23.6.12

A verdade em forma de notícia

Nosso post "Você acredita em vampiros?" foi publicado no jornal mais tradicional de Leopoldina e Região - o Tribuna do Povo.

O texto está na edição número 624, de 17 de junho, que pode ser encontrada nas bancas de Leopoldina, por R$ 0,50.

5.6.12

Você acredita em vampiros?


Eles tem presas afiadas, seus caninos são longos e sedentos por sangue, fazem o maior sucesso nos cinemas, nos gibis e nos games.
Quem são eles? Os famosos vampiros!

A lenda dos vampiros é antiga, remonta à Europa Medieval, e tem se perpetuado no imaginário coletivo.
Eles eram seres imortais, só saiam à noite, atacavam as pessoas em busca do sangue e só eram parados caso fossem golpeados por uma estaca de madeira ou de prata, bem no peito.

Pois bem, hoje, ao visualizar um site notícias, li uma manchete bastante sensacionalista que diz: "Arqueólogos acham esqueletos de supostos vampiros com estacas".

Esqueleto de homem medieval com estaca de ferro de ferro cravada na região do peito.

A notícia dava conta de que na Bulgária, país do leste europeu, arqueólogos encontraram um esqueleto da Idade Média (476 a 1453) com uma estaca de ferro, que perfurou o seu peito.

Provavelmente, pela crença medieval do local, aquele cadáver recebeu tal castigo pois acreditavam que ele poderia se transformar em um vampiro, ser que sobrevivia do sangue humano e atormentava as pessoas que viviam nas vilas e campos medievais.
A estaca de ferro cravado no peito impediria que o morto deixasse o túmulo e retornasse à vida.

E então, será que acharam a prova de que os vampiros realmente existem?
 
Cabe lembrar que durante a Idade Média que surgiu o Tribunal do Santo Ofício - a Inquisição - da Igreja Católica, cujo objetivo era "averiguar pecados graves, crimes contra os hábitos e costumes, atitudes que contrariassem, atacassem ou ofendessem as normativas do catolicismo." (João Luís de Almeida Machado. In: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=541)

Os inquisidores investigavam pessoas suspeitas de adorarem o demônio, de praticarem rituais mágicos e bruxaria. Muitos acusados poderiam ser torturados e até sofrerem a pena máxima - a purificação pelo fogo.

Inquisidores torturando um acusado de praticar atos anticatólicos



Se o acusado fosse culpado e seu "delito" considerado grave ela poderia ir para a fogueira.

 

A Inquisição, cujos trabalhos foram iniciados por volta do século XIII e permaneceu ativa até o século XIX, perseguia as pessoas diferentes que na Idade Média - época de ouro da Igreja Católica - professassem qualquer crença que contrariava a ideologia dominante do clero católico. Esses indivíduos eram considerados hereges e mereciam ser castigados até confessarem o erro e se arrependerem de ter pecado.

Os tais vampiros encontrados na Bulgária podem ter sido vítimas dos católicos extremistas da época Medieval ou de crenças pagãs da região, segundo as quais os indivíduos que foram ruins na vida podiam se transformar em vampiros após a morte e atacar os vivos. Por isso seus cadáveres eram esfaqueados com metal para evitar que retornassem à vida. Isso acontece com as pessoas diferentes que não levavam uma vida de acordo com os preceitos católicos ou as imposições sociais de sua épica. Sendo assim, elas eram consideradas demoníacas, tratadas com preconceito, isolamento social, recebiam rótulos, sofriam  torturas e podiam  até ser condenadas à morte.

Portanto, não precisa ficar com medo do Post e nem precisa colocar alho na porta do seu quarto para afastar os vampiros (rsrsrs), eles não existem. Provavelmente, os esqueletos encontrados lá na Bulgária com estacas no peito foram vítimas do extremismo religioso e da intolerância às diferenças de credo e de pensamento.


O fato é que a época da intolerância passou, hoje temos leis que garantem a liberdade de culto, isto é, todos nós somos livres para ter uma crença, seja ela qual for. A lei também nos garante a proteção e a segurança do nosso local de culto.

Dá uma conferida no que diz a Constituição brasileira de 1988:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Viu só? A lei garante nossos direitos, mas nem por isso podemos deixar de ser vigilantes. Somos cidadãos e devemos sempre lutar pela tolerância, pelo respeito ao próximo e às diferenças de qualquer espécie, cultural, social, físicas e etc.

Nada justifica conflitos, guerras e perseguições, se não houver respeito e tolerância entre as pessoas não teremos harmonia e nem a sonhada paz social.

Fique ligado!

História é Cidadania!




Texto publicado no jornal Tribuna do Povo - nº 624, 17 jun. 2012

31.5.12

"5 S" - VOCÊ CONHECE?

Hoje, dia 31 de Maio, foi o dia do "5S" na rede estadual de Educação do Rio de Janeiro.

Aqui no CIEP 280, os professores, divididos por áreas do saber, trabalharam o assunto com os alunos, realizaram oficinas, debates e apresentações sobre a metodologia dos "5S".

Quer saber o que significa "5S"? Confira a reposta nos slides abaixo, que os professores da área de Ciências Humanas, trabalharam com os alunos do 7º ano:


22.5.12

O que se vê em um ponto turístico de Leopoldina...

Para chegar a um dos locais mais belos e visitados de Leopoldina, o alto da Chácara Dona Euzébia, é necessário ultrapassar diversos obstáculos, como por exemplo, os buracos do trajeto...



Vencido os buracos, você chega ao topo, onde, como recompensa, é possível respirar ar puro, ouvir o canto dos canários e o gorjear das exuberantes maritacas verdes.

A caminhada torna-se ainda mais agradável e relaxante pela contemplação da vista de grande parte da cidade,


 ... ou das montanhas que circundam nossa região.


Os visitantes não se cansam de exaltar Rá, para os egípcios, Apolo para os helenos, Tupã para os índios ou Sol, segundo os astrônomos. Nesse lugar cada por do sol é único, peculiar...

O crepúsculo forma uma aquarela inigualável e anuncia a chegada da noite, quando o astro rei cede espaço para a Lua e as estrelas. Observar o horizonte e vivenciar essa atmosfera é uma terapia natural.

Mas não se engane, toda a beleza proporcionada pelo local convive, forçosamente, com uma das piores ações humanas, a degradação, o descaso e a irresponsabilidade para com o Meio Ambiente.
Ao longo do percurso até o topo é comum encontrar toda sorte de lixo.


Embalagens de cigarro...



Garrafas pet, plásticos, embalagens de biscoitos, balas, chocolates. (Atenção, leitor (a), apesar dos indícios, você não está em um setor de guloseimas do supermercado e também não está em um lixão, a descrição e imagem são de uma via/local pública...)



Litro de álcool, que pode facilmente causar um incêndio, devastar o pasto, destruir os arbustos onde os pássaros constroem os seus ninhos.


Óleo de veículos, material inflamável e também poluente.

Não estamos na Palestina, a terra Santa onde brota leite e mel, mas aqui, ao pé dos arbustos, encontramos moedas e um altar para rituais religiosos.

Em um breve passeio, munido de celular com câmera fotográfica, registramos um pouco da beleza do lugar e também a triste realidade da destruição do Meio Ambiente por nós, seres humanos.

Quem joga todo esse lixo no local? Onde está a consciência e a educação das pessoas?
O local é próximo a uma universidade, e cercado por outras escolas, instituições de ensino que formam cidadãos, para preencherem os quadros profissional e humano da cidade e da região. Por que o local, cuja beleza natural encanta os olhos, tem sido tão ofendido pela falta de educação das pessoas?

Por que os adultos e as crianças que passeiam diariamente por lá, não podem recolher o lixo que lá produzem e trazê-lo para suas casas, ou depositá-lo em uma lixeira? Por que é necessário poluir tanto um ambiente que está a disposição de todos

Que futuro teremos se continuarmos destruindo, desmatando, queimando e poluindo tudo o que está ao nosso redor? Que cidadãos nós temos e queremos formar para vida e para a paz? Que sociedade estamos construindo

A obrigação de zelar pelo local é de todos nós, que o frequentamos, que fotografamos e que levamos materiais e objetos que não podem ser descartados nas ruas ou no meio do mato. Lixo é para ser jogado no lixo, não indiscriminadamente nos espaços públicos. 


Só vamos tornar o Mundo melhor, quando começarmos a mudar nossas próprias atitudes. Pense nisto.

20.5.12

Reforma Protestante (700 CIEP 280)

Eis um dos conteúdos que trabalhamos com os alunos das turmas 701, 702 e 701-EJA do CIEP 280 - a Reforma Protestante.
Martinho Lutero iniciou a Reforma Protestante, ao publicar suas 95 teses e pregá-las na porta da Catedral de Wittenberg (Alemanha), 1517.


Estudamos bastante esse fato histórico, que teve muita repercussão no período transitório da Idade Média para a Idade Moderna. A Reforma foi um duro golpe para a Igreja Católica e para a claudicante sociedade medieval.

Analisamos as consequências da Reforma Protestante, a qual gerou intolerância, ódio, perseguições e derramamento de sangue.

 A noite de São Bartolomeu (1572), milhares de protestantes foram massacrados por ordem da mãe do rei da França.

Uma das habilidades previstas no Currículo Mínimo para ser desenvolvida pelos estudantes era a de "Promover o desenvolvimento de atitudes de respeito e Tolerância à diversidade religiosa".
A respeito disso, vamos ler o texto da aluna Adrielle, da turma 701. Essa atividade relaciona um trecho da Constituição de 1988 com as questões religiosas. Ela Respondeu a algumas perguntas, com base no tema das aulas e no fragmento retirado da Constituição brasileira de 1988, veja:


Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

a)Devemos respeitar a escolha religiosa das pessoas, seja ela qual for.
b) Justifique a importância dessa lei para a vida coletiva e individual.  R: Ela serve para que não haja conflito entre as pessoas e os grupos religiosos, para que ninguém seja perseguido por praticar uma religião.
c) Escreva um parágrafo comparando o conteúdo da Constituição de 1988 com a ação do tribunal do Santo Ofício nos séculos XIII-XIV. R: A Lei foi realmente muito importante para proteger a escolha de cada um, assim cada um pode optar por uma religião. Antigamente, na Europa, a Inquisição não respeitava a escolha religiosa das pessoas, perseguia, torturava e até matava aqueles que não eram católicos. 

 
Acho que cumprimos nossos objetivos. Os alunos participaram ativamente das aulas, produziram, refletiram e fizeram arte. Vamos conferir os trabalhos dos alunos e alunas, pois eles foram brilhantes e estão todos de parabéns!



Viu só? A participação de todos e os trabalhos ficaram excelentes, melhor do que isso, foi o entendimento de cada um acerca da necessidade de respeitar as diferenças religiosas, culturais e de pensamento.
Só com atitudes respeitosas teremos um Mundo com mais paz, onde as diferenças culturais não servirão mais como justificativa para conflitos, disputas de poder e nem fomentarão o ódio entre os povos!

16.5.12

Em quem eu não devo votar?


Durante o período eleitoral, os candidatos aos cargos eletivos fazem de tudo para conseguir o seu voto.
Visitam as instituições de caridade, participam de festejos populares, forjam sorrisos, cumprimentos e abraços inesgotáveis e, é claro, as promessas que, na maioria das vezes, nunca são cumpridas, caso o candidato seja eleito.

Nas campanhas para conquistar votos e cargos vale tudo, literalmente. É nesse momento que os publicitários especializados em marketing eleitoral entram em ação para orientar os rumos e as práticas recomendáveis, para que o candidato tenha apelo popular e consiga conquistar os corações dos eleitores e os votos.

Os políticos transformam-se em verdadeiros artistas, interpretam um papel, e, em certos casos, são lobos travestidos em pele de cordeiro.
Uma prática que observamos no período eleitoral é a presença certa dos candidatos em eventos e locais que, são costumeiramente frequentados pela população, como por exemplo, festas juninas, lanchonetes e restaurantes populares.

Sempre com um sorriso falso no rosto, lá estão os figurões oportunistas degustando salgadinhos engordurados, almoçando em locais que servem comida a baixo custo, ou visitando bairros - caminhando lado a lado com o povo. Sobram cumprimentos, sorrisos, apertos de mão e abraços.

Não se enganem, esses figurões da política não frequentam costumeiramente esses locais, e nem gostam de fazê-lo, não comem coxinha na lanchonete da praça e não irão retornar ao restaurante para comer de "bandejão"  após serem eleitos. O ambiente que esse tipo de gente frequenta é bem diferente dos que são frequentados pelos trabalhadores, por gente simples e humilde, lá pobre não entra, não há espaço para trabalhadores, desabrigados e desempregados, pois o funil social trata de separar a elite financeira do restante da população. 

Toda aquela representação teatral de humildade e sensibilidade tem o único objetivo de vender a ideia, que o candidato que ali se apresenta é igual aos seus eleitores, que ele compreende suas necessidades, também possui humildade, tem sensibilidade social e está disposto trabalhar para resolver os problemas da população.

Essa ideia hipócrita, infelizmente, ainda comove corações, que se deixam seduzir pela asquerosa interpretação dos candidatos a cargos políticos. O jogo de cena toca o coração dos mais desinformados e submete a razão, devido a força provocada pela emoção. Essa é uma das frias estratégias eleitoreiras, que há muito tempo tem funcionado.

Por isso, alguns canalhas acabam se elegendo e, após assumirem a função pública, voltam-se contra os interesses daqueles que o elegeram, isto é, o povo. Políticos assim trabalham pelos seus próprios interesses, trabalham em prol de um pequeno grupo do poder, conduzem os negócios públicos beneficiando empreiteiros, banqueiros e industriais em detrimento da população. Depois de eleitos, eles pouco se importam com os bairros e com a população que vive neles, nem pisam lá novamente. Ficam enclausurados em seus gabinetes, tratando de negócios escusos.

Enquanto poucos tiram proveito do poder e das negociatas mais sujas, a população e os trabalhadores que sustentam a cidade e o país, com seu sangue e suor, continuam sendo massacrados, forçados a sobreviver, diariamente, com a desigualdade social, a violência, falta de saúde e educação de qualidade, desemprego, falta de habitação, saneamento básico, lazer, cachoeira e oceanos de corrupção e impunidade...

Alertamos no texto anterior, que devemos votar em quem, de fato, tem compromisso com os direitos sociais e as garantias fundamentais para a vida com dignidade. Não é certo depositar o seu voto em um lobo que se veste de cordeiro e que desce de seu palacete, para visitar os vilões somente durante o período eleitoral. Não se deixe convencer por sorrisos e cumprimentos falsos.

Cuidado, o seu voto está sendo caçado, cabe a você defender o seu direito para poder escolher o melhor possível para o seu futuro e o de sua cidade.  
Sabemos que candidatos ideais, no atual quadro eleitoral da cidade, são escassos, senão inexistentes, poucos são aqueles que veem a política e o poder público como um instrumento para a promoção da igualdade e da qualidade de vida do povo. Através dos cargos eletivos, alguns querem ascensão social, outros querem  chegar ao poder para o próprio benefício e também o de seu grupo político. Enfim, nesses casos há maior preocupação em obter benefícios e regalias individuais ou para poucos, do que melhorar e favorecer a coletividade, a qual depende da ação competente do Poder Público e de seus agentes.
   
Mas, quando conseguirmos selecionar melhor nossos candidatos e utilizarmos corretamente nosso voto, inverteremos a situação. Ao invés de caçados, seremos os caçadores de políticos corruptos, sem caráter, e dos oportunistas que nada querem com o bem público, senão cuidar do próprio umbigo com as prerrogativas do cargo que ocupam. Sem espaço para os figurões, teremos melhores candidatos e lideranças realmente bem intencionadas, para começarmos a construir uma cidade e um país socialmente mais justo. 


23.4.12

O problema que ninguém quer enxergar

No período eleitoral a Educação é tema recorrente nos discursos dos candidatos. Todos falam da importância de se investir mais na educação, melhorar as escolas, aumentar os salários dos profissionais da educação, desenvolver projetos e etc...

Políticos, empresários e, praticamente, todos os demais segmentos da sociedade, admitem a importância da Educação para a vida das pessoas e do futuro do país. Quase todos são unânimes em apontar, sem grandes dificuldades, que a Educação, apesar de tão importante, passa por graves problemas no país.

O que sobra no discurso político - teorias, promessas e soluções mirabolantes para a resolução dos problemas educacionais - falta na prática, pois a realidade da Educação é terrível, cruel e massacra os agentes que estão diretamente envolvidos com o cotidiano educacional.

Recentemente, eu estava em um consultório médico e enquanto aguardava o atendimento comecei a folhear uma revista Veja, por falta de opção, já que grande parte dos médicos-intelectuais-formadores de opinião assinam a referida publicação. E passando as páginas encontrei um texto interessante, abordando a educação, escrito por Lya Luft, na edição de setembro de 2011.

O texto não apresenta nenhuma novidade, mas expõe valores e questões educacionais relativamente simples, que funcionavam no passado, mas foram abandonados pela política nacional da educação atual, a qual tem transformado a escola em uma indústria-empresa. Essa empresa precisa, a qualquer custo, "produzir" maiores números de alunos aprovados e melhores resultados em avaliações externas (provas do governo).

O artigo também critica a falta de ação de nossos governantes, e com razão, pois a maioria trata a Educação como uma plataforma para angariar mais votos nas eleições. São estes políticos, que após eleitos, fingem não enxergar os problemas nacionais, trabalham por outros interesses, e se esquecem de agir em prol do bem estar dos governados.

Vale a pena reprouzir o texto de Lya Luft:

Educação: reprovada

Há quem diga que sou otimista demais. Há quem diga que sou pessimista. Talvez eu tente apenas ser uma pessoa observadora habitante deste planeta, deste país. Uma colunista com temas repetidos. Ah, sim, os que me impactam mais, os que me preocupam mais, às vezes os que me encantam particularmente.

Uma das grandes preocupações de qualquer ser pensante por aqui é a educação. Fala-se muito, grita-se muito, escreve-se, haja teorias e reclamações. Ação? Muito pouca, que eu perceba. Os males foram-se acumulando de tal jeito que é difícil reorganizar o caos.

Há coisa de trinta anos, eu ainda professora universitária, recebíamos as primeiras levas de alunos saídos de escolas enfraquecidas pelas providências negativas: tiraram um ano de estudo da meninada, tiraram latim, tiraram francês, foram tirando a seriedade, o trabalho: era a moda do “aprender brincando”. Nada de esforço, punição nem pensar, portanto recompensas perderam o sentido. Contaram-me recentemente que em muitas escolas não se deve mais falar em “reprovação, reprovado”, pois isso pode traumatizar o aluno, marca-lo desfavoravelmente. Então, por que estudar, por que lutar, por que tentar?

“Cansei das falas grandiloquentes sobre educação, enquanto não se faz quase nada. Falar já gastou, já cansou, já desiludiu, já perdeu a graça”.

De todos os modos facilitamos a vida dos estudantes, deixando-os cada vez mais despreparados para a vida e o mercado de trabalho. Empresas reclamam da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, médicos e advogados quase não sabem escrever, alunos de universidades que têm problemas para articular o pensamento, para argumentar, para escrever o que pensam. São, de certa forma, analfabetos. Aliás, o analfabetismo devasta este país. Não é alfabetizado quem sabe assinar o nome, mas quem o saber assinar embaixo de um texto que leu e entendeu. Portanto, a porcentagem de alfabetizados é incrivelmente baixa.

Agora sai na imprensa um relatório alarmante. Metade das crianças brasileiras na terceira série do elementar não sabem ler bem escrever. Não entende para que serve a pontuação em um texto. Não sabe ler as horas e minutos num relógio, não sabe que centímetros é uma medida de comprimento. Quase a metade dos mais adiantadas escreve mal, quase 60% têm dificuldades graves com números. Grande contingentes de jovens chega às universidades sem saber redigir um texto simples, pois não sabem pensar, muito menos expressar-se por escrito. Parafraseando um especialista, estamos produzindo estudantes analfabetos.

Naturalmente, a boa ou razoável escolarização é muito maior em escolas particulares: professores menos mal pagos, instalações melhores, algum livro na biblioteca, crianças mais bem alimentadas e saudáveis – pois o estado não cumpre o seu papel de garantir a todo cidadão (especialmente à criança) a necessária condição de saúde, moradia e alimentação.

Faxinar a miséria, louvável desejo da nossa presidenta, é essencial para nossa dignidade. Faxinar a ignorância – que é uma outra forma de miséria – exigiria que nos orçamentos da União e dos estados a educação, como a saúde, tivesse uma posição privilegiada. Não há dinheiro, dizem. Mas políticos aumentam seus salários de maneira vergonhosa, a coisa pública gasta nem se sabe direito onde, enquanto preparamos gerações de ignorantes, criados sem limites, na lhes é exigido, devem aprender brincando. Não lhes impuseram a mais elementar disciplina, como se não soubéssemos que escola, família, a vida sobretudo, se constroem em parte de erro e acerto, e esforço.

Mas se não podemos reprovar os alunos, se não temos mesas e cadeiras confortáveis e teto sólido sobe nossa cabeça nas salas de aula, como exigir aplicação, esforço, disciplina e limites, para o natural crescimento de cada um?

Cansei de falas grandiloquentes sobre educação, enquanto não se faz quase nada. Falar já gastou, já cansou, já desiludiu, já perdeu a graça. Precisamos de atos e fatos, orçamentos em que educação e saúde (para poder ir a escola, prestar atenção, estudar, render e crescer) tenham um peso considerável: fora isso, não haverá solução. A educação brasileira continuará, como agora, escandalosamente reprovada.

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