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12.11.20

Cerol não é legal: arte e expressão

No projeto "Cerol não é legal" da turma 2002, fizemos uma releitura da pintura "Meninos soltando pipa", de Cândido Portinari (1903-1962).



Curiosidade: a pintura original foi leiloada em 2013, em Nova Iorque, por 1,4 milhão de dólares! O quadro foi pintado em 1943.

Os alunos e alunas usaram a criatividade e o talento para fazer a releitura manual ou usando recursos digitais. O resultado final foi este:







29.5.18

Desafio!

Hoje fui desafiado pelo meu amigo, professor msc. Alessandro Mendonça Reis, e agora repasso o desafio para meus estimados alunos!

Você sabe a quem pertence esta mão?

Resultado de imagem para mao de davi michelangelo

Poste um comentário com a resposta correta (nome da obra e de seu autor), não se esqueça de digitar seu nome/escola/turma. O primeiro que acertar vai ganhar um chocolate! 

9.5.15

Quem foi Mona Lisa?

A resposta para a pergunta do post levanta uma polêmica que, por muito tempo, pareceu não ter fim no mundo da História da Arte.

Ontem, durante minha aula sobre o Renascimento Cultural, na turma 1002, as alunas Bárbara e Luiza sustentaram que Mona Lisa, pintada entre 1503 e 1506. era um autorretrato de Leonardo da Vinci (1452-1519).
Eu disse a elas que Mona Lisa era a esposa de um rico mercador italiano que encomendara a pintura de sua esposa ao gênio da Vinci.

Óleo sobre madeira. 77 x 53 cm. 1503-1506. Museu do Louvre. Paris (França).

Minha resposta tem por base uma afirmação de Giorgio Vasari (1511-1574), outro artista italiano, que disse: "Leonardo começou a retratar Monna Lisa, esposa de Francesco del Giocondo; demorou quatro anos, mas deixou o retrato inacabado." (Coleção Folha Grandes Mestres da Pintura. Barueri: São Paulo. Editorial Sol 90, 2007. p. 80).

Como as duas alunas são bastante curiosas e inteligentes começaram a me questionar sobre as versões históricas e que eu poderia estar enganado sobre a identidade de Mona Lisa. Para esclarecer um pouco mais sobre o assunto, decidi fazer este post e abordar o tema, confrontando versões e estudos que apresentam respostas diferentes para a nossa pergunta principal.


Autorretrato de Leonardo da Vinci. Cerca de 1512 a 1515.

Na primeira década do século XX, a identidade Mona Lisa passou a ser questionada e foi levantada a hipótese de que ela seria um autorretrato de Leonardo. 

Em 1987, a artista gráfica Lilian Schwartz sobrepôs vários desenhos de Leonardo da Vinci sobre a tela da Mona Lisa e, por meio de exames de raios-X, identificou semelhanças nos traços. Essas semelhanças fortaleceram a tese de que Mona Lisa seria um autorretrato do pintor.

Contudo, Leonardo da Vinci usava em suas pinturas proporções matemáticas constantes, por isso os desenhos eram semelhantes, mas não iguais. Prova disso é  existência de várias aspectos comuns entre Mona Lisa (1506) e um outro desenho feito por Leonardo em 1500, de Isabella d'Este, filha do governador da cidade italiana de Mantua. (Observar a pintura abaixo).

Giz preto sobre papel. 63 x 46 cm. 1500. Museu do Louvre. Paris (França).

Alguns estudiosos de da Vinci "...consideram que a proposta da personagem [Isabella d'Este] é um prenúncio de A Gioconda, ainda que neste quadro a retratada pareça quase de frente e no desenho, quase de lado. Também foi aventada a ideia de que esses traços seriam um estudo para a A Gioconda, o que induziu alguns a sustentar que Isabella d'Este seria Mona Lisa, com quem guarda algumas semelhanças". (op cit. p. 78).

Assim, a teoria do autorretrato foi perdendo força, principalmente com o avanço das pesquisas sobre a enigmática pintura que prosseguiram no século XXI.

Segundo o professor Giuseppe Pallatini, "Mona Lisa era casada com Francesco del Giocondo, um rico comerciante florentino, e por isso também ficou conhecida como “Gioconda”. (Reportagem disponível no sítio eletrônico da BBC Brasil). As pesquisas de Pallatini, portanto, estão de acordo com a afirmação de Vasari, para o qual Mona Lisa seria Lisa di Antonio Maria Gherardini, esposa do mercador florentino Giocondo.

Para por fim à polêmica, pesquisadores de uma Universidade alemã descobriram em 2005 um documento histórico datado de 1503, com um registro de um funcionário da Chancelaria florentina. O documento traz uma nota afirmando que da Vinci trabalhava naquele momento na pintura de Lisa del Giocondo. (Leia mais sobre a descoberta dos pesquisadores alemães clicando aqui). 

Portanto, uma nova prova documental sustenta a afirmação de Vasari e confirma a verdadeira identidade de Mona Lisa, atestando que a musa de da Vinci foi, de fato, a esposa de Francesco del Giocondo.

O célebre quadro está exposto no Museu do Louvre, em Paris, França. O museu recebe anualmente cerca de 5,5 milhões de visitantes e todos querem ver a obra mais famosa: a Mona Lisa.


Turistas disputam espaço para ver o quadro de Leonardo da Vinci. (Museu do Louvre, França).

Apesar do quadro ter dimensões pequenas (77 x 53 centímetros) ele possui 509 anos. Alimentou polêmicas durante séculos e desperta admiração do público há cinco séculos!

Mona Lisa ou La Gioconda é uma obra-prima de Leonardo da Vinci e um retrato do que foi Renascimento Cultural no campo das artes e das ciências.
Na pintura temos a combinação de novas técnicas artísticas, como o sfumato,  a perspectiva (que causa sensação visual de profundidade) e o uso das formas geométricas harmônicas sustentando as linhas e as cores de um obra de arte produzida por um homem genial.

Fim da polêmica?

5.5.15

Representação da intolerância

Os alunos do 7º ano do Ensino Fundamental assistiram ao filme Caça às Bruxas (2011), com o astro Nicolas Cage.



O longa se passa na Idade Média, no período das Cruzadas, por volta do século XI ou XII.

Assista ao trailer.

Destacamos, antes do filme, que era importante que os alunos prestassem atenção aos elementos históricos, isto é, verídicos representados no filme, como: as Cruzadas, a intolerância da Igreja Católica, a Peste Negra dentre outros aspectos.

Após o filme, debatemos os aspectos históricos apresentados e solicitamos que os alunos escolhessem um dos temas estudados para ilustrar.

A aluna Leandra, da sala 9, caprichou na arte e mostrou a realidade. A Idade Média viveu momentos de turbulência religiosa, além das lutas e perseguições travadas entre cristãos, muçulmanos e judeus havia na própria Europa intolerância da Igreja com indivíduos julgados diferentes. Eles eram rotulados, de adoradores do demônio, as mulheres eram chamadas de bruxa e muitos foram condenados pela Inquisição à morte. 

Leandra retratou o momento do filme em que três mulheres são condenadas à forca por um padre e alguns soldados, após terem sido acusadas de bruxaria. Confira abaixo.


A violência gerada pela intolerância religiosa. Desenho da aluna Leandra.

Importante ressaltar que durante a Idade Média a Igreja realizava inúmeras obras sociais e de caridade. Estudamos que nos feudos eclesiásticos, além dos mosteiros destinados aos estudos bíblicos, havia espaços para os viajantes, hospitais para cuidar dos enfermos e lugares para acolher órfãos e idosos. Mas nada justifica a violência praticada, principalmente sob pretexto religioso.

Isso tudo é lamentável, pior ainda é que depois de tantos anos a humanidade teima em não aprender com os erros do passado. Infelizmente, a intolerância religiosa está muito viva em diversas partes do Mundo, até os dias atuais, provocando sofrimento e dor...

11.9.13

A arte e o elogio ao mundo caipira (séculos XIX-XX)

O universo sertanejo sempre despertou grande interesse nas pessoas. O sertão ou o interior é visto por alguns como um recanto para descanso e o berço das raízes nacionais, para outros é associado, erroneamente, ao  atraso e à ignorância.
O tema é tão fascinante que a Arte não se cansa de representá-lo, seja em filmes, mini-séries, novelas ou letras musicais.

Antes de ganhar vida nos televisores ou no rádio, os sertões e sua gente permeavam o imaginário de artistas da pintura e da literatura nacionais no século XIX e XX. Nossa ideia é perceber a influência da cultura sertanista sobre a produção artística e literária de três vultos da cultura brasileira, que viveram em épocas distintas, mas que tinham uma fonte de inspiração comum. 

Comecemos por Almeida Júnior (1850-1899), que nasceu no interior do estado de São Paulo. Estudou na tradicional Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde aprendeu sua técnica de pintura realista primorosa. Por essa escola passaram nomes como Victor Meirelles, Pedro Américo dentre outros grandes artistas brasileiros entre a metade e o final do século XIX.

Boa parte dos artistas formados na Academia Imperial dedicavam seus trabalhos, pesquisas e produção artística à História. Muitos deles retratavam em suas telas temas históricos, fatos do passado, exaltando uma identidade nacional que o Estado brasileiro, a cada pincelada, tentava construir com base no heroísmo e na união das diferentes etnias que formavam o seu povo.

Mas Almeida Júnior, apesar de sua formação clássica, contrariou os ditames da arte acadêmica, voltando suas atenções também para os fatos cotidianos, típicos do interior paulista, onde crescera e, possivelmente, vivera deliciosos momentos. Muitas de suas obras são,  portanto, marcadas por um caráter regional, fruto de seu olhar nostálgico sobre o seu passado e o dia a dia das pessoas comuns que desfrutavam de uma vida tranquila no sertão paulista.
Pescando, 1894. Almeida Júnior.
As palavras do historiador Jorge Coli reforçam a proposta inovadora da arte de Almeida Júnior, quando afirma: "deve-se, então, sublinhar o seu caráter a tal ponto singular que o faz destoar de seus contemporâneos. Não existe, no pintor, nenhum apelo a uma qualquer eloqüência heróica, retratando o trabalhador diante de uma natureza épica, como o fazia, nos Estados Unidos, seu contemporâneo Homer. Nenhum efeito de exaltação retórica." (COLI, Jorge. A violência e o Caipira. disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/2172/1311)

Um personagem marcante nas telas de Almeida Júnior é o caipira, como se vê, por exemplo, na reprodução abaixo.  
Caipira picando fumo, 1893.
Com expressões severas e um ar despreocupado com o tempo, o caipira prepara o fumo, cortando-o com sua faca, para envolvê-lo numa palha de milho, cujos exemplares estão espalhados pelo chão de terra batida.
Assentado num banco improvisado de madeira, com os pés descalços e trajes simples, o sertanejo está à frente de sua casa de pau a pique, um tipo de construção rudimentar muito comum do período colonial e imperial do Brasil, principalmente nas áreas rurais.

A beleza e a perfeição da obra saltam aos olhos. A iluminação, a perspectiva, o volume e as cores dão vida à tela e explicitam a genialidade do artista.


O caipira pintado por Almeida Júnior distanciava-se bastante de outro sertanejo bastante conhecido -  o Jeca Tatu - personagem criado e descrito no início do século XX, pela pena de Monteiro Lobato (1882-1948), também natural do interior paulista.
"...a vegetar de cócoras, incapaz de evolução, impenetrável ao progresso. Feia e sorna, nada a põe de pé."
O Jeca Tatu de Lobato, de forma pessimista e caricatural, denunciava o abandono das populações sertanejas pelo poder público. Ele representava indivíduos que viviam isolados nas áreas rurais, sem saneamento básico, adoecidos, agindo como predadores do solo e da natureza.  
A respeito do Jeca, seu criador diz: "Porque a verdade nua manda dizer que entre as raças de variado matiz, formadoras da nacionalidade e metidas entre o estrangeiro recente e o aborígene de tabuinha no beiço, uma existe a vegetar de cócoras, incapaz de evolução, impenetrável ao progresso. Feia e sorna, nada a põe de pé." (LOBATO, Monteiro. Urupês, São Paulo: Globo, 2009. p. 166).

Em suma, o Jeca era um entrave ao progresso nacional devido ao seu estado físico e social.

No final da história original do Jeca, porém, ele tem acesso a tratamento médico, se regenera e conclui seu caminho, tornando-se uma pessoa saudável, produtiva e um rico fazendeiro.

Na segunda metade do século XX, outro personagem interiorano tomou conta do imaginário coletivo de diversas gerações brasileiras.

Chico Bento, desenhado pela primeira vez em 1961 por Maurício de Sousa (1935-), cuja terra natal também é o estado de São Paulo, fez sucesso nas HQs (histórias em quadrinhos).


Chico bento, inspirado em um parente de seu criador que residia na zona rural no vale do Paraíba, a exemplo dos personagens citados anteriormente, anda descalço, veste roupas simples e usa chapéu de palha. Chico tem uma linguagem marcada pelo regionalismo, o que provocou certa polêmica entre estudiosos de ciências humanas e sociais. O idealizador do personagem foi acusado de criar estereótipos acerca da população sertaneja, como o falar errado, algo que a maioria dos linguistas atuais aceita como parte diversificada da língua pátria e as suas variações. 

O fato é que o caipirinha, divertido e simpático, conquistou o público infanto-juvenil devido às suas peripécias, pescarias, colheita de frutas no pomar do vizinho sem autorização e de sua dedicação em proteger a natureza e os animais.

O Caipira de Almeida Júnior, o Jeca de Monteiro Lobato e o Chico Bento de Maurício de Sousa são representações artísticas que possuem certas semelhanças e variam no tempo e no espaço. Elas nasceram das variadas experiências de seus criadores com parte do Universo sertanejo. Essas representações por vezes são generalizadas, tornam-se caricaturas e alimentam visões mais ou menos idealizadas do cotidiano dos habitantes dos sertões do Brasil. Em alguns casos serviram como argumentos para justificar pré-conceitos e visões distorcidas sobre o campo e sua população, que passaram a ser associados ao atraso, ao conservadorismo e a ignorância.

Contudo, tais associações são, no mínimo, equivocadas, pois a cultura não pode ser julgada, tampouco rotulada de "atrasada" ou "avançada". Mesmo identificando a permanência de tais equívocos em parte da opinião pública atual, a cultura sertaneja continua a exercer forte influência e interesse do público. 

Quem não se interessa pela vida simples do caipira, por sua rotina no campo, do contato e da relação que ele mantém com uma exuberante natureza, que lhe agracia com seus frutos e lhe ameaça com sua hostilidade? Quem não se derrete pela culinária da roça? Só de imaginar o frango caipira com quiabo, a broa de fubá e o aroma do café produzido in loco, o paladar, por mais exigente e sofisticado que seja, acaba se rendendo à simplicidade da comida preparada no fogão à lenha. Qual alma não encontra a paz na sinfonia orquestrada pela viola ou pelo doce gemido do carro de boi?

Jeca, Caipira ou Chico... seja qual for o personagem relacionado ao contexto interiorano e regional, seu mundo continuará seduzindo velhos e novos espectadores e leitores. Afinal, a cultura sertanista faz parte da cultura nacional. Na cidade grande, pequena ou no campo, o DNA do brasileiro carrega em sua essência o sertão. Rotular ou negar tal característica apenas reforça o óbvio - que, em pleno século XXI, somos caipiras por natureza.

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