7.8.16

Crise ético-política: uma oportunidade para aprender

Vivemos uma crise ética e política acentuada a qual, talvez, não encontre precedentes em nossa história republicana. De 1889 para cá, quando Deodoro liderou o golpe que substituiu o regime monárquico e proclamou a república, tivemos vários momentos perturbadores e preocupantes, como a a ditadura varguista em 1937, o golpe militar de 1964 e o impeachment de Collor em 1992, mas nada que deixasse nosso sistema político tão vulnerável e tão desnudo quanto no atual momento. É verdade que a ampla cobertura da imprensa, potencializada pela velocidade da internet e das redes sociais, acerca dos acontecimentos políticos amplia os efeitos e o impacto das notícias na opinião pública, coisa que não ocorria com tamanha intensidade no passado, mas o fato é que agora a corrupção tem se mostrado endêmica, profundamente enraizada nas relações estabelecidas entre políticos e grupos privados, com o objetivo de fazer riqueza, obter facilidades e se perpetuar no poder. É um processo estarrecedor. 

Se nas primeiras décadas de nosso regime republicano a questão social era tratada como caso de polícia, agora parece que a questão política é a que mais preocupa as forças policiais e jurídicas, visto que os escândalos de corrupção  se sucedem  e colocam em xeque todo o funcionamento do atual modelo político brasileiro.

Em suma, a crise ética e política que estamos enfrentando é grave. Mas vejo que desse caos é possível extrair uma solução para ajudar a resolver os nossos problemas. Podemos mudar esse quadro nas urnas, por meio de nosso voto, essa é uma ideia batida, lugar comum, mas pode ser que traga alguma repercussão no cenário nacional, caso o povo passe a entender o voto como um instrumento eficaz para a alterar os rumos do país. As eleições municipais que se aproximam, devem ser o ponto de partida para uma ação-resposta dos cidadãos de bem para a classe política parasitária deste país. A ideia é não reeleger nenhum candidato, pois os que já se encontram dentro do sistema estão marcados pelos seus vícios,  direta ou indiretamente, salvo raríssimas exceções. Também não devemos eleger os figurões tradicionais, os quais são presenças certas nos períodos eleitorais, na busca de uma chance para ocupar uma função pública apenas com a finalidade de usufruir dos privilégios possibilitados pelo cargo. Deveríamos votar em novos candidatos e de partidos fora do eixo PT-PMDB-PSDB, pois essas siglas estão podres, contaminadas pela cegueira provocada pelo poder e pela ganância. Suas lideranças são cínicas, têm como projeto apenas se apossar de cargos no governo, como atalho para fazer (aumentar) fortuna às custas do bem comum e do suor do cidadão brasileiro. Daí urge a necessidade de buscar alternativas partidárias e candidatos com propostas decentes que podem promover o bem comum.


A crise ética e política a qual assistimos tem apresentado claramente as falhas e o lado negativo do fazer político no Brasil. Ela é terrível evidentemente, mas deve ser encarada como uma possibilidade de aprendizado. A lição que podemos tirar de tudo isso é que o país necessita de profundas reformas políticas e administrativas, mas elas jamais serão feitas, caso não ocorra uma profunda higienização desse organismo adoentado e claudicante que se tornou o Estado brasileiro. A faxina deve ser geral, enquanto as tais reformas não acontecem, podemos "varrer" agora nossas cidades, depois os estados e o governo federal.  Devemos deixar de ser espectadores e entrar em cena agindo agora, a começar pela eleição municipal, se quisermos, de fato, que algo mude para melhor. Então, reafirmo, vamos eleger novos candidatos e novas ideias para, quem sabe, construirmos uma nova história. Reeleger os mesmo nomes apenas deixará tudo como está. Você está satisfeito com nossa conjuntura política, econômica e social? Pretende deixar essa ordem inalterada? A construção de uma nova ordem política começa pela escolha de novos políticos e lideranças, e por uma mudança de mentalidade do povo em relação ao fazer político no país. Citaremos a seguir exemplos de atitudes que devem ser evitadas e algumas que devem ser incentivadas, pois acreditamos que por meio de uma nova postura do povo, podemos alavancar, enfim, a cidadania e promover mudanças positivas na política das cidades e depois de nosso país.    

Os resultados das urnas podem provocar um efeito positivo no futuro, mas para que isso ocorra a prática de vender o voto deve acabar, nada de trocar sua confiança por saco de cimento, churrasco, promessas de emprego ou qualquer outro tipo de agrado oferecido pelo candidato. Não adianta resmungar depois e culpar a incompetência do prefeito e dos vereadores, responsabilizando-os pela sujeira da cidade, pelas ruas esburacadas, pela iluminação precária e pelo fato de não ter médico no posto do bairro. Quem elege o prefeito e os vereadores somos nós - eleitores, então se colocamos incompetentes e corruptos no poder, também somos culpados pelas mazelas que acometem toda a política nacional que, por sua vez, impactam negativamente em nossas vidas. 

Portanto, os eleitores precisam aprender a votar bem, a começar investigar a vida pública do indivíduo que concorre ao cargo letivo: sua biografia, seu caráter, sua base política, suas propostas para beneficiar a coletividade e as pessoas e grupos que o cercam. E também é fundamental que após o período eleitoral, a população fiscalize, acompanhe e cobre do candidato eleito o cumprimento de tudo o que foi prometido durante a campanha. Caso contrário, continuaremos elegendo criminosos e pessoas desqualificadas para ocupar postos tão importantes para a vida pública do país, figuras despreocupadas com o bem-estar da coletividade, cujo único compromisso será o de manter o sistema da forma como está - prejudicando muitos e favorecendo poucos. 

6.8.16

Entre a vida e a morte: a memória de um poeta

No dia 20 de abril de 1884, no Engenho Pau D'Arco, na Paraíba, nasceu um dos mais marcantes poetas não românticos da literatura nacional - Augusto dos Anjos. Ele aprendera as primeiras letras com seu pai, enquanto assistia à proliferação das usinas modernas, as quais substituíam os antigos engenhos coloniais que fizeram o esplendor do nordeste no passado.

Augusto dos Anjos (1884-1914).

Entre 1903 a 1907, Augusto dos Anjos estudou na Faculdade de Direito do Recife. Formou-se advogado, mas dedicou-se ao ensino de Língua Portuguesa no Liceu paraibano. Casou-se com Ester Fialho, em 1910.

Mudou-se para o Rio de Janeiro, depois de ter sido afastado de suas funções pelo governador da Paraíba com quem se desentendera. Na capital continuou a lecionar, atuando em diversos educandários. No ano de 1911, perdeu, de forma prematura, seu primeiro filho

Em 1913, transferiu-se para Leopoldina (MG) após ter sido nomeado para o cardo de diretor do Grupo escolar Ribeiro Junqueira. Um ano antes publicara sua única obra, intitulada Eu. Foi com alguma tristeza na alma que ele escreveu: 

"Ah! Um urubu pousou na minha sorte!" 

O verso extraído de um de seus fúnebres poemas parecia expressar o desgostos que sentia em relação à vida e também os infortúnios pelo qual passara, como a perseguição política, os problemas de saúde e a perda de seu primogênito.   



Seus poemas são, desse modo, marcados pelo pessimismo, pelo emprego de termos médico-científicos e  referências à morte. Inicialmente, sua obra provocou estranheza e ele só foi reconhecido como poeta de talento anos mais tarde. Devido a sua singularidade poética torna difícil associá-lo a uma escola literária, mas ele é comumente classificado como pré-moderno.

No dia 12 de novembro de 1914, com 31 anos de idade, faleceu por conta de uma pneumonia. Apesar da morte física, Augusto dos Anjos realizou suas intenções mais íntimas declaradas nos versos:

"Quero, arrancado das prisões carnais, / Viver na luz dos astros imortais".

Por isso, ele para sempre será lembrado...


Fachada e interior do Museu Espaço dos Anjos - Leopoldina (MG).
Túmulo do poeta - Leopoldina - MG.

5.8.16

Assédio moral: basta!

"É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e sem simetrias, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização,forçando-o a desistir do emprego.
Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização." (Fonte: http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/assediomoral.htm).

O texto acima define uma prática deplorável que ocorre em ambientes de trabalho, é o assédio moral, que se manifesta nas relações estabelecidas entre chefes e subordinados.

Infelizmente, muitos servidores enfrentam as mais diversas situações funcionais que podem ser caracterizadas como assédio. Em alguns casos, diretores ou diretoras autoritários abusam das prerrogativas de seu cargo para perseguir, humilhar ou isolar professores e demais servidores da escola. Isso, além de falta de ética, é vedado ao agente público.
Entretanto, poucos sabem que existe uma Lei estadual em Minas Gerais que dispõe sobre a prevenção e a punição do assédio moral na administração pública. O referido documento é a Lei Complementar nº 116, de 11 de Janeiro de 2011.

É extremamente importante que os servidores conheçam seus direitos e tenham informações sobre o assédio no trabalho para que possam prevenir e agir para combater quaisquer abusos que aconteçam em seu local de trabalho. Afinal, somos trabalhadores, cidadãos e seres humanos, portanto, exigimos respeito!

Por duas oportunidades eu sugeri ao SindUte-MG, nosso bravo sindicato, que elaborasse uma cartilha abordando o assédio moral, para ser distribuída em todas as escolas, afim de conscientizar os educadores acerca do tema. Contudo, a minha proposta não obteve resposta. Acredito que isso se deve ao fato de que os diretores do sindicato andam por demais ocupados mobilizando a categoria, cobrando do governo o pagamento dos atrasos referentes ao reajuste de janeiro assegurado por lei, reivindicando a melhora nos serviços do IPSEMG e outras tantas demandas dos trabalhadores em Educação...

Enquanto a tal cartilha e uma campanha eficaz contra o assédio moral nas unidades de ensino não saem do plano das ideias, humildemente nosso blog disponibiliza abaixo o link com a legislação estadual que visa coibir tais ações nas unidades de ensino e no serviço público em geral. Então, se quiser saber mais sobre o assunto e se informar para saber como proceder, caso seja vítima de assédio,  conheça os seus direitos clicando aqui

2.8.16

Servir ao Estado ou servir-se dele?

Está circulando nas redes sociais uma tabela comparando o exorbitante salário pago a um senador da república e o irrisório ordenado pago a um professor da rede pública de ensino. Os dados que ela revela não apresentam nenhuma novidade, mas sua sistematização tem escandalizado os internautas, cada vez mais revoltados com a classe política do país.



Além do salário, a tabela enumera os benefícios, que são inúmeros para o cargo de senador, dentre eles destacamos: auxílio habitação, possibilidade de aposentadoria após 8 anos de contribuição, plano de saúde ilimitado dentre outros.

É uma vergonha, um país pagar quase 150 mil mensais para um senador (muitos dos quais são corruptos, sujos, cínicos, hipócritas, envolvidos direta ou indiretamente em esquemas de propinas e negociatas, como, por exemplo, o nobilíssimo presidente do senado, sr. Renan Calheiros e muitos outros mais...), ao passo que paga apenas 2 mil reais para os educadores, cuja função é iniciar as crianças nas primeiras letras e prepará-las para o mundo social, para o trabalho e para o exercício da cidadania.

É evidente que o papel desempenhado pelos representantes legislativos é primordial e relevante para um regime democrático. Contudo, o custo parlamentar do Brasil é um dos maiores do mundo, isto significa que pagamos (sim, nós, os contribuintes sustentamos as mordomias da corja que se apoderou de Brasília) caro demais para deputados e senadores. É ético ou moral que os filhos de trabalhadores fiquem amontoados em salas superlotadas das precárias escolas públicas enquanto os filhos dos políticos frequentam as melhores e mais caras escolas do país cujas mensalidades são pagas com o dinheiro dos contribuintes? Tudo bem que os senadores e senadoras acreditam que são pessoas distintas, especiais, de visão apurada e de espírito superior, atributos que a plebe não possui. Mas será que há justificativa plausível, aceitável ou minimamente racional que justifique a diferença brutal de salário entre as duas categorias analisadas na planilha? Para constar, não acho que os professores devem receber uma fortuna, mas apenas uma quantia o justa e também não acho que os senadores mereçam enriquecer com o exercício de mandato legislativo. Ademais, os educadores educam, ensinam, formam vidas, correm de uma escola para outra para sobreviver, trabalham em três turnos e os senadores, o que têm feito além de ocuparem o noticiário policial?  A tabela não deixa dúvidas sobre quem está servindo ao Estado e que grupo está servindo-se dele para obter benesses.

Os salários e os benefícios, as regalias e as mordomias pagas e garantidas para os deputados e para os senadores são por demais atraentes, prova disso é que não faltam candidatos que pretendem fazer carreira às expensas do erário. Por isso, há tanta safadeza e disputa partidária por propinas e caixa 2, visando, dentre outras razões, eleger um número cada vez maior de paladinos. Em nosso sistema político-eleitoreiro o que manda é o dinheiro, dinheiro é poder, infelizmente. Pouco importa se o candidato é ficha limpa, se é capaz de usar o cargo para o bem comum, se tem compromisso social ou se é uma liderança positiva, com dinheiro ele pode ser eleito. A preocupação central aqui é tirar proveito do Estado e das oportunidades que ele oferece e não em servir à nação e ao povo brasileiro, por mais que o discurso dos figurões diga exatamente o contrário...

Essa ideia de servir-se do Estado, obter benefícios e privilégios, remonta aos tempos coloniais, quando os bacharéis, filhos de senhores de escravos e proprietários de terras e de minas, eram formados e treinados em Direito na Universidade de Coimbra (Portugal) e, após se formarem, ingressavam na Administração Pública para fazer carreira como governador, deputado ou ministro. O Estado era assim um mecanismo de conservar o poder de uma elite, que governava e conduzia a coisa pública em próprio benefício ou em favor de um grupo restrito, geralmente um círculo próximo ao ocupante do cargo público. Dessa forma, o grupo do poder pouco se importava com os índios, com os escravos africanos ou com os brancos pobres. Tal prática clientelista persistiu no Império e adentrou a República chegando até aos dias atuais, lamentavelmente.

É desalentador constatar que não conseguimos reformar o Estado brasileiro, pelo menos não de maneira efetiva e justa, e nem conseguiremos, pois quem está no poder não tem interesse algum em acabar com as vantagens que lhes são concedidas. Afinal, para preservar o status quo da classe política e de outras categorias funcionais que vivem às custas do Estado não é necessário fazer economia alguma, para essa casta parasitária não falta dinheiro. Quando as contas públicas entram no vermelho, como está ocorrendo agora de forma mais acentuada, basta fazer cortes nas áreas sociais, reduzir verbas da Educação, da Saúde e da Habitação, ou reformar a previdência, aumentando o valor da contribuição e o tempo para o trabalhador se aposentar, que dá pra manter os super-salários daquele bando que vive a modorrar de cócoras e a engordar suas finanças com os recursos dos cofres públicos.

Enquanto alguns poucos enchem os bolsos com o dinheiro público, o povo fica transitando por estradas esburacadas, agonizando por atendimento nas filas dos hospitais e se escondendo da violência urbana para sobreviver. Como reverter tal quadro? Se continuarmos a aceitar o papel servil de gado, que aceita ser tocado de um lado para o outro nada mudará. Os poderosos continuarão no poder, usando a mídia para nos manipular e nos convencer de que não há necessidade de fazer as verdadeiras reformas para que tudo permaneça como está. 

20.7.16

Ideias e doutrinas sociais do século XIX


Currículo Mínimo da SEEDUC.


Vamos ao resumo da matéria do 2º bimestre do 2º ano do Ensino Médio.

A revolução industrial iniciada no século XVIII não impactou apenas no setor produtivo, ela trouxe significativas mudanças na cultura, na política e na sociedade da Europa industrial.
No campo social, a industrialização realçou as diferenças entre os burgueses (donos das fábricas) e o proletariado (operários). Na esfera política, estimulou o surgimento de novas ideias políticas e de organizações sociais que lutavam por direitos e garantias coletivas, que tentavam resistir ao sistema capitalista. 



Passaremos agora a analisar, resumidamente, as principais doutrinas e ideias que surgiram no século XIX no seio da sociedade industrial, começando pelo capitalismo que estava em vigor na época.

Capitalismo: Modo de produção, ou sistema econômico-social, que se baseia na propriedade privada dos meios de produção, na existência de um mercado no qual se realizam trocas de mercadoras por meio de moedas, e na separação entre trabalhadores, os proletários, e os capitalistas. O sistema capitalista era reforçado por pensadores adeptos do liberalismo econômico, como Adam Smith (1723-1790), para o qual a economia deveria ser dirigida sem a intervenção do governo, pela lei natural da oferta e da procura. Os liberais entendiam que para o país enriquecer era preciso expandir as atividades econômicas e o governo precisava garantir liberdade aos grupos privados. 

Anarquismo: essa expressão é ligada à ausência de governo ou de autoridade, propunha uma reorganização da vida social e econômica e a derrubada do capitalismo. 

  • Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), para ele a existência da propriedade privada constituía um roubo, pois que era um bem obtido por meio da exploração do trabalho alheio. Os anarquistas defendiam a igualdade e a liberdade para todos, a vida numa sociedade harmônica, sem a existência do Estado.


Socialismo utópico: Criava modelos ideais que não poderiam ser colocados em prática, segundo os seus críticos. Sua principal referência era o pensador iluministas Jean-Jacques Rousseau, que afirmara ser a propriedade a origem da desigualdade entre os homens. 
  • Saint-Simon (1760-1825) oriundo da nobreza francesa foi crítico do Liberalismo econômico e da exploração dos trabalhadores pelos capitalistas. 

Para ele a industrialização deveria favorecer a classe mais numerosa, a dos proletários. Não defendia o fim da propriedade privada, mas achava que os ricos deveriam ter responsabilidade social.

  • Robert Owen (1771-1858), por sua vez, defendeu a organização da sociedade em comunidades cooperativas, compostas de operários. 

Em cada uma delas as pessoas receberiam de acordo com as horas trabalhadas. Na Escócia, implantou escolas e creches em sua fábrica e reduziu a jornada de de trabalho buscando melhorar as condições de vida dos operários. Tentou implantar na América uma comunidade socialista, a New Harmony, mas o experimento falhou.

  • Charles Fourier (1770-1837) acreditava na busca do máximo prazer individual, por isso atacou o sistema que separava o trabalho do prazer. Era a favor da libertação da mulher e da liberação sexual. Defensor da organização da sociedade em cooperativas nas quais a produção e os seus benefícios seriam partilhados por todos.Enxergava o socialismo como a última etapa da história humana.  
Reforçando!


Socialismo científico: Foi o modelo formulado por Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) no período de 1840 a 1880. Sua proposta defendia:

  • A tomada do poder pelos trabalhadores;
  • Expropriação da propriedade fundiária;
  • A criação de impostos progressivos taxando a riqueza;
  • A criação de um banco que que centralizasse os créditos sob responsabilidade do Estado;
  • Multiplicação de fábricas nacionais (estatais);
  • Organização do movimento operário.

Para esses dois pensadores alemães, o motor da história seria a luta de classes, isto é, entre os que possuem e os que não possuem os bens e as propriedades. O Estado era um instrumento político que assegurava a manutenção do poder da classe dominante, a burguesia. A luta de classe chegaria ao fim quando os trabalhadores tomassem o poder - a ditadura do proletariado. 
A partir daí, a propriedade privada seria extinta, os conflitos de classe cessariam, por fim, o Estado também seria abolido e resultando no comunismo.

Doutrina social da Igreja

A Igreja Católica também se manifestou sobre a exploração e miséria do proletariado. As primeiras manifestações ocorreram no século XIX, partindo do padre francês Robert de Lamennais. Sua proposta incluía uma tentativa de reforma e justiça social pregando os ensinamentos cristãos para corrigir os males e injustiças originados da Revolução Industrial. Era o início do catolicismo social.

O catolicismo social se fortaleceu a partir da encíclica Rerum Novarum (Das Coisas Novas), no papado de Leão XIII (1878-1903). 

Por meio da encíclica, o papa criticou a desigualdade do capitalismo, defendeu a intervenção do Estado e a aprovação de leis para proteger o trabalhador, mulheres e crianças com redução da jornada de trabalho e salários mais justos. Também condenou a violência das revoltas operárias, ao mesmo tempo reforçava a necessidade do Estado proteger a propriedade privada e a caridade cristã dos patrões com seus trabalhadores. 

17.7.16

Helvécio, o terrível

Na fazenda do dr. Onofre, havia muita coisa da qual ele poderia se orgulhar. Ela era um fazendão, tinha uma baita sede, açude, campo de futebol, silo, amplo curral com um haras em anexo e um cafezal impecável, mas nada disso lhe trazia tanta satisfação quanto o fato de ter o exuberante Helvécio desfilando por suas extensas pastagens. 



Helvécio era um touro reprodutor de sangue puro, da raça gir, que veio lá do exterior, ainda pequeno, e rapidamente se tornou senhor absoluto do rebanho. Ele era vermelho, como brasa incandescente, chitado com manchas amareladas, ao redor dos olhos o couro era negro, pesava mais de uma tonelada, possuía um enorme cupim e um par de chifres pontiagudos, semelhantes a lâminas, voltados para trás. O conjunto da obra era sombrio e lhe dava um aspecto feroz a ponto de intimidar seus rivais e até os observadores mais corajosos.

Dr. Onofre, quando recebia visitantes em sua fazenda, como os representantes de cooperativas, compradores de café, veterinários ou os chefes políticos locais, adorava exibir Helvécio para eles, exaltando o mais imponente animal de suas terras. Por conta da beleza daquele exemplar bovino, dr. Onofre recebeu inúmeras propostas de compra pelo animal, mas, sorrindo de orelha a orelha, declinava de todas elas, dizendo que o touro era inegociável, já que se tornara o símbolo da força e da prosperidade de seu latifúndio!

Mas nem tudo era alegria na fazenda, pois todos os funcionários viviam a se queixar com o patrão sobre o comportamento de Helvécio. O boi era inexplicavelmente brabo, não permitia que ninguém entrasse no curral ou na vargem, dificultando a lida cotidiana dos camponeses e dos vaqueiros. Num dia desses, o administrador da fazenda contratou um carpinteiro que veio da cidade para consertar a cerca do curral. Mas quem disse que o danado do touro deixava o homem passar pela porteira, por fim o prestador do serviço juntou suas coisas e foi embora, deixando o trabalho por fazer, preferiu ficar vivo a receber o pagamento. Entretanto, havia um único trabalhador dali que ousava enfrentar o touro, o seu Luizinho, um agregado destemido que tinha a coragem de cruzar a porteira e colocar sal no cocho para o gado. Curiosamente, Helvécio pegava todos, menos seu Luizinho, talvez porque o homem era antigo na fazenda e ajudara a criar o vacum desde a condição de bezerro. 



Houve uma vez que o touro causou um prejuízo danado, pois cismou com um trator que estava aplainando o pasto e desembestou pra cima da máquina, batendo nela de frente, desferindo cabeçadas até seu radiador furar e jorrar água como se fosse um chafariz. Quando soube do incidente, Dr. Onofre achou graça. Quem esperava que ele fosse ficar zangado, surpreendeu-se quando ele disse:
_Ora, tirem logo o trator de lá e mandem consertá-lo! 

Contudo, com o passar do tempo, Helvécio começou a ficar ainda mais sem controle. Agora ele passara a pular a cerca e dar pega em qualquer pessoa que passasse na estrada que ficava lá no alto, do outro lado de seu pasto. Acontecia que, quando o touro avistava alguém, ele começava a pisotear o solo com a pata dianteira, o movimento do casco afundava o chão e arrancava torrões de terra. Depois ele ia disparado na direção do alvo, saltava por sobre o cercado de paus e arames e aí pernas pra que te quero para o transeunte, cuja alternativa era subir numa árvore ou pular da ponte e cair dentro do ribeirão afim de evitar levar coices e chifradas. Depois, restava ao perseguido rezar para Helvécio ir logo embora. 
Foi daí que veio uma chuva de reclamações para o dr. Onofre exigindo providências contra a violência e a rebeldia do touro indomável, pois agora as pessoas nem podiam mais passar pela estrada com medo do boi pegador. Alguns chegavam a dizer que ele tinha coisa ruim no corpo, enquanto outros falavam que a fera tinha parte com o demo. O fato é que onde o touro pisava a grama não voltava a crescer. Ameaçavam denunciar o fazendeiro na polícia, caso algo não fosse feito. Helvécio ganhou o apelido de o terrível, e, por conta de suas diabruras, ficou famoso e temido na região, exceto por seu dono, que admirava as qualidades do animal e esperava que ele se acasalasse, transferindo seus caracteres para sua prole.   

Por fim, sobrou até para seu Luizinho, que, certo dia, ao entrar no curral para dar vacina nas vacas, foi violentamente atacado por Helvécio. O boi, ao ver a pistola de vacinação na mão do campônio, partiu pra cima dele e, com uma cabeçada certeira em sua barriga, jogou-o por cima de seu lombo. Com o movimento acrobático, um dos chifres da fera se enroscou no cinto da calça de Luizinho, deixando-o preso ao touro, que passou a lhe sacudir de um lado para o outro como a quem sacode um tapete para limpar a poeira. O homem, desesperado, tentava se desvencilhar da besta e salvar a própria vida. O incidente terminou com Luizinho sendo arremessado por Helvécio em cima do telhado do curral e só foi tirado de lá após o bicho se acalmar e se afastar do lugar. Resultado: muitos hematomas e dores pelo corpo, três costelas quebradas e dois meses afastados da lida para repouso.

Após o terrível incidente, que por pouco não terminou com um óbito, houve protestos dos peões. Não teve jeito, dr. Onofre foi instado novamente a tomar medidas contra o touro. Dessa vez os funcionários da fazenda perderam a paciência e colocaram o patrão contra a parede: ou ele ou nós.

Pressionado e em prantos, o doutor decidiu por abater o animal que tanto lhe orgulhara por sua beleza, sua marcha galante e soberana, sua força e o seu gênio implacável que lhe tornava tão singular entre os demais de sua espécie. 

_Quem vai erguer o machado? Perguntou com os olhos arregalados de pavor um dos homens que trabalhavam na propriedade.

Ninguém respondeu, só havia murmurinhos e pessoas acenando negativamente com a cabeça. Então, o problema foi solucionado pelo patrão que disse que mataria o bicho a tiros de espingarda. Pegou sua arma no escritório, foi até o curral, parou na beira da cerca, apoiou o pé na madeira, fez mira, choramingou mais um bocado e puxou o gatilho: um, dois tiros e... Helvécio berrou numa altura que ecoou por toda a fazenda e até os vizinhos puderam ouvir o som de agonia do animal. 

Depois do abate, Onofre era só tristeza. Ao ver o bicho tombar e o sangue esparramar-se pela terra ao redor do touro, mandou que os homens o enterrassem, não deixou que houvesse celebração e nem que a carne de Helvécio fosse aproveitada num banquete. A partir daquele dia houve paz na fazenda, os trabalhadores podiam executar suas tarefas de forma despreocupada e o pessoal voltou a usar estrada, sabendo que estavam livres do perigo. Contudo, dr. Onofre, por sua vez, decidiu não mexer mais com gado, vendeu todo o seu rebanho, tamanha fora a decepção e a dor deixados em seu coração devido à perda do animal. 
Ele ficou desgostoso e amargurado, os dias felizes de outrora haviam ficado pra trás, agora andava soturno, desmotivado até que foi abandonando a empresa, tanto que a cipoama dava em toda parte revelando a falta de zelo. 
O homem adoecera e, antes de falecer, ainda viu a sua propriedade ser tomada pelo banco para saldar as dívidas. 

Porém, a história não se perdeu com a morte do touro, do seu dono ou com o confisco da fazenda, os feitos de Helvécio continuaram bem vivos na memória de todos, seja pelas canções entoadas pelos violeiros ou através das prosas ao redor das fogueiras, as quais celebravam o touro mais terrível que já existiu.

13.7.16

Palavras Cruzadas - a Revolução Industrial

Hora de se testar neste super caça palavras sobre a Revolução Industrial iniciada no século XVIII!

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