26 de agosto de 2017

Nota sobre o IV Concurso literário da ALLA

Neste ano, decidimos pela primeira vez, participar do concurso promovido pela associação não governamental que se auto-outorga guardiã das letras e das artes Leopoldinense.

Confesso que participei com bastante receio, pois me preocupava a falta de informações e critérios para a avaliação dos trabalhos enviados. Há vários membros da ALLA que são professores da rede pública de ensino e sabem muito bem que apesar de termos jovens talentos na escola o quadro geral é de desinteresse pela escrita e produção artística. Assim mesmo, optamos por enviar dois trabalhos de estudantes, os quais ficaram muito bons. Mas casou-me estranheza notar que em várias modalidades do resultado do concurso não foram preenchidas com o número máximo de dez finalistas que o edital previa.
Me questiono o que houve com os demais trabalhos? Foram descartados? Ora, o certame é destinado principalmente para as escolas, vide o edital com as categorias e a grande divulgação que se faz desse evento nos educandários. 

Entretanto, os trabalhos dos alunos enviados por nós não foram contemplados entre os finalistas e nem outros trabalhos de escolas diferentes, pois como mencionamos algumas categorias sobraram vagas, selecionando apenas 5 ou 6 finalistas. Isso causou certa frustração em um jovem e esperançoso aluno e também em sua mãe, que sonhavam em constar na lista dos dez. Nós enviamos o trabalho, aguardarmos o resultado e nada... Perder faz parte, a questão é como se perde.

Todo concurso tem que ser transparente e com regras mais claras e bem definidas, isso evita questionamentos e deixa a disputa mais idônea e justa. Nossos alunos não são escritores profissionais, tampouco o são muitos dos togados que descartaram esses e outros tantos trabalhos que não apareceram nas listas de finalistas. Vejo isso como algo contraditório, pois a instituição celebrou ter recebido centenas de produções de várias partes do Brasil. 

Ora, creio que se a organização continuar agindo assim, deixando margens para atitudes provincianas, ficará parecendo que a banca avaliadora está favorecendo amigos, pessoas próximas e até parentes, assim, o concurso perde em legitimidade. Sei que não fará diferença alguma para eles, mas eu não participarei mais, pelo menos até que ocorra uma reforma significativa nos critérios de avaliação e na definição dos avaliadores, que, para mim, poderia envolver outros segmentos da sociedade e não apenas o círculo interno da agremiação.

Outro ponto nebuloso do edital, a meu ver, foi a categoria relato de experiência para professores, na qual só constava o número máximo de páginas do documento e mais nenhuma informação sobre como deveria ser o formato de tal relato. Para mim, faltou uma breve descrição ou um simples detalhamento do que os avaliadores esperavam desse relato como, por exemplo, a descrição da experiência, seus objetivos, impactos entre alunos e comunidade escolar os resultados obtidos, enfim, sem isso achei que ficou algo vago. Evidentemente, que a expressão relato de experiência é por si bastante sugestiva, mas em se tratando de um concurso, sendo um evento público, as regras do jogo precisam ser mais cristalinas. Por isso, nem me inscrevi, embora tenha relatos e mais relatos das incontáveis experiências pedagógicas que desenvolvemos nas várias escolas pelas quais passamos em difíceis, porém abençoados e maravilhosos 11 anos de profissão!

Fica aqui minha crítica construtiva para os organizadores do Concurso, pois se pretendem democratizar a cultura, as letras, as artes e descobrirem novos talentos precisarão das escolas públicas e dos seus professores da cidade e, estes, eu creio, só participarão de eventos cujas regras sejam objetivas e justas, possibilitando maior engajamento dos docentes, dos alunos e de suas famílias nessa bela iniciativa.

Sabemos que alguns membros da ALLA acessam, vez ou outra o blog, então fica aqui o nosso registro e um parabéns aos vencedores da presente edição!


Obs: 
Exemplo interessante e transparente do concurso cultural do banco Itaú, Rumos 2017, que proíbe a participação no certame das seguintes pessoas:


  • Integrantes da comissão de avaliação e de seleção do programa Rumos e seus pais ou responsáveis legais, irmãos, filhos, cônjuges e companheiros.

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