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24.2.19

Compreensão da História

O que é a História?

Os estudantes se perguntam o tempo todo sobre isso e sobre o porque estudar História. O conceito implica diversas definições e a resposta para a questão é complexa, variando ao longo do tempo e das diversas tendências historiográficas. Não existe uma resposta simples e fechada para essa pergunta, todos os historiadores podem contribuir para a construção dessa resposta. Vejamos algumas dessas contribuições:

Para o historiador brasileiro Ciro Flamarion Cardoso (1942-2013) a História possui cientificidade. 
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Ao tratar de estruturas globais, como a economia, a sociedade e a cultura, áreas que estão sujeitas à regularidades que podem ser explicadas com métodos e conceitos a História lança mão de ferramentas que a tornam uma ciência. 

Já o historiador e filósofo norte-americano Hayden White (1928-2018), a História teria algo semelhante à Literatura, sendo incapaz de representar o real. 
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Para ele, a disciplina valoriza a escrita e a narrativa, aproximando-se, assim, de um gênero literário.

E. H. Carr (1892-1982), historiador britânico, não oferece uma definição em absoluto sobre o que seja a História. Segundo ele, há variáveis, como a sociedade e o tempo, que influenciam a definição do que é História. Carr busca diferenciar fato e fato histórico
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Segundo o estudioso britânico, o que separa um acontecimento comum de um fato histórico é a importância que o historiador atribui sobre um acontecimento: o fato histórico. O fato não fala por si, tudo depende da visão e da interpretação do historiador sobre o mesmo.

Outra definição interessante é do historiador francês, Paul Veyne (1930-), para ele a História não é uma ciência, mas também não é uma ficção.
Veyne argumenta que a História é narrativa, porém com personagens reais. Apesar de se basear em fatos e documentos, a História não consegue alcançar o real, uma vez que tanto os fatos quanto os documentos são parciais. A História é subjetiva, pois ela depende das escolhas de cada historiador.

Marc Bloch (1886-1944), historiador francês, define a história como a ciência do homem no tempo. Ele valoriza a interdisciplinaridade, isto é, a aproximação da história com outras ciências, como economia, sociologia etc, e defende o caráter científico da História. 

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Cabe ao historiador buscar a verdade e julgar os fatos.    

Eric Hobsbawm (1917-2012), historiador marxista britânico, foi um dos pensadores mais influentes de seu tempo. Para a ele, a História possui uma função política política. Segundo essa visão, o passado pode ser utilizado para legitimar ações no presente, como os conflitos étnicos e nacionalistas.
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Nesse sentido, cabe ao historiador apontar e criticar o uso indevido da História, sendo necessário perceber a diferença entre fato e ficção.

Fonte Histórica


"... tudo aquilo produzido pela humanidade no tempo e no espaço; a herança material e imaterial deixada pelos antepassados que serve de base para a construção do conhecimento histórico" (SILVA, 2005, p. 158). 

As fontes ou documentos históricos são essenciais ao trabalho do Historiador, elas permitem a ele investigar e reconstituir o passado, buscando compreender como os grupos sociais  viviam e se relacionavam uns com os outros.

Herança ou Patrimônio imaterial


Segundo a UNESCO: "O Patrimônio Cultural Imaterial ou Intangível compreende as expressões de vida e tradições que comunidades, grupos e indivíduos em todas as partes do mundo recebem de seus ancestrais e passam seus conhecimentos a seus descendentes".  Para o IPHAN, os "bens culturais de natureza imaterial dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas)".

A roda de Capoeira, por exemplo, foi inscrita em 2014 na Lista Representativa do Patrimônio Imaterial da Humanidade. 

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A capoeira é arte e luta, ao mesmo tempo, os capoeiristas cantam, batem palmas e tocam instrumentos de percussão. 

As práticas, celebrações e a transmissão dos saberes tradicionais fazem parte da identidade e da História das pessoas e dos locais onde vivem, por isso são preservados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, entre elas estão:



  • Modo artesanal de fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro, da Serra da Canastra e do Salitre em Minas Gerais. As origens da técnica de feitura do queijo vieram de Portugal, mas em Minas Gerais adquiriram características próprias, segundo a realidade local.
O modo artesanal de fazer queijo de Minas envolve o processo de cura.

  • Saberes e práticas associados aos modos de fazer bonecas Karajá, povo indígena que habita em parte da região centro-oeste e norte do Brasil. O ensinamento da confecção de bonecas tem sido passado de geração para geração pelos Karajá, e sua prática está relacionada aos costumes e à cultura das mulheres indígenas dessa etnia.
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Veja mais exemplos de bens imateriais registrados no IPHAN clicando aqui.

Documentos ou fontes históricas materiais

São os vestígios e registros do passado, como fontes escritas, fontes iconográficas e fontes materiais. Vejamos.

ESCRITAS: Livros, jornais, certidões, testamentos, cartas etc.



ICONOGRÁFICAS: Pinturas, desenhos, fotografias etc.
Cafua



MATERIAIS: vestígios de construções, instrumentos, fósseis dentre outros.




Há também as fontes orais, que visam resgatar a memória de pessoas que vivenciaram fatos históricos. Tais fontes são importantes para auxiliar o historiador na reconstituição, na interpretação, preservação e registro dos acontecimentos mais recentes da História. Elas são obtidas por meio de entrevistas e tomada de depoimentos junto às agentes da História, isto é, aos indivíduos que fizeram parte do fato estudado.  



Bibliografia básica

SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005.


Avaliação 

1. ENEM, 2022.


28.9.17

Para que serve o historiador?

O historiador é o profissional, graduado em História com conhecimentos teóricos e metodológicos, para pesquisar o passado e escrever sobre os eventos históricos, interpretar fontes de variados tipos (documentos escritos, imagens, vestígios arqueológicos, entrevistas com pessoas que vivenciaram acontecimentos históricos etc) e, inclusive, identificar o impacto dos fatos pretéritos nos dias atuais.

Em 2009, foi sancionada uma lei que estabeleceu a data 19 de agosto como o dia nacional do historiador. A data foi uma homenagem ao intelectual e abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910).




Muitos acreditam que o historiador cuida apenas de coisas velhas, papéis antigos e livros empoeirados. Entretanto, essa visão é um grande engano, pois o campo de atuação e pesquisa do profissional de história vai além de arquivos e bibliotecas. Tudo ao nosso redor tem uma história para ser descoberta e contada, como o nome de uma praça, uma estátua que homenageia determinadas pessoas, em suma, a sociedade do tempo presente como um todo em suas múltiplas representações e configurações podem ser objeto de estudo do historiador! Logo, esse profissional pode atuar em vários setores, tanto no público, como instituições de ensino e de pesquisa, quanto no privado, organizando arquivos e resgatando a memória de empresas.




Imagens do projeto "Jovens historiadores", desenvolvido no CIEP 280 - Carmo (RJ), em 2015.

Como vimos, o papel do historiador é extremamente importante para a preservação do passado, da memória e mesmo para a compreensão do presente. A história está intimamente conectada com a identidade dos diversos grupos sociais e do país, como um todo. Por exemplo, a identidade de uma aldeia indígena ou de uma comunidade quilombola ou mesmo de um determinado bairro da cidade que preserva algumas tradições, como festas e celebrações populares. É a história que identifica a origem desses fenômenos sócio-culturais e explica sua manutenção até os dias de hoje.

Mas o papel do historiador não para por aqui, sua função social é por demais complexa e não se limita jamais à catalogação de nomes e datas. 


Ciro Flamarion S. Cardoso (1942-2013)

O renomado historiador e professor Ciro Flamarion Santana Cardoso (1942-2013), em sua obra Uma introdução à história, nos ensina que 

"o historiador brasileiro tem um compromisso ineludível com a sociedade na qual vive e age. O seu papel é o de pôr as suas capacidades profissionais a serviço das tarefas sociais que se impõem à coletividade da qual forma parte" (CARDOSO, C. F. S. Uma introdução à história. São Paulo: Brasiliense, 1992, p. 123).

Logo, o profissional da história não pode deixar de exercer sua função social, que é o de adquirir ferramentas teóricas e metodológicas para desconstruir a velha história, a qual construía narrativas de heróis, patriotismo e mitos que serviam aos interesses conservadores da sociedade, substituindo-a pela "história-problema", que faz indagações, aponta hipóteses, investiga várias fontes e desconstrói mitos.

Nesse caso, pergunta o professor Ciro Cardoso sobre a missão e a tarefa do historiador: "Haverá alguma dúvida a respeito de tais tarefas num país dependente e marcado por desiquilíbrios e injustiças sociais tão flagrantes?" (Op. Cit. p. 123).  


Além disso, Eric Hobsbawn ressalta que no século XXI, o papel social do Historiador torna-se ainda mais relevante, pois entre a geração atual, com o advento das transformações culturais e tecnológicas, criou-se a noção de "presente contínuo". 

Os jovens acreditam que o agora não tem nenhum vínculo ou conexão com o passado. Pois estão muito enganados, basta historiar as práticas presentes que encontraremos suas raízes no passado. Não foi à toa que Marc Bloch (1944) sustentou a ideia, segundo a qual  a história é a ciência do homem no tempo. Assim, mesmo com a passagem dos anos os costumes, as instituições, as crenças e certos ritos permanecem inalterados ou se readaptam às novas realidades. E quem melhor do que os Historiadores para revelar a existência das permanências ou apontar as mudanças e à quais ordem ou interesses elas atendem?

Portanto, podemos concluir que o historiador é um profissional valioso para a sociedade, ele nos ajuda a lembrar o que não deve ser esquecido e que é por demais precioso para a humanidade, nossa identidade, nossa origem e os apontamentos futuros.

1.3.16

Uma breve reflexão sobre o fazer do historiador

O grande historiador francês e um dos fundadores da célebre Escola dos Annales - Marc Bloch (1886-1944) - afirmou que a História é "a ciência dos homens no tempo" e que o seu objeto de estudo é, por natureza, o homem.




Para proceder ao estudo do homem e de suas ações no tempo, é imprescindível para o trabalho do historiador recorrer às fontes históricas. O eminente medievalista francês, Jacques Le Goff, ressalta a importância dos documentos na pesquisa histórica, evocando as palavras de Samaran, para quem "não há história sem documentos" e Lefebvre, segundo o qual "não há notícia histórica sem documentos". (História e Memória, 1990 p. 285).

Na Europa no final século XIX, a escola positivista determinava que as fontes, principalmente documentos escritos de caráter oficial, seriam determinantes para o trabalho do historiador. 




A respeito da manipulação do documento pelo historiador oriundo do método positivista, Fustel de Coulanges orientava que seu trabalho:


 "... consiste em tirar dos documentos tudo o que eles contêm e em não lhes acrescentar nada do que eles não contêm. O melhor historiador é aquele que se mantém o mais próximo possível dos textos" (COULANGES, 1888 apud LE GOFF, 1990. p. 283). 

Nessa perspectiva historiográfica, o documento é tomado como prova irrefutável da verdade histórica, não comportando interpretações pessoais, o que sugeria uma pretensa neutralidade da história-ciência.

Ainda sobre historiografia da escola positivista é importante ressaltar que ela privilegiava o estudo da política, da história diplomática e militar, além da vida dos personagens ilustres, em detrimento de temas recorrentes que passaram a ser escrutados pelos pesquisadores dos Annales, a partir de 1929. Temas como a família, a morte, a cultura popular, a longa duração, a permanência de estruturas sociais e mentais ao longo do tempo foram eleitos pelos adeptos da "nova história" como os assuntos prioritários em suas pesquisas. 

A revolução historiográfica dos Annales contrapunha-se ao método positivista. A partir daí, a história não se dedicaria mais apenas à dimensão política, mas passaria a analisar todas as atividades humanas, em suas  vertentes culturais, sociais e econômicas. Para tanto, a escola francesa que fundou a "nova história" pregava a necessidade dessa disciplina recorrer à interdisciplinaridade, isto é, a colaboração de métodos e conceitos de outras ciências e ramos do saber, como a economia, a sociologia, a linguística e etc.




Além disso, a proposta dos Annales mudou radicalmente a noção de documento histórico, bem como a abordagem que o historiador deveria ter com relação às suas fontes de pesquisa.
Se antes os documentos escritos e oficiais eram fundamentais para o fazer histórico, agora essa noção havia sido dilatada, fazendo emergir outras fontes de pesquisa para o historiador. A esse respeito, Samaran deixa claro a necessidade de haver uma revolução documental, tal qual foi perpetrada pelos Annales: "Há que tomar a palavra 'documento' no sentido mais amplo, documento escrito, ilustrado, transmitido pelo som, a imagem, ou de qualquer outra maneira"  (SAMARAN, 1961 apud LE GOFF, 1990. p. 285). 

Após 1930, o escopo documental aumentou significativamente, basicamente, qualquer vestígio humano - material ou imaterial - tornou-se um objeto passível de ser estudado na metodologia proposta pelos Annales.




Outro aspecto que sofreu significativa transformação foi o tratamento dispensado pelo historiador em relação ao documento. Após 1929, o documento deixou de ser visto como um repositório da verdade histórica. Agora o historiador enxerga o documento como algo que deve ser investigado e questionado, além de ser relacionado com o seu contexto de produção. Era a história-problema. A crítica documental tornou-se um método fundamental para a compreensão da história e as fontes passaram a ser compreendidas como "um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que aí detinham o poder" (LE GOFF. op cit. p. 288). Cabe ao historiador se apropriar da realidade histórica, desmontá-la e, por meio da análise das fontes, dos indícios e da interdisciplinaridade compreendê-la. Importante ressaltar que, com o advento dos Annales, a pretensa neutralidade da história e do historiador foi severamente questionada. A esse respeito LE GOFF esclarece que: 


"A intervenção do historiador que escolhe o documento, extraindo-o do conjunto dos dados do passado, preferindo-o a outros, atribuindo-lhe um valor de testemunho que, pelo menos em parte, depende da sua própria posição na sociedade da sua época e da sua organização mental..." (LE GOFF, op. cit. p. 289).

Portanto, o historiador e os documentos não são capazes de ficarem alheios às influências de seu tempo, por isso o estudo histórico exige rigor, na tentativa de desvelar os segredos e as intencionalidades que ficam sob o véu das fontes e dos acontecimentos. Mas a pesquisa histórica também exige flexibilidade do historiador, pois, segundo Marc Bloch, "a história não apenas é uma ciência em marcha. É também uma ciência na infância: como todas aquelas que têm por objeto o espírito humano" (BLOCH, 1944. p. 35).

Sendo a história uma ciência em marcha, ela está em constante mutação metodológica e seus meios de produção de conhecimento nem definiram métodos rigorosos, matematicamente estabelecidos, tampouco seus resultados são convergentes para uma única explicação. Bloch lembra que o "monismo da causa seria para a explicação histórica simplesmente um embaraço" (BLOCH, 1944. p. 111).
Ademais, modelos explicativos no sentido galileano já se mostraram insuficientes para dar conta das particularidades da história.
Mais do que fórmulas e metodologias rigidamente definidas, o campo da pesquisa em história continua em aberto, com amplas possibilidades para abordagens e estudos, num caminho que ainda está longe de ser totalmente explorado.  

Bibliografia básica

BLOCH, Marc. Apologia da História ou Ofício do historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2002.

LE GOFF, Jacques. “Documento/Monumento”. In: História e Memória. Campinas, SP: Editora Unicamp, 1994.

9.3.15

Jovens Historiadores

Um dos temas do 1º bimestre é a Introdução aos estudos da História.

Assim, falamos sobre a História enquanto Ciência Humana, sobre o Historiador e as fontes históricas, e a ideia equivocada de que a História é neutra e imparcial. Também conversamos sobre o fato de que cada um de nós pode fazer história todos os dias, o que nos torna agentes de nosso próprio destino e também da sociedade que nos cerca.

Para não ficar só na teoria, partimos para o campo. 
Destino: Centro Cultural do Carmo.
Nesse lugar há preciosidades da História e da Memória carmenses que ainda não foram devidamente mensuradas.

Antes de ir, fizemos uma oficina com os alunos sobre como se portar num ambiente Cultural e os cuidados que devemos ter com as fontes que iríamos manusear - exemplares do Correio do Carmo, do ano de 1935!


Os alunos realizaram os preparativos, levaram luvas cirúrgicas para evitar o contato direto entre as mãos e a fonte primária e para prevenir alguma irritação na pele, devido aos fungos e bactérias que impregnam as folhas do antigo informativo.

Os estudantes gostaram muito da experiência e do contato com uma fonte primária escrita. Muitos ficaram surpresos com as diferenças ortográficas, pois o português de antigamente era bem diferente do nosso. Outros se surpreenderam com os anúncios e com os artigos críticos e irônicos a respeito da política local e estadual.

Agora você fica com algumas fotos dos Jovens Historiadores do CIEP 280 e aguarde para ver o que eles irão produzir após este contato com as fontes históricas!







15.2.15

Avaliação de História on-line

Teste seus conhecimentos sobre os Estudos Introdutórios de História.

Referências de texto e slide para consulta:

Texto
Slides


Faça a avaliação on-line e bom estudo!



11.2.14

[REVISÃO] História - Estudo Introdutório

História é a ciência que estuda o Homem no tempo. (Marc Bloch)

  • HISTORIADOR é o profissional que pesquisa e escreve sobre os fatos históricos, não apenas narrando o fato, mas analisando-os em seu conjunto, refletindo sobre as implicações econômicas, sociais e políticas dos acontecimentos.


  • O Historiador recebe influências do contexto social no qual está inserido. Além disso, como qualquer outra pessoa, ele possui posicionamentos políticos, prefere um a outro tema de estudo, emprega métodos de pesquisa diferentes que refletem nos resultados de suas pesquisas. Logo, podemos perceber que na História não há verdade absoluta, nem uma neutralidade científica, pois ela é feita por diferentes versões sobre o mesmo fato.
  • O estudo da História é interdisciplinar, ele conta com o apoio de outras ciências, como a Arqueologia, Geografia, Paleontologia, Economia, Sociologia dentre outras. 
  • FONTES HISTÓRICAS: são os principais instrumentos de trabalho do historiador. Elas são vestígios produzidos pelos seres humanos ao longo do tempo, que ajudam o historiador a conhecer e recontar o passado. Existem diferentes tipos de fontes, a saber:
ESCRITAS: Livros, jornais, certidões, testamentos, cartas etc.



ICONOGRÁFICAS: Pinturas, desenhos, fotografias etc.


ORAIS: Depoimentos, entrevistas, histórias contadas.


MATERIAIS: vestígios de construções, instrumentos, fósseis dentre outros.

  • As fontes são produzidas em seus contextos históricos, por isso o Historiador faz uma série de perguntas (quem fez? para que fez?), análises e comparações de dados para conhecer a época em que elas foram produzidas. Sendo assim, o estudo das fontes históricas permite múltiplas abordagens (interdisciplinaridade) e interpretações sobre os fatos.  
AGENTES DA HISTÓRIA: A História do século XIX privilegiava o estudo e o registro da vida dos grandes vultos, tais como os Reis, os Generais e outros personagens ilustres. Atualmente, os estudos históricos também atribuem importância para o papel dos escravos, das mulheres, dos operários, dos camponeses e de outros personagens que antes não tinham espaço nos livros didáticos. 

Multidão nas ruas de São Paulo em protesto popular. Quem são os agentes da História aqui?
Por isso, todos nós somos agentes da História e estamos sempre ajudando a construí-la quando interagimos em sociedade. 

(Leia um trecho do poema abaixo, escrito pelo poeta alemão Bertold Brecht e reflita sobre os agentes da História).

Perguntas de um operário que lê


Quem construiu Tebas, a das sete portas? 

Nos livros vem o nome dos reis, 

Mas foram os reis que transportaram as pedras? 

Babilônia, tantas vezes destruída, 
Quem outras tantas a reconstruiu? 
Em que casas 
Da Lima Dourada moravam seus obreiros? 
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde 
Foram os seus pedreiros? A grande Roma 
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem 
Triunfaram os Césares?
(...)

Chegou a alguma conclusão? Os reis são mais importantes que os transportadores das pedras dos palácios? A História é feita apenas pelos grandes homens ou as pessoas comuns também fazem parte da História? Pense nisso!



Leia mais sobre Estudos introdutórios no link:

2.7.12

História = Identidade

Muitos estudantes questionam porque precisam estudar a História, uma disciplina que julgam tratar apenas de coisas velhas, papéis antigos e objetos de museus.


De fato, a História lida com objetos antigos e atribui um grande valor para os museus e os artefatos que neles estão encerrados e expostos. Afinal, esses artigos são fontes importantes para apreendermos informações sobre a época em que eles foram produzidos.

Mas o estudo da História não se restringe somente ao estudo do passado e das coisas antigas.
Uma das primeiras definições que aprendemos sobre a disciplina é que ela estuda o passado, para entendermos o presente e melhorar o futuro.
Concordamos com essa afirmação, embora saibamos que ela sozinha não explique o sentido da disciplina História. Contudo, discorreremos um pouco acerca dessa visão de que o estudo do passado contribui para compreender o presente e melhorar o futuro.

Quando estudamos o passado, temos a possibilidade de vislumbrar as ações humanas, as que deram certo e as que deram errado, podemos aprender com os erros e os acertos de nossos antepassados.

Atualmente, vivemos em uma sociedade na qual temos leis que protegem os cidadãos contra qualquer tipo de intolerância, seja ela racial, religiosa ou de opção sexual.
Mas só temos essas leis porque passamos por períodos históricos onde elas eram inexistentes, onde as pessoas erraram, tomaram decisões equivocadas, preconceituosas, segregacionistas e cruéis que resultaram em intolerância, ódio, perseguições e derramamento de sangue inocente.

Por exemplo, na Idade Média (476 a 1453), desde o século XI a Inquisição, tribunal da Igreja Católica, perseguia, prendia, julgava e condenava diversas pessoas suspeitas de atentarem contra os costumes católicos e cristãos, que a Igreja determinava como o padrão para a sociedade da época.

Um outro exemplo, porém contemporâneo, é o Holocausto, promovido pelos nazistas na Alemanha, entre 1933 a  1945, onde aproximadamente 6 milhões de judeus foram mortos e, sistematicamente, perseguidos pelos alemães sob o pretexto racial.


Os alemães culpavam os judeus pela derrota da nação na Primeira Guerra e pelos males que afligiam o país na segunda década do século XX, além disso, Hitler, o chefe do nazismo, classificava os judeus como uma raça inferior, portanto, deveria ser eliminada.

Infelizmente, precisamos passar por diversos traumas ao longo da História, e devido a esses processos históricos hoje podemos viver e desfrutar de uma vida, relativamente, melhor, onde há mais tolerância e respeito pelas diferenças culturais.

Em suma, a sociedade humana amadureceu, nós aprendemos com os erros, e a História nos ensinou a melhorar. Se as leis que existem hoje trazem benefícios para as pessoas, protegem nossos direitos de ir e vir, de nos expressar livremente, de ter liberdade de crença é porque muita gente no passado morreu para que pudéssemos usufruir desses direitos.
  
Note que, apesar de conhecermos um pouco do passado e dos erros cometidos pela Humanidade, ainda hoje há intolerância, preconceitos de diferentes tipos e ódio espalhado pelo Mundo. 

Mas se não fosse a História e os processos que a envolvem, como a interação entre os grupos sociais, talvez não estaríamos vivendo com a liberdade que desfrutamos atualmente.

Por isso temos que valorizar a História. Ela não é uma disciplina ultrapassada, que só estuda velharia. A História é dinâmica, está sempre em transformação, tem diferentes pontos de vista, é construída por cada um de nós, com nossas frustrações, ambições, paixões, erros e acertos.

A História é múltipla, diversa, rica e fragmentada em versões, nela não há verdade absoluta. Contamos e recontamos a História sob diferentes pontos de vista, as versões sobre os fatos variam de acordo com os interesses dos agentes históricos, que, muitas vezes, são distintos e conflitantes  entre si. Descobertas e pesquisas estão sempre renovando a historiografia, isto é, a escrita do conhecimento em História.

A Disciplina também nos permite  ter acesso às diferentes culturas do Mundo, com ela podemos estudar, conhecer e admirar todo o patrimônio cultural que nos foi legado pela Humanidade, esteja ele em qualquer lugar do Mundo, sem precisar sair do conforto de nossas casas.
Graças à História podemos contemplar a imponência das pirâmides milenares do Egito, receber conforto espiritural nas monumentais catedrais góticas, ou admirar a beleza do Partenon em Atenas, enfim, viajamos na História e elevamos nosso nível cultural quando tentamos conhecer e compreender as diferentes culturas que coexistem no Planeta.

Quando estudamos História, estamos olhando para nosso passado, estamos construindo nossa identidade.
Cada cidadão tem um documento de identidade. Para que serve esse documento?


Ele revela seu nome, ele contém os registros do tempo e do espaço onde você nasceu. Nele também há os nomes dos seus pais, resumindo, a carteira de identidade  conta um pouco da sua trajetória individual. A História disciplina é a identidade de todos nós, pois ela registra a trajetória da sociedade e as implicações de nossas decisões para o mundo.

O passado histórico, portanto, diz respeito a todos nós, enquanto membros da sociedade. O Mundo não está pronto e acabado, ao longo da História construímos e reconstruímos tudo o que está a nossa volta.
Por isso um grande historiador francês - Fernand Braudel (1902-1985) - afirma que a História é a Ciência que estuda as ações do Homem no tempo. E foram estas ações que moldaram e tolheram vidas, forjaram hábitos e crenças, as quais nos foram legadas com o passar do tempo.

Tudo que nossos antepassados realizaram fazem parte de nossa identidade coletiva, o Mundo que deixaram para nós deve ser melhorado, é nossa obrigação procurar conhecê-lo e torná-lo melhor.
No filme Cruzada (2005), dirigido por Ridley Scott, o personagem principal carregava uma frase de impacto, que vai ao encontro da ideia aqui exposta, ela dizia: "Que Homem é um Homem que não torna o Mundo melhor?"

Então quem somos nós se abandonarmos nossa identidade, quer por preguiça ou por desinteresse? Queremos apenas passar pelo Mundo, sem plantar nada para as próximas gerações? Que legado deixaremos para os estudos futuros?

Como podemos perceber, estudar a História é muito mais do que decorar datas, fatos e personagens históricos, estudar o passado nos ajuda a compreender nosso papel na Terra. Conhecer e estudar a nossa História é como fazer um documento de identidade, quando conhecemos nossas raízes, descobrimos mais sobre nós mesmos e sobre a sociedade que nos cerca, dessa forma, temos a possibilidade de aprender sobre como poderemos agir para tornar nosso Mundo melhor.  

2.3.12

Estudo introdutório (1º ano CIEP)

Abaixo postamos o slide do "Estudo introdutório", nele há uma breve reflexão sobre as mudanças no estudo da História, a variedade de fontes históricas e parcialidade no estudo e na escrita da historiografia.
O material foi trabalhado no 1º ano do Ensino Médio, do CIEP 280.


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