Blog mantido para preservar o trabalho do Professor e Historiador Rodolfo Alves Pereira. O site mantém registros de algumas de suas publicações e trabalhos apresentados em Congressos e Eventos acadêmicos e Educacionais, nos quais deixou valiosas contribuições acerca da Metodologia e do Ensino de História na Educação Básica. Também contém registros de algumas de suas experiências didático-pedagógicas mais importantes, além de projetos desenvolvidos nas escolas onde atuou.
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26.7.22
7.9.17
Alunos do Ensino Médio realizaram pesquisa sobre a Independência do Brasil
Ontem, dia 06/09/17, às vésperas de um importante feriado nacional, pedimos aos alunos do 2º ano 10, que realizassem uma pesquisa na escola, entrevistando os colegas da outras turmas. A pergunta a ser respondida foi simples: "O que é comemorado no dia 7 de setembro?"
Depois de percorrerem a escola, os alunos obtiveram os seguintes resultados:
Total de entrevistados: 43 estudantes.
- Não souberam responder a questão: 11 (25,58%);
- Responderam corretamente: 30 (69,76%);
- Responderam errado: 02 (4,65%).
Dentre as respostas erradas foram mencionados que no 7 de setembro é comemorado o aniversário da cidade, por isso há desfile e fanfarra nas ruas.
Em rápida análise sobre os dados, observamos que a maioria respondeu corretamente, talvez devido ao esforço, que historicamente foi empreendido pelo Estado brasileiro, para perpetuar no imaginário coletivo a data cívica como um momento fundador da nação. Esse esforço pode ser exemplificado pelas pinturas históricas, as quais construíram a imagem de um D. Pedro virtuoso, líder militar e aclamado pelo povo. (Atenção, as imagens foram construções sobre o fato, elas não representam necessariamente a realidade acerca dos acontecimentos! Isso torna a História extremamente complexa e problemática!)
Somando os que não souberam responder aos que responderam errado, temos 30%, um percentual significativo de jovens que desconhecem um fato importante da história de seu próprio país. Contribui para isso, em síntese, o desinteresse pelas aulas de História, a carga horária reduzida da disciplina e o fato de que a Independência do Brasil em si foi um evento elitista, sem o envolvimento de populares, que visava preservar a ordem latifundiária e escravocrata do Brasil no século XIX.
A atividade, em suma, foi muito bacana. Os alunos "foram a campo" e exercitaram noções de história oral e memória por meio da coleta dos dados e puderam refletir sobre a importância da História na construção de símbolos e eventos que compõe a identidade nacional.
P A R A B É N S !
7.9.16
Versões sobre a independência do Brasil
O sete de setembro foi tomado como marco fundador da nação brasileira. A data representa a separação do Brasil de Portugal a partir de 1822.
Toda jovem nação precisa de símbolos, mitos e heróis que possam legitimar um novo governo ou um novo tempo e servir de referência para unir o povo. Essa necessidade de criar uma identidade nacional justificou todo o esforço do Estado brasileiro para perpetuar a memória do dia da independência no imaginário popular.
Assim, para que a estratégia se consolidasse, houve incentivo governamental para historiadores e artistas escreverem e pintarem a data e os seus acontecimentos com o objetivo de eternizá-la. Como desdobramento dessa política pública para registrar a história, tivemos a produção de obras literárias, o nascimento de instituições acadêmicas e o surgimento de um acervo artístico, como, por exemplo, o célebre quadro de Pedro Américo: O grito do Ipiranga (1888), o qual mostra o sete de setembro de 1822.
Analisando a pintura é possível percebermos que o artista seguiu a orientação ideológica oficial, isto é, aquela defendida pelo governo brasileiro, no sentido de transformar a data num grande feito. Observe que o pintor retratou o fato histórico e atribuiu a d. Pedro um papel central. O príncipe se destaca frente à tropa, é o líder, um comandante militar que declara o fim do jugo colonial perante seus comandados.
O caipira, situado à esquerda de quem observa a imagem, fica atônito, talvez sem ter a mínima ideia do que se passa naquela colina, era um bestializado, enfim, estava à margem dos acontecimentos políticos em curso.
Mas será que os acontecimentos ocorreram mesmo assim? No livro 1822, escrito pelo jornalista Laurentino Gomes, o autor descreve esse momento como algo sem brilho e desprovido da aura mítica mostrada no quadro do século XIX. O escriba conta que d. Pedro, que naquele dia retornava de São Paulo para o Rio de Janeiro, estava sentindo forte desconforto intestinal, por conta de uma diarreia. A respeito de sua montaria assinala que ela "nem de longe lembrava o fogoso alazão que,
meio século mais tarde, o pintor Pedro Américo colocaria no quadro
“Independência ou Morte”, também chamado de “O Grito do Ipiranga”, a mais
conhecida cena do acontecimento. O coronel Marcondes se refere ao animal
como uma “baia gateada”." (Fonte: Folha ilustrada).
A "baia gateada" que servia de montaria para o príncipe era uma mula com pelagem amarelo-avermelhada, meio de transporte usual entre os que trafegavam pela região montanhosa e de difícil acesso da Serra do Mar. Cavalos não conseguiam dar conta daquele trajeto. Mas essa versão menos suntuosa da história não prevaleceu na historiografia, isto é, na escrita dos fatos históricos.
A obra de Pedro Américo foi bastante divulgada entre o povo ao longo dos anos, sobretudo através dos livros didáticos utilizados nas escolas de todo o país e contribuiu para cristalizar esse acontecimento no imaginário popular, reforçando a ideia de que a separação do Brasil foi um ato de bravura, conduzido por um grande líder. Ela ajudou, em suma, a consolidar a versão oficial dos acontecimentos conforme desejava a elite política que estava no poder no século XIX e que precisava da história para construir uma identidade nacional e forjar um novo Estado independente de sua antiga metrópole.
O exemplo da independência do Brasil e suas diferentes versões mostra como a história e o ato de escrevê-la é, em si, uma manifestação de poder. Poder de escolher o que deve ser lembrado e o que, consequentemente, pode ser esquecido. Esse processo ocorre, pois o registro da história não se resume em narrar objetivamente os acontecimentos, o relato sofre a interferência dos agentes envolvidos no processo de escrita da história e também é marcado pelos interesses dominantes em seu tempo. Cabe a nós, historiadores, historiar os mitos, desconstruir os fatos, confrontar diferentes documentos e versões para tentarmos conhecer as tramas e complexidades que perpassam a historiografia a fim de compreendermos melhor o fazer histórico e a nossa realidade.
19.11.15
Independência ou morte?
Em 07 de setembro de 1822, D. Pedro proferiu o brado da independência, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo.
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| O grito do Ipiranga. Pedro Américo, 1888. Acervo do Museu Paulista. |
A partir daquele momento histórico, o Brasil cortou sua relação de submissão em relação a Portugal.
Parece simples, porém a independência não ocorreu de uma hora para outra, ela foi o resultado de um longo processo histórico, político e social. Vejamos seus antecedentes.
Antecedentes:
- A família real portuguesa transferiu-se para o Brasil em 1808, fugindo do exército de Napoleão Bonaparte;
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| Embarque da família real portuguesa (1808). |
- Nesse mesmo ano, o príncipe regente - D. João (1767-1826) - decreta a abertura dos portos brasileiros às nações amigas de Portugal, beneficiando a Inglaterra;
- Em 1815, eleva o Brasil a condição de Reino Unido a Portugal e Algarves;
- Em 1821, D. João VI retorna a Portugal e as Cortes portuguesas pretendiam recolonizar o Brasil;
- D. Pedro (1798-1834), filho de D. João VI, permanece no Brasil, como príncipe regente;
- As Cortes exigem o regresso de D. Pedro a Portugal;
- O Partido Brasileiro entrega ao príncipe um documento pedindo a ele que fique no Brasil. No dia 09/01/18222, D. Pedro decide ficar - Dia do Fico;
- Posteriormente, D. Pedro estabeleceu que as ordens vindas das Cortes só seriam cumpridas mediante sua autorização ("Cumpra-se");
- Sob ameaça das Cortes, D. Pedro, apoiado pela elite brasileira que não desejava voltar ao status de colônia, proclamou a independência no dia 07 de setembro de 1822, selando o rompimento de Brasil com Portugal.
Após a independência, ficou decidido, sob influência de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), o "patriarca da independência", que o regime de governo para o Brasil seria uma Monarquia Constitucional, diferente dos países vizinhos, os quais optaram pelo regime republicano.
D. Pedro foi coroado imperador do Brasil, mas enfrentou resistência em algumas províncias, como na Bahia, Maranhão e Cisplatina, onde tropas portuguesas se mantinham leais a Portugal. Com o apoio de militares ingleses e franceses, além das milícias formadas pelos brasileiros, o imperador organizou um exército e conseguiu expulsar as tropas portuguesas do Brasil em 1824, conservando a unidade do império.
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| Coroação de D. Pedro I. Jean-Baptiste Debret, 1826. Acervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo |
D. Pedro foi coroado imperador do Brasil, mas enfrentou resistência em algumas províncias, como na Bahia, Maranhão e Cisplatina, onde tropas portuguesas se mantinham leais a Portugal. Com o apoio de militares ingleses e franceses, além das milícias formadas pelos brasileiros, o imperador organizou um exército e conseguiu expulsar as tropas portuguesas do Brasil em 1824, conservando a unidade do império.
O primeiro país a reconhecer a independência brasileira foram os EUA, em 1824. Portugal só reconheceu a separação em 1825, depois de receber um pagamento em dinheiro como indenização.
Quem fez a independência brasileira?
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