18.5.20

O Estado faz a desigualdade social

A Constituição Federal de 1988 diz que um dos objetivos da República é reduzir as desigualdades sociais (artigo 3°, inciso III).
O objetivo é muito claro e deveria estar sendo trabalhado por todas as instituições que fazem parte da República,  entretanto,  não é o que ocorre.

Basta ver o exemplo da diferença salarial dos servidores do poder Executivo de Minas Gerais para perceber que o próprio estado colabora com manutenção dos níveis de desigualdade social. 

Observando a tabela acima, na qual constam dados sobre a remuneração dos servidores públicos do estado de Minas Gerais,  percebe-se que a maior parte deles está na faixa salarial de 2 a 4 salários mínimos. Esse grupo é formado principalmente pelos professores de educação básica.

Na faixa salarial seguinte, de 4 a 8 salários mínimos, a maioria é formada por policiais militares. 

Temos no estado de Minas Gerais mais de 6000 servidores que recebem mais de 16 salários mínimos. Polícia Militar,  Polícia Civil e Secretaria de Fazenda compõe o pódio, com pouco mais de 4000 servidores abocanhando o maior quinhão do orçamento estadual.  E mais,  esse pessoal ainda tem plano de saúde,  diárias e outros privilégios bancados pelo contribuinte.

Imagine quanto dinheiro não é necessário para sustentar estes marajás da ativa, os milhares de inativos e os pensionistas?

São bilhões de reais por ano destinado pagamento de pessoal dos três poderes e sempre há uma minoria do funcionalismo com salários de R$ 20.000,00, R$ 25.000,00, muito acima do que é pago aos enfermeiros e professores. 

O estado trabalha para reduzir as diferenças sociais ou apenas age para manter a desigualdade? Morreremos e não veremos uma reforma administrativa séria e justa que equipare salários e funções e extingua privilégios e regalias de pequenas corporações parasitárias.



15.5.20

Demissão do Ministro da Saúde

O ministro da Saúde assumiu a pasta, há pouco menos de um mês, dizendo estar alinhado ao pensamento bolsonarista.

Sob sua gestão viu a crise da Covid-19 avançar,  ceifando a vida de mais e mais brasileiros dia após dia.
O ministro que é médico por formação assistia aos arroubos de seu chefe, defendendo o fim do isolamento social, fazendo alusão à cloroquina, embora nenhum estudo aponte a eficácia do medicamento contra a doença. Enquanto o número de óbitos aumentava, o presidente passeava de jet-ski, brigava com o Ministro da Justiça e Segurança Pública e cobrava do titular da Saúde o alinhamento prometido. 

Essa convergência ideológica cega pressupunha ir contra a Ciência e pregar a defesa do uso da cloroquina para tratar os contaminados na pandemia, mesmo sem a sustentação de estudos científicos para comprovar a segurança e resultados satisfatórios.

O Ministro da Saúde estava isolado, o seu ministério foi preenchido por militares bolsonaristas, ele era a voz divergente, não entregou o que prometeu e deixou o cargo. Ciência e saúde não combinam com bolsonarismo, são coisas antagônicas.

Racionalidade parece não combinar com esse governo. Em meio uma crise sanitária sem precedentes,  como  tem gente que defende o retorno das atividades econômicas,  se não tem segurança,  remédio e vacina contra a doença?

Como os brasileiros foram capazes de escolher tão mal o seu representante político, a ponto de colocar o algoz do povo na presidência? 

Quem sobreviver e chegar a 2022, vote direito.


Aforismo

Siga o caminho e o exemplo dos grandes e virtuosos, caso erre durante o trajeto ao menos errará tentando fazer coisas nobres, que enaltecem o espírito. 

Yvesky Borislav

14.5.20

Como reduzir a desigualdade social no Brasil?

Na live de hoje discutimos com os alunos do Ensino Médio a questão: "Como reduzir a desigualdade social no Brasil?"
A aluna Júlia H., da turma 2002, produziu um texto com encaminhamentos e sugestões para a resolução do problema. Confira:

No livro "O Cortiço" de Aluísio de Azevedo, é retratada a desigualdade social no século XIX, onde está presente exploração dos mais pobres, péssimas condições de vida e a situação oposta, por meio da comparação com a burguesia. Fora da ficção, não é diferente, visto que, enquanto uns tem muito, outros vivem na miséria. 

Seguindo tal raciocínio, a desigualdade social provém de diversos fatores que necessitam uma solução adequada.
Sendo assim, é válido salientar que tamanho desequilíbrio social provém não só de governos, mas de uma sociedade extremamente corrupta, individualista, egocêntrica e incoerente, além do não investimento em áreas fundamentais (como saúde e educação), assim como em infraestrutura.

Em virtude dos fatos, fazem-se necessárias ações para que o quadro de desigualdade social seja alterado. Portanto, cabe ao governo melhorar a empregabilidade, possibilitando a aplicação de concursos públicos anualmente em todos os municípios, como medida integrativa, para que todos tenham oportunidades suficientes para ingressar no mercado de trabalho. 

Outro sim, O Poder Executivo, em parceria com o Ministério da Educação, deve assegurar políticas de inclusão social, principalmente na educação pública, permitindo que pessoas de comunidades carentes tenham acesso à uma vida mais digna, tendo seus direitos de cidadãos atendidos. Assim, evitar-se-á cenário semelhantes àquele apresentado na obra romântica naturalista de Aluísio de Azevedo.

Júlia H., 2° ano do Ensino Médio,  CIEP 280.

O aluno Jorge L. também analisou o problema com bastante clareza. Vejam só:

A desigualdade social no Brasil é um problema que afeta grande parte da população. Isso decorre da falta de acesso à educação de qualidade e a dificuldade de acesso aos serviços básicos (como saúde), por exemplo. 

Logo, é possível perceber, sobretudo, por meio do aumento do desemprego e da
violência os desafios que  temos pela frente. 

Levando-se em consideração esses aspectos,  nota-se a urgência de medidas para solucionar os problemas nacionais. Devemos combater a desigualdade social com a elevação do nível salarial, com uma taxação de impostos mais equilibrada, quer dizer, quem tem mais paga mais, e uma educação de qualidade para todos. 

Dessa forma, essas reformas devem ser sutis e progressivas, para que não tenha uma evasão de capital para o exterior, o que causaria uma regressão nesse processo. Nas mídias, que são fortes formadoras de opinião, poderia ser veiculados conteúdos que envolvessem a sociedade e a participação coletiva nesta proposta de mudança. Nas escolas, ensinar os alunos que eles são a grande esperança para superar a desigualdade social no Brasil.

Jorge L.,  aluno do 2° ano do Ensino Médio, CIEP 280.

11.5.20

Até quando?



"Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?"

9.5.20

Golpistas delirantes

Hoje, 9 de maio de 2020, um grupo de manifestantes saiu às ruas de Brasília para apoiar o presidente e defender o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. 
Os manifestantes também atacaram os governadores,  a imprensa e são contra o isolamento social em virtude da pandemia (o Brasil contabiliza mais de 10 mil mortos até o momento).

Os organizadores da manifestação fizeram vídeo,  chamaram militares, policiais e o povo de todo o Brasil para participar do movimento abertamente autoritário, mas o fiasco foi inevitável.  
Manifestação esvaziada, assim como o apoio ao presidente. Reflexo da desaprovação popular.

Os poucos golpistas, vestidos de verde e amarelo,  clamando por ditadura, fim da democracia e intervenção militar fizeram um papel ridículo. Apenas reforçaram para o país e para o mundo o quanto o presidente desequilibrado está isolado, sem apoio e com a popularidade e aprovação popular se deteriorando rapidamente (ruim e péssimo =49%; bom e ótimo = 27%). Desesperados com a queda do "mito", resta a violência, o confronto e a barbárie. 

Este cidadão que hoje ocupa a presidência da república é um despreparado,  arrasta o país para o caos social, gera instabilidade entre as instituições,  tão importantes para a democracia e para a paz que precisamos. Os golpistas que ainda apoiam o presidente, aquele cidadão que foi parlamentar por mais de duas décadas e fez mais por sua família do que pelo estado que representava, podem fazer barulho, mas as forças democráticas e progressistas irão prosperar.

Esssa turma que vai para as ruas pedir golpe e fechamento das instituições democráticas é perigosa, rasteira, precisa ser enquadrada pela Lei de Segurança Nacional,  pela restauração da sanidade do país e  pelo seu povo de bem.

O palácio dos loucos

Em 1852, foi construído,num terreno próximo à bela baía de Botafogo,  no Rio de Janeiro, o Hospício de Alienados Pedro II, um asilo para loucos e pessoas que sofriam com delírios e perturbações mentais. "O palácio dos loucos", apelido recebido pelo prédio, era administrado pela Santa Casa de Misericórdia.


O prédio, em estilo neoclássico,  foi o primeiro hospital para doentes mentais no Brasil e seguia as tradições dos alienistas franceses da segunda metade e final do século XIX. Nessa essa linha de atuação,  os alienados deveriam ser isolados,  afim de ficarem longe das causas que lhes provocavam o desequilíbrio e a loucura. Tinha capacidade para 300 internos,  de ambos os sexos, e já em 1862 estava com seu limite extrapolado.

Muitos dos internos eram pobres e negros, alcoólatras e vadios que perambulavam pelas vielas do Rio de Janeiro, onde promoviam distúrbios e baderna. Recolhidos pela polícia,  eram colocados em camisas de força e levados para o Hospício,  onde eram tratados com ducha de água fria e outros métodos que visavam restaurar a razão dos pacientes. 

O talentoso romancista carioca, Lima Barreto (1881-1922) foi um ilustre paciente do Hospício Pedro II. Alcoólatra, Lima  passou pela instituição em 1914 e 1919. À essa época,  o hospício estava sob o controle do Governo federal e recebeu nome: Hospital Nacional dos Alienados.

Lima Barreto fora internado,  pela última vez,  no dia 25 de dezembro de 1919, após ter um delírio e quebrar as vidraças de sua casa. Seu irmão entregou-o à polícia,  e o escritor foi levado ao hospício.  Lá,  Lima fez anotações à lápis sobre as instalações, seu cotidiano, os pacientes e os funcionários. Seu relato resultou  em duas obras, "Diário do hospício", no qual documentou sua experiência durante o tempo em que permaneceu internado, e "O cemitério dos vivos", um romance inacabado,  uma versão ficcional da mesma experiência do escritor no hospital.

Numa passagem, Lima registra situações em que passou por dificuldades e comparou seus constrangimentos com Cervantes e Dostoiévski, autores admirados pelo brasileiro,  os quais também passaram por experiência no cárcere.

"Voltei para o pátio, meu Deus! Estava ali que nem um peru, no meio de muitos outros, pastoreado por um bom português, que tinha um ar rude, mas doce e compassivo, de camponês transmontano. Ele já me conhecia da outra vez. Chamava-me você e me deu cigarros. Da outra vez, fui para a casa-forte e ele me fez baldear a varanda, lavar o banheiro, onde me deu um excelente banho de ducha de chicote. Todos nós estávamos nus, as portas abertas, e eu tive muito pudor. Eu me lembrei do banho de vapor de Dostoiévski, na Casa dos Mortos. Quando baldeei, chorei; mas lembrei de Cervantes, do próprio Dostoiévski, que pior deviam ter sofrido em Argel e na Sibéria".

Pelo Hospital dos Alienados passaram grandes nomes da medicina brasileira, como Juliano Moreira, baiano e mulato, que se tornou um pioneiro da psiquiatria no Brasil. 

Juliano Moreira também ficou reconhecido por se opor a ideia defendida por Nina Rodrigues, para quem a mestiçagem teve impacto inconveniente na formação do povo brasileiro. 

Na década de 1940, sem condições adequadas de funcionamento, os internos foram transferidos do Hospital dos Alienados para outro local. O prédio foi doado à Universidade do Brasil, atual UFRJ, passou por restauração e hoje funciona como Instituto de Psiquiatria da Universidade. 

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