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17.11.15

Abastecimento de água em Carmo (RJ): um problema histórico

Nos dias atuais, o Brasil está vivendo uma acentuada crise hídrica. A escassez de chuvas e o mau uso dos recursos hídricos está colocando em xeque a disponibilidade de água para as pessoas.


Reservatório Cantareira (SP).

Aqui no Carmo (RJ) não é diferente, as autoridades municipais já alertaram a todos de que, se a chuva não vier, teremos racionamento de água, o que acarretará inúmeros transtornos para a sociedade.

A questão hídrica em nosso município não é coisa recente, desde o final do século XIX Carmo sofria devido à inadequação do abastecimento de água, o "fluido vital por excellencia..." (p. 132).

Analisando o Almanach do Carmense (1888) do periódico Carmense, fundado e editado por Domingos Mendes da Piedade em 1887, o qual circulava na Villa do Carmo, encontramos algumas referências sobre a questão da água na localidade.




Na página 83 do referido documento, destacamos o seguinte:

"Existe na Villa do Carmo um encannamento de agua e um chafariz com quatro torneiras, na Praça da Matriz, cujo encannamento não é sufficiente hoje para a população e tem alem d'isso seus materiaes estragados". (p. 83).

Naquela época, conforme revela a publicação, viviam na vila 10564 pessoas (p. 80). O trecho acima nos permite imaginar as dificuldades que todos enfrentavam para conseguir água com apenas um chafariz e quatro torneiras. 

Mais adiante, o Almanach denuncia a precariedade em que se encontrava a tubulação responsável pela captação da água.

"... encannamento, já muito deteriorado, por sua pouca profundidade no seio da terra, unico elemento que mal o resguarda contra os instrumentos aratorios, e tambem do vandalismo..." (p. 131). 

Note que o cano ficava enterrado numa pequena profundidade que lhe deixava exposto às ferramentas de arar a terra (enxadas e arados de ferro), tendo em vista que ele deveria cruzar propriedades e campos agrícolas, e também estava sujeito à ação dos vândalos.

Como consequência dessa instalação imprópria, o encanamento vivia danificado e resultava em "falta d'agua, que faz o martyrio dos povos." (p. 131). A falta de água prejudicava o desenvolvimento econômico e social e, distribuída sem qualidade por conta dos canos danificados, afetava a saúde das pessoas, provocando surtos de doenças e, certamente, queda da produtividade no trabalho.

A publicação exalta, com alívio, que a situação melhoraria quando o projeto de um novo aqueduto se concretizasse e mais torneiras fossem instaladas em vários pontos da vila. A obra prometia "a accumulação de mais algumas fontes do elevado manancial, ..." (p. 131) disponível nas terras carmenses.
Perceba que o problema não era a falta de água em si, mas sim de captação e de investimentos públicos necessários para solucionarem a limitação da distribuição do precioso líquido.

O editor prossegue, e sustenta que a instalação de novos equipamentos para captar e distribuir água na Vila "vae collocar a povoação superior aos lugares mais recommendados da Provincia" (p. 133) do Rio de Janeiro, afinal todos teriam mais qualidade de vida, saúde e disposição para o trabalho.


A edição de 1891 do Almanach destaca a localização da nascente d'água que abastece a cidade, a qual estava situada a 130 metros acima dos bambus da fazenda da Conceição, e também do reservatório municipal, instalado a 40 metros acima da praça da matriz (p. 157-158).   

Considerando o exposto, a exemplo do que ocorreu no passado, quando nossos predecessores enfrentaram dificuldades de abastecimento, hoje, em meio a uma crise ambiental, devemos nos preparar para enfrentar a escassez de água e nos conscientizarmos de que o recurso não é inesgotável, por isso precisa ser utilizado racionalmente.

O uso racional da água passa por uma série de mudanças de atitudes, tais como o fim do desperdício, melhor planejamento das políticas públicas para o setor e redução da agressão ambiental, pois o rápido crescimento populacional e a urbanização poluem os rios e mananciais, comprometendo o acesso à água e, consequentemente, o futuro da vida.



Fontes primárias consultadas

Almack do Carmense, ano de 1888 e de 1891.

Disponível on-line em: http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/

26.10.15

A escravidão na Villa do Carmo no século XIX

Não é segredo para ninguém que o Brasil tem um passado marcado pela exploração do trabalho escravo. Essa ferida ainda não foi totalmente cicatrizada. Ela fica muito visível quando observamos as inúmeras desigualdades sociais entre negros e brancos do país.

As pesquisas revelam que, dentre os pobres, os negros são os mais pobres ainda; eles têm menor média de escolaridade; são a maioria entre a população carcerária, dentre outras mazelas sociais.

O que talvez muitos não saibam é que a Cidade Bela não fugiu à regra da escravidão e, no século XIX, também recorreu ao trabalho forçado dos negros.

No livro Reminiscências de Carmo, escrito pelo memorialista carmense Afrânio Gismonti Machado, o autor teve acesso a fontes primárias, como, por exemplo, o periódico O Carmense, de 1887.
Ele reproduziu várias passagens que deixam claro como era a relação entre brancos e escravos aqui no Carmo naquela época. Vejamos:

"O Dr. Antonio Augusto Pereira Lima, distinto advogado residente nesta vila, condoendo-se deveras do infeliz estado a que, devido a um enorme tumor que lhe sobreveio sobre uma das pálpebras chegou o preto Manoel, então escravo do Sr. Manoel do Carmo, libertou-o..."  (p. 42).

O excerto explicita a forma como os escravos eram tratados por seus donos - como objetos, simples mercadorias. Note que no registro o Doutor concede a liberdade para um escravo, mas o faz apenas porque ele não era mais capaz de ser produtivo, afinal tinha ficado gravemente doente. Se o dono ficasse com esse escravo, teria apenas prejuízo, alimentando-o e arcando com as despesas médicas.

No livro, há ainda inúmeras reproduções do jornal O Carmense com informes sobre os cativos e avisos de recompensas para quem prendesse algum escravo fugido. 

Em uma pesquisa que iniciei no ano passado, sobre a História do Carmo no século XIX, encontrei uma fonte histórica muito interessante, porém o fato noticiado não ocorreu no Carmo, mas na freguesia vizinha - Sumidouro de Paquequer. Trata-se de uma notícia, publicada no Diário de Minas, de Ouro Preto, sobre uma revolta de escravos em Sumidouro em 1873, localidade que era uma freguesia de Nova Friburgo.

Diario de Minas, Ouro Preto, número 18, ano 1873.


"- Causou tambem bastante sensação a noticia de um levantamento de escravos no Sumidouro de Paquequer. A' principio as versões correrão muito encontradas; mas ultimamente fez-se a luz, e os jornaes são accórdes em attribuir o levantamento a uma noticia, sem fundamento, de que o finado fazendeiro Francisco Luiz Pereira havia deixado livres em testamento a todos os seus escravos.
Nesta persuasão e instigados sobretudo por pessoas desaffectas aos herdeiros de Luiz Pereira, 57 desses escravos dirigrião-se a Magé, onde tencionavão embarcar-se para vir a côrte, afim de fazerem valer seus suppostos direitos à liberdade, quando alli foram aprisionados. Mas antes de sahirem da fazenda havia-se dado um conflicto, no qual a força publica, dirigida pelo subdelegado, e tendo penetrado na fazenda, della fora repeliida pelos escravos que se tinhão armado com fouces. Este sucesso, porem, foi simplesmente local.


Nas fazendas visinhas, felizmente, a tranquilidade publica e a segurança individual não tinhão sido perturbadas."

Perceba que os escravos da fazenda do finado Francisco Luiz Pereira eram numerosos e, nesse levante, chegaram a enfrentar e afugentar as forças policiais da Villa do Carmo. O fato demonstra a resistência dos negros ao cativeiro. Quando tinham uma chance de liberdade, eles se agarravam a ela e lutavam.

A notícia da revolta de escravos correu a província do Rio de Janeiro e chegou até Ouro Preto, em Minas Gerais, pois o assunto interessava a toda a sociedade, principalmente aos brancos e senhores de escravos. Havia um temor entre as elites brasileiras de que a ocorresse no Brasil uma revolta negra (o haitianismo), tal como ocorreu no Haiti, no fim do século XVIII.

Por isso, o jornal termina tranquilizando a todos, afirmando que a ordem estava assegurada na região e que o incidente foi apenas local. A última frase da notícia deixa claro o medo que paraiva entre os brancos, os quais tinham receio de que ocorresse uma rebelião generalizada dos escravos, culminando na morte dos brancos pelos negros e no controle do império pelos homens de cor. 

Para saber mais sobre o nosso passado é possível pesquisar em várias fontes. Temos a Hemeroteca digital da Biblioteca nacional, onde encontramos o Almanack do Carmense, de 1888; no Centro Cultural da cidade, há exemplares do Correio do Carmo, com edições de 1929 a 1943, e há também os valiosos registros paroquiais do século XIX, que estão muito bem guardados na secretaria da Matriz Nossa Senhora do Carmo, porém não acessíveis para pesquisa.

Enfim, ainda temos muito para pesquisar e para descobrir sobre a História do Carmo, mas o trabalho já foi iniciado e, aos poucos, seus resultados serão apresentados em nosso Blog, o Acrópole – História & Educação, e na Coluna do Historiador, do jornal CIEP NEWS.

22.10.15

Pesquisa: conhecendo o patrimônio histórico do Carmo (RJ)

Os alunos do 1º ano do Ensino Médio do CIEP 280 tiveram a oportunidade de estudar no conteúdo de Introdução a História o método de trabalho do Historiador, as fontes de pesquisa e o fazer histórico por meio da produção escrita.

Confiram abaixo a pesquisa e produção de texto de uma dupla de alunas da turma 1003!

Matriz Nossa Senhora do Carmo: patrimônio histórico de nossa cidade

Um dos pontos turísticos que mais atraem turistas à Cidade do Carmo é a igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo. Ela foi construída em terras doadas pelos fazendeiros, na praça central da cidade. A obra iniciou-se em 1863 e foi oficialmente inaugurada em 1876.




Segundo informações extraídas do livro “Um século da história carmense”, em 1877, houve uma reunião para prestação de contas da obra. O custo total foi de 140:000.000 réis. O governo da Província arcou com 72:000.000 das despesas e a Assembleia Provincial com 5:000.000 contos de réis. O restante foi obtido por meio de doações de pessoas da sociedade carmense, como por exemplo, os três sinos da torre doados pelo Tenente-coronel Francisco Vieira de Carvalho,os quais foram avaliados, na época, em 3:000$000.  

Uma característica peculiar dessa igreja é sua torre, que diferente do tradicional, encontra-se aos fundos da capela-mor. Também fazem parte da construção os seguintes espaços: a nave, a capela-mor e duas sacristias. Sua fachada possui elementos da arquitetura neoclássica. 
No alto da construção, na parte externa, está o relógio ladeado por duas estatuetas de mármore, as quais representam os profetas do Antigo Testamento – Elias e Eliseu. Os beirais estão cobertos por telhas de louças esmaltadas com detalhes nas cores azul e branco. 




O interior é ricamente decorado com lustres e pinturas retratando a paixão de Cristo.





Por todas essas características e sua história, a igreja foi tombada em 1964. O tombamento reconhece e protege os bens que possuem significados históricos e culturais, impedindo que eles desapareçam, mantendo-os preservados para as futuras gerações.

Juliana e Aline

14.10.14

QUIZZ: História do Carmo

Você já leu os post's sobre a História do Carmo?

Com certeza, sim!

Então chegou a hora de você provar o quanto aprendeu sobre a cidade, respondendo ao nosso Quizz.

Clique abaixo e comece logo o seu teste:



Parabéns, Cidade bela!

Carmo, na região serrana, completou ontem, dia 13/10, 133 anos desde sua emancipação política e administrativa do município de Cantagalo.



Com esta postagem queremos registrar nossa singela homenagem para a Cidade bela e cumprimentar a todos os cidadãos carmenses por mais um ano de vida!











Vamos relembrar o que nosso Blog já postou a respeito do Carmo? Depois de ler as postagens, vamos disponibilizar um quizz  sobre a História de nossa cidade!

História do Carmo-RJ

Pesquisa no Centro Cultural do Carmo


14.8.14

Parabéns, CIEP 280!



O CIEP 280 - Professor Vasco Fernandes da Silva Porto -  completa em 2014 vinte anos de lutas e conquistas. Conheça um pouco mais dessa História de Superação e de Sucesso!

Em 1994, o CIEP 280 foi inaugurado na cidade do Carmo, na região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. Ao se aproximar do centro da Cidade Bela já é possível notar a presença de sua imponente estrutura no alto do bairro Caixa d' água.

A proposta do Centro Integrado de Educação Pública era criticada por alguns e aplaudida por outros.

Os críticos atacavam o Governo Brizola alegando o alto custo que as novas escolas demandavam. O governo se defendia afirmando que o investimento não era tão elevado, e que os custos eram necessários para assegurar um melhor atendimento educacional às crianças da rede pública de ensino.

Cada modelo do CIEP possui três blocos. No bloco principal ficam as salas de aula, centro médico, cozinha, refeitório e um grande pátio coberto. No segundo bloco fica o ginásio com vestiário e quadra polivalente. No terceiro bloco fica a biblioteca e sobre ela as moradias para alunos residentes.

Polêmicas a parte, o fato é que os CIEPs foram construídos e se tornaram importantes centros de referência para a almejada Educação em Tempo Integral. É verdade que após o governo Brizola muitas dessas escolas foram municipalizadas e sofreram com a falta de investimentos do Estado, mas muitas resistiram, como o "280", e continuam a educar, de modo diligente, até os dias atuais! 


Inicialmente, os CIEPs sofreram com certa resistência e preconceito social, tendo em vista que algumas dessas escolas eram vistas como local onde estudavam as crianças problemáticas e sem cuidados familiares. O mesmo ocorreu no CIEP do Carmo, mas seus professores e demais funcionários acreditaram na proposta de Educação Integral, e lutaram para transformar a má reputação da escola.

A equipe do CIEP 280, liderada pela Diretora Rita Estefânia Gozzi Farsura (a Faninha), a qual fez parte dessa História por 17 anos ocupando os cargos de professora, orientadora e diretora, reverteu a situação, mostrando para a comunidade carmense a importância do CIEP para a Educação no município.

O CIEP foi abraçado por todos, lutou para realizar sonhos e vários projetos. Suas conquistas aumentaram a sua credibilidade, tornando-o uma referência em toda a região Serrana do estado do Rio de Janeiro!

Atualmente, o CIEP 280 conta com uma grande equipe, formada por 54 professores e 30 funcionários. Eles são profissionais preparados e qualificados para atender os 609 alunos matriculados, distribuídos entre os três turnos de funcionamento de nossa escola.

Hoje não há dúvida alguma sobre o quanto esse investimento foi vantajoso para o Carmo, pois há 20 anos o CIEP tem formado, com qualidade, jovens participativos, conscientes de seus direitos e deveres, preparados para interagir na vida social e dar prosseguimento aos seus estudos em nível técnico e superior.

Perfil (Conheça mais personagens ligados à nossa História)


Foi governador do Rio de Janeiro em duas ocasiões, entre 1983/1986 e 1991/1994. Em seu governo, Brizola construiu, em todo o estado, 506 Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), também apelidados de Brizolão. A Escola criada por Brizola pretendia resultar num modelo educacional democrático, com funções sociais e pedagógicas amplificadas.
A arquitetura do CIEP foi elaborada por Oscar Niemeyer, e sua imponência, baseada no encaixe de grandes peças pré-moldadas,  destaca-se das demais escolas.


O sociólogo Darcy Ribeiro foi vice-governador na primeira gestão de Brizola, quando ele criou e coordenou o projeto de implantação dos CIEPs no Rio de Janeiro. O modelo de escola integral colocado em prática por Darcy era inspirado nas ideias e projetos feitos nos anos 1930 pelo educador Anísio Teixeira. Nos CIEPs, os alunos permaneceriam por tempo integral, participando de atividades didáticas, esportivas e culturais, além de receberem  alimentação, assistência médico-odontológica.

Oscar Niemeyer (1907-2012) 




Oscar Niemeyer é um dos ícones da arquitetura brasileira. Ele foi o responsável pelo projeto arquitetônico dos CIEPs.
Niemeyer faleceu em 2012, mas seu nome e suas obras são reconhecidas mundialmente. Além de trabalhos executados em todo o Brasil, seus traços podem ser observados em várias construções espalhadas em países da Europa, E.U.A, África e no Oriente Médio.

"Procurei dar às escolas um aspecto capaz de caracterizá-las, destacando-as plasticamente nos conjuntos urbanos da cidade. Isso explica as aberturas arredondadas que coincidem rigorosamente com o sistema de pré-fabricação adotado." Oscar Niemeyer. 
(RIBEIRO, D. O livro dos CIEPs. Rio de Janeiro: Bloch, 1986).

Vasco Fernandes da Silva Porto (1908-1992)

Professor Vasco Fernandes nasceu no Carmo-RJ. Estudou em Portugal, onde foi se formou em Letras.
De volta ao Brasil, lecionou Língua Portuguesa, por cerca de 27 anos, no Ginásio do Carmo.
Gostava de dança, teatro e adorava o futebol. Também era reconhecido por ser um professor rígido e muito exigente com os seus alunos, inclusive no aspecto disciplinar. Ele nomeia o CIEP 280 e sua memória está preservada nas mentes e nos corações dos educadores e discentes da cidade.



Ao longo dos seus 20 anos de História, o CIEP BRIZOLÃO 280 tem formado jovens com consciência cidadã, preparando-os para atuar no mercado de trabalho e prestar concursos e exames vestibulares para o Ensino Superior.

Nossos resultados recentes atestam a nossa qualidade. Confira alguns dados do IDERJ (índice de qualidade escolar da SEEDUC) e do IDEB (Índice de desenvolvimento da Educação Básica/INEP) do CIEP 280:

Resultados divulgados em Setembro de 2014.

Perceba que a maioria dos resultados obtidos pelo CIEP 280, superam as metas estabelecidas no IDERJ e no IDEB. Qualidade no ensino faz a diferença!

Gente que faz parte dessa História

A atual Diretora do CIEP, está há um ano e oito e meses na escola, e já guarda boas recordações de momentos importantes vividos aqui: "A entrega dos tablets para os alunos do CIEP, que foi um ônibus cheio". (Elaine Gaspar, diretora do CIEP 280).

"A sala de leitura me deu a oportunidade de realizar algumas experiências das quais eu me recordo com saudade. Porém, uma foi especial, a construção, em maquete em barro, da hidrografia do curso de um rio, representando a natureza viva". (Maria Auxiliadora de O. Gonçalves, professora aposentada das turmas do 1º ao 5º ano).

"Enfim o CIEP 280, composto por uma equipe maravilhosa a qual tenho hoje a oportunidade 
de trabalhar com ela, me mostrou o caminho certo, e posso hoje perceber que cada aprendizado foi importante... Até mesmo o sr. Rubens cobrando o horário e o uniforme. Tudo isso me ajudou em minhas conquistas profissionais". (Maicon José Marques Pinto, ex-aluno e Professor do CIEP 280).

"O CIEP 280 representa em nossas vidas o início de um futuro. Não nos formamos ainda, mas queremos nos formar no CIEP." (Ana Paula Oliveira e Larissa Oliveira, estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental).

"O CIEP melhorou muito minha vida, me trouxe muitos ensinamentos e é uma ótima escola, com excelentes professores, pretendo me formar aqui." (Sabrina Fernandes, estudante do 9º ano do Ensino Fundamental).


"Estudei no CIEP 280 durante 3 anos entre o 1º, 2º e 3 º ano do Ensino Médio. Foi quando eu estava no 3º ano, quase me formando, que descobri qual faculdade fazer, meu curso de Engenharia Civil. Nas aulas que tinha com o professor Ancelmo, de Física, no princípio eu achava chata, mas logo, logo percebei o quanto aquilo era importante para mim e o quanto a Física fazia parte da minha vida." (Meirielen da S. Marques, ex-aluna do CIEP 280).

GALERIA DE FOTOS
Projeto do CIEP, por Oscar Niemeyer.
As peças pré-moldadas do CIEP eram transportadas em carretas e erguidas por guindastes.

Biblioteca e Sala de Leitura.
Amplo refeitório!



Sala de projeção.
Pátio coberto.

Piscina.

Quadra para esportes.
Linda homenagem da Aluna Sabrina (902).

No quadro escolar a mensagem de João Vitor P. (902).

Um acróstico do CIEP, feito pelo aluno João Gabriel! (902).



Equipe de pesquisa e produção

Aluna Ana Paula (turma 901)
Aluna Larissa (turma 901)
Aluna Nívea (turma 902)
Professor Rodolfo Alves Pereira

14.11.13

O Correio do Carmo (1929-1943)

O jornal Correio do Carmo circulou na cidade do interior carioca de 1929, data de sua fundação, até o ano de 1943.
No centro cultural do município há muitos exemplares do periódico disponíveis para a consulta do público. (Saiba mais informações sobre o acervo clicando aqui). 
Artigos antigos expostos no Centro Cultural do Carmo (RJ)

Neste levantamento preliminar que estamos fazendo, identificamos diversos assuntos interessantes abordados pelo Jornal, que vão desde os temas locais até os grandes acontecimentos do Brasil e do exterior, o que reflete a  marca da contemporaneidade e a influência do contexto histórico sobre as publicações.

Encontramos nos periódicos reclamações corriqueiras - ainda presentes nas rodas de conversa da atualidade - sobre o abandono das estradas locais e a falta de manutenção das rodovias. Uma nota do jornal, publicado em janeiro de 1938, diz:

"Ha cerca de 15 dias, porém, adoptando um criterio qualquer, o fiscal desses serviços fez remover-se aquella turma para outro municipio, contrariando assim as necessidades das nossas rodovias que se encontram actualmente, de todo intransitaveis, em virtude das chuvas"

Outra reclamação bastante comum nos dias de hoje é sobre o imenso número de cães soltos pelas ruas da cidade. Sobre esse tema o periódico noticiou o seguinte em 1935:

"Mais uma vez temos chamado a attenção das autoridades para a matilha de cães que comumente existe na cidade. As providencias que tem sido tomadas, nenhum resultado pratico tem produzido, pois ainda na semana passada foi atacado por um desses animaes um filho do sr. Silverio de Araujo Lima, que seguio para o Rio afim de ser submetido a tratamento."

Perceba que os cães abandonados nas ruas fizeram uma vítima, a qual precisou seguir para a Capital do Estado para receber tratamento médico. Esse problema que, além de ser pouco higiênico, pode trazer ainda mais transtornos, como por exemplo, transmitir doenças para as pessoas.

Infelizmente, 75 anos após a publicação dessas notas no jornal, nossa realidade atual guarda muitas semelhanças com um passado distante.  Parece que os administradores públicos não aprenderam com os erros do passado, como por exemplo, manter uma rodovia em condições ideais para o tráfego de veículos e manter animais abandonados em um canil público.

Há também assuntos internacionais de grande relevância no mundo daquela época, como a consolidação dos regimes totalitários na Europa. Vimos diversos textos tratando sobre as ditaduras europeias, alguns criticando, outros exaltando as virtudes de tais regimes governamentais.

Na edição número 172, de fevereiro de 1937, o editor critica a justiça na Itália fascista de Benito Mussolini (1883-1945). O artigo diz: "Pela simples razão de um indivíduo ser anti-fascista, é submetido á julgamento condemnado e executado, sem ao menos terem conhecimento da sentença os parentes da vietima".

O ditador italiano não foi poupado pelas páginas do Correio do Carmo.

"Creado por Mussoline funcciona na Italia um Tribunal Especial unicamente para condemnar os inimigos do regimen." Continua o texto, buscando esclarecer a função do Tribunal de silenciar os opositores do governo italiano daquela época.

A este respeito, o Historiador João Fábio Bertonha afirma que para manter o governo autoritário, o duce "dispunha da temida Ovra - a polícia secreta encarregada de vigiar, prender e eliminar opositores -, de leis contra os antifascistas e de um Tribunal Especial para a Segurança do Estado, que aplicava essas leis; em sua curta história, esse tribunal distribuiu 27 mil anos de prisão aos inimigos do regime. Muitos antifascistas morreram na prisão ou no exílio..." (BERTONHA, João Fábio. Fascismo, nazismo, integralismo. São paulo: Ática, 2003. p. 20).  

O uso indiscriminado da força e da manipulação da justiça é algo muito comum na estrutura de governos ditatoriais. Nesses casos, os opositores desses governos são alvos de perseguição e torturas e, na maioria das vezes, têm seus direitos básicos negados, tal como o direito a defesa e a ter um julgamento justo, fato denunciado pelo Correio do Carmo. 

Essa mesma edição também trouxe um texto interessante sobre hygiene, relatando sobre o banimento do aperto de mão entre as pessoas na Itália.
Sobre esse gesto o autor do artigo expôs o seguinte:

"Sem finalidade, contrario a hygiene, importuno e irritante, o aperto de mão precisa ser banido. 
A Itália deu um grande exemplo. Merece imitadores." 

Julgava que o cumprimento entre duas pessoas era algo que contrariava a higiene pessoal, devido a transpiração da palma das mãos. Essa opinião está em consonância com a divulgação das práticas sanitaristas, que ocorreu ao longo das décadas de 1920 e 1930, preocupadas com a higiene das pessoas e o combate às endemias rurais e urbanas. Muitos intelectuais da época, tomavam os costumes europeus como referências, ideais de civilização, que deveriam ser seguidos pelo Brasil, como deixa claro o final do artigo.

Além dos assuntos corriqueiros locais, temas da política brasileira e internacional, o Correio do Carmo mantinha uma coluna social, registrando os casamentos, batismos e outros eventos que ocorriam na cidade. 
Os anúncios publicados nas páginas amareladas, e já desgastadas pelo tempo, chamam a atenção de qualquer leitor e pesquisador. Há inúmeros espaços destinados à publicidade, oferecendo serviços advocatícios, dentários, transportes de caminhão, alimentos, remédios milagrosos para syphilis, leilões e partidas de football. Em suma, uma variedade de serviços e atrações sócio culturais.


O anúncio acima pode ser visto em uma das edições de 1937, informa sobre a inauguração de uma Padaria, na Rua Conego Gonçalves que disponibilizava diariamente pães de varios typos, roscas e biscoutos. Muitas delícias, não acha?

Como se pode notar, a grafia das palavras antigamente possui semelhanças e diferenças com o vocabulário atual. Muitas palavras, com significados idênticos, eram grafadas de forma diferente no passado, como biscoutos (biscoitos), typos (tipos), syphilis (sífilis) etc.

Um outro anúncio sobre o Commercio local lista os produtos básicos e seus preços, de acordo com a moeda da época - réis. Café, arroz, feijão, milho, ovos e galinhas deveriam ser essenciais para a alimentação das famílias carmenses. Não havia muita variedade de gêneros alimentícios, tal como há hoje, quando as pessoas quase se perdem entre as dezenas de prateleiras dos supermercados.  

O trivial - arroz, feijão, milho, ovos e carne, deveria ser complementado por verduras e legumes cultivados nos próprios quintais ou adquiridos nos estabelecimentos comerciais.

O salário mínimo na época, estabelecido pelo governo do presidente Getúlio Vargas em 1940, era cerca de 240 mil réis,  cuja finalidade era a de permitir aos trabalhadores suprir "suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte." (Art. 1º. DECRETO-LEI N. 2.162 – DE 1 DE MAIO DE 1940).

O salário mínimo da época deveria ser suficiente para garantir habitação, alimentação e outras necessidades das famílias.

Havia também espaço para diversão no Correio do Carmo, claro!



Na imagem acima, observe um anúncio esportivo, publicado em março de 1937, convida os leitores para assistirem a uma disputa de football, entre o Carmense A. Club x Sport Club Aurôra de Porto Novo.
Como será que as pessoas reagiram após o término do jogo? Acredito que não deveria ser tão diferente dos dias atuais, nos quais celebramos as vitórias e remoemos as derrotas do time de nossa preferência!

Esses são os resultados iniciais de nossa pesquisa sobre a História e Memória do Carmo, iniciada há pouco mais de dois meses. No centro cultural encontramos fontes históricas que podem nos ajudar a reviver memórias da cidade que estão impressas nas páginas dos jornais do século passado. O jornal é como se fosse um espelho de sua época, ele nos revela as influências que recebia, os modos de pensar, agir e nos ajudam a perceber como as pessoas viviam antigamente.
Esse é um exercício vital para o resgate histórico e cultural do município, além  de valorizar a identidade local.

Em breve, apresentaremos mais detalhes e mais produções sobre esse trabalho, que está apenas começando.

9.11.13

Documentos históricos no Centro cultural do Carmo(RJ)

O centro cultural do Carmo guarda uma verdadeira "mina de ouro" sobre o passado do município.
Em recente visita ao local nos deparamos com diversos livros de atas das reuniões da Câmara dos vereadores, datados do início do século XX.
Há um livro bastante castigado pelo tempo e pela ação das "traças", do ano de 1904. Um registro histórico que possui 109 anos de idade!

Em meio a diversos artefatos antigos, tais como pesos e medidas, correntes, cadeados dentre outros, há também uma coleção de um dos jornais que circulavam pela cidade na primeira metade do século XX. Trata-se de exemplares do Correio do Carmo, periódico fundado em 1929, circulou no município por quase quinze anos. (Carmo no ano do centenário da Matriz. Editado pela paróquia Nossa Senhora do Carmo, 1977).
Nos registros do Centro Cultural constam edições entre os anos de 1929 a 1943.
Eles estão acondicionados em sacos plásticos, dispostos sobre uma bancada, o que deve provocar um sobreaquecimento naquela documentação valiosa, que vai sendo consumida pelo tempo e por seus agentes degradantes.
Exemplar do Correio do Carmo, de 1937, disponível no Centro Cultural.
Começaremos, apoiados por alguns estudantes do CIEP 280, a pesquisar com maior minúcia essas fontes históricas e publicaremos, em breve, aqui no Blog, os resultados de nossos estudos sobre a memória da cidade do Carmo e de sua gente nas quatro primeiras décadas do século XX. 

Antes de finalizar, deixaremos oito (8) sugestões que podem ajudar na conservação de documentos históricos, afinal eles representam parte da memória da cidade e devem, portanto, ser preservados e manuseados de modo seguro, para não comprometer sua estrutura e nem acelerar seu desgaste natural.
  1. O ambiente contendo acervos documentais precisa ter a temperatura controlada, com umidade relativa do ar entre 50% e 60% e temperatura por volta de 20 a 22 C. Ambientes quentes e úmidos degradam mais rapidamente as folhas de papel.
  2. Controlar a umidade com aparelhos específicos (desumidificadores, umidificadores ou sílica-gel) e a temperatura com aparelhos de ar condicionado.
  3. Insetos (traças, cupins), fungos (mofos) e roedores são agentes de degradação dos acervos documentais, por isso precisam ser combatidos através da higienização do ambiente e regras, como a restrição do consumo de alimentos no local. 

4. Cuidado com a luz: tanto a natural quanto a artificial provocam o processo de envelhecimento acelerado nos documentos. Para amenizar o problema, pode se usar cortinas e persianas, além de filtros especiais para absorver os raios ultravioleta.
5. Ação humana: o manuseio inadequado dos documentos históricos podem danificar as fontes. É preciso que as pessoas tenham cuidado ao lidar com os acervos. As mãos precisam estar bem limpas e o pesquisador não pode escrever, marcar ou fazer anotações e nem danificar os documentos.  Além disso, os pesquisadores precisam utilizar máscaras e luvas cirúrgicas para evitar o contato com a poeira e fungos, que podem causar doenças respiratórias e na pele.
6. Execução de um planejamento adequado para as instalações elétricas, de modo a evitar curto circuito e incêndios.
7. Procurar ajuda técnico-especializada nos casos de restauração e conservação de acervos bibliográficos e históricos.
8. Digitalizar o acervo. Os documentos em formato digital permitem o acesso de mais indivíduos à fonte, sem causar desgaste do original.

Fonte: (SPINELLI JÚNIOR, Jayme. A conservação de acervos bibliográficos e documentais. Rio de Janeiro: Fundação da Biblioteca Nacional, Dep. de processos técnicos, 1997. 92 p.)

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