21 de novembro de 2017

[RESUMO] Revoluções Liberais na Europa (1830-1848) e o surgimento da Itália e da Alemanha

  • A derrota definitiva de Napoleão Bonaparte inaugurou um momento de acirrada disputa na Europa. De um lago havia aqueles que defendiam o retorno ao modelo social e político do Antigo Regime, o absolutismo monárquico e os privilégios para nobres e clero; De outro lado, se posicionavam os defensores do liberalismo político e do mérito individual como requisito para a hierarquia social. 
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Líderes europeus reunidos no Congresso de Viena.
  • Restauração: Ocorreu após o Congresso de Viena. As monarquias destituídas por Napoleão Bonaparte regressaram ao trono, as constituições de cunho liberal foram anuladas e regimes políticos foram adotados em grande parte da Europa. A restauração foi resultado da Santa Aliança (Rússia, Áustria e Hungria).
  • Após a restauração, porém, a Europa foi sacudida por uma onda revolucionária. As ideias liberais despertadas pela Revolução Francesa ainda estavam vivas e fizeram eclodir vários movimentos revolucionários.
  • Na década de 1820, por exemplo, houve revoluções na Itália, na Península Ibérica e na Grécia, além das ideias liberais somava-se o nacionalismo. O nacionalismo consiste, basicamente, no sentimento de identidade de um povo, que compartilha uma história e um determinado território. Esse sentimento de pertencer a uma comunidade nacional, que possui uma língua e tradições em comum contribuirá para o surgimento de Estados Nacionais, como veremos adiante.  
  • Na Grécia, os ideais liberais e nacionalistas inspiraram a luta pela independência do domínio otomano, reconhecida em 1829. Já na Itália, a revolta se deu contra a presença da dinastia Bourbon, da França, e contra o domínio exercido pela Áustria.
  • A Revolução de 1830 começou na França, mas se propagou por outras regiões da Europa. O rei Carlos X instituiu as Ordenações de Julho, que acabavam com a liberdade de imprensa, dissolviam a Câmara dos Deputados e modificavam a lei eleitoral. Revoltados com as medidas arbitrárias, os franceses ergueram barricadas nas ruas de Paris, entre os dias 27 a 29 de julho daquele ano, promovendo um violento protesto.
  • Carlos X abdicou do trono e o movimento atingiu outras regiões, como Bélgica, Península Itálica, Estados Germânicos e Inglaterra. Embora muitos movimentos fossem sufocados pelas elites dirigentes, reformas de cunho liberal eram levadas adiante. Exemplo: A Bélgica se tornou independente dos Países Baixos; Na Inglaterra o número de eleitores foi ampliado e o movimento operário se organizou em sindicatos.
  • A Primavera dos Povos (1848): principal onda revolucionária dos oitocentos. Combinou as aspirações liberais da burguesia, o nacionalismo e as reivindicações dos trabalhadores.

  • Mobilização das camadas mais pobres: foi impulsionada pela crise econômica que atingiu a Europa entre 1846 e 1850, as más colheitas resultaram na elevação do custo de vida, indústrias dispensaram trabalhadores e obras ferroviárias foram interrompidas agravando o problema.
  • Em Paris, os franceses proclamaram a Segunda República colocando fim no regime monárquico. Houve revoltas no Império Austríaco, que culminaram na independência da Hungria, protestos também eclodiram em estados italianos e alemães.
Romantismo

  • Trata-se de um amplo movimento sociocultural que atravessou os últimos anos do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX, que foi influenciado pela Revolução Francesa e pela expansão napoleônica. Os artistas tentavam reproduzir as tensões vividas na Europa revolucionária.
  • Exaltavam a liberdade e a luta contra o Antigo Regime, o nacionalismo contra a influência estrangeira. Valorizavam o idioma, o folclore e as tradições nacionais. Os românticos se opunham à arte neoclássica e ao iluminismo, defendiam a intuição sobre a razão, as situações extremas sobre o equilíbrio , a aproximação do homem com a natureza em oposição à sociedade industrial.
A liberdade guiando o povo (1830).  Eugène Delacroix.
A unificação da Itália

  • Primeira metade do século XIX: a Península Itálica era fragmentada em vários reinos, pequenos estados autônomos. O sul era dominado pelo Reino das Duas Sicílias, com economia basicamente agrícola. O norte da península havia se industrializado, e estava sob a influência do Império Austríaco.

  • Em 1848, no contexto das insurreições liberais, os reinos italianos declararam guerra contra a Áustria, porém a desunião dos reinos não levou à unidade nacional.
  • Em 1859, o primeiro-ministro, o conde de Cavour, do reino Piemonte-Sardenha, com o apoio de Napoleão III da França, derrotou as tropas austríacas e incorporou diversos territórios ao norte. No sul, Giuseppe Garibaldi organizou os camponeses, os quais formaram um exército conhecido como camisas vermelhas.  Em 1860, os camisas vermelhas tomaram o reino das Duas Sicílias.
  • Em 1861, a unificação dos territórios foi feita por Vítor Emanuel II, rei do Piemonte-Sardenha, aclamado como rei da Itália.
  • Em 1866, Veneza foi incorporada à nação italiana. Roma foi anexada em 1870 e tornou-se a capital do país, embora a Igreja tivesse o interesse em manter a cidade separada do novo reino.

A unificação da Alemanha 

  • As invasões napoleônicas despertaram o nacionalismo alemão.
  • Desde 1815, os estados alemães, reunidos na Confederação Germânica, eram dominados pelo Império Austríaco e pela Prússia.
  • A Prússia era industrializada e buscava novos mercados para seus produtos. Em 1834, a Prússia criou o Zollverein (aliança aduaneira) que estabelecia um acordo comercial entre os Estados alemães, suprimindo as barreiras alfandegárias, exceto a Áustria.
  • Essa medida impulsionou a indústria e o comércio dos Estados alemães, o que fez aumentar o interesse dos grupos favoráveis à unificação política da Alemanha.
  • Nas Revoluções de 1848, a Prússia já tinha passado por um movimento, orquestrado por burgueses e operários, que desejavam uma Alemanha unida e liberal. A revolta obteve algumas conquistas, dentre elas o sufrágio universal. Porém, a reação da nobreza pôs fim à revolta e anulou as conquistas liberais.
  • A grande burguesia e a nobreza prussiana se aliaram para fazer a unificação sem a participação popular.
  • O chanceler da Prússia, Otto von Bismarck, indicado pelo rei Guilherme I, teve papel determinante na unificação. Ele estimulou o nacionalismo, equipou e modernizou o exército. Depois disso, ele guerreou contra a Dinamarca, pela posse de territórios ao norte, depois enfrentou a Áustria. A Confederação Germânica do Norte, liderada pela Prússia, caminha rumo à unificação.
  • Em 1870, após a Guerra Franco-Prussiana, o território da Alsácia-Lorena, rico em carvão, foi tomado pelos germânicos.

  • 1871: Guilherme I foi coroado imperador da Alemanha e Bismarck tornou-se o chefe militar do país. A unificação da Alemanha foi obra, portanto, do desenvolvimento industrial da Prússia e da integração econômica dos demais estados germânicos, além da militarização que permitiu a conquista de territórios que compuseram o novo Estado.

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