890, o romance "O Cortiço", na qual expôs o cotidiano das pessoas pobres que viviam nesses lugares.

“Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas.”  (trecho da obra - O Cortiço. Retirado do site:  http://guiadoestudante.abril.com.br/literatura/materia_415647.shtml 

Como se pode perceber, não havia naqueles locais água encanada, rede de esgoto e coleta de lixo. Além disso, naqueles locais as ruas eram estreitas, pouco iluminadas e as casas construídas uma junto às outras, reduzindo a  ventilação e a circulação de ar puro. Acrescente a isso o fato de as pessoas não terem hábitos de higiene, acesso à saúde e um cotidiano árduo. Esse era um ambiente muito favorável a proliferação de doenças, tais como a febre amarela, a varíola e a tuberculose. Como consequência, milhares de pessoas morreram em virtude de tal situação. O fato impressionava tanto que os estrangeiros apelidaram o Rio de Janeiro de "cidade da morte."


Um cortiço carioca.

A ocupação desordenada, inclusive de áreas centrais da cidade do Rio de Janeiro, preocupava as autoridades públicas no início do século XX. 

Nesse sentido, o governo decidiu sanear a cidade e adotar medidas para evitar o surto de doenças.


O prefeito da cidade - Pereira Passos - deu início, a partir de 1903, à modernização da cidade, desalojando as pessoas, derrubando os cortiços e abrindo avenidas espaçosas no centro da cidade. O argumento era higienizar a cidade, expulsando a população pobre do centro, a qual acabou indo se alojar nos morros vizinhos.

Em 1903, o médico sanitarista Oswaldo Cruz foi nomeado, pelo presidente Rodrigues Alves,  diretor geral de Saúde Pública. Ele  teve importante participação na elaboração do regulamento que estabelecia a vacinação obrigatória contra a varíola.

O comprovante de vacinação passou a ser exigido nas matrículas de escolas, admissões em empresas e etc. Logo, quem não fosse vacinado passaria por dificuldades. Os agentes de saúde podiam entrar nas casas para vacinar as pessoas, mesmo sem o consentimento dos moradores. A falta de uma campanha de conscientização do governo só serviu para causar medo e revolta na população.  


A política modernizadora e autoritária dos governos gerou inúmeros protestos populares. A insatisfação do povo era tamanha a ponto de provocar violentos confrontos.
As ruas da cidade foram o palco de confrontos entre populares e a polícia. 

Algumas ruas viraram zonas de guerra. A polícia tentava conter os manifestantes, enquanto bondes eram virados, para servir como barricada, e as pedras do calçamento foram utilizadas como munição pelos cidadãos que enfrentaram as forças policiais. 
A oposição ao governo de Rodrigues Alves aproveitou o momento de insatisfação popular para tentar tirá-lo do poder. Esperavam que os militares voltassem para a presidência, como fora no início da República. Mas o plano não deu certo e o presidente cumpriu o seu mandato até o fim.   


No dia 16 de novembro de 1904, a revolta foi contida pela polícia deixando um saldo de dezenas de mortos, feridos, presos e deportados. A vacina obrigatória foi suspensa.


Embora a vacinação tenha sido importante para a saúde pública, a abordagem autoritária do governo e o mau tratamento que fora dado aos pobres provocou grande insatisfação e uma revolta generalizada nas classes menos favorecidas da cidade. 


Teste-se:

(Questão do Enem-2011)
Charge capa da revista “O Malho”, de 1904. Disponível em: http://1.bp.blogspot.com   

A imagem representa as manifestações nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, na primeira década do século XX, que integraram a Revolta da Vacina. Considerando o contexto político-social da época, essa revolta revela 

a) a insatisfação da população com os benefícios de uma modernização urbana autoritária.
b) a consciência da população pobre sobre a necessidade de vacinação para a erradicação das epidemias.
c) a garantia do processo democrático instaurado com a República, atrabés da defesa da liberdade de expressão da população.
d) o planejamento do governo republicano na área de saúde, que abrangia a população em geral.
e) o apoio ao governo republicano pela atitude de vacinar toda a população em vez de privilegiar a elite. 

(Questão do ENEM-2019)

10.2.14

A Guerra de Canudos (1896-1897)

  • A Guerra de Canudos foi um sangrento conflito armado entre as tropas do governo federal e a população sertaneja, que vivia no interior da Bahia, no arraial de Canudos.
  • O líder de Canudos foi o religioso Antônio Conselheiro (1828-1897). O religioso vagava pelo sertão nordestino pregando para a população miserável e desemparada. 
Ilustração de Antônio Conselheiro.
  • 1893: Ano de fundação do arraial de Canudos, que chegou a ter 5 mil casas e cerca de 20 mil habitantes. Era a segunda maior cidade da Bahia, perdendo apenas para Salvador, capital do estado.
Arraial de Canudos, chamado de Belo Monte por Antônio Conselheiro.
  • No arraial, criavam cabras, cavalos e bois, e plantavam legumes, feijão, milho, mandioca, melancia, melão e cana-de-açúcar. Moravam lá ex-escravos, pequenos agricultores, índios, foragidos da Justiça, comerciantes etc. O uso da terra e o trabalho eram coletivos e 1/3 do que era produzido, destinava-se ao abastecimento da comunidade.
  • Conselheiro era contra a República, pois ela havia colocado um fim na Monarquia e separado oficialmente o Estado da Igreja. Em seus discursos, atacava os impostos cobrados pelo governo e dava esperanças de dias melhores para os pobres.
  • A liderança messiânica de Antônio Conselheiro e a vida comunitária no arraial de Canudos começaram a atrair pessoas pobres, as quais buscavam uma vida melhor. Isso chamou a atenção dos fazendeiros, incomodou os coronéis e também as autoridades governamentais.
  • O governo decidiu destruir o arraial para colocar um fim naquele "fanatismo". Contudo, somente após quatro expedições militares que a batalha foi vencida, tamanha fora a resistência e as táticas de guerrilha adotadas pelos bravos sertanejos. A última expedição do governo, contou com 10 mil soldados e levou mais de três meses para vencer a batalha.
O canhão Withworth 32 foi utilizado pelas tropas oficiais. Ele foi apelidado pelos sertanistas de "matadeira".
  • A guerra acabou em 05 de outubro de 1897 e causou 25 mil mortos (20 mil sertanejos rebeldes e 5 mil soldados). Antônio Conselheiro foi morto, sua cabeça foi cortada do corpo e levada para Salvador como um troféu.
Antônio Conselheiro morto. Foto tirada em 1897 por Flávio de Barros, fotógrafo do exército.
  • Euclides da Cunha cobriu a Guerra de Canudos, sendo enviado ao local pelo Jornal Estado de São Paulo. Escreveu vários artigos sobre o conflito, que foram reunidos no livro Os Sertões, publicado em 1902. A obra tornou-se um clássico, pois mesclou literatura, relato histórico com o jornalismo.
Reportagem da TV Record sobre Canudos.


Conceitos importantes para entender a República Velha (1889-1930)


  • Federalismo: Um princípio consagrado pela Constituição de 1891, o qual permitia maior autonomia administrativa dos estados e municípios brasileiros em relação ao governo central. Ele atendia aos interesses dos cafeicultores e dos grandes proprietários de terras, assim eles poderiam administrar seus Estados e os recursos que dispunham com pouca, ou nenhuma, interferência do governo federal.

  • Coronelismo: Os coronéis eram os grandes proprietários de terras que controlavam a vida dos municípios. Eles firmavam alianças com as oligarquias e os governos estaduais, assegurando sua eleição. Para isso, eles controlavam a população local (do município onde viviam) forçando os eleitores a votar nos candidatos escolhidos pelo coronel ("voto de cabresto"). As fraudes e a violência eram comuns nos momentos eleitorais. Quanto mais votos o coronel conseguisse, maior era a verba que seu município poderia receber do governo estadual. Muitos dos eleitores dependiam da proteção do coronel, por isso trocavam seu voto e a fidelidade eleitoral por empregos, proteção contra justiça etc. Essa prática de troca de favores ficou conhecida como "clientelismo".

  •  Política dos governadores: Tratava-se de um pacto existente entre o governo federal e os governos estaduais do Brasil. O primeiro "premiava" os últimos, com ajuda financeira para obras, apoio político às elites locais, oferta de cargos públicos e não interferia nos assuntos internos dos estados, em troca mantinha a fidelidade das oligarquias estaduais ao governo central.


Leia mais sobre a República Velha nos links:



5.2.14

Resumo: República Velha (1889-1930)

  • A proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, colocou um fim no regime monárquico.
Proclamação da República no Brasil.
  • O início da república no Brasil foi marcado pela disputa da hegemonia política entre as oligarquias e os militares. O primeiro grupo queria maior autonomia econômica e administrativa para os estados. O último grupo desejava que o governo federal tivesse mais poder.
  • A economia brasileira era essencialmente agrária e exportadora. O café era o principal produto de exportação, o que garantia aos cafeicultores riqueza, poder e prestígio social.
Embarque de café em navio, no porto de Santos (SP).

  • Entre os anos de 1889 a 1894, os presidentes da República foram militares, incumbidos de consolidar a transição do regime monárquico para o republicano.  Esse período ficou conhecido como República da Espada.
Marechal Deodoro da Fonseca.
Marechal Floriano Peixoto.
  • Nessa fase, tivemos como presidentes o Marechal Deodoro da Fonseca (1889 a 1891) e depois o seu vice assumiu o cargo principal, Marechal Floriano Peixoto (1891 a 1894).
  • Durante o governo de Deodoro foi aprovada Constituição de 1891, a qual estabeleceu a divisão dos poderes em Executivo, Legislativo e Judiciário; Voto aberto e universal para maiores de 21 anos que fossem alfabetizados. Também estabeleceu o federalismo, princípio que permitia aos estados criar impostos, organizar suas forças militares entre outras medidas. O Estado Nacional tornou-se laico, e o catolicismo deixou de ser a religião oficial do país como era no Império.
  • Embora o voto censitário tenha sido abolido, a maioria da população brasileira não podia votar. 
  • Política econômica (chamada de encilhamento): o governo incentivou a emissão de papel moeda para incentivar o crédito e a industrialização do país. A medida resultou em crise, inflação e falências. Além disso, havia muita agitação política e social, que resultaram em inúmeras revoltas, tais como a da Armada, conduzida por parte da Marinha, a Revolução Federalista no Sul do país e a Guerra de Canudos, no sertão da Bahia.
Revolta da Armada (1893-1894), Rio de Janeiro.

  • O presidente Prudente de Morais (1894 a 1898), o primeiro presidente civil, marcou a chegada da elite cafeicultora (Oligarquia) ao poder. 
Prudente de Morais.
  • As oligarquias governavam o país com base na troca de favores, de acordo com os seus interesses. Essa rede, que envolvia municípios, estados e o governo federal, ficou conhecida como Política dos Governadores.
  • Coronelismo:  Grandes proprietários de terras que forçavam as pessoas a votarem em determinados candidatos segundo a sua preferência, para isso utilizavam a força, se necessário, por meio dos jagunços, que intimidavam e agrediam os eleitores. Essa prática ficou conhecida como "voto de cabresto" . Em troca, os coronéis recebiam diversos favores e benefícios políticos.

  • A política do café com leite - São Paulo (grande produtor de café) e Minas Gerais (principal produtor de gado leiteiro) revezavam-se no poder, ora elegendo um candidato paulista ora um mineiro para a presidência. Esse quadro permanecerá até inalterado até 1930, quando eclodiu uma Revolução armada que modificou os rumos da política daquela época.



http://acropolemg.blogspot.com.br/2013/11/jogos-sobre-proclamacao-da-republica.html (Caça palavras e quebra cabeças sobre a República)



16.11.13

Jogos sobre a proclamação da República

Sabe tudo sobre a República no Brasil? Então teste seus conhecimentos nos jogos que preparamos para você. Divirta-se!





Quebra cabeça


15.11.13

Hoje é dia de que?

Ora, o feriado de hoje nos remete ao dia 15 de novembro de 1889.
Nesta data celebramos o fim da Monarquia, governada por D. Pedro II e o início da República!

Você sabe o que é a República?
Confira a resposta com o Tiradentes, que morreu em 1792 após participar de um movimento político que defendia a causa republicana:

A palavra república vem do latim (res publica), que significa coisa pública. O governo republicano foi praticado, na História do Ocidente, pela primeira vez pelos romanos no ano 509 a. C. Deveria ser um governo que priorizava os interesses coletivos acima dos privados, pelo menos na teoria deveria ser assim...

Aqui no Brasil, em 1889, o governo de D. Pedro II passava por um momento de crise política. Os cafeicultores estavam insatisfeitos com o fim da escravidão em 1888, a Igreja Católica estava descontente com a interferência do Imperador nos assuntos eclesiásticos e os oficias Exército estavam insatisfeitos com a falta de valorização dos militares.
O Império estava ficando sem apoio. O Brasil era a única monarquia em toda a América do Sul, os países vizinhos tinham adotado o regime republicano, considerado mais democrático, pois ampliava a noção de cidadania, estabelecia o voto e a mudança periódica de governantes, o oposto do regime monárquico, no qual o poder era hereditário e vitalício.

Os republicanos, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, proclamaram a República em 15 de novembro de 1889. O marechal assumiu a presidência do governo provisório, que durou até 23 de novembro de 1891, quando ele renunciou ao cargo, assumido, posteriormente, pelo seu vice - marechal Floriano Peixoto.
Marechal Deodoro da Fonseca. Henrique Bernadelli (1900).
Quanto à família real, chefiada por D. Pedro II, acabou sendo banida do Brasil. O imperador foi notificado sobre o fim da Monarquia e a implantação de um novo regime de governo, mas não tentou resistir para se manter no poder, partiu para a Europa alguns dias após a proclamação da República.

Na prática, a nova forma de governo não representou grandes avanços na cidadania. A maior parte da população continuou à margem do processo político, que passara a ser controlado pelos militares e influenciado pelos grandes cafeicultores do oeste paulista. A importância política dos grandes fazendeiros irá aumentar gradativamente, resultando na supremacia do estado de São Paulo e dos latifundiários sobre os interesses nacionais, pelo menos até o ano 1930, a partir daí a República tomará novos rumos. Mas esse é assunto para outra história.
Por hora terminamos aqui...

23.3.12

1º ano (CIEP 280)

Segue abaixo o slide apresentado e discutido para a turma do 1º ano. Matéria de nossa avaliação, na próxima semana.
Obs: Mais abaixo postei o link para outro slide (Estudo Introdutório), que também será avaliado.


República
View more presentations from Rod .


ESTUDO INTRODUTÓRIO (1ª MATÉRIA), CLIQUE ABAIXO:
http://acropolemg.blogspot.com.br/2012/03/estudo-introdutorio-1-ano-ciep.html



BOM ESTUDO PARA TODOS!

Não deixe de ler

Leão XIV é o novo papa, mas alguns queriam uma leoa

Hoje, assistindo a um programa de discussões políticas no YouTube, havia comentaristas defensores de pautas da "esquerda identitária...